domingo, 29 de março de 2015

"Big Brother Brasil 15": Muitos não admitem que assistem, mas nas vezes que viu deve ter identificado atitudes e comportamentos de alguém que circula pelo prório universo


Ok, não vou repetir o óbvio nem requentar uma discussão que começou a se esboçar há 15 anos e de lá para cá não saiu do lugar comum. Estou falando sobre o "Big Brother Brasil". Com certeza eu também não vou falar nenhuma novidade. Quem tem tal pretensão está caindo no mesmo ledo engano que caem os prováveis possíveis candidatos que são escolhidos para tal jogo. Aqui, ali ou acolá ninguém tem razão, ninguém é dono da verdade, ninguém é original. Porque as pessoas se repetem, as histórias de cada um valem um filme, sim, mas isso não é privilégio de ninguém e não existem verdades absolutas. Cada um tem a sua verdade, a sua história, que conta ou oculta conforme a situação.

Mas, deu vontade de escrever sobre o que tenho visto. Nessa edição, sem dúvida, houve uma preocupação em se buscar perfis inusitados para serem misturados aos perfis corriqueiros. A maioria dos corriqueiros já saiu. Poucos inusitados ficaram. E aí, o público vai dar o prêmio ao melhor. Ou não... Confesso que esse papo de votos "auditados" por tal e qual empresa não me convencem.

Enfim, não vou repetir aquele papo de intelectualóides de plantão que na ânsia de falar sobre um reality show ficam discorrendo filosoficamente para não assumir que assistem ou já assistiram, sim, esse tipo de programa. E é nesse tipo de programa que identificamos qualidades e defeitos com os quais convivemos no nosso dia-a-dia. É a verdade e a mentira escancarada ou disfarçada sorrateiramente. É a pessoa que um dia diz uma coisa e no outro se esquiva dizendo que "não disse" ou "não lembra que disse". Pior ainda ainda é quando finge não lembrar de algo que fez.

Muitas pessoas podem não acompanhar ou não admitir que acompanham ou já assistiram ao "Big Brother Brasil", mas com certeza, em alguma vez que assistiu, "por acaso",  deve ter identificado atitudes e comportamentos de alguém que circula pelo seu próprio universo, seja no meio familiar, seja no grupo de amigos, seja no ambiente de trabalho... Ou não???

Na boa, para se criticar alguma coisa, programa ou seja lá o que for, a pessoa tem que ter algum conhecimento sobre o mesmo. Então, esse papo de que nunca viu não cola. Se nunca viu, não tem embasamento para comentar! Se viu, assuma que viu! Isso dará maior credibilidade à opinião manifestada.

Essa décima quinta edição está trazendo um personagem ímpar: Adrilles! Uma pessoa que, literalmente, pira ao se ver confinado em meio a jogadores natos que já entraram com uma história pronta a ser contada. Por mais preparado que supostamente julgasse estar, Adrilles é o personagem mais perdido e autêntico em uma história onde o que vale é o merchan. Mas não confio que vá muito longe. Até porque, há 14 anos me decepciono com o resultado do "BBB".
Será que vai ser diferente dessa vez?


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domingo, 22 de março de 2015

“Babilônia”: Com texto excepcional e temas atuais, primeira semana divide o público entre amor e ódio por relação homoafetiva entre mulheres na terceira idade


Em apenas uma semana no ar, “Babilônia”, nova novela das nove da Rede Globo, já conseguiu o que outras não conseguiram nem em meses: despertar sentimentos de amor e ódio no público, ambos com a mesma intensidade. De autoria de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, a história mescla cenas fortes, texto contundente e situações polêmicas. Logo na estreia, na segunda-feira (16), já se viu Beatriz, em mais uma interpretação magistral de Glória Pires, matando com um tiro a sangue frio o amante para escapar da chantagem feita por Inês, vivida por Adriana Esteves, que promete se superar depois da sua marcante Carminha de “Avenida Brasil”. Ponto para as duas atrizes que prometem viver um duelo de titãs, como ficou comprovado durante a semana, não apenas pelo talento de ambas, mas também pelo texto primoroso dos autores. Como não se deliciar quando Inês fala: “Você sabe o que é ser advogada num país sem Justiça?”. E, em outro momento, é a vez de Beatriz afirmar com ironia: “O bom advogado é o que conhece as leis. O excelente advogado é o que conhece os juízes!”. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Ainda no primeiro capítulo, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg protagonizaram um beijo na boca, já que suas personagens, Teresa e Estela, respectivamente, formam um casal da terceira idade assumidamente vivendo uma relação homoafetiva. O que mexeu com a ala mais conservadora ou menos preparada para ver na prática o que tem ouvido só na teoria ou ainda que não aceita que esse tipo de condição sexual não é uma invenção das novas gerações.

