terça-feira, 18 de dezembro de 2012

“Salve Jorge”: Giovanna Antonelli interpreta uma delegada inverossímil que pouco se importa com a lei em uma história que tem como eixo uma organização criminosa


Giovanna Antonelli saiu de “Aquele Beijo”, mas Cláudia, a protagonista interpretada por ela na novela de Miguel Falabella ano passado não saiu da atriz. Ela parece estar vivendo exatamente a mesma personagem agora no papel de Heloísa em “Salve Jorge”. Apesar de a anterior ser uma arquiteta de cabelos curtos e a atual uma delegada com mega-hair, as duas agem exatamente na mesma sintonia. São mulheres que, apesar de serem independentes e realizadas na profissão, têm ideia fixa no romance.

O fato de “Aquele Beijo” ter sido uma comédia romântica no horário das 19h até justifica. Agora, na trama das nove de Glória Perez em que a própria autora faz questão de ter os pés firmes na vida real fazendo campanhas sociais, soa falso uma delegada tão avoada, pouco presente na delegacia e mais preocupada com as situações que não a desligam do ex-marido, Stenio, personagem de Alexandre Nero. Aliás, o ator pouco convence como advogado rico, lembrando muito ainda o Zoiudo de “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva.

Heloísa é uma delegada que aparece muito mais caminhando no calçadão da praia com sua amiga Maitê (Cissa Guimarães) falando de sua vida pessoal, ou chegando em casa cheia de sacolas, dando a entender uma compulsão por compras, do que atuando em seu ofício. Ela é uma delegada, que sofre de um distúrbio consumista, que passou em um concurso para ser delegada federal sem nunca ter aparecido se dedicando para tal. Até o resultado do concurso foi anunciado por sua equipe, numa festa surpresa, porque ela própria não se ligou em saber antes.

O pior é ver que ela nunca se envolve diretamente nas investigações dos casos da delegacia. Tudo é resolvido pelo detetive Barros (Marcelo Airoldi) e pela escrivã Joyce (Thammy Miranda). “Vou fazer minhas unhas”, diz ela para a equipe no meio do horário de trabalho. Lamentável para a personagem. Lamentável para sua intérprete. Giovanna Antonelli faz uma delegada inverossímil que pouco se importa em tomar a frente de investigações baseadas na lei em uma história que tem como eixo uma organização criminosa. Como levar a sério uma policial que está mais preocupada com sua desastrada vida amorosa?


“Guerra dos Sexos”: Após se superar na vida real, Drica Moraes se destaca na ficção ao acertar na dose de humor que dá à ambiciosa e rabugenta quituteira Nieta


Drica Moraes encontrou o tom certo da Nieta de “Guerra dos Sexos”, novela das sete da Rede Globo, e merecidamente sua personagem vem ganhando mais destaque na trama. Principalmente agora que ela está empenhada em impedir o romance de Roberta (Glória Pires) com Nando (Reynaldo Gianecchini). Tudo porque teme que a rica empresária, sua irmã, acabe torrando sua herança com o motorista e não deixe nada para os parentes.

Nos primeiros capítulos da novela de Silvio de Abreu, remake da versão exibida em 1983, que estreou em outubro, Nieta lembrava muito a empregada Janaína de Claudia Missura em “Avenida Brasil”. Talvez porque a novela das nove de João Emanuel Carneiro ainda estava no ar, era fácil encontrar semelhanças nas interpretações das duas atrizes, como nos gestuais e no tom de voz das suas personagens.

Passados mais de dois meses, Drica está fazendo uma autêntica quituteira moradora de uma vila da Mooca, bairro de São Paulo que abriga grande parte de imigrantes italianos. E apesar de Nieta ser uma inconformada por ser pobre e viver enlouquecendo o marido, Dino (Fernando Eiras), que trabalha como braço direito de Roberta, a atriz dá à personagem uma leveza ao dar a ula um tom de comédia. Também não a transformou em uma vilã (ainda). Nieta chega a ser até ingênua ao idolatrar a filha, Carolina (Bianca Bin), essa, sim, uma cascavel.

