domingo, 24 de junho de 2012

“Deu Olé”: Novo programa de esporte da Band traz descontração e humor, mas torna-se chato pelo exagero de Denílson tentando se sobressair diante das câmeras


 
Felipe Andreoli não saiu do “CQC” nas noites de segunda-feira na Band para apresentar o esportivo “Deu Olé” nas tardes de sábado, na mesma emissora, mas mantém a mesma desenvoltura tanto em um quanto em outro. Não que isso seja um problema, pelo contrário, o jeito irreverente como o jornalista conduz suas reportagens e apresentação é um ponto positivo. Nesse sábado (23), ele abriu o programa falando sobre a repercussão que a presença do jogador Kaká na estreia, na semana anterior, teve até nos sites esportivos internacionais. Não foi para menos, já que o brasileiro que tem fama de certinho, atualmente jogando no Real Madrid, apareceu no “Quadro dos Sonhos” vestido de metaleiro, fazendo cara de mau, ouvindo heavy metal, comendo cachorro-quente e esperando um ônibus no ponto.
  
A proposta do “Deu Olé” é mostrar um bate-papo descontraído entre Felipe, o ex-jogador Denílson e a jornalista Paloma Tocci, que apresentava o “Belas na Rede” na Rede TV!, num cenário colorido, sobre os fatos esportivos da semana. Tanto no estúdio quanto nos quadros com atletas convidados, o tom é muito mais de brincadeiras do que informativo.  O quadro “Notícias Mais Importantes da Semana” parece até uma cópia do “Sensacionalista”, telejornal do canal Multishow com notícias isentas de verdade e carregadas de humor.

A falta de informações concretas sobre resultados da rodada é proposital, mas pode afastar o público mais interessado em esporte do que em piadas. Também chega a ser irritante o narcisismo de Denílson, o tempo todo fazendo caras e bocas para a câmera, até quando não é ele o foco. Para piorar, não se toca que está falando bobagens totalmente sem graça e fazendo a linha “apresentador-galã-mala”. Precisava mostrar a capa de um disco antigo da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, lembrando que é cunhado de Zezé? “Senão eu apanho lá em casa”, afirmou ele, numa clara demonstração de exibicionismo por ser casado com Luciene Di Camargo.

Paloma estava bem no papel de repórter no São Paulo Fashion Week entrevistando a modelo Júlia Petit, que deu dicas sobre os uniformes dos times de futebol e criticou o excesso de patrocínio nas camisetas. Mas no estúdio, Paloma parecia perdida entre as sacadas de Felipe e as ironias inconvenientes de Denílson. E depois de já ter feito coraçãozinho com as mãos para chamar imagens da Eurocopa, ela deu uma de Mônica Iozzi, se insinuando para o campeão de pesos-pesados do UFC, Junior Cigano, que apareceu vestido de vidente no “Quadro dos Sonhos”, dançando Sidney Magal.

Alguns quadros não tiveram nem informação nem graça. Como o “Jogo da Verdade”, em que entrevistas são mostradas na versão original e depois dubladas e as declarações dos entrevistados são alteradas por afirmações que o programa julga serem as verdadeiras. Os “bola da vez” foram Joel Santana e Roger. Foi uma tentativa de ser crítico, mas sendo totalmente desnecessário.  E o “Lição de Casa”, no qual são mostrados vídeos enviados por internautas mostrando suas habilidade, ou falta de, com a bola, foi chamado no ar de “Top Five”, numa clara tentativa de imitação do “CQC”.

E, para encerrar, tem a Tartaruga Tobias, numa cópia escancarada do polvo Paul, que ficou famoso por acertar o resultado de oito jogos na Copa do Mundo de 2010, atraído por mexilhões que eram colocados em dois potes com a bandeira dos países que iriam se enfrentar. O mesmo é feito com uma tartaruga, que deve escolher entre duas traves, cada uma representando um time que irá disputar a rodada do fim-de-semana. Embora a audiência tenha sido considerada satisfatória pela Band na estreia, com média de 3 pontos, teve uma leve queda para 2.5 pontos na segunda edição e não tirou a emissora do quarto lugar no ibope. Resta saber por quanto tempo o humor vai vencer em campo a falta de informação.  


sexta-feira, 22 de junho de 2012

“As Brasileiras”: “A Doméstica de Vitória” tem cenas sensuais, mas o forte é a emoção que envolve a personagem central


Dira Paes protagonizou em “A Doméstica de Vitória” um dos episódios de “As Brasileiras” no qual o drama e a emoção estiveram mais presentes. O programa que foi ao ar nessa quinta-feira (21), na Globo, trouxe vários pontos altos, como a presença de Betty Faria, fazendo uma participação especialíssima, e um texto redondo, com uma história bem trabalhada e bem editada, mantendo o tempo da comédia e sem perder no conteúdo.  A história da mulher que reencontra uma filha, perdida há muitos anos, trouxe um novo aspecto ao texto dos episódios da série.

Em tempos em que o termo empreguete virou moda graças à novela das sete, “Cheias de Charme”, Dira interpretou Cleonice, uma empregada doméstica que escreve cartas para a filha desaparecida quando tem alguma folga no trabalho na casa de Muriel (Betty Faria), autora de títulos de autoajuda e que vive à beira de uma crise de nervos. Por uma dessas coincidências do destino, Cleonice assume o papel da patroa, incentivada pela cozinheira Zezé (Inez Viana). E acaba se envolvendo com o editor de livros de autoajuda Fernando (Dalton Vighi). E, é claro, consegue o ápice de sua história ao reencontrar a filha durante uma sessão de autógrafos de seu próprio livro.

Infelizmente, o nome da atriz que interpreta Cíntia, a filha de Cleonice, não consta no site oficial da série. Mas é sempre bom lembrar que o programa foi criado por Daniel Filho, inspirado na obra de Sérgio Porto, tem Geraldo Carneiro como autor do texto narrado por Daniel, e como escritores dos episódios Adriana Falcão, Ana Maria Moretzsohn, Carol Castro, Clarice Falcão, Gregório Duvivier, Jô Abdu, Marcelo Saback, Marcio Alemão Delgado, Marcius Melhem, Marcos Bernstein e Sylvio Gonçalves.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

“Reviva Especial”: Faltou mais descontração por parte dos convidados justamente no programa destinado ao humor na TV



Faltou graça justamente no “Reviva Especial” voltado para o humor, que encerrou na segunda-feira (18), no canal Viva, a série de cinco programas temáticos sobre vários gêneros de atrações da televisão brasileira. O jornalista Zeca Camargo comandou o bate-papo que reuniu o humorista Marcius Melhem, o ator Diogo Vilela, a autora Maria Carmen Barbosa e o diretor Maurício Farias. O problema é que, apesar de todos trabalharem com comédia, fora de cena não demonstram muita descontração. Pelo contrário, com exceção de Maria Carmen, são até bastante sérios. 

