segunda-feira, 24 de setembro de 2012

“The Voice Brasil”: Com participantes de alto nível, versão brasileira de competição musical segue mesmo formato do original americano, inclusive com uma norte-americana sendo selecionada na estreia


Tiago Leifert abriu a estreia do “The Voice Brasil” nesse domingo (23), na Rede Globo, afirmando que estava começando “Uma competição musical diferente de tudo que existe”. Faltou ele acrescentar que era diferente na televisão brasileira, já que se trata de uma cópia fiel do original americano: o mesmo cenário, o mesmo logotipo (a mão segurando um microfone que mais parece um símbolo fálico) e a mesma formação de “técnicos” com três homens e uma mulher. Felizmente, a versão brasileira também se esmerou em selecionar candidatos de um nível profissional a toda prova. Todos com “uma voz forte” ou “uma grande voz”, expressões muito usadas pelos jurados para justificarem suas escolhas.

Produzido pela NBC, o “The Voice” já está em sua terceira temporada nos Estados Unidos. E, se lá a missão de formar uma equipe e treiná-la está nas mãos de Adam Levine, CeeLo Green, Christina Aguilera e Blake Shelton, aqui os técnicos são Lulu Santos, Carlinhos Brown, Claudia Leitte e Daniel. O processo de escolha, sim, faz toda a diferença em relação a outras competições musicais. Roupa, aparência, idade, histórico de vida pessoal não contam. Nessa fase preliminar, o que vale é a voz, selecionada a partir de uma espécie de teste às escuras: os técnicos ficam sentados de costas para o palco, apenas ouvindo os candidatos cantarem, e, caso aprovem, tocam um botão vermelho que faz a cadeira girar e o coloca de frente para o escolhido.

A dinâmica permite que mais de um técnico aperte o botão, e aí a disputa passa a ser entre eles na tentativa de ser o eleito do participante. Lulu Santos e Carlinhos Brown se mostraram ser os mais imbuídos do espírito de competição entre eles. “Não tenho o que falar”, disse Brown ao elogiar um eleito por ele. “Então não fala”, rebateu Lulu, também de olho no possível aluno. Claudia, acostumada a ser o centro das atenções, parecia mais preocupada em fazer caras e bocas e ficava o tempo todo esperando a reação dos seus colegas, com medo de errar na avaliação. Ela só ousou tocar primeiro a luz vermelha quando viu que estava perdendo, com apenas um candidato no seu time.

No fim do primeiro programa dessa etapa, Claudia e Daniel ficaram com dois participantes cada um, Lulu com três e Brown com quatro. Mas, sem dúvida, Daniel levou as vozes mais marcantes para seu time: a paraense Liah Soares e a norte-americana Alma Thomas, que foi disputada pelos quatro técnicos, mas optou pelo cantor sertanejo. 

O momento constrangedor aconteceu quando Yuri, um índio morador da Aldeia Jatobá, em Tangara da Serra, foi eliminado após cantar “Sinônimos”, de Zé Ramalho, interpretada por Chitãozinho e Xororó. Quando os quatro jurados viraram as cadeiras, ficaram estarrecidos ao ver que se tratava de um índio. Tentando se desculpar, Brown afirmou ter se arrependido por não ter apertado o botão vermelho. “Somos dois”, disse Daniel, mais constrangido ainda, já que Yuri cantou uma música sertaneja, sua especialidade. Mas, se a ideia é não deixar que qualquer outra característica do candidato influencie na escolha, casos como esse com certeza ainda deverão se repetir.

Esse processo seguirá até que cada técnico tenha formado um time com 12 participantes, que serão treinados por eles para aprimorarem suas técnicas. Em seguida, cada time será cortado pela metade pelo próprio mentor. A participação do público votando em seus favoritos só acontecerá a partir de novembro, quando começam as apresentações individuais em shows ao vivo. A grande final terá apenas um “pupilo” de cada técnico. Mas desde agora já paira no ar o risco de “A Voz” do Brasil pertencer a uma norte-americana cantando Adele. 



sábado, 22 de setembro de 2012

“Lado a Lado”: Texto ousado faz novela de época derrubar tabus arcaicos sobre comportamentos femininos, enquanto sons modernos na trilha sonora aquecem a trama


A nova novela das seis traz um vigor renovado na forma de revisitar a nossa história e com um olhar tão despido até mesmo dos ranços da modernidade que surpreende até os mais atentos e mais rigorosos na horar de cobrar um perfeccionismo raras vezes encontrado num texto. É claro que a trilha sonora, embalada por ritmos modernos e sem medo de desafiar os críticos de música que se acham sempre os mais atuais e antenados do momento, contribue muito para fazer a diferença. Essa ousadia com certeza não parte de uma única vertente do produto final. Existe aí uma sintonia orquestrada entre elenco, autores, produtores, diretores e uma gama de equipe técnica por trás.

Que a sinfônica está bem afinada, isso já se percebeu nos primeiros capítulos. Mas no decorrer da história percebe-se uma visão mais apurada e antenada da leitura sociológica feita em um período em que a mulher era alvo de tanto preconceito quanto eram os negros. E o quanto ela também usava de subterfúgios para despistar os conceitos do falso a que era submetida.

