terça-feira, 17 de julho de 2012

“Conversa de Gente Grande”: Descontraído, Marcelo Tas se comporta como ‘gente pequena’, mas peca ao instigar crianças a falarem de temas adultos sem mostrar a menor preocupação em ser elucidativo


“Crianças às vezes são chatas. Mas têm adultos muito mais chatos”, declarou Marcelo Tas logo no começo da estreia de “Programa de Gente Grande”, nesse domingo (15), na Band. E o que logo em seguida o que se viu é que há atrações que quando são longas demais acabam se tornando ainda muito mais chatas do que crianças e adultos, separados ou juntos. Tas se mostrou descontraído e pareceu até ter assumido um personagem que se comporta como “gente pequena”. Mas exagerou em vários momentos ao se prolongar demais sobre um mesmo assunto nas conversas e tratar de alguns assuntos adultos demais para a faixa etária apenas para provar que estava rodeado só por meninas e meninos que pensam como “gente grande”.  

Produzida pela Eyeworks do Brasil, a adaptação do formato argentino de “Agrandadytos” foi anunciada pela Band como uma tentativa de entender a vida maluca do século 21 usando e abusando da sinceridade infantil. O elenco foi bem escolhido, com crianças espertas e curiosas. A abertura foi bem criativa, com Tas nos corredores da Band, dirigindo-se ao estúdio cercado por crianças desempenhando funções de uma equipe de profissionais de TV responsável pelo programa. Estão lá miniaturas de diretores, câmeras, maquiadores, camareiros.

Mas o apresentador peca ao tratar seus colaboradores mirins como se estivesse falando com os componentes do “CQC”, nas noites de segunda-feira na mesma emissora. Tas, tentando ser engraçado, mas sendo pouco educativo, refere-se às crianças como “micróbios”, “monstrinhos”, “bactérias”. Ele esquece que não está tratando com Marco Luque, Rafael Cortez e Cia. Ah, ele não usa esses termos diante delas, apenas quando está sozinho no estúdio.

Tem lá um quadro tipo pegadinha em que crianças são colocadas numa sala de espera para resistir a uma mesa de doces ou se surpreender com um carrinho de brinquedo movido por controle remoto.  No “Mano a Mano”, em que Tas entrevista uma ou duas crianças de cada vez, teve bons momentos, como o do garoto que não entendia como ele iria aparecer na TV e o de outro que, ao ser perguntado sobre o que era TPM respondeu: “É o nome desse programa”. Valeu pela inocência infantil, mas em muitos momentos o apresentador quase se tornou inconveniente na tentativa de arrancar declarações inusitadas sobre relacionamentos entre homens e mulheres de crianças de 4, 5 anos. 

O melhor mesmo foi o quadro “Escola de Gente Grande”, no qual o vovô Florisvaldo, de 59 anos, recebe uma aula de sua neta, Letícia, de 5 anos, para aprender a desenhar e pintar no computador. Ali sim a inteligência e esperteza da nova geração foi valorizada.

Aí chega a vez do convidado da noite: Pelé. Antes de começar a entrevista é mostrada uma enquete perguntando a várias crianças quem é Pelé. “A gente não faz ideia”, disse uma. “É um clube”, “É cantor de forró”, “É da Turma da Mônica”, foram outras respostas. Já das perguntas feitas ao jogador, a maioria se referia a namoradas que o craque teve, filhos assumidos ou não e até se ele preferia loiras ou morenas. Perguntas claramente formuladas por adultos da produção do programa e decoradas pelas crianças. “Quantas pessoas têm no mundo? Quantas delas por sua causa?”, indagou uma delas, que claramente não tinha real noção do que estava falando. E questões que poderiam ser tratadas de forma educativa, como quando o menino pergunta “Como nascem os bebês?”, nada de esclarecedor aconteceu. Pelé deu uma resposta confusa falando do “encontro do espermatozoide com o óvulo”, enquanto Tas gargalhava, como se estivesse ouvindo uma piada.

Mas engraçado mesmo foi no encerramento, quando o apresentador pediu que Pelé tocasse violão e cantasse cercado pelas crianças. Logo nos primeiros acordes um dos meninos fez uma cara de horror, espantado não se sabe se com a voz do Rei ou com o ritmo da música. Mas logo em seguida voltou ao script e acompanhou os outros nas palmas, fingindo estar adorando.

Esse tipo de atração não é novidade. Há mais de um ano o “Programa Raul Gil”, exibido nas tardes de sábado no SBT, tem o quadro “Crianças Curiosas”, em que celebridades adultas são entrevistadas pelos pequenos. Já passaram por lá Wanessa, Jorge Vercillo, Carlos Alberto de Nóbrega e até o brega Falcão, que também está na lista de próximos convidados de Tas. De 1999 a 2002, o ator Márcio Garcia também apresentou o “Gente Inocente”, no mesmo formato, nas tardes de domingo na Globo. Contava até com a presença de Chico Anysio à frente do quadro “Neném Sabe Tudo”.

A audiência de “Conversa de Gente Grande” foi baixa, menos de dois pontos na média, deixando a Band em quinto lugar. Com certeza não foi uma boa ideia querer concorrer no horário com parte do “Domingão do Faustão” e parte do “Fantástico”, da Globo; parte do “Programa do Gugu” e parte de “A Fazenda”, da Record; o “Programa Silvio Santos”, do SBT, e parte do game “O Último Passageiro” e parte de “Saturday Night Life”, da Rede TV!. Esse último, por sinal, apresentado pelo ex-companheiro de bancada de Tas no “CQC”, Rafael Bastos. Talvez a saída seja sair das noites de domingo. Ou enxugar mais os quadros e reduzir o tempo no ar.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

“Domingão do Faustão”: Titina Medeiros se emociona com homenagem após estreia na TV como Socorro em “Cheias de Charme”


Titina Medeiros, a Socorro de “Cheias de Charme”, conseguiu em apenas três meses após ter feito sua estreia em novelas já ganhar uma homenagem no “Domingão do Faustão”, nos moldes do “Arquivo Confidencial”, que foi ao ar nesse domingo (15). Talvez para não alimentar ainda mais a inveja de muitos artistas com muito mais tempo de casa ainda esperando na fila a sua vez de ser alvo da “surpresa” de ver sua trajetória contada através de depoimentos de amigos, familiares e colegas de profissão, a homenagem a Titina foi feita sem rótulos. Mas foi muito merecida.
 
A nordestina Socorro não teria melhor intérprete na novela das sete, escrita por Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, do que essa sua conterrânea. No começo da trama, que estreou em abril, eu costumava dizer que a personagem era três “in”: invejosa, insuportável e inconveniente. Chegava a irritar as cenas em que estava sempre aprontando para se dar bem sem esforço. Mas a partir dos capítulos em que Socorro foi ser “personal colega” de sua ídola Chayenne, com o apoio de Laércio, Titina realmente soltou sua veia cômica e cresceu na novela contracenando com Cláudia Abreu e Luiz Henrique Nogueira.