O que valeu mesmo foram os clipes reunindo imagens de sucessos memoráveis como “Escolinha do Professor Raimundo”, “Os Trapalhões”, “Viva o Gordo” e “Sai de Baixo”, entre outros. Mas, num canal voltado para a reprise de programas antigos, faltou a presença de profissionais mais veteranos da área para o debate ficar mais rico de histórias e também mais descontraído, como os divertidos Agildo Ribeiro e Paulo Silvino. 

Ao tratarem de temas como a forma como o humor é tratado atualmente e os valores de tempos atrás, foram os depoimentos gravados por Hebe Camargo, Jorge Fernando, Maurício Sherman e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho que temperaram a discussão. “Vejo com tristeza esse humor agressivo. Não que eles não tenham talento. Eu respeito, mas não quero que ninguém grite comigo, dê soco na minha cabeça, que ninguém me menospreze. É uma covardia, o sujeito me entrevista e depois edita e me ridiculariza, quando ele que me entrevistou é muito inferior à minha competência não só como artista, também como intelectual”, afirmou Boni.

O “TV Pirata” foi um dos mais comentados, certamente por estar sendo reprisado pelo canal atualmente. Diogo Vilela, que fazia parte do elenco do humorístico, falou sobre a irreverência do programa: “A anarquia estimulava uma autocrítica. Acho que isso era uma novidade”. Já Marcius Melhem comentou sobre a nova safra de comediantes: “Tem muitos colegas chegando agora, eu chamo de adolescência da fama. Agride, agride e nem sabe aonde quer chegar. Aí, esquece de fazer humor e fica uma coisa do próprio umbigo”, alfinetou.

E em meio a muitas teorias sobre a necessidade de renovação, o que ficou mesmo foi a sensação de que os grandes mestres do humor ficaram no túnel do tempo. Como afirmou Boni, após a exibição de imagens com vários personagens criados e vividos por Chico Anysio: “Ele é único no mundo. Você não via o Chico fazendo o Paulo. Era o Paulo. Era a alma do personagem. Esses artistas são especiais. São os Chaplins”, concluiu Boni.



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quarta-feira, 20 de junho de 2012

“Gabriela”: Direção de fotografia e produção de arte dão estética rebuscada ao remake em que Juliana Paes pesa no erotismo para criar sua versão da personagem marcada pela interpretação original de Sonia Braga



Não há como ouvir “Modinha Para Gabriela” na voz de Gal Costa sem que imagens marcantes de “Gabriela”, exibida pela primeira vez em 1975, sejam imediatamente despertadas na memória. E lá vêm à tona cenas marcantes vividas por Sonia Braga, a morena da cor de cravo e canela que deu vida na televisão e no cinema à personagem-título do livro de Jorge Amado, de 1958. Não poderia ter sido diferente assistindo ao remake da novela que estreou nessa segunda-feira (18), na Globo. Por mais que o autor Walcyr Carrasco, responsável pela nova versão, diga que está se baseando apenas na literatura e não na novela escrita por Walter George Durst há 37 anos, é impossível evitar comparações. Principalmente por ter sido mantida a mesma trilha sonora.

Apesar de estar sendo chamada de novela das onze, a estreia foi mais cedo, logo após “Avenida Brasil”, pegando carona nos altos índices de audiência da trama de João Emanuel Carneiro. Mas passará a ser exibida de terça a sexta-feira às 23h, tal como aconteceu com o remake de “O Astro”. A história aborda a seca nordestina e a pacata cidade litorânea de Ilhéus de 1920. A personagem-título, Gabriela, é uma jovem do sertão baiano que vai para Ilhéus fugindo da seca nordestina, e lá seduz quase todos os homens com seu jeito ingenuamente sensual. E escandaliza as mulheres carolas da época. As tramoias e enredos políticos, sem dúvida, continuam bem atuais.

Juliana Paes está se esforçando para registrar sua marca e fugir do fantasma da Gabriela de Sonia Braga. E, pelo que já deu para perceber, na sua nova versão o apelo erótico se sobrepõe ao ar de menina simples, moleca e sorrateiramente sensual da personagem.  Já Humberto Martins deu ao turco Nacib um temperamento bem menos explosivo daquele feito por Armando Bógus. Diferente de Antonio Fagundes que manteve até o tique nervoso de tremer os dedos sobre a bengala, como fazia Paulo Gracindo quando interpretou o Coronel Ramiro Bastos.

Tirando a sempre talentosíssima Laura Cardoso, que em poucas aparições já domina todo o capítulo como a autoritária e moralista Dorotéia, o que vem roubando mesmo a cena dessa vez é o trabalho de produção de arte e a direção de fotografia.  O diretor geral Mauro Mendonça Filho, assim como os outros diretores de sua equipe, André Barros, Felipe Binder e Noa Bressane, estão apresentando um produto tão bom quanto foi o dos diretores Walter Avancini e Gonzaga Blota, guardando, é claro, as devidas proporções das diferentes épocas e tecnologias disponíveis.  Iluminação e enquadramentos estão dando uma roupagem nova a uma história já vista.

Já a cantora Ivete Sangalo por mais que se esforce, está a anos luz de chegar perto de dar a Maria Machadão a irreverência e convencimento mostrados pela veterana Eloísa Mafalda, primeira - e pelo jeito única - dona do Bataclan. Até porque, além de não ser uma atriz, Ivete não tem as características de uma dona de cabaré dos anos 20. Na época em que fez Maria Machadão, Heloísa já estava com 51 anos de idade, mais de 20 de carreira e tinha acabado de encerrar uma temporada de três anos de sucesso fazendo a Dona Nenê na versão original do seriado “A Grande Família”. Com certeza a personagem merecia no remake uma intérprete à altura da primeira.

