domingo, 30 de setembro de 2012

Apenas uma pequena homenagem àquela que doou ao público brasileiro durante seis décadas sua maior riqueza: a alegria de viver e o exemplo do seu "jeito Hebe de ser"


Não vou repetir o que todos já sabem, ou deveriam saber, sobre a trajetória de Hebe Camargo, uma mulher que viu a televisão brasileira nascer e fez parte de toda trajetória desse veículo fantástico. Em mais de 60 anos de profissão, ela fez história como cantora, atriz, dubladora, apresentadora e tudo mais que se apresentasse como desafio à sua frente.

Existe uma linha tênue que separa o ídolo do seu admirador.  Fiquei pensando sobre isso quando fui surpreendida pela notícia da morte de Hebe Camargo nesse sábado (29). Eu tinha acabado de acordar quando li na internet. Confesso que demorei um tempo para assimilar a informação. É normal esse tipo de sentimento quando se perde um ente querido. E Hebe parece ser exatamente isso, a mãe, a tia, a avó que todo mundo gostaria de ter e adotou através das imagens da televisão.

Hoje, o que não faltam são aprendizes de Hebe. Mas é claro que ainda não surgiu e dificilmente surgirá uma substituta. Primeiro que como Hebe não haverá outra, com coragem de dizer o que pensa, de enfrentar, encarar, não se subjugar ao caminho mais fácil para ter sucesso nem fazer caramuru ao dono da empresa. E segundo que essas novas apresentadoras forçam uma barra, investem numa função sem talento nato para tal. Qualquer uma agora acha que pode ser apresentadora, querendo, no fundo, realizar o desejo oculto de ser celebridade. Mas nenhuma conseguirá nunca imitar o "jeito Hebe de ser".

Unanimidade? Não. Hebe não era. Encontrei no elevador do meu prédio um vizinho questionando: “Cada um faz o que quiser com o próprio dinheiro. Mas uma mulher que ganhava até pouco tempo quase três milhões de reais por mês, o que ela fez de caridade?”. Os amigos mais próximos da apresentadora talvez saibam responder. E a resposta veio de sua grande amiga Lolita Rodrigues durante o "Programa da Tarde", da Record, nessa segunda-feira (1), ao contar que Hebe sempre fez muita caridade, mas não contava, nem gostava que falassem.

E para o grande público de Hebe o que importa mesmo é que ela doou aos telespectadores durante mais de seis décadas sua maior riqueza: a alegria de viver. Afinal, "o bem e o mal existem dentro de cada um".