Brincar com o humor não é difícil para Drica, vide “Os Aspones”, seriado em que foi protagonista em 2004, assim como a Judicéia Cajazeira na série “O Bem Amado”, de 2009, entre outros trabalhos no gênero. Já no drama talvez um dos momentos mais densos de sua carreira tenha sido quando viveu a perversa Violante Cabral na novela “Xica da Silva”, na extinta Rede Manchete, em 1996.

A atriz também mostrou garra e fibra ao, em janeiro, um ano e meio após ter sido submetida a um transplante de medula, voltar à cena em “Dercy de Verdade” interpretando brilhantemente a socialite Clô Prado, grande amiga de Dercy Gonçalves, a comediante homenageada na minissérie de Maria Adelaide Amaral. Com certeza é mais um exemplo de atriz com talento para se superar tanto na ficção quanto na vida real.


domingo, 16 de dezembro de 2012

“Esquenta”: Depois de estreia repaginada, Regina Casé volta a cair no popularesco floreado, forçado e que não convence


Não se pode elogiar. Elogiei o "Esquenta" na estreia semana passada e nesse domingo (16) o programa me decepcionou em vários momentos. Para começar, Regina Casé errou feio na escolha do figurino. O que era aquele conjuntinho de calça legging e casaco todo prateado reluzente com acessórios exageradamente coloridos e sandálias amarela?  Quem disse que para ser popular precisa ter mau gosto?

Em outro momento, soou muito mal a forma como ela tratou uma menina que disse querer ser médica, mas não sabia ainda em que área iria atuar, ao falar sobre escolhas profissionais. “Você está muito atrasada, quer ser médica e não sabe nem a especialidade”, disse Regina. O tom pode ter sido de brincadeira, mas qualquer um sabe o quanto esse tipo de tratamento cala fundo na mente de qualquer adolescente. Principalmente sendo em público e em um programa de televisão transmitido em rede nacional.

E depois dessa indelicadeza, ao falar sobre discriminação racial, a apresentadora veio elogiar o presidente dos Estados Unidos Barack Obama, lembrando que ele é filho de uma branca e que tem em sua família “tipos de todas as cores” e que não se preocupa em como os negros são rotulados, mas em como são tratados. “Que grande professor o Obama”, afirmou ela. Como assim?  Ela se esqueceu de que houve figuras muito mais importantes na história da luta negra tanto nacional quanto internacional como Zumbi dos Palmares e Martin Luther King?

Também acho exagerada essa “intimidade” que Regina tenta vender com moradores de favelas e periferia do Rio de Janeiro, como Madureira, Vidigal, Bento Ribeiro, citados no programa. “Esse é meu motoboy do Cantagalo”, anunciou ela, como se realmente usasse o tal transporte para subir e descer o morro frequentemente. Esquenta, mas nem tanto.

Mais "Esquenta" aqui:
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2012/12/esquenta-programa-apara-arestas-e.html 

“Salve Jorge”: Zezé Polessa traz mais uma coadjuvante de seu curriculum para o centro da história ao dar a Berna uma interpretação apaixonante e ao mesmo tempo contida


Zezé Polessa, sem roubar a cena de ninguém nem causar estardalhaço, tem cuidado ponto a ponto o tear do tapete de Berna, sua personagem turca em “Salve Jorge”, novela das nove da Rede Globo. Enquanto a trama de Glória Perez se arrasta com situações repetitivas e interpretações pouco convincentes, Berna é aquela mulher que traz consigo a dor de ter visto o sonho da maternidade se esvair ao perder seu primeiro filho ainda bebê e, na ânsia de ser mãe, não mediu as consequências de sua decisão de adotar uma criança a qualquer preço.

Passados vários anos, o destino vem cobrar a conta, e ela não apenas sofre com a ideia de deixar de continuar tendo o amor da filha, Aisha (Dani Moreno), como ainda é chantageada pela traficante de bebês, que ameaça colocar seu casamento em risco. A situação folhetinesca, mas que deve acontecer com frequência em qualquer cidade, país ou continente, não deixa dúvidas sobre o que é certo ou errado. Mas desperta um sentimento de pena e solidariedade a quem sente na pele o drama. “Eu não menti. Eu omiti”, afirmou Berna, tentando justificar seu erro de ter tentado fugir da burocracia de uma adoção. Zezé passa tanta verdade ao mostrar a dor da personagem que não há como não se comover com sua situação.