No programa de Fausto Silva, Titina mostrou uma transparência, simpatia, simplicidade e total desapego a qualquer tipo de deslumbramento que tanto vira a cabeça de novatos pegos de surpresa com a fama e o sucesso repentinos. E se emocionou com depoimentos como o da vizinha Dona Terezinha, que cuidava dela quando era bebê, e o do maestro Netinho de Pinta, que a ensinou a tocar trompete e a desafiou a tocar o instrumento ao vivo no palco do Faustão. A atriz não se intimidou, mesmo tendo recebido um pistom desafinado.

Sem esconder a origem humilde, Titina falou de sua infância feliz em uma cidade do interior do Rio Grande do Norte e de como se sente orgulhosa de não ter conseguido tudo com facilidade, mas de ter tido oportunidade para lutar pelos seus sonhos. “Com 20 anos eu saí de casa porque não aceitava a opinião do meu pai, que discordava da minha escolha de ser atriz. Mas foi tudo com muito amor, carinho e proteção. E ele é responsável também pela minha carreira, porque sempre ouvimos música boa, era um homem muito sensível. Ele não foi artista porque não nasceu no lugar certo, na hora certa, mas era por dentro”, contou ela, emocionada, após ver o depoimento de sua mãe, Maria Izabel, falando do quanto o marido, já falecido, estaria orgulhoso de ver o sucesso da filha.

O amigo Marcílio Amorim contou dos tempos difíceis em que eles trabalhavam juntos nos supermercados fazendo campanhas vestidos de coelhinhos na Páscoa e de palhaços no Dia das Crianças. E teve também o diretor geral de “Cheias de Charme”, Carlos Araújo, falando do encanto que todos tiveram logo ao ver o vídeo do teste enviado pela atriz, como também citando um episódio engraçado ocorrido em uma gravação no Projac: “Nós estávamos ensaiando uma cena e, de repente, entrou Adriana Esteves apareceu para fazer uma visita e a Titina começou a gritar ‘Meu Deus, é a Carminha, é a Carminha’. E parou o estúdio, todo mundo rindo. É essa espontaneidade que ela empresta tão bem à Socorro”. 

Logo em seguida foi a vez de Claudia Abreu emocionar a homenageada lembrando os toques que deu nas primeiras gravações da novela. “Eu disse a ela: você tem uma coisa que é não ter o medo do ridículo, você tem a entrega. E o talento dela saltou pra gente de uma maneira imediata”, disse Claudia Abreu, enquanto Titina tentava conter as lágrimas ao ouvir alguém que fazia parte de seu imaginário de atriz uma vida inteira e que hoje é sua colega de cena.

E para encerrar, sentindo-se como se estivesse num programa popular de auditório de Natal, mandou beijos para os potiguares, denominação dada a todos que nasceram no Rio Grande do Norte, e aos integrantes do Clowns de Shakespeare, grupo de teatro de Natal do qual ela faz parte há 16 anos e através do qual foi descoberta por um caça-talentos da Rede Globo que a viu em cena no espetáculo "Sua Incelença, Ricardo 3º", durante o Festival de Curitiba de 2011. Dias após a apresentação na capital paranaense, Titina e outros três atores da companhia receberam convite para fazer testes para novelas. Além dela, César Ferrario, também do Rio Grande do Norte e seu companheiro na vida real há seis anos, foi aprovado e hoje faz, eventualmente, par romântico com Socorro em “Cheias de Charme” no papel do caminhoneiro Morvan.

Com toda essa história, nem precisava mesmo chamar de “Arquivo Confidencial”. Mais naturalmente confidente do que Titina e Socorro não há.



domingo, 15 de julho de 2012

“Na Moral”: Pedro Cardoso causa e isso não é novidade para quem é veterano na área e sabe que ele não dá entrevistas e sempre foi inimigo de paparazzi. Qual a novidade? Ouviram algo que nunca foi dito antes?



Essa “polêmica” nitidamente criada em torno da participação de Pedro Cardoso no “Na Moral” está tão ridícula quanto a “mídia da vida particular” citada pelo ator no programa que tinha os paparazzi como tema. Parece até uma mídia da “vida profissional” de quem ganha a vida trabalhando em publicações voltadas para a intimidade das celebridades. Sim, porque não é nenhuma novidade para quem tem anos de estrada que Pedro Cardoso é um ator arredio a qualquer tipo de imprensa. Fico surpresa de ver tanta gente alarmada e ofendida com a atitude de uma pessoa que corresponde totalmente ao comportamento que vem mostrando ao longo de anos. Ele está sendo coerente com o que sempre foi.  Quem se mostra surpreso, ofendido, atingido, mostra não ter tantos anos de experiência como diz ter, já que ainda perde o sono com discursos inflamados em cima de temas babacas. Com certeza não viveram ou se esqueceram dos tempos de “O Que É Isso Companheiro?”. 

Boa parte das minhas duas décadas de profissão foi dedicada ao jornalismo sério, começando em Porto Alegre em várias emissoras de rádio e TV e continuando no Rio. Aqui, acompanhei Zuenir Ventura na inauguração da Casa da Paz em Vigário Geral, onde comemos uma galinhada supimpa preparada pelo povo da favela. Só para citar uma das muitas incursões importantes de todas as subidas a morros cariocas, como também aconteceu no Dona Marta, Tuiuti, Rocinha...

Desses mais de 20 anos, durante três me submeti a trabalhar num veículo voltado a celebridades. Não citei nomes antes, não vou citar agora. E, por iniciativa própria, pedi as contas e fui embora. Não estava feliz fazendo o que fazia. Não concordava com o ‘gerenciamento’ da equipe e do veículo. A decisão foi minha.  E desde então vivo mergulhada em elocubrações do que é o jornalismo que eu sonhei e o que é o jornalismo onde fui parar.

Foca nos anos 80, tive o privilégio de conhecer um jornalismo consciente, política e socialmente engajado, que hoje procuro por todas as partes e não encontro mais.  Era uma época em que a vontade, desejo ou vocação de ser jornalista vinha acompanhada de uma ideologia. Éramos supostos salvadores da pátria, poetas da vida real, candidatos a mártires que almejavam apenas por um mundo melhor.
Bial foi uma testemunha ocular de fatos históricos e mundiais que só ele teve a chance de registrar. Por mais ou por menos que ele faça, nada nem ninguém vai tirar essa façanha do currículo dele. E é isso que dói nos invejosos que jamais terão a mesma chance de viver o que ele viveu.

Pedro Cardoso é um chato e petulante. E daí? O que algum repórter ganha ou perde entrevistando ou não ele?  Não foi novidade ele ter se comportado com a irreverência e arrogância peculiar a seu modo de ser. Fico surpresa de ver tantos profissionais do meio se mostrando ofendidos, indignados e surpresos com um comportamento que faz parte do perfil que Pedro Cardoso nunca disfarçou e sempre mostrou ao longo de anos. Cadê a novidade?

