quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"X-Factor": Programa forçou na tentativa de mostrar emoção, mas não evitou o constrangedor momento de apelação


A promessa de Simon Cowel era de emocionar o público do primeiro ao último episódio da temporada da competição musical criada por ele, “The X-Factor”, que estreou no Brasil na noite desta terça-feira (11), no canal Sony. A promessa começou a ser cumprida no primeiro episódio, mas houve um fator X que fugiu ao seu controle (será?): a participação de Geo Godley, um candidato inconveniente de Seatle que tirou as calças e cantou mostrando seu órgão genital, escondido na edição pelo logo do programa, para surpresa do público e dos jurados. Algumas pessoas da plateia foram embora, assim como a jurada Paula Abdul, que se retirou para vomitar no banheiro. A questão é: a postura do candidato não poderia ser enquadrada judicialmente como atentado ao pudor? E, se é tão vexaminosa, por que não foi cortada na edição, já que não se trata de um programa ao vivo?  A questão é que, tanto lá quanto cá, todos fazem de tudo por alguns pontos de audiência.

“The X-Factor” é o programa de maior sucesso no Reino Unido e tem no comando o produtor musical da Sony, Simon, e como jurados Antonio L. A. Reid, Paula Abdul e Nicole Scherzinger. Simon, grande estrela da atração, estava no Britain's Got Talent de 2009, que lançou a carreira global da cantora Susan Boyle. “Saí do programa mais visto do planeta para um novo desafio”, afirmou ele na estreia.

Nessa primeira noite não tivemos uma nova Susan Boyle, mas histórias de vida comoventes é o que não faltam em nenhuma parte do mundo. A primeira candidata na etapa de Los Angeles, Rachel Crow, uma menina de 13 anos, chegou dizendo o que faria com os 5 milhões de dólares do prêmio: “Minha família não tem dinheiro. São seis pessoas em uma casa de dois quartos. Preciso de um banheiro só para mim”.  E Simon deu o veredicto após ouvi-la cantar: “Prepare-se para um banheiro novo”. Também não faltaram candidatos bizarros, como o casal Dan e Venita, que usariam o prêmio para continuar viajando com seu trailer para fazer shows para idosos. Ao cantar “Unchained Melody”, o casal era a mais imperfeita tradução de “Ghost”.

A edição de “X-Factor” não é inovadora, mas é bem feita. Vemos bastidores dos jurados fora do ar, retocando a maquiagem, brincando, trocando farpinhas programadas. Assim como dos candidatos vencedores emocionados e festejando com seus familiares. Ficou claro que a rivalidade entre Simon e L.A. será um tempero à parte. Quando um diz Sim, o outro diz Não, sempre ao som da musica “Eye of the Tiger”. Deve render mais do que os antigos entraves também “armados” de Simon com Paula Abdul no “American Idol”.

O desejo de ser um ícone da música leva a atitudes que não têm fronteiras. Muda o idioma, o estilo, a cultura, o figurino... O direito de sonhar é o mesmo e igual para todos. É igual inclusive a falta de noção de onde termina o limite da mera falta de talento e da extrema falta de senso do ridículo. Afinal, o vencedor assinará um contrato de US$ 5 milhões com a gravadora Syco / Sony Music.

Mas o episódio de estreia guardou dois momentos especiais. O da candidata Stacy Francis, 42 anos. “Desde os 30 anos dizem que sou velha. Não quero morrer com a música dentro de mim”, disse ela, aplaudida de pé após cantar “Natural Woman”, de Aretha Franklin. Logo depois, veio Chris Rene, um catador de lixo que tem um filho de 2 anos e acabou de sair de um tratamento de reabilitação. Está há 70 dias sem usar drogas. O jurado disse Sim, mas cobrou dele seguir na postura correta que o levou até o programa. Os próximos episódios prometem mais emoção.  E, quem sabe, mais apelação...