Fora essa polêmica (?), o que vale mesmo é que a novela no seu todo traz críticas sociais e políticas claramente expostas através da maioria de suas personagens. Não é nem preciso ir muito longe para se encontrar na vida real exemplos semelhantes a Aderbal Pimenta, o político corrupto vivido por Marcos Palmeira. Nem de cafetões disfarçados de príncipes que circulam pela capital carioca como é o caso de Murilo, personagem de Bruno Gagliasso, que, diga-se de passagem, ainda está muito preso ao seu perfil em “Dupla Identidade”. Camila Pitanga também poderia buscar um tom que não torne a sua Regina, que tem tudo para ser uma mulher forte diante do que já viveu e continua vivendo, em uma mocinha boba que aceita tudo com um sorriso congelado porque quer passar a imagem de que é muito legal morar na favela e ser mãe solteira da filha de um homem casado que a enganou. No caso, Luís Fernando, vivido por Gabriel Braga Nunes, que está se repetindo ao dar ao personagem nuances de Leo, trabalho que marcou sua volta à Globo em “Insensato Coração”. Já Sophie Charlotte deixou para trás a Duda do remake de “O Rebu” e voltou repaginada na pele da Alice Junqueira, filha de Inês que promete ainda causar muito. A atriz não deixou a dever em nada nos embates que teve até aqui com Adriana Esteves. A cena do aborto espontâneo da personagem foi realizada com a delicadeza indispensável ao momento.

Em termos de direção geral e de arte, iluminação, figurino e cenografia, a novela ainda não trouxe nenhuma grande inovação, mas tem sabido aproveitar muito bem todas as locações, tanto nas imagens iniciais feitas em Paris, na França, e em Dubai, nos Emirados Árabes, quanto nas sequências cotidianas em bairros e praias do Rio de Janeiro e, especificamente, na favela Babilônia, localizada no bairro do Leme, Zona Sul carioca. Felizmente não optaram pelo óbvio de colocar como tema da abertura a música “Rio Babilônia”, de Jorge Bem Jor, nem “Babilônia Rock”, de Fernanda Abreu, ou “Jardins da Babilônia”, de Rita Lee. O samba “Pra Que Chorar”, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, cantado por Mart’nália, encaixou perfeitamente. Mais um dos muitos pontos a favor. Aguardando os próximos capítulos que, esperamos, ainda venham nos surpreender, assim como continuamos pedindo que esse (novo?) Brasil mostre sua cara.





domingo, 15 de março de 2015

“Império”: Cenas de ação e emoção e com interpretações magistrais coroaram o último capítulo da novela de Aguinaldo Silva


O último capítulo de “Império”, novela das nove da Rede Globo, exibido na sexta-feira (13) e reprisado no sábado, deixou no ar a sensação de se estar assistindo à estreia de uma história terminando, mas que foi concluída como se estivesse começando. O recurso utilizado pelo autor Aguinaldo Silva de encerrar com uma aparição no melhor estilo ghost na cena final pode até ter virado motivo de meme na internet, mas não foi uma inovação. O mesmo já foi muito utilizado no cinema para o público ficar em dúvida sobre o verdadeiro final do filme. Assim como matar o protagonista maior, Zé Alfredo, numa interpretação irretocável e excelente de Alexandre Nero, também não foi um marco. Afinal, Aguinaldo foi mais um a repetir o gesto ousado e inédito de Janete Clair, há exatamente 40 anos, quando matou Carlão, personagem de Francisco Cuoco, na versão original de “Pecado Capital” (1975).