Há apenas duas semanas no ar, “Lado a Lado” já mostrou que não veio para ser apenas mais uma novela de época. Em dez capítulos, Isabel (Camila Pitanga) se entregou a Betinho (Rafael Cardoso), mesmo amando Zé Maria (Lázaro Ramos), e a ex-condessa Constância (Patrícia Pilar) virou amante do senador Bonifácio (Cássio Gabus Mendes).

A novela mostra claramente um desejo de por fim à hipocrisia de mostrar no horário das seis uma época de “bons costumes”. Só tinha visto ousadia maior em “Chiquinha Gonzaga”, minissérie exibida às 23h. Não é apenas a música que embala o desapertar de uma era antiga, é o texto, a direção de arte e a fotografia mostrando em cada vírgula uma nova forma de se fazer novela de época, e todo o contexto acompanhando a vestimenta dada a um trabalho realizado em cima de uma história que se passa no começo do século passado. Que venha uma nova era de se mostrar de uma forma mais verdadeira histórias vividas por nossos ancestrais em tempos passados.



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

“Jogo de Panelas”: Participante do quadro do “Mais Você” fica em último lugar na competição, mas consegue seus 15 minutos de fama graças à sua deselegância e ainda se oferece para entrar no próximo “BBB”


O pernambucano Getúlio levou o prêmio de R$ 10 mil da terceira edição do “Jogo de Panelas”, no “Mais Você”, que chegou ao fim nessa sexta-feira (21), mas quem realmente se destacou foi a manauara Mônica. Na competição, que consiste em cinco pessoas que não se conhecem promoverem um jantar em suas casas para os outros do grupo, Mônica mostrou por que seu apelido é Tsunami. “Isso aqui é um jogo. Tem que ser hipócrita também. Não vou ser honesta e dar nota alta para o outro se eu quero ganhar os 10 mil”, chegou a afirmar ela em um dos jantares.

Poderia ter sido apenas mais um quadro de culinária em formato de reality show, mas acabou servindo como mais uma fonte de observação do comportamento humano. Depois de conquistar a antipatia não apenas do grupo com seus comentários ácidos e deselegantes como também de grande parte do público que se manifestou na internet, Mônica manteve sua postura até mesmo diante da apresentadora Ana Maria Braga e demais participantes. “Sou má como todo mundo, mas também sou bacana, como todo mundo. A diferença é que eu exteriorizo o que penso. Se faria tudo de novo? Faria! E pior”, afirmou ela no programa ao vivo, com a sobrancelha direita sempre arqueada e o olhar enviesado.

Mônica, com sua total falta de modéstia, disse que queria aproveitar seus 15 minutos de fama. E conseguiu também mostrar que faz parte daquele grupo de pessoas que resistem à ideia de admitir a necessidade de auto-avaliar o comportamento. Ostentam os próprios defeitos como se fossem qualidades, mascaram esse orgulho equivocado tentando enganar aos outros afirmando que são honestas e verdadeiras no seu modo de ser. Não percebem estarem engando a si mesmas.

Dos demais concorrentes, o carioca Leopoldo foi o que melhor soube se posicionar no embate do programa dessa sexta-feira. “Acho que essa semana foi um grande intensivão de amizade. E amizade nem sempre é aquilo que parece ser. A coerência se perdeu um pouco por causa dos comentários, às vezes, a gente perde grandes oportunidades de ficar quieto, mas cada um fala o que quer”, afirmou o inventor. Muito preocupada em fazer pose para as câmeras do estúdio, Mônica nem percebeu que ele estava se referindo ao fato de que durante os jantares ela aparecia elogiando os pratos e, depois, ao gravar sua nota, falsamente afirmava que tudo estava péssimo. Chegou até mesmo a chamar de “bosta” a recepção da dona-de- casa Elaine.

Apesar de todo ar de superioridade, no resultado final do jogo a Tsunami virou uma Marolinha e acabou em último lugar na votação. O jantar árabe oferecido pela nortista e neta de índios foi considerado o pior pelo grupo. Além do desconforto de todos terem que comer sentados no chão, até cabelo foi encontrado na comida.

Mas, como em reality show já se viu muito tipo de cobra se criar, não será surpresa se ela acabar indo parar no “Big Brother Brasil 13”. O recado para Boninho, que também é diretor do “Mais Você”, foi dado pela própria: “Já falei que se eu for para o ‘BBB’ vou colocar fogo”, insinuou Mônica.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

“Avenida Brasil”: Nina é alvo de campanha na internet e comentários cobrando do autor atualização em assuntos de tecnologia só ajudam a divulgar ainda mais a novela

Os avanços tecnológicos do século XXI, quem diria, estão sendo os maiores inimigos das arqui-inimigas de “Avenida Brasil”, Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) e, ao mesmo tempo, tornaram-se os maiores aliados do autor da novela das nove da Globo, João Emanuel Carneiro. A prova maior está acontecendo agora, quando as redes sociais na internet, como Facebook, estão tomadas por uma campanha de doação de um pen drive para Nina. No Twitter, desde terça-feira (18) esse é o assunto mais comentado entre seus seguidores. Ou seja, João Emanuel deve estar curtindo muito toda essa repercussão, compartilhando a máxima “Falem mal, mas falem de mim”, e deletando comentários sobre sua suposta “falta de informação na Era Digital” ao fazer Nina usar métodos ultrapassados para se armar de provas contra Carminha. 