Vale lembrar também que a versão original de “Gabriela”, de 132 capítulos, após ser exibida em 1975, foi reprisada em um compacto de 90 minutos em 1980, em outro compacto de 12 capítulos em 1892 e voltou ao ar entre 1988 e 1989, com 90 capítulos, no “Vale À Pena Ver De Novo”. Foi a primeira novela das dez exibida na sessão que vai ao ar às 13h30 na Globo. A nostalgia, portanto, não é privilégio apenas de quem já passou dos 40 anos, mas também das gerações que assistiram às reprises e hoje têm até menos de 30 anos. Portanto, o que não falta é público para traçar paralelos entre uma versão e outra.



domingo, 17 de junho de 2012

“Dança dos Famosos”: Bárbara Paz quase vai para a repescagem, mas se mantém no posto de uma das candidatas mais fortes do quadro do "Domingão do Faustão"

Bárbara Paz vem acertando cada vez mais o passo, dominando a pista no “Dança dos Famosos”, desde a estreia do quadro do “Domingão do Faustão”, e, talvez por isso, incomodando. Depois de se esbaldar nos ritmos Baladão e Forró nas provas anteriores, a atriz mais uma vez se destacou nesse domingo (17), dançando bolero com seu coreógrafo, Marcelo Chocolate. Mas quase caiu na repescagem graças aos votos de Humberto Martins e da professora e dançarina Carlota Portela. Estranho foi o ator, depois de ter elogiado Bárbara, fazer questão de lembrar o aniversário de Sthefany Britto essa semana. Ficou no ar uma certa bajulação explícita e tentativa de influenciar os outros pela data. O voto dele foi dado após a atriz Mayana Neiva ter votado em Sthefany, que também foi a escolhida do coreógrafo Ivan Bertazzo, do júri técnico. Felizmente, após um empate entre as duas, o que pesou foi o voto popular da plateia.

Sthefany, que escapou da repescagem por pouco dançando forró, dessa vez não teve a mesma sorte e juntou-se à modelo Fernanda Motta e à cantora Gabi Amarantos, conhecida como a Beyonce do Pará. Fernanda chorou no programa em que foi para a repescagem dançando Baladão e depois disse ter se sentido injustiçada. Gaby, justo a cantora de tecnobrega, saiu do time no forró, mas não perdeu o bom humor e até ignorou ter sido chamada de “gordinha” por uma jurada técnica que esqueceu seu nome. Ah, sim, a tal jurada se chama Maria Pia.  

A questão é: um júri, formado por dois profissionais em dança e três artistas, no qual todos se conhecem e há claramente afinidade e aproximação maior entre uns e outros, a votação não fica tendenciosa? É claro que Humberto Martins não iria votar contra Sthefany na semana do aniversário dela, sendo amigo da atriz. Mas fez questão de ter votado em Bárbara, que é visivelmente uma das candidatas mais fortes, após o primeiro voto, de Mayana Neiva, ter sido em Sthefany. Já Claudia Ohana, que também mostrou um bonito trabalho de coreografia, quase passou despercebida nos comentários dos jurados. E Monique ainda levou um voto do estilista Carlos Miéle, que preferiu não se meter no empate e deixar a decisão para o público. Realmente, fica difícil entender os critérios. Ficou claro também que os jurados artistas não são bem orientados antes, já que Humberto Martins achou que estava ali apenas para elogiar e não para eliminar alguém, mesmo que provisoriamente. Uma pena!
  

sábado, 16 de junho de 2012

“Globo Mar”: O jornalístico que mergulha na rotina e mistérios da vida marítima encerra mais uma temporada mantendo a mesma qualidade de produção e de imagens mostrada desde a sua estreia, em 2010

Em uma semana em que alguns programas encerraram a temporada deste ano na Globo, como o humorístico “Casseta e Planeta Vai Fundo” e o seriado “Loucos Por Ela”, o que realmente fará falta é o jornalístico “Globo Mar”. Não por fazer parte de um gênero mais sério, diferentemente dos outros dois, voltados para o humor, mas por realmente ser um programa que corresponde ao padrão de qualidade que a emissora tanto gosta de exaltar, com pautas voltadas ao mar, à pesca e tudo que tenha relação com o oceano.

A volta do “Casseta e Planeta” se mostrou totalmente desnecessária. A trupe formada por Hélio de La Peña, Claudio Manuel, Sérgio Madureira, Reinaldo, Hubert, Beto Silva, agora reforçada no texto por Fabito Rychter, Alessandro Goldbach, Ricardo VR, Fernando Aragão, Fábio Porchart, Allan Sieber, Arnaldo Branco, Mederihjon Corumbá e Guemin, nada acrescentou de novo ao humor. Foi muito do mesmo nas atuações e as mudanças de quadros deixaram a desejar. É esperar que na próxima temporada, já garantida no fim do ano, os veteranos humoristas voltem mais criativos.

Já a primeira temporada de “Loucos Por Ela”, que também já tem uma segunda prevista, deixou muito a desejar. As histórias na maioria dos episódios eram tão fracas que nem um roteiro bem costurado salvava. Du Moscovis não parecia confortável no papel do galã que virou comediante. Deborah Secco mudou do vinho da Natalie Lamour de “Insensato Coração” para a aguada Giovana do seriado. O único ponto alto do programa foi contar com Glória Menezes no elenco. Não foi de surpreender que ela tenha roubado não uma mas várias cenas no papel da esperta vovó Violeta.

Ainda sem uma quarta temporada confirmada, “Globo Mar” se despediu da terceira nessa quinta-feira (14), mostrando uma das riquezas do litoral norte de São Paulo: a produção de vieiras por populações caiçaras em fazendas isoladas em ilhas isoladas na região. E ainda trouxe belas imagens submarinas ao contar sobre os naufrágios que aconteceram na Ilha Bela, como o do navio Príncipe das Astúrias, o maior da história registrado em águas brasileiras.

O programa, sem dúvida, é resultado do esforço de toda uma equipe que, fica claro nas reportagens, trabalha unida e manifestando prazer no que faz, até mesmo nas situações de dificuldades. Sem falar no jeito simples e familiar com que o repórter Ernesto Paglia conduz as matérias, deixando de lado qualquer tom didático mesmo nos casos em que é preciso destacar a necessidade de cuidados para a preservação do meio ambiente. A repórter Poliana Britta também se saiu muito bem nas matérias conduzidas por ela.