Muito mais do que mostrar desfechos de tramas paralelas, evidenciou características humanamente compreensíveis de cada personagem, inerente de serem qualidades ou defeitos. O autor soube fazer isso de uma forma sutil, mas através de atitudes e reações viscerais. E valeu mesmo o turbilhão de ações que pontuaram o capítulo final, dando o devido destaque aos personagens principais e a oportunidade de seus intérpretes darem um verdadeiro show em cena, como foi o caso de Othon Bastos, Caio Blat, Leandra Leal, Carmo Dalla Vechia, Tato Gabus e Zezé Polessa. Sem falar na oportunidade dada às atrizes Dani Barros, a Lorraine, e Viviane Araújo, a Naná, de mostrarem que souberam agarrar com garra a oportunidade que lhes foi dada. Já falar de Lilia Cabral seria chover no molhado. A atriz já tem garantida sua posição na galeria de grandes damas de novelas.
No mais, discorrer sobre os 203 capítulos seria tão cansativo como são aqueles períodos de “barriga” das novelas. Rei morto, rei posto, vamos agora rumo à “Babilônia”.


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sexta-feira, 13 de março de 2015

“Sete Vidas”: Com texto e direção refinados, além de elenco afinado, novela das seis traz amadurecimento digno de horário nobre


Depois de um passeio pelos anos 70, embalado pelo som e visual da época mostrada em “Boogie Oogie”, “Sete Vidas”, que estreou na segunda-feira (9), já mostrou em sua primeira semana que os tempos são outros e que chegou a vez de o horário das seis ganhar uma história com jeito de gente grande na Rede Globo. De autoria de Lícia Manzo e Daniel Adjafre, a novela vem mostrando a cada capítulo um texto maduro, diálogos bem elaborados sem cair no trivial das conhecidas frases de efeito e tramas bem costuradas, encerrando cada bloco de forma inteligente, deixando o famoso “gancho”, que deixa no telespectador o desejo de saber o que virá depois. O toque retrô ficou apenas nos detalhes das imagens do clipe de abertura ao som de “What A Wonderful World”, de Louis Armstrong, cantada por Tiago Iorc.

Conta a favor o elenco enxuto e muito bem escalado, com Débora Bloch e Domingos Montagner numa sintonia que fez o público ficar torcendo pelo casal Lígia e Miguel logo nas primeiras cenas. Espera-se, no entanto, que com o afastamento dos dois, devido a uma falsa morte do biólogo, eles não acabem caindo naquela batida mesmice de amores mal resolvidos que se arrastam até o último capítulo.

Destaque também para Malu Galli interpretando Irene, uma mulher forte, segura e preocupada com a irmã, Lígia, e para Cláudia Mello, que, no papel da sofrida Guida, já deixou no ar a deixa de que conhece o grande segredo de Marta (Gisele Fróes). Certamente tem a ver com a real paternidade de Júlia (Isabelle Drummond) que em algum momento será revelado para permitir que a jovem possa viver um romance com Pedro (Jayme Matarazzo), de quem ela pensa ser meia irmã.

Sem grandes malabarismos dramatúrgicos, os principais ingredientes para um bom folhetim estão lá. E a receita ainda tem a mão de Jayme Monjardim na direção geral. As imagens captadas na Patagônia Argentina não só mostraram com riqueza o ambiente formado por geleiras, icebergs e animais marinhos, como traduziram bem a emoção da viagem feita pela equipe para registrar as cenas. As sequências do acidente com o barco de Miguel sob uma tempestade em alto mar, que foram ao ar nos capítulos de quarta e quinta-feira, apesar de serem de ação, tiveram o tempo, o som, as cores e a suavidade característicos da assinatura de Monjardim. Agora é torcer para que os próximos mantenham a qualidade e o ritmo vistos nesses primeiros capítulos.




domingo, 8 de março de 2015

“Boogie Oogie”: De volta aos anos 70, novela conclui viagem com competência evidenciada em texto, atuação do elenco e cuidado da direção em todas as áreas


O autor Rui Vilhena carimbou com visto de ouro a viagem feita aos anos 70 em “Boogie Oogie”, novela das seis da Rede Globo que chegou ao fim nessa sexta-feira (6). A história trouxe ingredientes já vistos em folhetins tradicionais, como troca de bebês, homens infiéis, mulheres traídas sedentas de vingança, entre outros, mas realizada de uma forma eficaz, dando ao corriqueiro um toque clássico. A ideia de fazer um desfecho que remeteu a situações semelhantes às do capítulo de estreia foi bem elaborada, sem cair na mesmice e encerrando cada bloco com ganchos, como aconteceu nos finais dos capítulos ao longo da novela.