Continuo esperando por alguém ou algo maior que realmente me acompanhe no mergulho real no que é o jornalismo que eu sempre sonhei. E me ajude a preservar a todos definitivamente desse falso "jornalismo" que se alastra, no qual um dia fui parar e do qual não me orgulho. Mas, felizmente, tenho conseguido me manter inatingível.

sábado, 14 de julho de 2012

“Programa da Palmirinha”: Emocionada e feliz, Vovó estreia na TV por assinatura com suas eternas engraçadas falhas de memória


Palmirinha Onofre não conseguiu controlar a emoção ao estrear o “Programa da Palmirinha”, na quarta-feira (11), no canal Bem Simples, pertencente ao grupo de TV a cabo Fox. “Oi minhas amiguinhas, estou de volta aqui com vocês”, disse a simpática Vovó, como também é chamada por todos. Aliás, a culinarista de 81 anos, completados no dia 29 de junho, está numa emissora cujo nome tem tudo a ver com sua principal característica: a simplicidade. A seu lado continua Guinho, o boneco manipulado por Anderson Clayton, de 28 anos, que também é assessor e tratado como neto pela apresentadora. Guinho ganhou uma versão mais moderna, com grandes olhos azuis e cabelo ruivo penteado à la Neymar.
  
Em uma grande cozinha montada para ela no estúdio, com direito até a um espaço estilo sala de estar, onde, sentada em uma poltrona, Palmirinha começa o programa contando um pouco de sua história pessoal, que tem a ver com a receita do dia. Na estreia, foi a do sonho feito com massa de pão doce que ela vendia na rua para ajudar no sustento de suas filhas. Tremendo, ela própria explicou o nervosismo com o maior naturalismo: “Me desculpe se alguma coisa sair errado, é que estou muito emocionada”, disse Palmirinha, o tempo todo elogiando a equipe, a emissora e até a frigideira, que ela chamou de “vasilha”.

É claro que Palmirinha não seria Palmirinha se não trocasse a quantidade dos ingredientes e não se esquecesse do que estava falando no meio da frase. Para isso estava lá Guinho, corrigindo quando a medida era para ser três colheres de sopa de açúcar e ela falou duas colheres “de mãe”. O “de mãe” ela usa para dizer que são colheres “generosas”. Mas esse jeito Palmirinha de ser não superou o prazer que ela mostrou o tempo todo. “Gostaram do meu avental?”, perguntou ela. “É bom trabalhar num lugar onde se é bem recebida”, deixou escapar, numa clara referência à tristeza que sentiu ao ser demitida da TV Gazeta, em agosto de 2010.

Seis meses após ter saído da emissora paulista, Palmirinha veio a público dizer que a demissão teve o lado bom de mostrar que ela era querida do público. Grande parte desse reconhecimento foi graças a suas falhas de memória terem ido parar várias vezes no “Top Five”, quadro do “CQC”, da Band, com os erros mais divertidos da semana na televisão. Tanto que no quadro “Dicas do Guinho”, em que o boneco fala sobre o que rola na internet, foi exibido um vídeo de Palmirinha participando do programa comandado por Marcelo Tas. E, com toda sua alegria, anunciou ao lado de Danilo Gentili um “Top Five” que só deu ela, do quinto ao primeiro lugar. É essa descontração que faz da Vovó uma personagem genuinamente verdadeira e autêntica. No fim da estreia, ela apareceu mostrando um cartaz no qual está escrito: “Beijo, me adiciona amiguinha”. Precisa dizer mais?

Imediatamente, no horário seguinte, entra no ar o segundo “Programa da Palmirinha”. De avental diferente e colar de pérolas, ela dá a receita de uma empada de queijo, que faz parte da história de como entrou para a televisão. Ela foi descoberta graças às empadinhas que levou ao programa de Silvia Poppovic, na Band. Chega a ser singela a preocupação da apresentadora ao incentivar o telespectador a preparar e vender suas receitas, num claro desejo de que todos consigam um dia realizar um sonho, tal qual aconteceu com ela.

Em respeito à idade e ao carisma de Palmirinha, seus erros não são corrigidos, mesmo o programa sendo gravado e editado. “Falei pra vocês no ‘próximo outro’ programa”, confundiu-se ela. Apenas um sinal sonoro indica que a equipe por trás das câmeras percebeu a falha. Ela também dançou imitando o estilista e apresentador Clodovil (morto em 2009), antes dele enveredar para a política, quando os dois trabalhavam em uma mesma emissora e ele aparecia só de cueca no camarim dela rebolando. Chamou o boneco Guinho de Guinha e soltou uma pérola, enquanto recomendava que as empadas deveriam ser marcadas com a letra inicial do recheio, para não confundir. Como marcar com um P na de palmito e... “Na empada de camarão põe um K, de casa”, disse ela, para desespero do boneco, que corrigiu na hora ser com C, mas Palmirinha estava tão empolgada que nem ouviu a correção. Com certeza é forte candidata ao próximo “Top Five” do “CQC”, na Band.


Mais sobre a história pessoal e profissional de Palmirinha, aqui, na entrevista que ela deu a Marília Gabriela em março: 

http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2012/03/de-frente-com-gabi-em-uma-entrevista.html


sexta-feira, 13 de julho de 2012

“Na Moral”: Pedro Cardoso rouba a cena ao falar sobre invasão de privacidade e paparazzo deixa Bial numa saia justa


Pedro Cardoso veio para despertar os instintos mais primitivos dos telespectadores mais intimamente ligados ao tema da noite do “Na Moral” dessa quinta-feira (12), na Rede Globo: evasão e invasão de privacidade. O ator, sabidamente figura arredia a entrevistas e fotos, mais uma vez provocou e causou. Sim, porque a intimidade com o tema em suas respostas deixou calado até o paparazzo sentado a seu lado. O segundo programa comandado por Pedro Bial também trouxe uma matéria de alerta sobre crianças expostas na internet pelos próprios pais. Sem fazer drama, nem criar clima de comoção, o alerta foi feito para que esse tipo de crime não seja cometido. E é aí que está a diferença. Ninguém quer mais dramalhão no fim da noite, nem durante a manhã. De casos reais de tragédias já há muitas opções nos telejornais e jornalísticos em horários alternativos em várias emissoras.

 É claro que Pedro Cardoso incomodou ao tocar na ferida falando não apenas dos vigiados como também dos que vigiam. O representante dos paparazzi, Felipe Panfili, dono de uma agência de fotografia, ficou sem dar uma resposta à altura. "Quase fui processado por fazer uma foto, mas confesso que fui obrigado por um veículo", tentou justificar-se. Em uma de suas contundentes afirmações, o ator esbravejou: “Todo mundo tem vontade de saber quem eu sou. Mas eu também tenho vontade de saber quem é ele (apontando para alguém da plateia). A minha vida não é melhor do que a dele, nem superior. E através dessa falsa e ridícula mídia da vida particular das pessoas ninguém sabe realmente quem eu sou”.

