domingo, 24 de junho de 2012

“Deu Olé”: Novo programa de esporte da Band traz descontração e humor, mas torna-se chato pelo exagero de Denílson tentando se sobressair diante das câmeras


 
Felipe Andreoli não saiu do “CQC” nas noites de segunda-feira na Band para apresentar o esportivo “Deu Olé” nas tardes de sábado, na mesma emissora, mas mantém a mesma desenvoltura tanto em um quanto em outro. Não que isso seja um problema, pelo contrário, o jeito irreverente como o jornalista conduz suas reportagens e apresentação é um ponto positivo. Nesse sábado (23), ele abriu o programa falando sobre a repercussão que a presença do jogador Kaká na estreia, na semana anterior, teve até nos sites esportivos internacionais. Não foi para menos, já que o brasileiro que tem fama de certinho, atualmente jogando no Real Madrid, apareceu no “Quadro dos Sonhos” vestido de metaleiro, fazendo cara de mau, ouvindo heavy metal, comendo cachorro-quente e esperando um ônibus no ponto.
  
A proposta do “Deu Olé” é mostrar um bate-papo descontraído entre Felipe, o ex-jogador Denílson e a jornalista Paloma Tocci, que apresentava o “Belas na Rede” na Rede TV!, num cenário colorido, sobre os fatos esportivos da semana. Tanto no estúdio quanto nos quadros com atletas convidados, o tom é muito mais de brincadeiras do que informativo.  O quadro “Notícias Mais Importantes da Semana” parece até uma cópia do “Sensacionalista”, telejornal do canal Multishow com notícias isentas de verdade e carregadas de humor.

A falta de informações concretas sobre resultados da rodada é proposital, mas pode afastar o público mais interessado em esporte do que em piadas. Também chega a ser irritante o narcisismo de Denílson, o tempo todo fazendo caras e bocas para a câmera, até quando não é ele o foco. Para piorar, não se toca que está falando bobagens totalmente sem graça e fazendo a linha “apresentador-galã-mala”. Precisava mostrar a capa de um disco antigo da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, lembrando que é cunhado de Zezé? “Senão eu apanho lá em casa”, afirmou ele, numa clara demonstração de exibicionismo por ser casado com Luciene Di Camargo.

Paloma estava bem no papel de repórter no São Paulo Fashion Week entrevistando a modelo Júlia Petit, que deu dicas sobre os uniformes dos times de futebol e criticou o excesso de patrocínio nas camisetas. Mas no estúdio, Paloma parecia perdida entre as sacadas de Felipe e as ironias inconvenientes de Denílson. E depois de já ter feito coraçãozinho com as mãos para chamar imagens da Eurocopa, ela deu uma de Mônica Iozzi, se insinuando para o campeão de pesos-pesados do UFC, Junior Cigano, que apareceu vestido de vidente no “Quadro dos Sonhos”, dançando Sidney Magal.

Alguns quadros não tiveram nem informação nem graça. Como o “Jogo da Verdade”, em que entrevistas são mostradas na versão original e depois dubladas e as declarações dos entrevistados são alteradas por afirmações que o programa julga serem as verdadeiras. Os “bola da vez” foram Joel Santana e Roger. Foi uma tentativa de ser crítico, mas sendo totalmente desnecessário.  E o “Lição de Casa”, no qual são mostrados vídeos enviados por internautas mostrando suas habilidade, ou falta de, com a bola, foi chamado no ar de “Top Five”, numa clara tentativa de imitação do “CQC”.

E, para encerrar, tem a Tartaruga Tobias, numa cópia escancarada do polvo Paul, que ficou famoso por acertar o resultado de oito jogos na Copa do Mundo de 2010, atraído por mexilhões que eram colocados em dois potes com a bandeira dos países que iriam se enfrentar. O mesmo é feito com uma tartaruga, que deve escolher entre duas traves, cada uma representando um time que irá disputar a rodada do fim-de-semana. Embora a audiência tenha sido considerada satisfatória pela Band na estreia, com média de 3 pontos, teve uma leve queda para 2.5 pontos na segunda edição e não tirou a emissora do quarto lugar no ibope. Resta saber por quanto tempo o humor vai vencer em campo a falta de informação.