O lance do mistério envolvendo o grande segredo de Carlota, brilhantemente interpretada por Giulia Gam, também é um trunfo ao qual a maioria dos autores se apega em suas novelas, mas nem todos conseguem manter o fôlego de não deixá-lo cair no lugar comum, como fez Rui Vilhena, com as investigações flutuando ora com um personagem, ora com outro.

Destaque para a excelente caracterização, que engloba figurinos, acessórios, cabelos e maquiagens, e também para a direção de arte e cenografia, minuciosa nos detalhes de época. Assim como para a trilha sonora escolhida a dedo e que embalou tanto os saudosistas daquela época quanto a nova geração que só agora tomou contato com sons como o tema de Sandra (Ísis Valverde) e Rafael (Marco Pigossi), “Your Song”, música composta por Elton John no final dos anos 60 e lançada em 1970.

A sintonia existente entre todos no elenco com certeza foi sentida na entrega de cada um a seu personagem. Bianca Bin, que já tinha se saído bem como vilã no remake de “Guerra dos Sexos”, em 2012, dessa vez se superou como Vitória, uma menina mimada má, mas também com demonstrações de humanidade que tiveram seu ponto alto no final, ao ser a heroína salvando Sandra, sua maior rival na disputa pelo amor de Rafael. Assim como foi o caso de Alessandra Negrini, que fez de sua Suzana uma mulher muito mais irresponsável e destrambelhada do que mesmo maquiavélica, quase incorporando sua marcante Engraçadinha.

Delícia também foi ver o reencontro de Betty Faria e Francisco Cuoco em cena. Não teve como não recordar do par romântico que fizeram na primeira versão de “Pecado Capital”, em 1975, como Lucinha e Carlão, respectivamente. E, para concluir a viagem em grande estilo, foi divertida e tudo a ver com toda a novela a ideia de reunir o elenco se esbaldando na pista de dança da Boogie Oogie. Isso após Carlota ter recuperado as jóias escondidas no túmulo do falecido marido bandido e partido sozinha para a Europa deixando uma carta que encerrava com a emblemática frase que justificou toda sua trajetória: “Dane-se o amor!”.




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

“Felizes Para Sempre?”: Autor mexe com o imaginário do público ao expor questões tabus, mas que fazem parte da realidade


Sexo, drogas, traições, traumas, segredos, maracutaias... Com esses ingredientes, a primeira semana de “Felizes Para Sempre?”, minissérie da Rede Globo que estreou na segunda-feira passada, 26 de janeiro, obteve uma audiência tão satisfatória que a emissora promoveu até uma maratona no fim de semana, exibindo os cinco episódios na íntegra através de seu site oficial. A história, de autoria de Euclydes Marinhos, é uma releitura de “Quem Ama Não Mata”, outra série escrita pelo mesmo autor e exibida em 1982 em 20 capítulos. Mas, se na anterior os conflitos atingiam cinco casais distintos, agora eles são quatro e fazem parte de uma mesma família. Alguns temas são recorrentes, como esterilidade, falta de diálogo, mentiras, violência... A forma de retratá-los é que mudou, seguindo os novos tempos e a maneira como cada um lida com suas questões íntimas. E o autor está mexendo com o imaginário do público ao expor questões que poderiam ser consideradas tabus, se não fizessem elas parte da realidade moderna.

Prevista inicialmente para ser ambientada em Niterói (RJ), o autor acertou ao levá-la para Brasília (DF), cenários pouco explorados e que só corroboram para as tramas em que prevalece a sede de poder em todas as esferas. Enrique Diaz, no papel de Cláudio, o rico empresário envolvido em negociatas políticas, vive um momento singular em sua trajetória na televisão, marcada até então por personagens na maioria das vezes apenas sérios ou mal encarados e que não lhe permitiam discorrer pelo universo da sedução. O ator está provando que merecia essa chance há tempos.