Essa não é a primeira vez que Nina é alvo de pontaria daqueles que estão antenados com todas as novidades tecnológicas do mercado. E nem precisa estar tão antenado assim. Sim, porque desde que a novela estreou, em março, já começaram a circular na internet os conselhos para que a jovem vingativa usasse seu celular para fotografar ou gravar uma conversa da ex-madrasta com o amante, Max (Marcello Novaes). Apesar das críticas feitas na época, só três meses depois, em junho, o autor criou a cena em que Nina finalmente clicou os adúlteros. Mesmo assim, usando uma máquina fotográfica que nem digital era, do tempo do filme de rolo. As provas foram impressas em papel. E o desenrolar continua rendendo repercussão até agora.

É verdade que os telespectadores já estão cansados do vai-e-vem de acontecimentos que se repetem, com a vantagem oscilando ora a favor de Nina ora a favor de Carminha. Parece uma partida de futebol que no segundo tempo não está conseguindo manter a mesma empolgação despertada na torcida nos primeiros 45 minutos. Prorrogar o tempo de jogo talvez não tenha sido uma boa ideia. Mas nessa decisão quem apita não é apenas o autor, e sim também quem realmente tem interesse nas “luvas” que uma novela de sucesso rende.

Talvez João Emanuel tenha escolhido como sua melhor tática a de manter a linha que adotou inicialmente para conduzir sua história. Não dá para não valorizar que o autor continua usando a ficção para incentivar a leitura de livros. A conselho da própria Nina, Tufão (Murilo Benício), apareceu lendo “A Metamorfose”, de Franz Kafka, e “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. E até Mãe Lucinda (Vera Holtz) já leu “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Caroll, para as crianças do lixão. E não foi em e-books no iPad. Enquanto isso, João Emanuel deve estar rindo das “cutucadas” que vai levando na mídia.



“Cheias de Charme”: Taís Araújo consegue que sua Penha seja uma das Maria que mais se destaca no grupo das Empreguetes


Taís Araújo, com suas sacudidas de ombro à la Xica da Silva, caras e bocas e formas curvilíneas, desde o começo de “Cheias de Charme” já foi marcando território para fazer de sua Penha uma das Marias que mais se destacasse entre as Empreguetes. E vem conseguindo também graças a sua personagem ter oportunidades de viver situações muito mais variadas do que suas companheiras no extinto grupo, Rosário e Cida, vividas respectivamente por Leandra Leal e Isabelle Drummond, na novela das sete da Rede Globo.

O mais novo imbróglio envolvendo Maria da Penha realmente a deixou num vestido mais justo do que os que ela costuma usar nas ladeiras do Borralho.  No capítulo dessa quarta-feira (19) ela teve que engolir a lição de amizade que recebeu de Lygia (Malu Galli). “Amigo sincero conta a verdade. Mesmo que isso machuque ou magoe”, afirmou a advogada, com a sua classe de sempre. A cena aconteceu após a advogada ter visto na internet uma foto da ex-empreguete beijando Gilson (Marcos Pasquim), um amor do passado e pai do seu primeiro filho. Foi um golpe para ela que não só considerava Penha sua melhor amiga como também é sua ex-patroa e sempre lhe estendeu a mão, ajudando-a inclusive financeiramente.

Esse caso de traição de amiga é semelhante ao recentemente mostrado na novela das nove, “Avenida Brasil”, quando Olenka (Fabíula Nascimento) se envolveu com Silas (Ailton Graça), ex-marido de sua melhor amiga, Monalisa (Heloísa Périssé). A diferença é que Olenka foi movida apenas por atração física, e ela ouvia Monalisa dizer que não queria mais ver Silas pela frente nem pintado de ouro. Já Penha sabia que rever Gilson tinha mexido com Lygia. A amiga tinha confidenciado até ter ficado perturbada com o beijo trocado com o surfista no primeiro reencontro.

O erro de Penha não foi ter se apaixonado. Assim como o de Olenka pode não ter sido o fato de ceder à tentação. As duas falharam em uma questão bem mais delicada, que é o de terem quebrado o principal alicerce de qualquer relação, principalmente de amizade, que é o da confiança. As duas tiveram tempo de serem sinceras com suas amigas, mas sentiram vergonha, medo. E, ao vacilarem, acabaram omitindo a verdade, achando que, dessa forma, não estavam mentindo.