Mesmo sentindo-se acuado, Panfili criou o momento saia justa do programa. Após Pedro Cardoso dizer que seu maior inimigo não eram os fotógrafos, mas sim "o cara que o contrata", Bial conta que o fotógrafo convidado é dono de uma agência. E Panfili revela que os maiores clientes compradores das fotos de paparazzi de sua agência são um site da Rede Globo e uma revista da Editora Globo. Dois pesos, duas medidas sempre. Os Pedros, Bial e Cardoso, ficaram visivelmente desconcertados. Para disfarçar o mal-estar, o apresentador recorreu à atriz Dira Paes, que estava lá fazendo às vezes de DJ da noite, pedindo sua opinião sobre o assunto. 

Esqueceram-se de colocar na balança também quem se expõem no mundo virtual por livre e espontânea vontade. Através da internet, muitos comentários criticavam Pedro Bial por tratar de um assunto diretamente ligado à invasão de privacidade, logo ele que comandou o "Big Brother Brasil" durante tantos anos. A urgência em tudo, até em se posicionar nas redes sociais, está fazendo as pessoas escreverem primeiro e pensarem depois. A maioria desses críticos de ocasião sabidamente são pessoas que também invadem a privacidade alheia, também com a desculpa de estarem "cumprindo ordens". Por isso vestiram a carapuça. E se já fazem o que fazem pelo salário que recebem, imagino o que fariam por um cachê igual ao do Bial... E salve, salve a liberdade de expressão. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

“O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”: Programa estreia com lista tão eclética que dá medo saber quem será a maior entre as maiores personalidades de todos os tempos



Já era de se esperar que “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, estreia dessa quarta-feira (11) no SBT, tivesse o padrão Silvio Santos de qualidade. Bem ao gosto do dono da emissora, o programa trouxe muito neon verde, azul e amarelo no cenário, uma plateia com a qual o apresentador, o jornalista Carlos Nascimento, interage e uma trilha sonora idêntica à usada no “Troféu Imprensa”. Em janeiro deste ano, o SBT lançou através do seu site a enquete para saber quem o povo elegeria como aquela personalidade que mais contribuiu com seu trabalho para o bem da sociedade brasileira. Os nomes foram apontados pelos próprios eleitores e de suas escolhas saiu a lista dos 100 nomes mais votados. 

“Quem é o maior entre os maiores?”, pergunta Carlos Nascimento na abertura do programa, explicando que o formato da atração criado pela BBC de Londres já teve versões em vários países.   Na Inglaterra, Winston Churchill foi eleito o maior de todos os ingleses. Os italianos elegeram Leonardo da Vinci, Nelson Mandela foi o mais votado na África do Sul. Os chilenos apontaram Salvador Allende e na França o escolhido foi Charles de Gaulle.

Na estreia, foram apresentados apenas os classificados do 41º ao 100º lugar. A cada nome anunciado era apresentado um breve perfil do escolhido, intercalado por comentários de críticos e especialistas da mesma área de atuação do indicado. O que em alguns casos eram dispensáveis, pois serviam mais como espaço para rasgação de seda, sem nada acrescentar de relevante. Teve espaço ainda para a cantora gospel Ana Paula Valadão e o cantor Amado Batista se apresentarem no palco, após terem seus nomes serem revelados.

Durante todo o anúncio da lista o que se viu foi uma mistura em vários momentos bizarra, como a cantora Claudia Leitte à frente do militar e político Luís Carlos Prestes e perdendo posição para o cangaceiro Lampião. Teve até o jogador Romário sendo mais votado do que o escritor Jorge Amado. Impossível se traçar um perfil do público votante, pois assim como teve nomes populares como os dos cantores Joelma e Luan Santana, dos apresentadores Gugu Liberato e Hebe Camargo e até do zagueiro Dedé do Vasco, a lista também trouxe verdadeiras personalidades da história como Vital Brazil, Carlos Chagas, Visconde de Mauá e Machado de Assis.   

O próprio apresentador fez questão de deixar claro que a lista traz nomes tão diferentes por ter sido uma votação “aberta e democrática”. Só poderiam ser indicados nomes de brasileiros natos ou naturalizados e que não fizessem parte do quadro do SBT. No melhor estilo Silvio Santos, Carlos Nascimento vai até a plateia, de microfone em punho, perguntar o que estão achando do resultado: “Não é com todos que a gente concorda, mas estou gostando”, respondeu uma mulher, a quem ele não perguntou o nome, contando ter votado no Padre Marcelo Rossi, que apareceu em 60° lugar.

Na próxima semana serão revelados os 40 primeiros colocados da lista de 100, feita a partir de 4 milhões e 200 mil votos. A partir daí, durante 12 semanas, o público votará apenas em quem deve seguir na disputa. Com um ecletismo tão acentuado nessas primeiras escolhas, dá até medo descobrir quem será o maior entre os maiores brasileiros de todos os tempos.

Abaixo a lista divulgada na estreia:
100º = Maria da Penha
99º = Jô Soares
98º = Vital Brazil
97º = Ana Paula Valadão
96º = Roberto Justus
95º = Itamar Franco
94º = Ronald Golias
93º = Jorge Amado
92º = Romário
91º = Pe. Landell de Moura
90º = Anderson Silva
89º = Tom Jobim
88º = Cazuza
87º = William Bonner
86º = Amado Batista
85º = Chacrinha
84º = Chico Buarque
83º = Joelma
82º = Ronaldinho Gaúcho
81º = Datena
80º = Sócrates
79º = * Nome não divulgado por se tratar de um político que concorre às eleições deste ano
78º = Fernando Collor de Mello
77º = Marcos Pontes
76º = Luís Carlos Prestes
75º = Claudia Leitte
74º = Lampião
73º = Garrincha
72º = Michel Teló
71º = Lua Blanco
70º = Marechal Rondon
69º = Antônio Ermírio de Moraes
68º = Duque de Caxias
67º = Monsenhor Jonas Abib
66º = Carlos Chagas
65º = Reynaldo Gianecchini
64º = Ulisses Guimarães
63º = Dedé do Vasco
62º = Mazzaropi
61º = Zico
60º = Pe. Marcelo Rossi
59º = Marcos do Palmeiras
58º = Roberto Marinho
57º = Monteiro Lobato
56º = Hebe Camargo
55º = Paulo Freire
54º = Missionário RR Soares
53º = Zumbi dos Palmares
52º = Carlos Drummond de Andrade
51º = Paiva Neto
50º = Rogério Ceni
49º = Gugu Liberato
48º = Tiririca
47º = Leonel Brizola
46º = Raul Seixas
45º = Visconde de Mauá
44º = Elis Regina
43º = Ivete Sangalo
42º = Luan Santana
41º = Machado de Assis

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terça-feira, 10 de julho de 2012

"Análise": As noites de segunda-feira estão superando todas as outras da semana na falta de opções de entretenimento de qualidade para o público na TV aberta


A programação das emissoras de TV nas noites de segunda-feira há muito estão deixando a desejar. Para quem tem o leque de opções dos canais fechados, encontrar um ou outro programa assistível pode não ser uma tarefa tão árdua. E assim mesmo o que se vê na maioria é um festival de reprises tanto de episódios de séries quanto de documentários e outros programas. Mas para quem se restringe à programação da TV aberta, por escolha própria ou falta de condição para pagar a assinatura de pacotes mega-super-vips, a noite termina após a novela das nove.