Sensação dos primeiros episódios, Paolla Oliveira reforça sua vocação para protagonista interpretando várias mulheres em uma só, como a garota de programa de luxo Danny Bond, ou apenas Denise. A atriz está esbanjando sensualidade em cenas extremamente eróticas. Mas é preciso ressaltar também que o apelo do público também foi muito resultado da bissexualidade da personagem, que tem uma namorada, mas também transa com homens e suas mulheres. E acaba se apaixonando por Marília, mulher de Cláudio, que vive um casamento decadente, sem diálogo, sem sexo, e está sendo brilhantemente interpretada por Maria Fernanda Cândido. É preciso todo um trabalho interior de composição para encarnar uma restauradora de arte, recatada pela educação em colégio de freiras, passou pelo trauma de perder um filho de 5 anos afogado na piscina de casa e, a partir daí, viu seu relacionamento com o marido literalmente naufragar. Justiça seja feita, Maria Fernanda merece destaque por mostrar com serenidade a batalha que sua personagem trava consigo mesma na tentativa de desabrochar para uma nova realidade.

Da mesma forma vale destacar a interpretação de Selma Egrei, defendendo com elegância os desejos da professora Norma, uma mulher na terceira idade casada com um ex-delegado, Dionísio (Perfeito Fortuna), e cortejada por um rapaz bem mais jovem do que ela. Assim como o trabalho de João Miguel como Hugo, um engenheiro viciado em sexo que não concorda com as falcatruas de seu cunhado Cláudio, busca refúgio para suas frustrações na bebida e ainda descobre que é estéril e, portanto, não é o pai biológico do filho que tem com sua mulher, Norma, a cirurgiã plástica que faz de tudo para ascender profissionalmente, vivida por Adriana Esteves. O ator, que recentemente protagonizou a série “A Teia” como o delegado Jorge Macedo, também vem mergulhando fundo e com talento no drama pessoal desse novo trabalho.

O roteiro de Euclydes Marinho, escrito em parceria com Denise Bandeira, Ângela Carneiro e Márcia Prates, é impecável. Em muitas cenas, as personagens não precisam nem de texto: elas falam através apenas do gestual. Feito conseguido também graças ao trabalho de direção, dividida por episódios entre Fernando Meirelles, Paulo Morelli, Luciano Moura e Rodrigo Meirelles. E o resultado final conta ainda com o excelente trabalho de direção de arte, fotografia e iluminação.

Agora é aguardar os próximos capítulos dessa última semana...



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

“Alto Astral”: Há dois meses no ar, novela peca por perfil maniqueísta de protagonistas e situações repetitivas e sempre previsíveis


Se há algo que não cabe mais continuar se repetindo é aquele ranço de maniqueísmo que rotula vilões em personagens cem por cento maus e mocinhos que de tão inocentes beiram o patético. É o que vem acontecendo em “Alto Astral”. O problema maior não é nem os malvados serem tão somente muito maus e os bons exagerarem na dose de inocência. O que incomoda, tira a paciência da audiência, é essa sequência de situações na novela das sete da Rede Globo em que, invariavelmente, os planos de Marcos, o vilão interpretado por Thiago Lacerda, sempre dão certo. Enquanto Caíque, o mocinho com dons paranormais defendido por Sérgio Guizé, já chegou ao auge da vitimização ao ser internado em uma clínica psiquiátrica.

Tanto Thiago como Sérgio estão desempenhando muito bem seus papéis. Mas a sensação é de que até os atores já começam a ficar pouco à vontade com a mesmice da linha dramatúrgica da trama traçada para os personagens pelo autor da novela, Daniel Ortiz. E entre Marcos e Caíque ainda está Laura, a jornalista vivida por Nathalia Dill que é disputada pelos dois meio-irmãos. A personagem, que finge ser forte mas chora mais do que mocinhas de novelas mexicanas, está longe de ter a garra que uma protagonista deveria mostrar.

Há dois meses no ar, a história vem se arrastando sem um acontecimento que realmente tenha um impacto mais forte. Nem mesmo os acidentes previstos pela “vidente” Samantha (Claudia Raia) chamam a atenção. Para o horário, faltam mais humor e ação. Quem realmente está comendo pelas beiradas é Débora Nascimento, sabendo tirar proveito das nuances que sua personagem, Sueli, a secretária e amante de Marcos, que vive mergulhada na sede de vingança, mas não escapa dos momentos de drama de consciência.