Assim como Monalisa perdoou Olenka, é sabido que Lygia e Penha voltarão a se aproximar. Se Gilson acabará sobrando sozinho como aconteceu com Silas é outra história. Ele bem pode voltar para sua vida de surfista em Pernambuco. Mas, e Lygia, que acabou de sair de um casamento de anos após descobrir ter sido o tempo todo enganada pelo marido, o mulherengo espanhol, Alejandro (Pablo Bellini)? Quanto a Penha, é claro que não faltam candidatos. Fazendo a linha “irresistível”, que aposta num erotismo meio vulgar e meio “RPM”, com a língua “meio de lado já saindo” do canto da boca, ela vai colecionando admiradores. E continua a falar errado, mesmo após já ter sido uma cantora de sucesso e atualmente atuar como consultora em um importante escritório de advocacia.

Lidera sua lista de apaixonados Sandro (Marcos Palmeira), o ex-marido malandro e biscateiro, pai de seu filho e por quem ela sempre foi louca, a ponto de engolir as safadezas dele. Sandro vem tentando mudar, de um jeito meio torto, é verdade, mas tem conseguido convencer no papel de herói por acidente. Pulando as cantadas escancaradas que levou de Kleiton (Fábio Neppo), Penha também teve seu momento de ceder aos elogios fáceis do radialista Gentil Soares (Gustavo Gasparini), na época do auge das Empreguetes. Um carro com motorista particular na porta e um restaurante fino a deixaram nas nuvens. Logo em seguida surgiu o milionário Otto Werneck (Leopoldo Pacheco), com quem ela chegou a trocar beijos e revelar à própria amiga Lygia estar pensando seriamente em dar uma chance ao empresário.

Penha parece espelhar muito a personalidade de pessoas da vida real que também dizem ter “mania de querer poupar as pessoas que amam”, mas no fundo só querem se manter no centro das atenções e no comando geral de todos à sua volta. Seu comportamento já tinha sido pouco ético na época das Empreguetes quando, após ter confidenciado a Otto que aquele mundo de shows não era o dela e que não gostava de ensaiar e achava chato gravar, jogou toda a culpa do fim do grupo em cima de Rosário. Por que? Porque a iniciativa de decretar o fim do trio tinha sido da vocalista principal, e não dela. Mentiu lá também. E não poupou aquela que tinha sido responsável por ajudá-la a atingir o estrelato.

Se as Empreguetes ainda voltarão ou não a cantar juntas no fim da novela, a decisão só cabe aos autores Izabel de Oliveira e Filipe Miguez. Mas, com certeza, Penha merece voltar a ser a “Neguinha” do Sandro, fazendo churrasco e servindo linguicinha na laje ao som de pagode. Só vai precisar fazer um intensivo se for continuar como “consultora” do escritório de Otto, para deixar de falar “pá tu”, pá mim”, “pá ela” e “pá todo mundo”.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

“Prêmio Multishow 2012”: Transmissão de premiação dos melhores da música brasileira não tem nada de popular e continua sendo uma festinha entre amigos como sempre foi, há mais de dez anos


Ivete Sangalo resumiu bem a noite: “É a tradição do Prêmio Multishow”. Ela nem precisava ter dito que a tradição de ser tradicionalmente mais uma noite tradicional feita para colocar a “turminha da música” nas primeiras filas da plateia, enquanto a galera que votou na internet, depois de disputar quase a tapas virtuais um ingresso para a festa, ocupava lá um lugar na geral. Sempre foi assim. Desde 1994, quando o prêmio ainda se chamava TVZ. Ao mudar de nome, quatro anos depois, apenas ganhou algumas novas categorias para premiação.

Mas o que era novidade no começo foi pouco a pouco caindo na mesmice. Até para quem é convidado Vip, amiguinho dos amiguinhos de quem está no palco ou envolvido na produção. Mas aí é uma questão de cada um gostar de viver na mesmice, até mesmo nas mesmíssimas festas embaladas pelos mesmíssimos integrantes de gente nem tão jovem assim reunida.

Paulo Gustavo, um dos anfitriões da festa ao lado de Ivete, até se esforçou. E como se esforçou, tendo ao lado a cantora baiana que parecia estar se achando a multimídia das multimídias do país tropical. Enquanto o ator se virava em mil tentando deixar a transmissão menos monótona interagindo com os artistas na plateia, Ivete assumia seu momento totalmente global e parecia estar encarnando até ali a Maria Machadão, dona do Bataclan que interpreta na novela das onze da Globo, chamando ao palco artistas como Michel Teló e Paula Fernandes para cumprirem seu papel na noite.

E o Multishow mais uma vez não inovou e mostrou o mesmo do mesmo. A eleição é popular, mas da festa o povo realmente não participa. O tal “popular” só existe na hora de eleger aqueles que realmente interessam ao mercado fonográfico, os que vendem mais. E qualidade é uma palavra que não existe no universo Multishow de ser. Repórteres, Vjs, ou seja lá como queiram ser chamados, fazendo o “aquecimento” da festa, foram totalmente constrangedores.
Perdeu-se mais uma vez a chance de se realmente valorizar a realização ao vivo de um evento musical. Mas, esperar o que de um canal que logo em seguida à transmissão do “Prêmio Multishow de Música” coloca no ar um programa pornô que se chama “”Sexytime: Cine Sexytime”?