Nessa segunda-feira (9), particularmente, o controle remoto entrou em ação mais uma vez. E para decepção de qualquer telespectador um pouco mais exigente, a busca só causou um desânimo e tristeza em constatar o descaso dos programadores com esse dia.  Na Globo, a opção do “Tela Quente” foi o filme “Heróis” (“Push”), uma produção americana de 2009. O enredo traz jovens com poderes telepáticos e de clarividência envolvidos no roubo de uma substância secreta pertencente a uma misteriosa agência e um grupo de orientais com poderes paranormais que também querem se apoderar do frasco, colocando em risco a vida de todos. Até para quem gosta do gênero ação-ficção não deve ter sido uma boa opção.

Enquanto isso, na Rede TV!, Luciana Gimenez prometia muita polêmica e “babado quente” ao anunciar uma entrevista “reveladora” com...  Pepê e Neném. E lá foi a dupla repetir o mesmo de sempre, relembrando os percalços da trajetória, afirmando que continuam em busca de uma gravadora e, é claro, assumindo mais uma vez sua homossexualidade. “Eu beijei uma menina na escola com 10 anos”, revelou Neném. Ohhh!!!!

Mais uma zapeada: Band, “CQC” no ar. Resta uma esperança, apesar de o programa comandado por Marcelo Tas há muito já ter perdido a qualidade de suas primeiras temporadas. E quem está lá? O repórter Rafael Cortez entrevistando Carla Perez e Xandy nos bastidores do show que marcou a estreia no Rio de Janeiro do projeto baiano “A Melhor Segunda-Feira do Mundo”. “Se o Saulo Fernandes é o líder da Banda Eva, ela não deveria se chamar Banda Adão?”, perguntou o repórter do “CQC”, tentando fazer uma piada infame. “Isso é o pior da segunda-feira”, afirmou Tas, no estúdio, reconhecendo a total pobreza de pauta do programa.

Seguindo adiante, passar pela CNT é praticamente apenas um descargo de consciência. Está lá a exibição de um episódio antigo de uma temporada qualquer de “Lei e Ordem”, versão dublada da série americana de drama policial que deixou de ser produzida em 2010. Para quem gosta do gênero, é uma ótima pedida, mas diante da péssima qualidade de transmissão da CNT, melhor assistir às reprises da versão original, legendada, que continuam sendo exibidas no Universal Channel.  

Chegando ao SBT, um susto: está lá um jovem todo pintado de verde, colocando a língua para fora e se contorcendo como uma cobra, parecendo ser mais um participante de um show de horrores.  Trata-se de “Astros”, que estreou sendo uma competição musical e este ano foi reformulado, transformando-se numa cópia do “Qual É o Seu Talento”. Não merece nem comentários.

Zapeando até “A Fazenda” da Record, até mesmo quem acompanha o reality show não tem grande incentivo para assistir à edição gravada de segunda-feira. Depois do ao vivo de domingo, há poucas novidades para serem mostradas. Acabam repetindo muitas cenas que já foram vistas no fim de semana. É o dia mais fraco do jogo.

E é a noite mais fraca nas grades de programação de todas as emissoras. Sem entrar na questão da audiência, porque para o telespectador o que importa não são os números do ibope e sim ter entretenimento de qualidade. O que, infelizmente, não vem acontecendo.


domingo, 8 de julho de 2012

“A Fazenda 5”: Gretchen pede para sair por não ter resistência e paciência para disputar espaço com jovens correntes em reality


Gretchen não surpreendeu a quem acompanha “A Fazenda 5” com sua decisão na noite de sexta-feira (6) de bater o sino, recurso usado para quem quer desistir de continuar participando do reality show da Record. Desde a estreia do programa, no dia 29 de maio, a dançarina mostrou estar se sentindo deslocada naquele ambiente. Primeiro que ela morre de medo de bichos e, por isso, resolveu tomar para si a tarefa de pilotar a cozinha. O que acabou causando atritos entre ela e muitos participantes por sua forma autoritária de querer controlar os alimentos que cada um consumia. Seu gênio dominador revelado no ar despertou certa antipatia por boa parte dos telespectadores. Quiçá até em “seu público”, como ela gostava de dizer durante suas conversas com Viviane Araújo enquanto metia o malho em seus desafetos no jogo.

Mas a impressão que se tem é que, no fundo, a Rainha do Rebolado, aos 53 anos e sem exibir mais a boa forma de outrora, sentia-se ofuscada cercada por mulheres mais jovens, tão sensuais e insinuantes quanto ela em seus tempos áureos brilhando nos palcos. No começo, quando o também cinquentão Sylvinho ainda estava no programa, ela tinha um companheiro para dividir experiências vividas numa mesma época. Mas com a eliminação do cantor, restou a ela se unir a Viviane, de 37 anos, a quem prometeu até passar o título de Rainha do Rebolado. Nas últimas semanas Ângela Bismarck, de 46, que já estava apagada no programa mesmo antes da morte de sua irmã, se uniu à dupla, sem acrescentar muito.

Os anos de estrada com certeza deram a Gretchen esperteza e sagacidade suficientes para perceber quando está insistindo em uma briga na qual não sairá vencedora. Ela deve ter intuído que foi poupada de ir para a roça pelo esquema montado no último desafio da chave. Sem resistência para provas físicas, era claro que ela estaria entre os quatro perdedores e que, portanto, iria para o celeiro e estaria entre os imunes na votação graças ao segredo da chave. Sentiu, então, que só lhe restava mesmo pedir para sair e evitar de queimar ainda mais seu filme.

A saída de Gretchen com certeza foi lamentada pela direção da Record, que via nela um dos nomes mais fortes e conhecidos em um elenco no qual a maioria o grande público nunca tinha ouvido falar até então. Mas não se pode esquecer que ainda está lá Nicole Bahls, causando e encarando de frente quem a contrarie, principalmente se esse alguém for Viviane Araújo, com quem a ex-Panicat tem uma rixa antiga envolvendo o atual marido da modelo e atriz.