Os tempos são outros, o telespectador moderno é exigente e espera por reviravoltas que promovam ganchos e deixem no ar a expectativa do que vem pela frente. O público não tem mais paciência para esperar o último capítulo para ver o herói vencer e o vilão se dar mal. Ou não...




“Tim Maia - Vale O Que Vier”: Realização impecável e atuação dos intérpretes de Tim Maia se destacam na série adaptada para televisão da cinebiografia do cantor


A Rede Globo acertou a mão ao abrir a programação especial de 2015 com uma adaptação para TV do filme “Tim Maia – Vale O Que Vier”, uma biografia do cantor, que foi lançado nos cinemas em 2014 e estreou na emissora nessa quinta-feira. 1º de janeiro. Feita para ser exibida em dois episódios, o segundo no ar na sexta-feira (2), a versão televisiva ganhou um tratamento diferenciado, com cenas inéditas e entrevistas exclusivas feitas com grandes nomes da MPB que fizeram parte da trajetória de Tim Maia. E esse foi um dos acertos do diretor Felipe Sá, da roteirista Patrícia Andrade e toda equipe envolvida na produção. Os depoimentos dados pelos cantores Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Jorge Ben Jor e Fábio, e pelo produtor musical Nelson Motta enriqueceram o programa, dando uma roupagem mais documental.

O papel de Tim Maia na fase jovem coube ao ator Robson Nunes. Já depois da fama, adulto, o cantor é interpretado por Babu Santana, que faz a narração da história, baseada no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, escrito por Nelson Motta em 2007 e levado para o cinema pelo diretor Mauro Lima. Os dois atores encarnaram com veracidade o papel, sendo que Babu Santana, no episódio de estreia, convenceu um pouco mais, talvez pela familiaridade que já tem com o personagem também vivido por ele no cinema. Vale destacar ainda a sintonia entre os demais atores do elenco, entre eles Alinne Moraes, Cauã Reymond, Laila Zaid, Nando Cunha e George Sauma.

A direção de arte está impecável na reconstituição de época, tanto nos cenários reproduzidos quanto na seleção de fotografias e vídeos buscados em arquivos. A edição também está ágil ao mostrar em pouco tempo todas as fases da vida de Tim, desde a infância entregando marmita na Tijuca, bairro da Zona Norte carioca onde nasceu, até o reconhecimento de seu talento, passando por todos os percalços e polêmicas que pontuaram sua trajetória, principalmente por seu temperamento irreverente e explosivo. E culmina ao mostrar o momento de consumo excessivo de álcool e drogas e o agravamento da obesidade do cantor, que morreu em 1998, após duas paradas cardiorrespiratórias.

A série, sem dúvida, é um trabalho de qualidade, à altura do talento artístico do “Síndico do Brasil”, apelido que Tim ganhou do amigo Jorge Bem Jor.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

“Império”: Marjorie Estiano entra em cena e abala as estruturas e desafia as candidatas a donas da história do Comendador


Marjorie Estiano sacramentou de vez o direito a fazer parte do rol de atrizes mais competentes de sua geração ao retornar a “Império”, com a missão quase improvável de reassumir um papel que foi dela na primeira fase da novela das nove da Rede Globo. Dando uma força ainda maior ao texto contundente do autor Aguinaldo Silva e com uma interpretação irretocável, a atriz voltou a dar vida a Cora, personagem que na fase adulta coube a Drica Moraes, que também a defendeu brilhantemente, mas teve que se afastar para tratar de uma labirintite.

Com um jeitinho meigo, quase tímido fora do ar, Marjorie desde sempre mostrou a que veio ao entrar em cena. Como cantora, está lançando agora seu primeiro disco autoral, mas foi participando de “Popstar”, no SBT, em 2002, que ela já mostrou que tinha garra. Não ganhou o reality musical, mas foi aprovada nas primeiras fases da seleção. E, dois anos depois, destacou-se em seu primeiro papel relevante como atriz vivendo a cantora Natasha em “Malhação”, na Rede Globo.