Sem falso moralismo contra a programação liberta do canal,  mas após um evento voltado à música não seria mais interessante promover um debate sobre o resultado, aproveitando a presença de tantos artistas interessados no prêmio e na música?

Ou não??? 

Acho que não, né???? Estão todos lá querendo comer e beber na festa...

Bom, mas poderiam ao menos exibir vídeos com clipes dos vencedores da noite...

Também não???

Pô, mas então o canal promoveu essa eleição só pra fazer festinha para eles e entre eles???? 

“Esquadrão da Moda”: Ter um personagem inusitado faz toda a diferença em programas estrelados por anônimos, por mais comum que pareçam e tempo que estejam no ar


Acertar na escolha do convidado em programas nos quais anônimos é a matéria-prima central de cada edição é essencial e faz toda a diferença, seja em grandes produções ou em atrações realizadas sem grandes pretensões. Foi o que se verificou no “Esquadrão da Moda”, do SBT, que foi ao ar no sábado (15), em que Fernanda, uma publicitária que, apesar de já ter passado da idade, seguia uma cartilha tatibitate na forma de se vestir. O programa, uma versão brasileira de “What Not To Wear”, dos canais Discovery Home & Health e BBC, é exibido na emissora de Silvio Santos desde 2009. Mas nem sempre traz personagens tão interessantes quanto foi a publicitária Fernanda, uma jovem senhora que se vestia como adolescente, escondia a idade de todos e se vestia como adolescente.

Também faz diferença a sintonia entre os apresentadores, a top model Isabella Fiorentino e o stylist Arlindo Grund. Da dupla, ele se sobressai não só pelo sotaque nordestino carregado, pernambucano que é, como também pela maior desenvoltura e facilidade de se aproximar dos participantes. Para quem não sabe, Arlindo mora em São Paulo desde 2003, dá aulas de produção para catálogo de moda comercial e de produção para editorial de moda no Instituto Europeo di Design (IED), desde 2010.

Voltando à estrela da edição em questão, Fernanda é a mulher, mãe, avó e publicitária que vende anúncios para uma revista, mas que na hora de vender uma boa imagem dela própria faz tudo errado. Ela usa sapatos de oncinha, sombra azul escandalosa nos olhos, presilhas infantis nos cabelos e roupas apropriadas para adolescentes que não passam qualquer seriedade nas visitas profissionais que faz a clientes da revista. E nem o filho de Fernanda soube dizer a idade da mãe. “Eu lembro quando tinha uns 10 anos ela ficou uns três anos dizendo que tinha 27 anos”, contou o jovem.

Pega de surpresa numa espécie de reality show pré-programado, ela aceita receber R$ 10 mil para renovar seu guarda-roupa e aceitar a consultoria de moda de Isabella e Arlindo. “Meu estilo é descolado”, diz Fernanda. “Descolou do bom-senso”, rebate Arlindo.  “Dá para parecer mais jovem de forma mais coerente”, avisa Isabella, sabendo que Fernanda tem problema com a idade.

O bacana do programa é que ele não propõem uma transformação momentânea. Os looks sugeridos a Fernanda não abominam totalmente seu estilo, apenas acrescentam a ele uma pitada de bom gosto que poderá ser usado no dia-a-dia. “Agora não sou mais brega. Aprendi a me vestir”, comemora a publicitária, após usar sua verba para renovar o guarda-roupa.

Mesmo após ganhar novo corte de cabelo e novas dicas de maquiagem, na hora em que perguntam qual a verdadeira idade de Fernanda, ela sai pela tangente: “Eu sou mais velha do que um pé de alface e mais nova do que uma montanha”, diz ela. Mas, passado um tempo, sentindo-se melhor, mais bonita e mais segura, a participante se solta e se refere até a ela própria na segunda pessoa: “A Fernanda depois do ‘Esquadrão da Moda’ é uma mãe, publicitária de 44 anos, e super moderna”, diz ela, divertindo-se.

Essa forma despojada e bem humorada de encarar o desafio fez toda a diferença. Prova de que em atrações desse tipo o trabalho de produção e apuração faz muita diferença. Devem ser, e muito, valorizados.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

“Reino Animal – Diários de Lawrence Wahba”: Série comemorativa aos 20 anos de aventura do mergulhador e cinegrafista traz belas imagens inéditas e informações atualizadas sobre várias espécies


Lawrence Wahba, mergulhador e cinegrafista brasileiro conhecido mundialmente, não poderia ter escolhido outro animal marítimo que não fossem os tubarões para o episódio de estreia de “Reino Animal – Diários de Lawrence Wahba”, que foi ao ar nesse sábado (15), no National Geographic Channel. Trata-se de mais um atraente trabalho de Wahba, feito para comemorar seus 20 anos de aventuras explorando os mais diversos ambientes da natureza e as mais curiosas espécies animais.