Segundo Berna, a mãe biológica daria o filho para adoção de qualquer forma para qualquer um, pois não teria como sustentar a criança. É uma saída fácil usada por ela para tentar amenizar uma negociação que se configura em um crime. Mas, no mundo em que vivemos quantas mães não fazem isso? E, analisando o lado psicológico de Berna, haveria atenuantes por ela não ter cometido uma ação premeditada que causasse mal a alguém?

Berna é aquela personagem que merece uma avaliação um pouco mais baseada em situações de mulheres que, como ela, enfrentam na vida real o que está sendo mostrado na ficção. E Zezé é aquela atriz que tem um dom peculiar de mesclar humor com emoção com um equilíbrio que poucas atrizes trazem. Foi assim com a divertida Naná de “Top Model” (1989) e com a perversa Firma da minissérie “Memorial de Maria Moura” (1994). Zezé Polessa mais uma vez como coadjuvante está fazendo a diferença, dando a Berna uma interpretação intensa, apaixonada e ao mesmo tempo contida.

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

“Luciana By Night”: Sem graça, conteúdo e profissionalismo, programa patina e faz projeto universitário amador de televisão


Luciana Gimenez insiste em dizer que o “Luciana By Night” é uma comédia. Mas, está difícil esboçar até um tímido sorriso no novo programa da mulher de um dos donos da Rede TV!. Ela parece se esforçar ao máximo, fazendo caras e bocas, mas se perde ao tentar ser uma espécie de Seinfeld de saias e rindo de tudo, até do que não tem graça. Depois da estreia insossa e sem assunto com Ana Hickmann há três semanas, a segunda edição só ganhou notoriedade por ter ido parar no “Top Five” do “CQC” da Band, segunda-feira (10). O convidado da noite era Raul Gil, que, após não conseguir se equilibrar na cadeira, foi se sentar sobre a mesa e destruiu o cenário com seu peso.

Já nessa terceira edição a convidada foi Val Macchiori.  Mais do mesmo. Ela falou de sua infância "pobrinha" no interior do Paraná, do trabalho como modelo e vendedora na infância e, rapidamente passou para a parte da boa vida como empresária em São Paulo. Estranho ser preservado como ela se tornou uma “mulher rica”.

Mas Val teve seu momento de lucidez, como quando revelou que não toma champanhe nem gasta um milhão todo dia. “O diretor disse: ‘dá uma exagerada’”, revelou ela ao falar sobre o reality show do qual participou na Band. Nem na hora das brincadeiras propostas Luciana conseguiu que o programa saísse da mesmice. No quadro “Volta Ao Mundo”, Val contou pela milésima vez que o “Hello” surgiu em Paris quando ela estava em uma loja tentando comprar uma bolsa e não conseguia ser atendida por ninguém. “Os franceses deve estar se revirando no túmulo. Lá é ‘Bonjour’ para tudo”, afirmou Luciana, tentando mostrar que também é "viajada". 

O programa conta ainda com a presença do humorista Diogo Portugal, que fica atrás de uma bancada sem uma função bem definida, a não ser o de também fazer graça. E também não atingindo esse objetivo. Enfim, Luciana poderia ficar só com o seu "Superpop" que já está de bom tamanho para ela. 


domingo, 9 de dezembro de 2012

“The Voice Brasil”: Na reta final, candidatas extrapolam nos gritos, técnicos extrapolam na empolgação, mas repertório nacional e bem escolhido salva a penúltima edição


Em sua penúltima edição, alguns participantes do “The Voice Brasil” parece estarem participando do “The Scream Brasil”. Como mostraram Thalita, Ludmillah e Ellen no programa desse domingo (9). As três, que se classificaram para a final, são donas de um vozeirão, mas parece estarem querendo ganhar a competição no grito. Ludmillah, além de se esgoelar, ainda tem uma postura agressiva, parece uma fera enjaulada querendo mais domar do que conquistar a plateia.