Em trabalhos mais recentes, Marjorie mostrou que também sabe roubar a cena com classe, como quando, em “A Vida da Gente”, em 2011, fez o público torcer para que sua personagem, Manuela, tivesse um final feliz com Rodrigo (Rafael Cardoso), que, inicialmente, era o herói da vida de Ana, a mocinha sofredora vivida por Fernanda Vasconcelos. Não foi à toa que, em 2013, ela dividiu com Camila Pitanga o posto de heroína em “Lado A Lado”, e se sobressaiu mais uma vez na trama que ganhou o Prêmio Emmy Internacional de melhor novela do ano.

O que se prevê é que Leandra Leal, até agora dominando no papel da jovem protagonista da história como Cristina, a sobrinha de Cora, vai ter uma concorrência de peso ao contracenar com a nova “tia” que entrou em cena.



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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

“Conselho Tutelar”: Nova série retrata com qualidade e veracidade realidade do drama de menores vítimas de todo tipo de violência


Com uma edição ágil de cenas apresentando situações distintas, mas muito bem costuradas e levando a um viés comum, estreou nessa segunda-feira (1), “Conselho Tutelar”, na Rede Record. Por mais que se saiba que a série é uma ficção, o que mais se sente ali é a identificação com situações da vida real que assistimos todos os dias nos noticiários. E essa transcrição tem sido feita de forma fiel, sem perder o tom teledramatúrgico, nesse projeto criado por Marcos Borges e Carlos de Andrade, e com direção geral de Rudi Lagemann.

O programa também ganha por ter como protagonista Roberto Bomtempo, um ator que nunca levou a pecha de galã, mas sabe segurar com segurança tanto o papel de bandido como o de herói. Como está provando agora no papel de Sereno, tendo a seu lado o ator Paulo Vilella, interpretando seu assistente, César. Dois idealistas no desejo de salvar crianças vítimas de maus tratos, seja no submundo do crack, seja nos lares da classe média.

A fotografia é discreta, a direção de arte sóbria, e a condução geral têm mantido no trilho o resultado final esperado para uma série que busca explorar esse universo. Mas o mais interessante mesmo é ver retratado o quadro desse sistema, em que conselheiros que querem realmente salvar crianças encontram dificuldades e falta de apoio dos órgãos que os regem.

A série, que retrata com qualidade e veracidade a realidade do drama de menores vítimas de todo tipo de violência, será contada em cinco episódios, até sexta-feira (5).


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

“Chaves”: Roberto Bolaños deixa a herança de sua obra nas reprises de seus programas que Silvio Santos mantêm no SBT


“Foi sem querer, querendo”. Bordão que atravessa gerações sem nunca perder seu sentido e com seu autor sempre sendo reconhecido por crianças, adolescentes e adultos: o atrapalhado Chaves, protagonista da comédia macarrônica mexicana que leva seu nome e há anos vem sendo exibida pelo SBT, com certeza não vai deixar de existir, apesar da passagem de Roberto Bolanõs. A morte do comediante foi por diversas vezes anunciada durante anos. Hoje, foi confirmada. Aos 85 anos.

Mas o intérprete de Chesperito, Chaves e Chapolim leva consigo também a bagagem da experiência como escritor e produtor de cinema, televisão e teatro.

Bolaños, ou Chaves, deixa como legado a necessidade de se criar programas de humor com conteúdo crítico, que seja popular, mas com uma linguagem acessível e educativa. “Chaves” não é brega. Nem chique. Mas seu sucesso tem a ver com o roteiro, o texto. O que conquista o público são os diálogos e as situações. Parecem bobos. E como são verdadeiros!

Fica a herança do artista através das reprises de seus programas no SBT.



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

“Império”: Paulo Vilhena mostra maturidade como ator ao aceitar o desafio do novelista Aguinaldo Silva de fazer um esquizofrênico


Paulo Vilhena está realizando o sonho de todo grande ator: receber o desafio de interpretar um personagem que foge a todos os padrões. Mas é preciso lembrar que vai uma grande diferença entre “querer” e “fazer”. Muitos são desafiados, nem todos conseguem, mais do que atender ao chamado, superar as expectativas.  No capítulo dessa segunda-feira (3) de “Império”, novela das nove da Rede Globo, o ator correspondeu à cena escrita pelo autor Aguinaldo Silva, em que o esquizofrênico Domingos Salvador, após sair da penitenciária, identifica suas pinturas expostas na vitrine de uma galeria, e a transformou em uma sequência digna de cinema.

