terça-feira, 22 de novembro de 2011

“Marcas da Vida”: A câmera nervosa mostra que programa sobre dramas reais parece um barco à deriva sem porto seguro à vista


Aposta da Record para melhorar seu desempenho no Ibope nas tardes de segunda a sexta-feira, “Marcas da Vida”, que estreou nessa segunda-feira (21), não atingiu o intento. A emissora continua em terceiro lugar em audiência no horário nesses dias. O programa parte de dramas da vida real relatados no blog da jornalista Helena Lemos, que são interpretados por atores e comentados por especialistas. O primeiro episódio tratou de um caso de adultério, com o marido exigindo teste de paternidade da filha do casal. Um advogado falou sobre as leis vigentes nesses casos. O segundo, dessa terça-feira, girou em torno de uma jovem com anorexia. Médicos falaram sobre a doença.

Incomoda o fato de que, tirando os profissionais especializados que dão as explicações técnicas, todo o resto é fake. A começar por Helena Lemos, que é apenas uma personagem interpretada pela atriz Maga Bianchi. Se era para ter tom jornalístico, então por que não buscaram um profissional da área? A atriz, desconhecida do grande público, como todo o resto do elenco, vive uma personagem que está dentro da história, entrevistando os envolvidos no caso, e que também apresenta o programa. Ou seja, uma repórter e apresentadora fictícia, numa atração cuja proposta é mostrar marcas da vida real.    

Aliás, tirando o fato de mostrar dramas supostamente contados por pessoas reais no site do programa na internet, nada mais tem de semelhante com a série “Caso Verdade”, exibida nos anos 80 pela Globo, como foi sugerido antes da estreia. O formato da Globo era outro: a cada semana era contada uma história em cinco capítulos e atores se revezavam na apresentação. Tony Ramos, Regina Duarte, Júlia Lemmertz foram alguns deles.

“Marcas da Vida”, cujo formato pertence à britânica Fremantle Media no Brasil, mesma produtora de realities como “O Aprendiz” e “Ídolos”, faz lembrar mais os casos mostrados no programa que Márcia Goldschmidt tinha na Band. A diferença é que Márcia tinha debate no palco, com platéia, e carregava as tintas no sensacionalismo.

 A câmera nervosa também dá uma certa aflição, pois balança tanto que parece até que todos estão em um navio. Aliás, o cameraman é mais um personagem, não mostrado para o público, mas que tem sua presença revelada pelos personagens. No primeiro episódio, por exemplo, em que o marido descobre que não é pai biológico da filha de 6 anos do casal, as brigas entre ele e a mulher são interrompidas por ela, mandando o câmera parar de gravar. O que também soa falso. Falta mais verdade para atracar em um porto seguro.

Para a primeira temporada estavam previstos 25 casos. Destes, sete estão prontos. Mas, diante do fraco desempenho, não será surpresa se o programa sair do ar sem deixar suas marcas. Coisas da vida.