O desespero na reta final leva alguns concorrentes ao ridículo. Mira Callado, além de elevar excessivamente o tom em alguns trechos da música, exagerou ao se ajoelhar no palco e se benzer após cantar “Jesus Cristo”, de Roberto Carlos. Já Ludmilla, ao ser escolhida por Carlinhos Brown para continuar na disputa, vencendo Mira, foi totalmente infeliz ao gritar: “Dedico a minha mãe, a gente que é guerreira, mulher negra...”. Como assim? As mulheres brancas também não são guerreiras?

Desnecessário apelar para esse tipo de discurso numa competição musical em que o que vale é a voz e não a raça, credo, condição social ou sexual. Sem falar que ela sempre encerra suas apresentações com algum deboche, parecendo ser mais uma personagem cômica do que uma profissional da música participando de um programa sério e não de uma disputa de calouros.

O ponto positivo dessa penúltima audição foi o repertório, 100% nacional. Finalmente as músicas internacionais ficaram de fora. E as escolhas foram de qualidade, com canções que fizeram sucesso há décadas na interpretação de ídolos como Roberto Carlos, Elis Regina, Djavan, Gal Costa e Caetano Veloso, além de cantores mais atuais, como Ana Carolina, Maria Gadú e O Rappa.

Agora é aguardar a final no próximo domingo, quando sete mulheres disputarão o título com um único homem. E, a contar pela empolgação dos técnicos que, não sei se foi impressão minha mas nesse domingo pareciam estar doidões vários tons acima em relação às audições anteriores, o anúncio do vencedor deverá ser apoteótico.

“Esquenta”: Programa apara arestas e mostra amadurecimento ao se preocupar um pouco mais com sua função social do que com o oba-oba do “churrasco da laje”


Regina Casé voltou totalmente reciclada na nova temporada do “Esquenta”, que estreou nesse domingo (9) na Rede Globo. Repaginado, o programa ganhou maior versatilidade, com espaço para temas sérios serem tratados de forma informal e sem exagero nos momentos mais divertidos. Como foi a forma natural e descontraída como foram mostrados os portadores de deficiência, atletas paraolímpicos e de integrantes do bloco Senta Que Eu Empurro que compareceram em massa na plateia. “O interessante é que descobrimos que a maioria deles vem aqui por vontade própria, porque se sentem, bem e isso é maravilhoso”, afirmou a apresentadora.

A estreia também contou com a presença luxuosa da presidenta da República Dilma Roussef em uma entrevista gravada em Brasília na unidade da rede de hospitais Sarah Kubitschek, centro de reabilitação. A conversa girou em torno de vários assuntos, mas principalmente focou na necessidade da inclusão social de portadores de deficiência. Funcionou bem a ideia de intercalar a entrevista costurando vários momentos de outras atrações, e não apresentá-la em um único bloco, pois não prejudicou a dinâmica do programa. E a informalidade de Dilma, no clima do “Esquenta”, contribuiu para o bom resultado. Ela soltou até um "ajunta", em homenagem aos seus conterrâneos mineiros.

Arlindo Cruz e Leandro Sapucahy, participantes fixos desde a primeira temporada, agora ganharam o reforço de Péricles, ex vocalista do Exaltasamba, e Xande de Pilares, vocalista do grupo Revelação. Também teve a presença de Herbert Vianna, cantando e contando um pouco de sua condição de cadeirante. Já a presença de estudantes de Medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que foram comemorar sua formatura no programa, ficou meio desnecessária, ou não funcionou como deveria.

Deu para perceber que várias arestas foram aparadas em relação às temporadas anteriores: a música “Esquenta (Tema de Regina)” já não é mais tocada à exaustão numa verdadeira lavagem cerebral de exaltação à apresentadora; Regina Casé, acredite, está menos deslumbrada, deixando que os outros também apareçam e se jogando menos diante das câmeras para dominar a cena, como fazia antes; e a edição pode melhorar, mas está bem mais cuidadosa, sem aqueles cortes abruptos que eram feitos. 

A declaração de amor de Estevão Ciavatta, um dos diretores do programa e marido de Regina, que ficou temporariamente tetraplégico após um acidente de cavalo em 2008, encerrou a estreia com chave de ouro. O mais marcante, porém, foi a mensagem deixada por um atleta paraolímpico: “Para quem é guerreiro, nada é impossível”.