Desde que estreou na televisão, na Rede Globo, no seriado “Sandy & Junior”, em 1998, o ator colecionou trabalhos como bom moço. Mas na mídia e nos programas de celebridade sua fama sempre foi de mau. Ultrapassando uma fase de forma inesperada e mostrando um amadurecimento repentino, Paulo Vilhena está dando mostra de que, por trás do galã teen da ficção e ator rebelde na vida real, um trabalho está sendo feito.

Parabéns ao ator! E vamos ver se esse amadurecimento também poderá ser conferido em seus comportamentos fora do personagem. Porque o público não leva apenas o personagem para casa. É preciso levar para fora do ar também essa oportunidade que o autor Aguinaldo Silva está lhe dando de mostrar sua maturidade na profissão.

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sábado, 1 de novembro de 2014

“Geração Brasil”: Homenagem a Taís Araújo e Lázaro Ramos emocionou e foi o ponto alto do último capítulo da novela das sete


A homenagem que os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira fizeram a Taís Araújo e Lázaro Ramos fez toda a diferença no último capítulo de “Geração Brasil”, que foi ar nessa sexta-feira (31), na Rede Globo. O casal, que na vida real espera seu segundo filho, não formou par na novela das sete, mas a cena foi emocionante: Lázaro, na pele do guru Brian, abençoou o barrigão de Verônica, a jornalista vivida por Taís que, na trama, esperava o terceiro filho de Jonas Marra, personagem de Murilo Benício. Após perguntar o nome do bebê a Verônica, o guru declara: “Maria Antônia, que você chegue trazendo mais luz a esse mundo”. O nome é o mesmo que os atores pretendem dar à sua segunda filha, que está no sexto mês de gestação.

No mais, o desfecho teve casais se reconciliando, vilões sendo punidos e mocinhos recompensados, no melhor estilo dos folhetins tradicionais, apesar de ter sido uma novela que investiu no temas das novas tecnologias na informática. A expectativa criada na estreia em termos de audiência, há seis meses, pode não ter sido superada, já que era muito grande pois tomava como referência o sucesso de “Cheias de Charme”, sucesso anterior dos mesmos autores.

Para quem esperava que Claudia Abreu viesse fazendo uma nova Chayenne, a atriz surpreendeu ao dar um perfil todo próprio à atriz de seriados americanos Pamela Parker.  E Murilo Benício, depois da fama de bobão do Tufão de “Avenida Brasil”, fez por merecer a promoção de magnata da computação. Aliás, foi bem sacada a ideia de reviver a dancinha engraçada do ex-casal Marra, Pamela e Jonas, que marcou o primeiro capítulo no palco da TV Parker. E os passinhos desengonçados de Murilo foram bem imitados pelo jovem Max Lima, intérprete de Vicente, o sucessor de Jonas na sua empresa.

Vale destacar ainda as atuações de Luís Miranda, que convenceu do início ao fim no papel da transexual Dorothy Benson, e de Leandro Hassum que, em sua estreia em novelas, soube fazer rir e emocionar com o seu Barata, um apaixonado não correspondido por Verônica. Foi divertida a sacada de colocar Taís Araújo fazendo uma nova personagem para ocupar o coração sofrido do dono da loja de eletrodomésticos. Além de Isabelle Drumonnd, que soube deixar sua ex-Empreguete para trás e encarnou com facilidade a patricinha rebelde Megan, e Ricardo Tozzi, que conseguiu convencer a todos como bom moço e, no final, era o maior vilão de toda a história.

No balanço geral a novela cumpriu seu papel a contento no horário, com efeitos tecnológicos, humor sutil, figurino e direção de arte modernos e um tema de abertura que empolgou. Até mesmo o sotaque americano e as expressões em inglês, que inicialmente parecia que iriam saturar e cansar o público, foram mantidos e aplicados na medida certa. Ficaria bem mais estranho se tivessem sumido de repente, sem justificativa. Ponto para autores, elenco e a direção de núcleo de Denise Saraceni.

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