Entre os muitos temas abordados neste ano estão o projeto que preserva tubarões em Pernambuco, a pesca de cerco e da lula em Arraial do Cabo (RJ), o refúgio das baleias baluarte em Abrolhos, as belezas da Ilha do Mel no litoral do Paraná e a pesca artesanal em Caiçara, no Rio Grande do Norte. Em tempos de Rio+20, programas preocupados com o planeta e com excelentes trabalhos de pesquisa, roteirização, edição, registro de imagens, disposição e prazer na execução como esse, devem ser valorizados e não terem apenas temporadas, mas espaço fixo na grade das emissoras. E, de preferência, em um horário mais nobre.

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

“Mais Você”: Quadro de culinária reúne cozinheiros amadores e faz a diferença pela ausência de regras rigorosas e por mostrar a intimidade dos participantes na cozinha

Ana Maria Braga acertou a mão na receita do quadro “Jogo de Panelas”, que foi ao ar essa semana no “Mais Você”. Diferentemente de outras disputas culinárias realizadas no programa, essa teve vários ingredientes que deram um toque de descontração, informalidade e até intimidade não apenas dos concorrentes entre si como também do telespectador com eles. Baseado no “Come Dine With Me” (Venha Jantar Comigo) do canal britânico ITV Studios, o reality mostra cinco cozinheiros amadores disputando um prêmio de R$ 10 mil reais. 
 
Participaram desse primeiro “Jogos da Panelas” cinco moradores de São Paulo, a artista plástica Alice, o diretor de arte Fred, a instrumentador cirúrgica Gláucia, o consultor de marketing André e a advogada Veridiana. Cada um teve que oferecer em sua própria casa um jantar, com entrada, prato principal e uma sobremesa, aos outros participantes, fazendo também uma decoração temática para o encontro. Para comprar todos os ingredientes do evento, cada um recebeu R$ 700. E ao fim de cada noite, os convidados deram suas notas ao anfitrião.

A falta de regras mais firmes inicialmente pareceu que seria um ponto negativo, mas não chegou a favorecer nem prejudicar ninguém. Como o fato de os R$ 700 não serem um limite para o gasto de todos. Alice, por exemplo, que ofereceu o primeiro jantar, foi a única que ultrapassou esse valor e gastou mais de R$ 1 mil em suas compras. Ou seja, colocou mais de R$ 300 de seu próprio bolso. Ou mais, já que o próprio Louro José chamou a atenção para o fato de o valor declarado por ela para o programa ser diferente do que constava na nota. De qualquer forma, não se deu muito bem, já que o tema indiano escolhido por ela não agradou muito. Assim como o cardápio. Aliás, a comida não precisava, necessariamente, estar ligada ao tema. O que parece não ter ficado bem claro para os participantes antes, já que alguns deram notas inferiores usando esse argumento.

Fred, que fez um jantar Tropicalzin, fez às vezes daquele convidado que não pode faltar em nenhuma festa, pois faz a linha bem-informado, simpático e carismático. Gláucia, que escolheu os anos 80 como tema, caprichou nas caras de enjoada para as câmeras enquanto degustava os pratos preparados pelos outros.  Já o baiano André, foi o que mais espalhou críticas em todos os jantares. “Olha como eles mentem”, comentou Ana Maria Braga entre um bloco e outro do quadro, ao ver como todos teciam elogios à mesa e na hora do voto, gravado individualmente, achavam mil defeitos nos pratos.

Mas, apesar de posar de entendido em gastronomia, André promoveu o encontro mais micado. Escolheu o tema Brasil e fez uma decoração repleta de estatuetas de São Jorge. Sem música, sem nada que distraísse os convidados e servindo uma “Moqueca Desconstruída” decepcionante, acabou com as notas mais baixas da disputa. Ficou tão estressado que, após o seu jantar, teve uma crise de pressão alta e não pode comparecer ao último, oferecido por Veridiana, vencedora do quadro.

A vitória da advogada foi merecida, já que ela soube avaliar seus adversários com certa imparcialidade e ainda deu uma verdadeira aula enquanto preparava seus pratos, ensinando detalhes da receita de cada um. Seu tema foi Baile de Gala, com direito a máscaras e show de mágica. A entrada foi tomates recheados com queijo de cabra, salada verde e molho de mostarda e mel; o prato principal, um risoto de rúcula com champignon e medalhão de filé mignon, e de sobremesa um gelado de limão siciliano coberto por farelos de biscoito champanhe.

Tomara que nos próximos, se houver outras temporadas do “Jogo de Panelas”, os participantes se inspirem no estilo de Veridiana, já que não é preciso ser um chef renomado para mostrar desenvoltura em uma cozinha. Não adianta devorar trezentos livros de gastronomia, é preciso, acima de tudo, sentir prazer em cozinhar, ser curioso, ficar atento e receptivo às dicas dos profissionais da área e não ter medo em arriscar. É provando que se aprende.  

quinta-feira, 14 de junho de 2012

“Avenida Brasil”: Heloísa Périssé supera estigma de fazer apenas humor e se entrega em cenas de drama e romance

Heloísa Périssé sempre passeou com desenvoltura pelo universo do humor. Sua trajetória é recheada por trabalhos cômicos. Até quando se aventurava na dramaturgia suas personagens eram invariavelmente atrapalhadas e engraçadas. Mesmo quando interpretou Dercy Gonçalves em sua fase jovem na minissérie “Dercy de Verdade”, exibida em janeiro deste ano na Globo, estava envolvida com uma história dramática, mas permeada pelo escracho e irreverência da protagonista, inspirada na vida real. Já como Monalisa de “Avenida Brasil”, novela das 21h da mesma emissora, Heloísa vem conseguindo mostrar seu amadurecimento também para interpretar cenas nas quais romance e drama se mesclam, deixando de vez para trás o risco de ficar presa ao estigma da atriz que só faz comédia.