E, caso se confirme oficialmente a entrada no programa de Gracyanne Barbosa, mulher do cantor Belo, ex-marido de Viviane, com certeza “o bicho vai pegar” e a saída de Gretchen logo será esquecida. É o curso normal de todos os realities: basta sair um vilão para que outro, até então enrustido, logo se manifeste e ocupe a vaga. Rei morto, rei posto. 


sábado, 7 de julho de 2012

“Na Moral”: Pedro Bial reúne toda sua experiência de jornalista e de comunicador ao estrear seu próprio programa, quase politicamente correto, mas sem ser careta

Pedro Bial pode nem ter planejado dessa forma, mas foi agora, aos 54 anos de idade, com a maturidade de longos anos de estrada como repórter, correspondente internacional, mais tantos outros como apresentador do “Fantástico” e ainda mais de uma década comandando sem pudores e muita animação o “Big Brother Brasil”, que ele finalmente ganhou seu próprio programa. E foi a junção de toda experiência ao longo de sua trajetória aliada a seu jeito irrequieto e perspicaz de ser que o “Na Moral”, que estreou na noite dessa quinta-feira (5), na Rede Globo, mostrou que ainda é possível, sim, trazer ares de alguma inovação à TV brasileira. 
 
“É veado, bicha ou homossexual? Crioulo, negro, pessoa de cor ou afro-brasileiro?”, pergunta Bial abrindo o programa que discutirá sobre a ditadura do politicamente correto. A cada edição será tratado um tema diferente, sempre com uma pitada de política e sexo, já que o horário permite. Mas nada de sisudez ou conceitos definitivos. No palco, no centro do estúdio, à frente de Bial estão os convidados da noite: o jornalista Antônio Carlos Queiroz, a ex-Casseta Maria Paula e o professor Luiz Felipe Condé. Logo de cara o apresentador deixou claro que a ideia não é fazer discursos inflamados quando Queiroz, em tom autoritário, falou sobre a "ditadura do correto". “Você parece que está num palanque, como se a gente estivesse falando da macro política. A gente está falando dos pequenos pecadilhos de todo dia. Você é inocente?”, interveio Bial. “É que eu me empolguei”, desculpou-se o outro jornalista.

De uma bancada, Alexandre Pires atacou de DJ e falou sobre a polêmica criada pelo clipe gravado por ele junto com Neymar, cercados por dançarinas popozudas e pessoas vestidas de gorilas. O cantor recebeu uma advertência do Ministério Público, que considerou que ele estava promovendo clichês de estereótipos contra negros e mulheres mostradas como símbolos sexuais. “O respeito de uma pessoa para outra não afeta a possibilidade de humor”, defendeu Queiroz.

Cantigas de roda, como “Atirei o pau no gato” e “Boi da cara preta”, foram mostradas no telão em versões que seriam politicamente corretas. E Maria Paula não perdeu a chance de apimentar a conversa com humor. “Também tem a versão ‘me atirei no pau do gato’”, brincou ela. O programa também teve testemunhos de anônimos que viveram situações de assédio, tanto sexual quanto moral, em seus respectivos trabalhos. Os casos foram encenados rapidamente por atores e depois os verdadeiros personagens apresentados no palco contando o desfecho de suas histórias. 

Tudo é mostrado muito resumidamente, para não perder a agilidade. O que ajuda para que o tema não acabe se tornando repetitivo e cansativo. Em vários momentos, porém, o excesso de preocupação com o tempo fez a edição pecar até mesmo no corte das falas dos convidados, interrompidas abruptamente, deixando a sensação de que o pensamento não foi concluído.

Já a plateia, formada na maioria por jovens, mas também por adultos, parecia estar totalmente à vontade e até cantando junto com o apresentador, sem aquela postura séria, contida, quase reprimida de programas que querem parecer comportados e acabam ficando desanimados. E a interação não se resume ao estúdio. Bial não abre mão de sua porção repórter e também gravou pessoalmente enquete nas ruas sobre o que as pessoas consideram politicamente incorreto em expressões como “veado”, “deu branco”.

No encerramento, não há como não se lembrar dos tempos de “BBB” quando Bial fazia um discurso quase filosófico na hora da eliminação dos participantes do reality show. “Amoral, imoral é você fazer a alguém o que não quer que faça a você. Moral. Quer saber o que é correto? Vou ser correto: é você fingir que mudando o nome de favela para comunidade você vai melhorar o saneamento básico”, citou o apresentador em uma parte de seu texto sobre o tema do primeiro "Na Moral", quase politicamente correto, mas sem ser politicamente careta. 



quinta-feira, 5 de julho de 2012

“De Frente com Gabi”: No clima intimista do programa, Luiza Possi diz que sofreu preconceito e afirma que não pensou em repetir a história de sua mãe, Zizi Possi


Zizi Possi e Luiza Possi, definitivamente, fazem parte da linha de mães e filhas que dividem a mesma profissão e mantêm uma relação que tem muito mais sentimento de amizade do que propriamente maternal.  No “De Frente Com Gabi” que foi ao ar nessa quarta-feira (4), no SBT, as duas se posicionaram de forma franca, mostrando cumplicidade, mas também respeito por suas individualidades. “Existem diferentes pontos de vista para uma mesma história, depende de quem as conta”, brincou Luiza quando a conversa girava em torno de sua infância e adolescência.

As duas falaram abertamente sobre vários momentos de suas vidas, como os seis meses em que Zizi ficou hospitalizada por uma série de problemas de saúde, deixando todos apreensivos. “Envelhecer é muito difícil”, disse ela. E como foi difícil para Luiza aceitar a separação, ainda criança, do pai, o produtor musical Líber Gadelha, a quem era muito apegada. “Eu só fui amar minha mãe aos 12 anos”, contou a jovem.
 
O assunto mais delicado, porém, foi sobre os boatos que perseguem Luiza há dois anos sobre um possível namoro entre ela e a cantora Maria Gadú. E Marília Gabriela soube fazer a pergunta com elegância e propriedade: “Quando eu soube da fofoca de um caso entre você e a Maria Gadú, pensei: ‘Acho que a Luiza vai reproduzir a mãe, que já confessou um dia que era bissexual’. Passou por aí?”, indagou a jornalista.

Em uma das muitas respostas que já deu sobre o assunto, dessa vez, diante da mãe, Luiza se aprofundou mais na explicação. Após negar que estivesse querendo reproduzir a história de Zizi, confessou ter ficado muito triste com tudo. “Minha mãe teve a história dela, lá nos anos 70, eu não era nem um espermatozoide ainda. E ela, com toda dignidade do mundo, foi construindo a carreira dela distante dessa história, que foi difícil demais. Aí, de repente o que aconteceu comigo trouxe à tona uma história que não é minha, e eu sei o quanto a machucou tudo que aconteceu com ela. Então, já estar vivendo o peso em cima de mim e ainda saber que estava trazendo à tona uma coisa de minha mãe foi muito triste”, afirmou Luiza.