“Encontrar Alguém”: Quadro do “Caldeirão do Huck” não é original, mas emociona ao ultrapassar fronteiras e promover o encontro de irmãos angolanos separados pela guerra


Luciano Huck abriu o “Caldeirão do Huck” desse sábado (8) avisando que aquele seria um programa especialmente emocionante. Realmente foi. E mais uma vez, como poucos fazem, ele não deixou de exaltar o trabalho caprichado de toda sua equipe na realização do “Encontrar Alguém”, que abriu o programa. O quadro promoveu a reaproximação inédita de dois irmãos angolanos, separados há 35 anos por causa da guerra civil que assolou seu país na África.

Sem dúvida a produção teve que suar a camisa para promover o encontro de Paula, auxiliar de enfermagem que mora em São Paulo, com seu irmão, o motorista Chico, contratado para prestar serviços à equipe do “Caldeirão” no show do “Dia da Amizade Angola-Brasil”. O evento, que acontece em Luanda há quatro anos para celebrar os laços entre os dois países, foi comandado por Luciano. Em determinado momento do show, Chico foi chamado ao palco e ali teve a surpresa de reencontrar Paula. Emocionados, os dois irmãos, separados durante a guerra civil de 1975, foram aplaudidos pela multidão de angolanos presentes na festa.
 
Vale ressaltar a competência dos envolvidos, já que o “Dia da Amizade” aconteceu no dia 4 de outubro e bem antes todos tiveram que correr para localizar Chico em Angola e simultaneamente planejar a ida de Paula a seu país de origem. E ainda fazer o registro do encontro de ambos durante o evento. O cuidado da edição valorizou o quadro ao inserir imagens de arquivo em preto e branco da guerra civil na qual os dois estavam entre as milhares de vítimas, ao som de “Brothers In Arms”, de Dire Straits. Igualmente comovente foi o encerramento, com um clipe mostrando imagens de Chico e Paula festejando o encontro com seus familiares, irmãos, sobrinhos, cunhada, em uma praia, próximos a carcaças de navios destruídos na guerra encalhados na areia.

A estreia do quadro aconteceu em maio, promovendo o encontro de duas irmãs que não se viam há 50 anos. Na segunda edição, em setembro, outra história: a do carioca de 17 anos, criado pelo padrasto, que realizou o sonho de conhecer seu pai biológico, que foi embora para os Estados Unidos quando o filho tinha apenas 1 ano e nunca mais o procurou. E essa terceira vem reforçar a expectativa de que “Encontrar Alguém” veio para disputar espaço com os já consagrados e também sempre emocionantes “Lar Doce Lar” e “Lata Velha”. A ideia pode não ser inédita, mas como o que mais se vê na TV são cópias de cópias, o que interessa mesmo é a qualidade mostrada em cada nova versão de um mesmo formato.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

“Como Peixe Fora D’Água”: Lutador tenta conquistar fama fazendo graça agredindo espécies marinhas em série que estreia no canal que se diz defensor do mundo animal




Fiquei chocada ao assistir ao programa “Como Peixe Fora D’Água”, que estreou segunda-feira (3) no Animal Planet, enaltecendo a ideia bizarra de um lutador canadense, Eric Young, de 32 anos, que resolve tirar férias dos ringues para, literalmente, invadir de forma agressiva o habitat de espécies marinhas. O canal que, como o nome diz, é voltado a séries e documentários que retratam a realidade do mundo animal, poderia privar seu público de um brutamonte que está “brincando” em façanhas que ele próprio reconhece serem tolas, mas que agridem animais aquáticos.

No primeiro episódio da série, Eric diz que vai até a Costa do Golfo da Flórida “em busca dos pescadores mais malucos da América”. Sua ideia é caçar tubarões, inicialmente na forma tradicional, até chegar à captura sobre uma prancha de stand up paddle. O formato do programa é aquele tradicional: o apresentador conversa com a câmera tentando ser simpático e fazendo gracinhas, como quando foi ao shopping comprar uma sacola cheia de meias-calças femininas. Elas seriam usadas para encher de iscas para atrair tubarões. “São as salsichas de peixe”, ironiza ele.