Nos capítulos que foram ao ar essa semana, Monalisa passou por dois momentos que permitiram à sua intérprete se sobressair em cena. O primeiro foi aquele em que, depois de descobrir que foi enganada por Silas (Ailton Graça) sobre a doença no coração, inventada por ele apenas para se casar com ela, a cabeleireira o abandona em plena lua-de-mel, volta para casa buscando apoio do filho e da melhor amiga e percebe que teve sua confiança traída por todos. O segundo momento foi o reencontro com Tufão (Murilo Benício), seu grande amor e de quem era noiva no começo da história. O clima de romance entre os dois ainda foi embalado por “Estória de Nós Dois”, música do cantor e compositor José Augusto, figura tarimbada em temas de abertura e trilhas sonoras de novelas nos anos 80 e 90.

Por enquanto, Monalisa ainda terá que vencer alguns obstáculos para ficar com Tufão. Rita/Nina (Débora Falabella) entrará no páreo, mesmo sendo apenas para levar adiante seu plano de vingança. E Carminha, vivida por Adriana Esteves não aceitará tão facilmente se separar do marido. No quesito interpretação, Heloísa tem um grande desafio pela frente, já que Adriana tem brilhado como a estrela maior na trama de João Emanuel Carneiro. Mas a cabeleireira tem a seu favor o fato de sua rival ser tão maquiavélica que dificilmente terá torcida para que Tufão volte para ela.

Agora é esperar também que Heloísa mantenha o tom conquistado nessa altura da novela e não permita que o despertar da paixão que estava adormecida de Monalisa pelo jogador de futebol a faça retroceder ao que a personagem era no começo da história. Nos primeiros capítulos, mesmo Monalisa sendo uma mulher guerreira e irreverente, ela não tinha a densidade que mostra atualmente. O tom anasalado na voz da atriz também fazia lembrar suas personagens cômicas anteriores, principalmente Tati, a adolescente da peça “Cócegas” que já teve até quadro no “Fantástico”. Se o desejo de Heloísa é ainda fazer uma vilã, como já revelou em entrevistas, está na hora de ela mostrar que é capaz de vencer uma tarefa muito mais difícil: superar a vilã, sem precisar para isso usar das mesmas armas da rival, nem tampouco ser a mocinha boazinha da história. A faca e o queijo o autor já colocou em suas mãos.


sábado, 9 de junho de 2012

“Perdidos na Tribo”: Programa da Band se aproxima do fim mostrando apenas como pessoas civilizadas se rendem a seus instintos primitivos, aceitando até torturar e sacrificar animais, por alguns mil reais


Após assistir aos dois primeiros episódios de “Perdidos na Tribo”, programa que a Band chama de docu-reality, mas que na verdade trata-se de um show de horrores, e que estreou no dia 13 de abril, decidi não continuar acompanhando. Nessa sexta-feira (8), no entanto, resolvi conferir se alguma coisa havia mudado, já que seria o nono dos dez episódios gravados. Grande decepção. O que pude constatar foi que, movidos pela ambição de ganhar o prêmio de R$ 250 mil, os participantes se transformaram em verdadeiros canibais. Alguns até tentam disfarçar, mostrando-se chocados com a crueldade feita por eles próprios com animais, sacrificados ainda vivos. Mas nem por isso deixam de participar ativamente dos rituais. 
 
O programa consiste em três famílias brasileiras, os Oliva, os Sackiewicz e os Menendes terem que conviver por três semanas com tribos: os Himba, nômades africanos da Namíbia; os Hamer, africanos do sudoeste da Etiópia, e os Mentawai, indígenas que vivem em ilhas da Indonésia. No fim, o chefe de cada tribo avalia se cada membro cumpriu suas tarefas, agindo exatamente conforme os costumes de cada povo, incluindo aí matanças e torturas de animais em seus rituais.

É preciso muito frieza para ouvir os gritos desesperados dos animais e assistir a imagens banhadas em sangue sem se horrorizar. Respeito que tais atos façam parte da cultura de cada tribo, por isso são chamados de primitivos, o que me espanta é ver pessoas ditas civilizadas se sujeitarem a tal comportamento. Será que, após voltarem para casa, suas consciências deixarão que elas coloquem suas cabeças no travesseiro e durmam um sono tranquilo? Caso as três famílias sejam aprovadas por suas respectivas tribos, o prêmio será dividido entre elas, o que dará pouco mais de R$80 mil para cada. 

É, com certeza vai dar para pagar as sessões de terapia que muitos vão precisar fazer após terem participado, por livre e espontânea vontade, de experiência tão degradante.

Mais sobre o programa na crítica da estreia, aqui:

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sexta-feira, 8 de junho de 2012

“Avenida Brasil”: Após vários capítulos se sobressaindo, Cauã Reymond atinge seu ápice de interpretação em cena crucial na trama de João Emanuel Carneiro

Cauã Reymond, definitivamente, assinou sua rubrica como mais um grande ator de sua geração no capítulo dessa quinta-feira (7) de “Avenida Brasil”, em que Jorginho, seu personagem na novela das nove da Globo, anuncia em público ter descoberto ser filho biológico de Carminha, a mulher que o abandonou quando criança no lixão, interpretada por Adriana Esteves. Cauã já vinha ensaiando esse ápice em capítulos anteriores em cenas extremamente fortes que claramente exigiam do ator um mergulho psicológico profundo em um personagem conturbado e emocionalmente frágil. Seu crescimento e sua evolução em cena aconteceram de forma tão escancaradamente arrebatadora que não teve como não ter a sensação de se estar dividindo com Jorginho toda aquela dor e emoção que ele estava sentindo.

Cauã, sem a menor dúvida, provou ter atingido uma maturidade que poucos artistas de sua idade revelam com seu tempo de carreira. Mas é preciso lembrar também que cenas tão fortes e arrebatadoras como as que ele acaba de protagonizar só acontecem graças a um somatório de fatores. A começar pelo brilhante texto do autor, João Emanuel Carneiro, passando pela atenta direção e cuidadoso trabalho da equipe de produção, até chegar à interpretação do elenco.

Carioca, depois de ter começado uma carreira como modelo e feito cursos de interpretação no exterior, Cauã estreou como ator na televisão em “Malhação”, em 2002, e logo se destacou como o Mau-Mau da trama. Três anos depois, no horário nobre, foi o garoto de programa que participava de uma das cenas cruciais do final de “Belíssima”, ao lado de Fernanda Montenegro. A partir daí passou a fazer parte da linha de frente do elenco global.