Marília, é claro, não perdeu a chance de incluir Zizi no tema. Mas, para a cantora veterana, foi mais cuidadosa e perguntou se ela havia perdido muito profissionalmente “na época do seu buchicho”, sem falar abertamente do escândalo que marcou o fim do relacionamento que Zizi teve com a cantora Ângela Ro Rô nos anos 80 e que foi amplamente explorado pela imprensa na época. “Eu não sei o que a gente perde, o que a gente ganha. Na verdade, quando me senti produto principal de um jornal que você espreme e sai sangue, eu não gostei desse papel. Não é minha escolha ficar nutrindo as pessoas com bobagens e coisa que não vai levar a lugar nenhum. Se na minha vida pessoal eu fiz isso, dei pra não sei quem, comi não sei quem, é problema meu. E se deu certo ou se não deu, a história é minha”, enfatizou Zizi.

Criado em 1988, no SBT, mas com alguns hiatos de anos fora do ar, o “De Frente Com Gabi”, continua firme tanto na emissora de Silvio Santos quanto no canal GNT, onde leva o nome “Marília Gabriela Entrevista”,  justamente por quase sempre trazer entrevistas reveladoras e polêmicas. Além da experiência e competência da apresentadora, o cenário com fundo escuro contribui para que seja criada uma intimidade com o convidado, que abstrai até a presença de mais alguém no estúdio.

Nesse clima intimista, Luiza Possi se soltou para pedir um adendo e fazer mais um desabafo no fim do programa, antes do “bate-bola, jogo rápido”: “O que eu fico mais triste é que os anos passam e o preconceito não. Eu sei que não sou gay. Seria, sem o menor problema, mas depois do preconceito que eu passei fico imaginando e vendo como vivem as pessoas que realmente são gays. A gente acha que ‘Ah, (as pessoas) são ultramodernas, estão em 2012’. Vírgula, ponto, parágrafo. Ainda existe, sim, um preconceito grande, que eu senti na pele e não foi legal. Quero deixar claro que não é porque estou dizendo que não sou (gay) que esse preconceito venha comigo, de jeito nenhum. Eu passei por isso na pele e acho abominável”, concluiu Luiza. 


quarta-feira, 4 de julho de 2012

“Sogras em Guerra”: Reality mostra de forma descontraída a rivalidade entre sogras disputando o direito de reinar absoluta na organização do casamento de seus filhos


Casos de incompatibilidade entre sogras e genros ou entre sogras e noras não são novidades. Agora, quando o enfrentamento acontece entre a mãe do noivo e a mãe da noiva, a história muda de figura. É nesse embate que aposta o “Sogras em Guerra” (In-Law Wedding Wars), programa do canal da TV por assinatura Discovery Home & Health que estreou nessa terça-feira (3), em que elas disputam o direito de tomar a frente de toda a organização do casamento de seus filhos. A série é apresentada por Gina Stole, proprietária de uma empresa de planejamento de eventos sediada na Filadélfia, Pensilvânia, que atende clientes de várias cidades americanas.  

A proposta é mostrar a cada episódio duas sogras competindo para ver qual delas planejará toda a cerimônia de casamento de seus filhos. Cada uma apresenta um projeto e os noivos, sem saber qual projeto é de qual das sogras, escolherá um deles. A que perder terá de ajudar a vencedora em todos os preparativos, desde local, decoração, bufê e até o bolo e o vestido da noiva. O casal não poderá interferir em nenhuma decisão. O que acaba gerando certo mal-estar também entre eles. Mas é a condição para participar do programa.

No primeiro episódio, os noivos são Janene e Mike, um casal que está junto há cinco anos e que, por causa da chegada cedo do casal de filhos, não tiveram tempo de organizar uma cerimônia de casamento. “É uma lar feliz e caótico”, afirma Gina, enquanto observa as crianças fazendo a maior algazarra no quintal da casa. O programa não especifica onde eles moram nem em que trabalham. Informações pessoais são dispensadas, já que o foco fica apenas na corrida contra o tempo para a preparação do evento.

E as primeiras personagens não poderiam ter sido melhor escolhidas, já que as diferenças entre elas são gritantes. June, a mãe da noiva, é uma mulher tradicional, casada com o mesmo marido há 40 anos, frequenta a missas todos os domingos e passa a semana sentindo-se culpada quando não consegue ir à igreja. Donna, a mãe do noivo, já se divorciou duas vezes, tem três filhos, anda de moto e é professora de danças eróticas, como pole dance. O choque entre a carola e a moderninha deu toda a graça ao episódio. Enquanto June sugeriu gaita de fole na festa, Donna deu a ideia de um poste de pole dance para animar os convidados.

As mães tiveram dois dias para formularem suas propostas de como queriam que fosse o dia do casamento. Ao saber que a perdedora teria que ser auxiliar da vencedora, June não gostou: “Isso não é bom, não sou uma seguidora, sou uma líder. Não sou de seguir instruções”, declarou ela. Uma afirmação que não condiz com uma fervorosa seguidora dos preceitos tradicionais da igreja. “June, você é tradicional, eu sou divertida e a diversão ganha todas as vezes”, rebateu Donna.

E não deu outra. Donna, que propôs uma cerimônia ao ar livre num campo de golfe, venceu a proposta de June de fazer tudo em uma igreja. As brigas entre as duas começaram logo na escolha do vestido de noiva. Janene experimenta os modelos escolhidos por Donna com os olhos vendados. Ela só poderá vê-lo no dia do casamento. June não gosta da escolha e não disfarça sua revolta. Nesses momentos mais críticos, Gina, além de apresentadora e mediadora, tem que usar de toda sua psicologia para aparar as arestas e impedir que o resultado final seja uma tragédia.

No dia tão esperado, nem tudo que Donna panejou dá certo. Além da chuva que caiu, levando a festa para a parte interna do clube, a noiva apareceu com um vestido que não foi o escolhido pela sogra. Janene não gostou do modelo e sua mãe, rapidamente, apareceu com outro, escolhido por ela e comprado escondido da outra competidora. “Vou perdoar a June por trocar o vestido, mas não vou esquecer”, sentenciou Donna.

Apesar de Donna e June terem aparecido até brincando na pista de dança da festa no clipe de imagens mostrado no encerramento do episódio, ficou no ar que a turra entre as duas não terminou ali. Vamos ver como serão as próximas sogras que vão se enfrentar no caminho tortuoso no qual terão que se aturar até levarem seus filhos até o altar. 


terça-feira, 3 de julho de 2012

Análise: Situações inverossímeis e muito desinteressantes deixam histórias de casais desinteressantes em duas tramas globais


Encontros e desencontros amorosos são usados como combustível indispensável para manter aceso o interesse do público na maioria das novelas. E haja criatividade dos autores para criarem situações que afastem e reaproximem constantemente os apaixonados até o fim da história. O problema é que quando essa expectativa se prolonga por muito tempo, a espera acaba cansando até o telespectador. É o que vem acontecendo nas novelas “Amor Eterno Amor” e “Avenida Brasil”, da Rede Globo.

