quinta-feira, 24 de maio de 2012

“Reviva”: Primeira das cinco edições de especiais da única atração produzida pelo Viva, canal de reprises, trouxe um delicioso mergulho na história da evolução da música




Zeca Camargo foi uma escolha acertada do canal Viva para apresentar o primeiro “Reviva Especial”, de uma série de cinco edições, voltado para a música na TV, que foi ao ar na segunda-feira (21). Além de apaixonado pelo tema, o jornalista tem a descontração necessária para um bate-papo informal com os convidados Nelson Motta, Fernanda Abreu, Mu Chebabi e Léo Jaime. O mote foi fazer um mergulho na evolução da música na televisão, desde quando Lolita Rodrigues cantou o hino da TV na inauguração da Tupi. As imagens tiradas do fundo do baú e as histórias buscadas lá no túnel do tempo saciaram aos nostálgicos e foram uma aula para os que não viveram aquela época dos grandes festivais, criação das primeiras trilhas sonoras de novelas e surgimento dos videoclipes. 

Nelson Motta, que produziu as primeiras seis trilhas sonoras de novelas, lembrou a importância dos musicais, que, no começo da televisão, ocupavam horário nobre. “Eram a novela da época. As pessoas comentavam nas ruas sobre eles”. Fernanda Abreu ressaltou a importância estética da linguagem dos clipes. Mu Chebabi falou sobre as trilhas sonoras, destacando a da novela “Irmãos Coragem”, de 1970. E Nelson aproveitou a deixa para dizer que foi a primeira vez que Elis Regina e Tim Maia tiveram músicas numa telenovela. “O Tim Maia tinha uma música escrita para o Padre Cícero e precisávamos de uma música para o João Coragem (personagem de Tarcísio Meira). Ele topou e na hora mudou a letra, onde era o nome do Padre virou o do João”, contou o produtor, dando risadas. Léo Jaime, por sua vez, salientou como os festivais tiveram importância política na TV.

Deixando o saudosismo de lado, o programa debateu um fato comprovado pelo sucesso que a reprise do “Globo de Ouro” no mesmo canal vem fazendo: existe, sim, audiência para programas feitos exclusivamente para apresentação de atores consagrados. Além dos convidados em estúdio, depoimentos gravados por outros artistas intercalavam o bate-papo. Hebe Camargo foi uma a cobrar que a TV está devendo espaço para os cantores, já que antigamente os musicais tinham mais presença nas emissoras. Boni, por sua vez, considerou que houve um excesso de exposição desses artistas nos horários nobres. 

Apesar da opinião do ex-vice-presidente de operações da Globo, os convidados do “Reviva Especial Música” foram unânimes em defender que há público, sim, para programas do gênero, desde que sejam feitos em cima de boas ideias, adaptando para os tempos atuais. Já Roberto Talma, que dirigiu o “Especial Chico e Caetano”, em 1989, reunindo Chico Buarque e Caetano Veloso e convidados, deu uma alfinetada ao falar sobre a possibilidade de se voltar a produzir musicais: “Esse tipo de invenção só com gente muito inteligente. Não sei quantos inteligentes há hoje na música popular brasileira. Com o maior respeito que eu tenho por todos”, afirmou o diretor. De volta ao estúdio, Zeca Camargo botou panos quentes e não incluiu a questão “inteligência na MPB” na discussão.

Em um cenário simples, com os quatro convidados sentados de frente para o apresentador, ficou legal o clima de bastidores mostrando o pessoal da equipe do programa, no fundo do estúdio, o cameraman em movimento, holofotes e até o teleprompter com o texto dito por Zeca na hora de chamar os VTs.
Esse foi o primeiro de cinco edições especiais “Reviva”, única atração produzida pelo Viva, que tradicionalmente só exibe reprises, e serão apresentadas sempre às segundas-feiras. O projeto faz parte das comemorações pelos dois anos do canal. O próximo, “Reviva Especial Programas de Variedades”, será apresentado por Marília Gabriela. Glória Maria comandará duas outras edições, uma sobre novelas e outra sobre seriados e minisséries. E Zeca Camargo voltará no quinto e último, falando sobre o humor na televisão.