Inicialmente, o menino problemático saído do lixão corria o risco de cair na armadilha de repetir o perfil de Danilo Gouveia, o jovem drogado de “Passione”, mas Cauã soube transpor com agilidade as fronteiras entre um e outro personagem. E o seu Jorginho está sendo, sem dúvida, uma grata surpresa, digno de orgulho, inclusive, para atores já consagrados como Murilo Benício e Adriana Esteves, respectivamente Tufão e Carminha, seus pais na ficção. E tornando-se quase um protagonista independente, sem precisar mais de Nina, ou Rita, personagem de Débora Falabella, que há muito deixou de ser a mocinha para dividir com Carminha o papel de vilã. 


“A Fazenda 5”: Eliminação de Lui Mendes era previsível, como é a saída de Sylvinho do pacto da “panela” formada no celeiro

Lui Mendes conseguiu, em menos de dez dias de confinamento na “Fazenda 5”, atrair para si a antipatia não só de grande parte do público como também da maioria dos outros participantes do reality show da Record. Dos 13 peões que votaram em quem deveria ir direto para a roça no programa de terça-feira (5), apenas 4 não indicaram o ator. E sua eliminação nessa quinta-feira (7) não foi nenhuma surpresa. Desde o anúncio de que sua concorrente na disputa seria a modelo Viviane Araújo, todas as enquetes na internet já indicavam uma vitória da modelo com larga vantagem de votos. 

Se o oponente fosse o cantor Sylvinho Blau Blau o resultado seria o mesmo? Numa disputa em que a maior dificuldade é saber quem é o menos pior num elenco tão equilibrado, fica difícil fazer qualquer avaliação.

Talvez Lui tivesse conseguido prorrogar por mais tempo sua estada no programa, não fosse a péssima ideia de tentar ludibriar seus colegas de celeiro ao vencer uma prova em que todos estavam vendados e ele, por acaso ou não, conseguiu, após mexer várias vezes nos óculos, privilegiar-se de alguns momentos de visão e ficar calado. Ao subir para a sede e, depois de ser desclassificado na prova, voltar para o celeiro, o ator mostrou ter duas caras. Lá em cima, exagerou na ânsia de se sobressair. E os primeiros “donos” do terreno não gostaram do tom. De volta ao celeiro, falou mal de quem estava na sede.

Foi quando Lui, Sylvinho, Gretchen e Viviane selaram o pacto de formarem sua própria “panela”. Pacto que Lui e Sylvinho quebraram quando todos se reuniram na sede, um dia antes da eliminação. No embate entre Nicole Bahls e Viviane, Lui, sorrateiramente, foi apoiar a ex-Panicat. Sylvinho, estrategicamente, foi recomendar a Viviane que as duas saíssem no tapa. Já, com Nicole, o cantor foi só abraços e beijos. Esperta mesmo foi Gretchen, “macaca velha”, sem trocadilho, que ficou do lado de quem ela sacou que tinha mais chance de continuar no jogo. Afinal, enquanto Nicole tenta chamar a atenção acordando e dormindo de maquiagem, usando figurinos de periguete e comprando briga com todo mundo, Viviane fica na dela, ao natural, com roupas mais ou menos apropriadas ao ambiente e muito mais ouvindo do que falando. E vai acumulando pontos a seu favor. 

Pelo menos por enquanto...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

“Reviva Especial”: Canal Viva faz um delicioso mergulho na história da telenovela e Maitê Proença garante que bate-papo não vire um debate puramente didático


Maitê Proença deixou muito mais descontraído o bate-papo do “Reviva Especial Novelas” que foi ao na segunda-feira (4), no canal Viva, sob o comando da jornalista Glória Maria. O programa fez uma retrospectiva desde os primeiros folhetins e toda sua evolução até os tempos modernos, com imagens de arquivo e depoimentos gravados de profissionais que fizeram e fazem parte dessa história intercalando o debate em estúdio. Os outros três convidados eram o autor Whalter Negrão, o ator Mateus Solano e o doutorado em teledramaturgia Mauro Alencar. Mas foi a atriz que, acostumada a debates mais informais e acalorados como quando fazia parte do “Saia Justa”, do GNT, mostrou-se mais solta e à vontade para falar sobre sua experiência profissional.

Ao apontar “O Salvador da Pátria”, novela de Lauro César Muniz, de 1989, como a mais marcante que fez, Maitê comparou o momento político da ficção com o da vida real mais recente. Na trama, ela era a professora Clotilde, que alfabetizava o matuto Sassá Mutema (Lima Duarte) e com quem viveu um romance. “Tinha temas políticos, era a história de um boia-fria que virava presidente. Olha que atual (risos). Ela alfabetizava aquela pessoa, que acabou virando um monstro. Se quiser saber como a sociedade se comporta hoje, vê melhor na novela do que nos jornais”, afirmou a atriz.

Quando o assunto foi a estratégia de usar o horário das 18h para abordar temas mais leves, Maitê deu uma alfinetada, de leve, em alguns colegas. “Grandes atores não queriam fazer novela das seis porque pegava mal, queria dizer que estavam botando eles na geladeira. Aí chamaram eu e o Tony Ramos para fazer ‘Felicidade’ (1991), meio que para tentar recuperar o negócio (audiência) que não ia bem, e a gente subiu uns 10 pontos no Ibope. Mas também era um texto magistral do Manoel Carlos, na sua fase mais porreta”, insinuou ela.

“Uma boa história a gente ouve a qualquer hora”, tentou amenizar Mateus Solano, discretamente. Whalter Negrão aproveitou para fazer um pouco de graça: “Estou há 30 anos tentando fazer esse bom texto. Estou na minha trigésima sétima novela. Espero um dia chegar lá”, brincou o autor, cuja última trama foi “Araguaia”, em 2010.

No bloco sobre remakes, Mateus Solano, que fará Mundinho na nova versão de “Gabriela”, papel que foi de José Wilker no original em 1975, explicou que não gosta de ir pela imitação: “Gosto de criar, porque os tempos e o público são outros”. Maitê, que será Sinhazinha, personagem interpretada antes por Maria Fernanda, preferiu falar sobre a releitura que será feita agora de “Guerra dos Sexos”, trama de Silvio de Abreu da qual ela participou, em 1983. “Acho corajoso fazer de novo, porque foi tão incrível". Já Mauro Alencar admitiu que sempre faz comparações entre o original e o remake: “Tem um lado da minha mente onde fica a primeira versão. Mas essa expectativa faz o público ligar na nova versão”.