Na trama das seis, “Amor Eterno Amor”, está cada vez mais inverossímil ver Rodrigo (Gabriel Braga Nunes), um caipira que teve inteligência e sagacidade para assumir a presidência de uma grande empresa, deixar-se enganar de cara pela primeira mulher que chega se apresentando como Elisa (Mayana Neiva), o seu amor de infância. É exageradamente ingênuo alguém reconhecer, com mais de 30 anos, a namoradinha que conheceu aos 9 anos. Os detalhes que ela contou sobre a história vivida por eles já era conhecida de qualquer um que leu a revista na qual a foto de Rodrigo criança foi estampada na capa. E mesmo sendo a verdadeira Elisa, ninguém investiga sobre o que ela andou fazendo esses anos todos?  Nem mesmo a tão competente jornalista Miriam (Letícia Persiles) e o repórter tão sagaz Pedro (André Gonçalves)?  

Na novela das nove, “Avenida Brasil”, o enredo Nina/Rita (Débora Falabela) e Jorginho/Batata (Cauã Reymond) já saturou a paciência de qualquer telespectador. E no vai e vem escondido dos dois, sobra sempre para a noiva ioiô Débora (Natália Dill) segurar a onda do jogador quando ele está na pior. Sem falar em todos os outros casos mal resolvidos que povoam a história. É um troca-troca tanto no universo do subúrbio quanto no da Zona Sul. 

Monalisa (Heloísa Périssé) começou noiva do Tufão (Murilo Benício), depois se casou com Silas (Ailton Graça), ensaiou uma retomada com o antigo noivo e agora está sozinha de novo, pensando em voltar para o marido, sem saber que ele já está de caso com sua melhor amiga Olenka (Fabíula Nascimento). A amiga da onça, aliás, no começo da novela ficava escondido com o filho de Monalisa, Iran (Bruno Gissoni).  Tufão, depois de largar Monalisa, casou com Carminha (Adriana Esteves) e agora está apaixonado por Nina. Carminha há 12 anos trai o marido com Max (Marcelo Novaes) debaixo do teto de toda a família e ninguém nunca desconfiou de nada. E ainda tem Cadinho (Alexandre Borges) disputado por três mulheres, Suelen (Ísis Valverde) passando o rodo em todos os homens do Divino. E por aí vai...

Resta mesmo para o público divertir-se com os encontros e desencontros de “Cheias de Charme” que, pelo menos, são bem mais divertidos. E torcer para que os autores da novela das sete não deixem que o amor de Rosário (Leandra Leal) e Inácio (Ricardo Tozzi), que vinha indo tão bem e agora  desandou, não caia na mesmice dos folhetins que deixam para o último capítulo o grande encontro dos casais. É possível, sim, criar situações mais verossímeis que não transformem a expectativa tão cansativa a ponto de se perder o interesse pelas histórias.


 

domingo, 1 de julho de 2012

“Sábado Total”: Gilberto Barros, conhecido como Leão, não mostra ousadia nem coragem em renovar e traz muito do mesmo ao voltar a comandar um programa de auditório, após três anos fora do ar



Gilberto Barros não fez jus ao seu codinome Leão ao, após três anos fora do ar, estrear o “Sábado Total”, na Rede TV!, nesse sábado (30), sem mostrar qualquer ousadia ou coragem em se renovar. O programa ficou no ar das 14h às 17h mostrando muito do mesmo das atrações de auditório que o apresentador já comandou em outras emissoras, como o “Quarta Total”, na Record, e o “Sabadaço”, na Band. Não faltou nem a feijoada servida para convidados nada Vips, como as ex-Mulheres Ricas Débora Rodrigues e Brunete Fraccaroli, a cantora baiana Gilmelândia e muitos pagodeiros e dançarinas de grupos pouco conhecidos fazendo figuração. 

Leão apostou nas participações ao vivo do Padre Marcelo Rossi; da banda Calypso; do cantor Amado Batista; da dupla João Lucas e Marcelo, cantando o hit “Eu quero tchu, eu quero tchá...”, e até do ex-BBB Daniel Echaniz falando sobre sua expulsão da edição desse ano do reality show da Rede Globo, acusado de estupro.  E exagerou na exaltação sobre sua própria pessoa: “Eu sou o cheiro e a cara do povo”, falou o apresentador, quase em tom de ameaça e lembrando os tempos de “Leão Livre”, que substituiu o “Ratinho Livre”, na Record, quando Carlos Massa foi para o SBT.

A ideia de fazer tudo junto incluído, no entanto, teve seus momentos surreais. Por exemplo, quando Padre Marcelo Rossi, durante mais de meia hora, cantou várias músicas religiosas enquanto as “leoas”, bailarinas de palco do programa em trajes minúsculos, acompanhavam as coreografias e cantavam junto: “O meu lugar é o céu”, ou “Erguei as mãos e dai glória a Deus”. Foi quase uma blasfêmia.

Já o “De Cara Com a Fera”, momento de criar expectativa para revelações bombásticas do ex-BBB Daniel, nada trouxe de novo a tudo que já se sabe sobre o caso. O modelo ainda pagou o mico de, com a mão direita levantada, prestar o juramento de somente “dizer a verdade, nada mais do que a verdade”, como se estivesse num tribunal. E, depois de contar pela centésima vez sua versão dos fatos, afirmou que não está processando a Globo, pois ele e sua advogada ainda estão tentando um acordo amigável com a emissora.

Mas pior mesmo foi a falha técnica no ar. Um painel indicava dez números contendo perguntas e Daniel deveria escolher apenas cinco. Antes de ele escolher o número 1, a pergunta já havia aparecido na tela. O que mostrou que ele poderia escolher qualquer um, pois as perguntas já estavam definidas pela produção. O que ficou comprovado quando escolheu o número 10, marcaram no painel a 5 e não corrigiram o erro. Logo em seguida, Daniel pediu a 4, e o painel continuava marcando a 5 como tendo sido escolhida, e não a 10. Fazer ao vivo não é fácil, mas o apresentador, com os anos de experiência que tem, e a direção do programa deveriam estar atentos para corrigir as falhas na hora.  

Embora Gilberto tenha comemorado no ar a “audiência maravilhosa”, o programa não conseguiu tirar a emissora do quarto lugar. Chegou a ameaçar o “Programa Raul Gil”, na Band, em terceiro, quando teve pico de três pontos, mas a média ficou nos dois pontos. Vale lembrar ainda que neste sábado o “Caldeirão do Huck” não foi exibido na Globo, por causa do futebol. O Leão vai ter que rugir mais alto e dar uma repaginada em sua jaula nas próximas semanas.