A série, produzida pela Bossa Nova Filmes, terá dez episódios e nesse primeiro, “Eu e Os Tubarões”, o cinegrafista mergulha em águas da África do Sul, Nova Zelândia e Ilhas de Guadalupe. Seu intento é desfazer a má fama dos tubarões, considerados os maiores predadores dos mares e oceanos. Ao fazer um verdadeiro safari submarino, ele se depara com tubarões mangonas cercados por peixes minúsculos que comem restos de alimentos acumulados nos seus enormes dentes. “É bom para os dois”, elogia Wahba.

Na busca por tubarões tigres, considerados os mais perigosos e que atingem mais de 4 metros de comprimento, o documentarista faz uma crítica ao uso de redes de proteção colocadas no fundo do mar, delimitando até onde os animais podem nadar, que acabam causando a morte de outros bichos, como golfinhos e tartarugas. E mostra uma área para turistas mergulharem junto a tubarões. “Eles estão ajudando a desmistificar a fama de assassinos desses tubarões. O registro de ataques por tigres são raros, e eles estão quase ameaçados de extinção”, afirma ele, que já mergulhou com mais de 40 espécies desses peixes.

Mas o ponto alto do programa acontece quando Wahba se vê diante da oportunidade de enfrentar o desafio de filmar um tubarão branco, ficando fora da gaiola de proteção geralmente usada por cinegrafistas no fundo do mar. “Eu me preparei mais de dez anos para esse momento”, conta ele.

Nesse momento, o programa faz uma retrospectiva na trajetória de Wahba, desde quando ele era professor de mergulho, e são exibidas as primeiras imagens filmadas por ele em suas aventuras aquáticas. E ao ficar diante de um tubarão branco de mais de 4 metros, fora da gaiola, a emoção é quase indescritível. “Nadar ao lado do maior predador dos mares é um privilégio para poucos. Mais que a realização de um sonho, esse mergulho é a prova de que os grandes brancos não são monstros assassinos, e sim criaturas sobre as quais ainda temos muita coisa que aprender”, afirmou Wahba.

Nos próximos episódios também serão mostrados safáris na África em busca de um leão branco, cães selvagens, leopardos e os suricatos. A série mostra viagens que Wahba fez a partir de 2004, misturadas a materiais captados especialmente para a série, com vários segmentos inéditos guardados pelo cinegrafista. Com certeza uma boa opção nas noites de sábado, às 22h30 no NatGeo.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

“Lado a Lado”: Novela de época surpreende com modernidade na trilha sonora, estética visual e na forma de retratar o preconceito racial dentro de um período histórico

Novelas de época são um prato cheio para bons profissionais deixarem fluir toda sua vertente criativa e surpreender e prender o público com belas imagens, cenários, figurinos e toda linguagem estética que envolve esse tipo de trabalho. Em “Lado a Lado”, novela das seis da Rede Globo, que estreou na segunda-feira (10), excelentes profissionais se fazem presente e vêm mostrando um esmero que surpreende a cada capítulo.  Os autores João Ximenes Braga e Cláudia Lage também fazem a diferença, com a forma como fazem abordagens de contextos políticos do início do século XX, mas que continuam tendo versões bem atuais.

Há uma semana no ar, fica latente o diferencial que o texto dessa novela tem dos demais folhetins que já trataram de temas históricos, focando na escravidão, como “Escrava Isaura”, “Sinhá Moça”.  A história começa em 1903, quinze anos após a Abolição da Escravatura, quando os negros, embora livres, continuavam sofrendo toda sorte de preconceito. Só que aqui eles não são mostrados como pobres coitados e infelizes. Pelo contrário, são pessoas fortes, determinadas, que sofrem dificuldades, mas sabem desfrutar de uma alegria que vem da dança e da música que trazem no sangue de sua origem africana. Verdadeiros sobreviventes.

Já se viu que Lázaro Ramos, o capoeirista Zé Navalha, ou Zé Maria, será o grande herói da vez. Até agora, ele dominou a maioria das cenas. Logo no primeiro capítulo, mostrou a força de seu personagem. Zé leva Izabel (Camila Pitanga), mulher por quem se apaixonou à primeira vista num cordão do carnaval de rua, à Confeitaria Colonial, restaurante frequentado só pela alta sociedade. Ao chegarem, o garçom sugere que procurem outro lugar. “Nós já estamos no século XX, caso o senhor não tenha percebido. Uma garrafa de vinho tinto português e os cardápios, por favor”, responde polidamente. E diante dos demais frequentadores do lugar, todos ricos e brancos, Izabel lhe tasca um beijo na boca. A cena mereceu ter sido repetida inteira na abertura do segundo capítulo.

Patrícia Pillar surgiu na estreia insinuando que sua Constância seria apenas uma mãe autoritária e ambiciosa. Mas, aos poucos, descobriu-se que a ex-baronesa é uma vilã sofisticadamente perversa e cruel. De sua boca saem pérolas de sarcasmo como: “São essas más companhias, gostam de música de negro, o tal do samba”, “Pobre só gera doença”, “Se eu não puder ajudar, eu atrapalho. Eu destruo” e “Os meus cisnes são austríacos. Esse mau cheiro deve ser de alguns desses convidados. Esses brasileiros”. Parece ter feito escola com a Flora, personagem da atriz em “A Favorita”.