“E acontece mesmo essa história de o ator levar o personagem para casa?”, pergunta Glória Maria. É claro que Maitê foi a primeira a se manifestar. “O Tony (Ramos), diz que não, mas é mentirinha dele. Mas o Tony está acima de todos nós, já vive lá num lugar superior. Ele é uma entidade”, falou a atriz, rindo. E continuou: “Mas para as outras pessoas que vivem aqui embaixo como eu, levam. Você vive o dia inteiro carregando aquela energia, fica mais horas lidando com aquilo do que com a sua vida real. Fica impregnado”. Mateus Solano mais uma vez tentou fazer a linha politicamente correto e teve resposta. “Impregnado fica. Mas tem que conseguir (sair do personagem). Senão pode acabar sendo fatal, sim”, citou o trecho da música de Lulu Santos. E Maitê, em cima, retrucou: “Marcelo Serrado diz que está desmunhecando até agora como Tunico Bastos, que é um macho. E ele saiu daquele personagem (Crô, de ‘Fina Estampa’) pra ganhar o Oscar”, lembrou ela, referindo-se ao atual trabalho de Marcelo Serrado, o personagem que foi de Fúlvio Stefanini na primeira “Gabriela”.

Maitê, no entanto, teve plena aprovação ao tecer elogios ao autor de “Avenida Brasil”, atual novela das nove da Globo: “João Emanuel Carneiro está bebendo na realidade para levar para a ficção”. Mesmo sem falar, mas acompanhando com gestos afirmativos de cabeça, concordando plenamente com a atriz, Whalter Negrão mostrou que não só tem a grandeza de reconhecer o trabalho de outros autores como também que não os encara como concorrentes. O que não é raro acontecer, mesmo dentro de uma mesma emissora.

Fora o debate, que não caiu no tom puramente didático graças aos pitacos de Maitê, é sempre bom entrar nesse túnel do tempo e rever cenas antológicas, ouvir trilhas inesquecíveis, comparar o antes e o depois dos avanços tecnológicos. E aí cada um tirar suas próprias conclusões, a partir de suas lembranças ou de suas novas descobertas.


domingo, 3 de junho de 2012

“Legendários”: Marcos Mion escracha do elenco de famosos desconhecidos de “A Fazenda 5” no “Vale A Pena Ver Direito”


Marcos Mion mostrou no “Legendários” que foi ao ar nesse sábado (2), na Record, que está ainda mais escrachado no “Vale A Pena Ver Direito”, em que satiriza “A Fazenda”, o reality show da própria emissora. Dessa vez, o elenco de peões selecionados foi um prato cheio para o apresentador deitar e rolar na zombaria. A primeira imagem mostrada é da estreia, quando Britto Júnior diz para os 16 participantes, sentados à sua frente: “Deixa ver se eu consegui marcar bem os nomes de vocês”. Pausa! Grita Mion, ao lado de seu assistente, Mionzinho: “Se o apresentador não sabe quem são essas pessoas, como é que nós vamos saber?”. Realmente não foi um bom começo. Mas, com certeza, muitos dos peões deveriam estar usando até hoje um crachá para serem identificados pelo público.

Em seguida, Mion anuncia: “Vamos conhecer os peões que nem o Britto conhece!”. E um por um vai sendo xoxado ao desembarcar em um ponto da estrada que leva até a fazenda e onde todos embarcaram em um pau de arara. Entre os zoados estava a ex-Panicat Nicole Balhs, por estar usando um figurino à la Conan, personagem do filme “Conan, o Bárbaro”. Quando Ângela Bismarck apareceu Mion vibrou: “Finalmente uma celebridade”. Mas não perdoou ela ter sido apresentada como “personalidade da mídia”. “É a segunda pessoa a ter essa profissão. A primeira foi Renata Banhara (na ‘Fazenda 4’)”. A “referência” dada a Shayene Cesário como sendo musa de carnaval, também mereceu uma alfinetada: “E lá isso é profissão? Trabalha quatro dias por ano. É que nem Papai Noel de shopping”.

Mas o apresentador caprichou mesmo quando apareceram aqueles que estão longe de serem considerados celebridades, que dirá famoso. Quando Diego Pombo apareceu, Mion mostrou um vídeo no qual o árbitro de futebol aparece abaixando a cueca para a câmera. “Botou a anaconda na internet e foi para ‘A Fazenda’. Eu nunca vi esse cara apitar nenhum jogo! Cadê o Arnaldo César Coelho, então?”, protestou o apresentador. Sobre Simone Sampaio, além de afirmar nunca ter visto, ele ainda fez piada sobre a aparência da assistente de palco: “É a Bombom (Adriana, dançarina) que casou com um predador e deu nisso”.

Algumas frases ditas pelos participantes mereceram ser relembradas. Como quando a drag queen, apresentada como performer, Léo Áquila, diz “Ai, que cheiro bom de vaca, sentado entre mulheres como Ângela Bismarck e Viviane Araújo. E o diálogo: “Tomara que mantenha esse solzinho”, diz Ângela tentando puxar assunto. “De dia, né?”, responde Nicole. “Vai ser de noite?”, indigna-se Mion.

O apresentador pega mais pesado quando mostra Léo Áquila festejando a chegada do ator Felipe Folgosi e do modelo Gustavo Salyer. “Eu não estou falando nada. Alguém vai ter que explicar!”, despistou Mion, tirando o corpo fora. O despertar de Gretchen, coçando o umbigo, também não foi poupado. “A maior prova para a Gretchen vai ser ficar três meses sem casar! E a Bismarck sem fazer plástica?”, zombou Mion.
A choradeira de Penélope, Sylvinho e Viviane no celeiro foi o alvo no segundo dia do programa. “Vai pra acampamento, fica um mês longe de pai e de mãe e no segundo dia já estão chorando?”, disse o apresentador, em seguida emendando: “O problema é o Lui (Mendes). Aonde ele chega a pessoa chora. Tem bafo de cebola”, brincou Mion, referindo-se ao ator, que estava sempre próximo nos momentos diferentes em que cada um desatou no choro.