Logo nas duas primeiras pescas, dois tubarões menores são capturados. Os anzóis que prendem as iscas são cortados e os bichos, machucados pela linha, são soltos de volta ao mar. O lutador se orgulha, brinca de fazer carinho em suas presas, mas em nenhum momento explica que o nylon dos pedaços de meias-finas engolidos por elas será ou não prejudicial a seus organismos.

Nos blocos seguintes, Eric realiza seu intento de caçar tubarões maiores com paddleboard. Nas aulas com um instrutor apenas para dominar a prancha com remo, ele mais uma vez tenta fazer humor, aparecendo com uma sunga minúscula com a estampa da bandeira dos Estados Unidos. Mas qualquer tentativa de piada naufraga ao se constatar que ele está brincando com animais em extinção. Ao caçar um filhote de 60 cm, o lutador diz estar fazendo carinho na barriga da caça, mas percebe-se que o animal está estressado, contorcendo-se desesperado para não morrer fora d’água.

O ponto alto é quando Eric finalmente consegue capturar um Tubarão Limão de quase 2 metros.  “Eles são conhecidos por atacar humanos”, destaca o lutador. Mas e ele estava fazendo o que ali? Em busca de fama, estava atacando tubarões no habitat natural deles. Ele é o invasor e agressor. “Eu me sinto um homem de verdade. Eu mereço essa barba”, diz o barbudo. Talvez se tivesse barbatanas Eric não se sentisse tão “homem”, mas fosse um pouco mais humano.

Para piorar, nos próximos episódios a briga será contra jacarés, bagres e ouriços, utilizando instrumentos igualmente agressivos. Uma pena o Animal Planet se prestar a esse tipo de programa que transforma a pesca em um tipo de esporte radical que coloca em risco a integridade de tantos seres vivos que estão precisando de quem os defenda, e não de quem os agrida apenas por 30 minutos de fama.
 



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

“Malhação”: Depois da masculinizada Alice de “Fina Estampa”, Thaís de Campos mostra sua versatilidade ao se transformar na doce e maternal Vilminha da novelinha global voltada para o público adolescente


Thaís de Campos faz parte daquele time de atores que, quando fora do ar, passam seus ensinamentos na arte de representar abrindo cursos de interpretação, mas que, quando chamados de volta à cena, provam que além da teoria não perdem a prática. É o que ela está mostrando em “Malhação”, ao entrar fazendo uma participação como Vilminha, a mãe de Fatinha (Juliana Paiva), a garota considerada a mais “fácil” entre os alunos da escola Quadrante na novela da Rede Globo voltada para o público adolescente.

A atriz passou por uma transformação camaleônica depois de ter feito a robusta Alice, uma mulher com trejeitos masculinizados que vivia um relacionamento dúbio com Tia Íris, personagem vivida por Eva Wilma em “Fina Estampa”, novela das nove de Aguinaldo Silva exibida ano passado. No novo trabalho, não foram só os cabelos e o figurino que mudaram. A atriz encarnou de tal forma a mãe dedicada e conselheira na história teen, com gestuais e olhares maternais, que não há como se fazer qualquer tipo de comparação entre sua personagem anterior e a atual. Precisa ter competência para se criar um novo tipo sem herdar qualquer "cacoete" dos anteriores.

Com 30 anos de carreira, Thaís já teve momentos de destaque, mas sempre de uma forma discreta, como quando fez a bondosa Arlete no remake de “Mulheres de Areia” (1993) e a engraçada Amparo Muñoz de “Salsa & Merengue” (1996). Desde 2000, quando se mudou para Portugal, onde dirige um Curso de Interpretação Para TV e Cinema e produz espetáculos teatrais, ela vinha fazendo apenas participações em novelas e minisséries no Brasil, como aconteceu em “Cinquentinha” (2009) e “Lara Com Z” (2011). Com papel inteiro ou apenas como convidada, Thaís tem feito a diferença em suas aparições. E sem alarde. Diferentemente de outros artistas que estão sempre no ar fazendo muito barulho por nada.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

“Domingão do Faustão”: Com elegância, Nelson Freitas chama a atenção de Fausto Silva quando apresentador esquece convidados, para bajular suas bailarinas






Nelson Freitas é um artista que há mais de duas décadas circula pela dramaturgia de várias emissoras sempre com a mesma competência de quem domina a difícil arte de fazer humor. Ele é aquele tipo que escracha no popularesco e esnoba no politicamente correto e metido. Sua participação no “Domingão do Faustão” desse domingo (2) foi mais uma prova de que um artista por ser comediante não está num patamar inferior. Se tiver talento, pode e deve se impor.