Outros atores que estão fazendo a diferença são Milton Gonçalves, que, como sempre, emociona no papel do ex-escravo Afonso, dono de uma barbearia e pai de Izabel, e Beatriz Segall, fazendo a simpática e caridosa francesa Madame Besançon, que, apesar de rica, em nada lembra Odete Roitman. Isabela Garcia também parece estar à vontade interpretando Celinha, a irmã solteirona de Constância, engraçada, atrapalhada e chegada num licorzinho.

Camila Pitanga teve seu ponto alto no quarto capítulo, em que Izabel acha que foi abandonada no altar por Zé Maria, sem saber que o noivo foi preso ao tentar impedir a demolição do cortiço onde eles moravam. Foi na sacristia, esperando por ele, que ela conheceu Laura, a outra mocinha da história, vivida por Marjorie Estiano. Filha de Constância, Laura acaba se casando por imposição da mãe com Edgar (Thiago Fragoso), com quem teve um noivado à distância durante quatro anos, enquanto ele estudava em Portugal. A união não deixa nenhum dos dois felizes.

Talvez por ter sido muito recente seu último trabalho, Marjorie ainda está lembrando muito o mesmo tipo de interpretação que deu a Manuela em “A Vida da Gente”, exibida no mesmo horário e que chegou ao fim há apenas cinco meses. Curiosamente, na novela anterior sua personagem terminou feliz ao lado de Rodrigo, interpretado por Rafael Cardoso, ator que agora faz seu irmão, Albertinho. Enquanto Laura e Manu têm muitas semelhanças no perfil, Albertinho é um playboy de época que em nada remete ao bem comportado Rodrigo. Vamos ver como será daqui para frente, quando começar o envolvimento do mulherengo com Izabel.

Sem dúvida, além do elenco de primeira, é preciso destacar a produção, direção de arte e fotografia, que estão proporcionando um belo resgate de um passado histórico. Tanto a cidade cenográfica quanto os ambientes internos, gravados em estúdio, encantam pela riqueza de detalhes bem pesquisados e executados. Os figurinos das mulheres ricas são de uma elegância ímpar, valorizados por acessórios impecáveis, como chapéus e bolsas. E até mesmo no cortiço os vestidos são de uma leveza e bom gosto que realça a sensualidade das personagens. Principalmente a de Izabel, quando a moça aparece dançando e rodopiando sua saia rodada.

Ajudam ainda a dar mais movimento à edição as imagens do Rio de Janeiro antigo, em fotografias e pinturas, intercaladas entre as cenas e com uma trilha sonora moderna, construída principalmente em cima de ritmos de samba, mas que também tem toques eletrônicos e atuais. Inicialmente parecendo ousada demais, a ideia de colocar na abertura “Liberdade! Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós”, enredo que deu a vitória à Imperatriz Leopoldinense no Carnaval de 1989, no Rio, revelou-se ter dado muito certo. É como se a batida forte e festiva avisasse ao público que a novela é de época, mas que ele não terá pela frente uma história monótona, arrastada. Tomara que não atravesse o samba.


domingo, 16 de setembro de 2012

“Dança dos Famosos”: Vitória de Rodrigo Simas mostra que no quadro do “Domingão do Faustão” não basta dançar melhor, tem que se autopromover na mídia e angariar pontos de audiência para o programa


Rodrigo Simas ter vencido a nona edição do “Dança dos Famosos” no “Domingão do Faustão” desse domingo (16) não foi novidade. A vitória do ator já estava anunciada há várias semanas, reforçada, principalmente , pelo merchan criado pelo próprio ator ao “ficar” com sua professora, a coreógrafa Raquel Guarini. O clima de romance entre os dois, suspeitamente “plantado” pelos concorrentes, também foi estimulado por alguns jurados artísticos, amigos de Rodrigo, que não deixavam de puxar a atenção do voto do público para continuar vendo o “casal” no palco. Sheron Menezes, uma das juradas na final, não deixava de afirmar sempre que julgava a dupla: “Pegou, ah, pegou”. Totalmente desnecessário.

Em segundo lugar ficaram Cláudia Ohana e Patrick Carvalho, que, diga-se de passagem, não precisa nem ser júri técnico nem artístico para perceber que dançaram muito melhor nas duas categorias: tango e samba. Tanto que a diferença foi mínima: 0,2 ponto para os vencedores, que levaram um carro zero quilômetro cada um.
Além de Sheron, também estavam no júri Maria Pia Finocchio, Fernanda Chamma, Renato Vieira, Ana Botafogo, Ivete Sangalo, Arthur Xexéo, Miguel Roncato, Rometo Britto e JC Violla.

Curiosamente, todos criticaram Rodrigo e Raquel ao apresentarem uma coreografia simples e, segundo os técnicos, “muito fácil” no ritmo tango. Mas elevaram suas notas quando a dupla dançou samba, elogiando a alegria com que voltaram ao palco após as críticas. Isso é critério? Na hora de julgar Cláudia e Patrick no mesmo ritmo, JC Violla deu nota menor, mesmo reconhecendo que a dupla não teve falhas.