Apesar do escracho total, o lado mais divertido do “Vale A Pena Ver Direito” é ver que a emissora dá liberdade ao “Legendários” de fazer uma crítica pesada, mas bem humorada, de um programa da própria casa. Só faltou mostrar o próprio Lui chorando na sede após ser desclassificado da prova em que tentou trapacear seus colegas, no terceiro dia do programa, quinta-feira (31).



sábado, 2 de junho de 2012

“A Fazenda 5”: Quinta edição do reality show da Record tem elenco igualmente de quinta e tenta atrair mais audiência com polêmica que põe em dúvida trabalho dos próprios envolvidos no programa


Lui Mendes (quem diria?) foi o responsável pela maior repercussão que “A Fazenda 5” teve até agora na internet desde sua estreia, na terça-feira (29), na Record. Não que o ator, que já fez novelas na Globo, SBT e na própria Record, tenha se destacado por ter uma personalidade forte e marcante. Na verdade o programa foi o assunto mais comentado no Twitter na noite de quinta-feira (31), quando os internautas questionaram a vitória de Lui em uma prova em que todos os participantes, com os olhos vendados, tinham que superar obstáculos e montar um quebra-cabeça. O ator, após mexer várias vezes nos óculos usados para que ninguém enxergasse nada, correu, pulou obstáculos e venceu a prova. No programa dessa sexta-feira (1), foi anunciada a desclassificação de Lui da prova e a vitória de Penélope Nova, a ex-VJ da MTV, que tinha ficado em segundo lugar na disputa.

Estranho é que foi preciso os telespectadores se manifestarem para que a direção do programa resolvesse se reunir, apenas na tarde do dia seguinte, para analisar melhor as imagens. Como assim? O jornalista e apresentador do reality, Britto Júnior, que estava ali, em cima, não foi capaz de perceber que Lui era o único que mexia o tempo todo nos óculos, diferentemente de seus companheiros na disputa? E ninguém da equipe que fica no switcher, sala onde são monitoradas e controladas as imagens das 50 câmeras do programa, percebeu a desenvoltura exagerada mostrada pelo ator ao pular os obstáculos para quem não está vendo nada?

A impressão que dá é de que deixaram a polêmica esquentar na internet para garantir audiência, já que o elenco do programa tem frustrado a expectativa de que seria o mais quente das últimas edições. A ex-Panicat Nicole Bahls tem sido a única a causar. As outras candidatas a “novas Joanas Machado” estão decepcionando. Viviane Araújo está apagada desde a estreia, quando foi direto para o celeiro (espécie de Roça antecipada para onde foram seis dos 16 participantes que entraram na estreia. Os outros dez foram para as mordomias da sede). Gretchen, que no celeiro tinha voz ativa, ao ir para a sede e tentar provocar Nicole insinuando que suas roupas eram vulgares, acabou metendo a viola no saco quando a outra reagiu lembrando que a “Rainha do bumbum” tinha construído sua carreira rebolando nos palcos.

No mais, são pífias as presenças dos outros peões, todos ex-famosos ou candidatos a celebridade: a “personalidade da mídia” Ângela Bismarck; o ator Felipe Folgosi; a drag queen Léo Áquila; os modelos Gustavo Salyer e Viviane Araújo; a ex-dançarina do “Domingão do Faustão Robertha Portella; o humorista Rodrigo Capella; a sambista Shayene Cesário; a ex-assistente de palco de Raul Gil Simone Sampaio; os cantores Sylvinho Blau Blau e Vavá, e o árbitro Diego Pombo.

A Record comemora o fato de a audiência ter aumentado no horário do programa.  É preciso destacar, no entanto, que antes do reality os índices estavam baixíssimos, deixando a emissora em terceiro lugar, algumas noites até dividindo a colocação com a Band, perdendo para a Globo e SBT. Se alguém não fizer a diferença e “colocar fogo na caixa d´água”, tudo indica que “o bicho não vai pegar”. Pelo contrário, é a vaca que vai para o brejo.


“As Brasileiras”: Eva Todor foi a “cereja do bolo” no episódio “A Vidente de Diamantina”, protagonizado por Bruna Linzmeyer


Situações engraçadas, sem exagerar na bizarrice, e diálogos bem-humorados, sem cair na comédia escrachada – como já aconteceu em episódios anteriores - marcaram “A Vidente de Diamantina”, da série “As Brasileiras”, que foi ao ar nessa quinta-feira (31), na Globo. Bruna Linzmeyer interpretou Clara, a vidente do título que ao beijar qualquer homem tem visões de como será seu futuro ao lado dele. Lançada na minissérie “Afinal, O Que Querem As Mulheres”, dirigida por Luiz Fernando Carvalho em 2010, mas conhecida do grande público após interpretar a Leila da novela “Insensato Coração”, em 2011, a atriz não conseguiu disfarçar a tensão por estar vivendo sua primeira protagonista absoluta. Mas os atores Gregório Duvivier (que também assina o texto com Clarice Falcão) e Mateus Solano se encarregaram de dar equilíbrio ao trio que formaram com Bruna. Gregório soube dar o tom discreto e contido de seu personagem, Júlio, melhor amigo de Clara, que a ama em segredo. E Mateus caprichou nas caras e bocas fazendo o professor psicopata Heitor, que tenta conquistar a aluna, mas tem atitudes estranhas.

O tom de humor simples fez a diferença. Como na cena em que Clara chega ao restaurante para jantar com o professor desculpando-se pelo atraso e ele diz: “Eu que cheguei adiantado. Vim de moto costurando no trânsito”. “Você costura e anda de moto ao mesmo tempo?”, pergunta ela, assustada. A piada pode não ser um primor de criatividade, mas ficou engraçada graças às expressões dos atores. 

No geral, no entanto, a participação de Eva Todor é que foi a “cereja do bolo” no episódio. A atriz fez a simpática Dona Conchita, a “amiga madura” com quem Júlio desabafa seu amor não correspondido por Clara, enquanto a acompanha no carteado. No clima de “vidência”, ela quase engana o jovem dizendo que adivinha seus pensamentos e as cartas que ele tem nas mãos. Por isso ganha todos os jogos. Mas no fim acaba revelando, divertindo-se, que vê os naipes dele através do espelho. "Mas, infelizmente, na vida nem sempre temos um espelho para saber se o parceiro está blefando", diz Dona Conchita, sabiamente. A presença de Eva, ou “a Juliana Paes da terceira idade” como Daniel Filho a chamou em sua narração, é sempre bem-vinda em qualquer programa.