quarta-feira, 26 de outubro de 2016

“MasterChef Profissionais”: Perfis individuais e relacionamento entre cozinheiros se sobrepõem a expertise anunciada no título


Errou de restaurante quem esperava que o “MasterChef Profissionais” seria um duelo de titãs transformando a cozinha em um palco de pratos surpreendentes e desempenhos irretocáveis. Os ingredientes dessa competição de culinária da Band, a primeira que reúne apenas cozinheiros com formação e experiência comprovadas, vem se assemelhando com os que se destacavam nas temporadas com amadores, nas quais as relações interpessoais e os temperamentos individuais dos participantes serviam como principais temperos para a edição.

No episódio dessa terça-feira (25), a cereja do bolo, literalmente, ficou por conta da emoção de Marcelo, que dedicou sua vitória na prova de eliminação, a primeira de confeitaria do programa, ao pai que estaria de aniversário e faleceu há quatro anos. A emoção do cozinheiro contagiou a todos, levando às lágrimas até mesmo os jurados. É claro que a edição se preparou para esse momento, já que antes das avaliações foi exibido um clipe de Marcelo em casa, ao lado da mãe, contando um pouco sobre sua trajetória e sobre a perda do pai, que não aprovava sua ideia de estudar gastronomia.

Tirando as lágrimas do último bloco, Ivo e João foram os que ganharam mais holofote na noite. E não é por menos. Em quatro episódios, Ivo conseguiu dividir opiniões entre os que o defendem por ser o mais experiente do grupo e os que o detestam por algumas atitudes consideradas machistas e prepotentes. João, por sua vez, está se tornando cada vez mais um personagem dele próprio, com sua extrema falta de modéstia e um senso crítico feroz em relação aos demais.

Com certeza os defensores de Ivo ficaram sem argumento quando ele se saiu muito mal na primeira prova, na qual os candidatos eram obrigados a usar pelo menos três ingredientes da Caixa Misteriosa que continha uma verdadeira xepa de feira, com restos de alimentos não usados, como pé e pescoço de galinha, cabeça de peixe, osso com tutano, cascas e folhas de legumes e verduras. Ivo fez um cozido que visualmente percebia-se estar muito gorduroso. E ainda foi dizer para Paola Carossela que costumava usar aquele tipo de insumos para distribuir refeições nas noites frias. Até Érick Jacquin notou a lorota e afirmou na cara dele: “Eu não acredito que você falou isso... Que gosta de trabalhar com esses ingredientes”. Para amenizar, o chef francês, que sabe ser elegante nas suas indiretas, concluiu: “Está dizendo isso para conquistar a Paola”. Enquanto Henrique Fogaça, com sua peculiar sutileza, largou na cara do candidato que a comida parecia um vômito. Mas o que deixa Ivo mais indignado e vermelho de raiva é ver os outros se saindo melhor do que ele, principalmente se for a Dayse, sua ex-funcionária. Só fica satisfeito mesmo, não escondendo o sorriso sarcástico, quando vê quem ele acha forte se dando mal nas provas.

Personificando um outro tipo de vilão da história está João, que faz lembrar um personagem de tirinha. Seus depoimentos gravados à parte são até engraçados, tamanha a falta de modéstia com que sempre diz que foi injustiçado porque, segundo ele, seus pratos sempre merecem estar entre os melhores. Invariavelmente, no começo de cada prova faz questão de lembrar que é professor: “Eu já dei aula sobre produtos sustentáveis”, “Eu já dei aula de confeiteiro”. Curiosamente em sua ficha consta que já foi chef de confeitaria em restaurantes, porém não surpreendeu na prova do Opéra. Sem falar que é mestre em dar pitacos sobre os pratos dos outros, com pose de jurado. E para chamar a atenção sobre si, pegou carona na homenagem que Marcelo fez ao pai falecido. Chorando e se vitimando, lembrou que entende o outro pois também está longe de casa. Como assim? Seus familiares estão vivos em Recife. Parece até piada.

Correndo por fora, entre os outros sete competidores, ainda tem Dário, o jovem que vem se mostrando competente, concentrado e bom companheiro. Mas já deixou claro que também é competitivo ao revelar querer ir para a final com Ivo, para lutar contra um forte. E Fádia, aparentemente insegura, que vem comendo pelas beiradas e enganando com a falsa impressão de estar entre os mais fracos. Foi a vencedora da prova da Caixa Misteriosa.

Vale falar ainda sobre Priscylla, que faz a linha "uma estranha no ninho". Desde a estreia ela não consegue fazer nada sozinha, está sempre pedindo socorro aos colegas para tarefas básicas, como ligar uma batedeira, regular um forno. Pede dicas o tempo todo sobre as receitas e nas provas de eliminação não consegue se virar sem o auxílio de quem está no mezanino. Quando alguém não ajuda, faz cara de vítima, como se não soubesse que em uma disputa é cada um por si. Chega ser irritante ela ficar chorosa durante toda a execução dos pratos repetindo que não vai dar certo, mas sempre com um sorriso que não dá para entender se é de nervosa ou de quem já se conformou com o destino.

Ou seja, o que não falta nessa edição de Profissionais são personagens com perfis que se encaixam em todos os gêneros. Talvez tenha sido intencional selecionarem candidatos levando em conta mais as histórias pessoais e o temperamento de cada um do que exatamente um currículo que realmente comprovasse o profissionalismo de cada um. Até porque, torna um pouco menos difícil a posição dos chefs jurados na hora de julgar outros “profissionais”.


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