Mas o mais estranho mesmo foi Fausto Silva anunciar, enquanto os vencedores comemoravam o resultado, uma decisão inédita da direção do programa e do quadro de propor que no próximo domingo os quatro voltem, dessa vez com parceiros trocados: Cláudia dançando com Rodrigo e Raquel com Patrick.

Seria uma tentativa de, de alguma forma, recompensar a atriz, que claramente merecia ter levado o título de campeã, e assim aliviar o peso na consciência por terem influenciado a vitória de um casal que estava dando ibope ao quadro ao alimentar notinhas em colunas de fofocas de celebridades com seu “suposto namoro”?

Se o que pesa não é apenas se esforçar nas aulas e se entregar nas apresentações ao vivo, mas também criar factóides que alimentem a audiência do programa, o agradecimento feito por Maria Pia Finocchio a Faustão por ele estar valorizando a dança perde o sentido.Esse resultado mostrou que o quadro deixou de ser uma competição em que não basta ser o melhor na dança, tem também que ser o mais esperto ao autopromover a imagem na mídia e angariar pontos no Ibope.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

“Avenida Brasil”: Eliane Giardini empresta a Muricy o perfil perfeito da mulher perdida na divisão de se mostrar a matriarca condutora do destino da família e a mulher que quer viver o desejo da jovialidade ainda latente


Eliane Giardini conseguiu, mais uma vez, em um único capítulo de “Avenida Brasil”, mostrar as facetas conflitantes de Muricy, sua personagem na novela das nove da Globo. Nas sequências que foram ao ar nessa quinta-feira (13), a personagem viveu momentos fortes de contradição quanto a seu “enorme coração e imenso caráter”, como está descrito no perfil criado pelo autor João Emanuel Carneiro.

No começo do capítulo, ela apareceu mais uma vez tentando se impor como a matriarca que decide o destino de todos os membros da família e direcionar a vida do próprio filho, Tufão (Murilo Benício), usando argumentos preconceituosos para ele não ter direito de estar apaixonado por Nina (Débora Falabella). “Você acha certo seu pai estar querendo ficar com uma empregada doméstica?”, pergunta Muricy a Jorginho (Cauã Reymond). Logo ela que trabalhou como camelô para criar os filhos.

Logo em seguida, quando Tufão pede que todos mantenham um tom de voz civilizado, ela rebate que todos ali gritam, sim, pois são suburbanos e não leram os livros indicados pela “Maria Antonieta”, referindo-se à culta chef de cozinha da casa. Afinal, Nina não serve por ser “cozinheira” ou por ter uma cultura acima de todos ali? Chamá-la de “menina” também é contraditório, pois Muricy vive na pele um relacionamento em que a diferença de idade é sempre citada por todos.

Mais tarde, engolindo o próprio orgulho, ela vai implorar a Tessália (Débora Nascimento) que não conte a Adauto (Juliano Cazarré) sobre o caso que ela teve, ou tem, com o ex-marido, Leleco (Marcus Caruso). Sim, porque a “guardiã dos bons costumes e defensora da união da família” foi flagrada na sauna com o ex-marido, ambos traindo o atual companheiro dela e a atual companheira dele. E foi pedir clemência justamente no salão de Monalisa (Heloisa Pérrissé), sua ex-nora a quem sempre chamou de messalina interessada no dinheiro de Tufão. “Antigamente você a chamava de Paquita Erótica, aprendeu o nome, é?”, ironizou Olenka (Fabíula Nascimento), ao ouvir Muricy chamando a cabeleireira pelo nome, Tessália.

Muricy pode até ter “um enorme coração e um imenso caráter”, como consta em seu perfil, mas ela tem se mostrado, acima de tudo, uma pessoa que enfrenta os conflitos que muitas mulheres encaram em certa fase da maturidade. E parece perdida na questão que a divide entre ser a parceira de um jovem, provido de pouca inteligência, mas sarado e apaixonado, ou a amante do ex-companheiro de longos anos, nem tão malhado, mas muito esperto e o legítimo malandro conquistador. Também parece desorientada ao tratar filhos adultos como se fossem crianças e não ter a menor psicologia ao lidar com a neta, Ágata (Carolina Santos Rodrigues), tratando de assuntos totalmente desaconselháveis diante de uma criança, sem a menor noção disso, nem o bom senso de reconhecer suas falhas.

Mas essa não é uma crítica negativa a Muricy. É uma forma de destacar a excelente interpretação da atriz Eliane Giardini e o comportamento psicológico da personagem bem trabalhado pelo autor e seus colaboradores Antonio Prata, Luciana Pessanha, Alessandro Marson, Márcia Prates e Tereza. Afinal, quantas Muricys não existem por aí, seja no subúrbio, seja nas Zonas Sul das capitais e cidades do interior desse imenso país? Talvez seu exemplo sirva para que muitas revejam suas próprias atitudes diante do espelho.