Foi o que o ator fez no quadro "Divã do Faustão" no momento em que Fausto Silva deixou os convidados de lado e foi, literalmente, “babar ovo” das suas bailarinas, como se elas fossem mais importantes do que aqueles que estavam ali a convite da produção do programa. Nelson não se segurou e chamou para si a atenção quando o apresentador exagerava nas gracinhas, deixando de lado quem realmente merecia estar em foco.

Nelson é tão profissional que não se cala quando lhe convidam para um programa e o deixam num canto. Ele sabe do seu valor para estar ali. E defende seu espaço como poucos o fazem, com uma educação recheada de simplicidade e coberta de um humor inconfundível. 


 

domingo, 2 de dezembro de 2012

“Clara”: Convidados contam de forma coloquial e atraente a trajetória de Clara Nunes, mas série estreia carente de imagens da cantora para atrair o público




Clara Nunes saiu de cena muito cedo, no começo dos anos 80. Mas o público mais jovem que não teve a oportunidade de testemunhar seu talento como cantora de todos os ritmos tem a chance agora de conhecer um pouco mais na série “Clara”, que estreou nesse sábado (1), no Canal Brasil, e retratará a trajetória profissional daquela que foi uma das maiores intérpretes da música brasileira.  O primeiro dos cinco episódios, “Quando Vim de Minas”, mostrou material de arquivo e depoimentos de amigos e familiares da cantora, que morreu aos 39 anos, em 1983, após fazer uma cirurgia de varizes nas pernas. O começo da vida pessoal, também recheada de dramas, não foi mostrado. A série foca exclusivamente o aspecto profissional.

A escolha de “Tristeza Pé No Chão”, sucesso de 1973 composto por Clara e que ficou marcado pelo choro do cavaco e da cuíca, foi perfeita como tema de abertura. Assim como foi a ideia de abrir o programa com a voz inconfundível de Vinícius de Moraes exaltando a homenageada: “Uma das maiores cantoras brasileiras do momento e das que tem mais possibilidade de fazer uma grande carreira, um grande caminho na canção popular do Brasil”, afirmava o poeta, em uma mensagem gravada por ele no show “Poeta, Moça e Violão”, também de 1973.

Os depoimentos de amigos como Wagner Tiso, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e Eduardo Araújo, entre outros, foram feitos de uma forma espontânea, num tom coloquial que desperta no telespectador a sensação de se estar participando de uma roda de bate-papo na qual são lembradas situações curiosas que marcaram a trajetória da artista. Alcione, por exemplo, exaltou o fato de Clara, uma das maiores vendedoras de discos, ter ajudado a abrir o mercado fonográfico para cantoras. Já Eduardo Araújo destacou que a amiga passeava com desenvoltura não apenas no samba, como no bolero, no jazz, na bossa nova. 
Dirigida por Darcy Burger, a série foi idealizada e roteirizada pelo jornalista Vagner Fernandes, inspirada na biografia ‘Clara Nunes, Guerreira da Utopia’, de sua autoria. Foram quatro anos de pesquisas para a construção de um acervo que reúne entrevistas em rádio, apresentações em TV, músicas e fotografias, além de 48 depoimentos inéditos de pessoas que reconstituem a breve trajetória da cantora mineira. A ideia é levar o documentário para o cinema em 2013.
Essa primeira etapa da história musical de Clara mostrada no episódio de estreia, por ter acontecido em um período em que o rádio era o veículo mais presente, há poucas imagens dela em cena. Contou com apenas um vídeo da cantora interpretando “Serenata do Adeus”, de Vinícius de Moraes, poucas e rápidas sequências de filmes antigos e, no fim, um clipe dela cantando “Você Passa e Eu Acho Graça”, da década de 60. Uma pena, pois em uma estreia o público quer ver mais a personagem central da história do que pessoas do seu entorno. De qualquer forma, é de se esperar que nos próximos episódios, com um material mais rico nos arquivos da televisão, a série ganhe mais a presença visual da Guerreira.