quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

“Luciana By Night”: Sem graça, conteúdo e profissionalismo, programa patina e faz projeto universitário amador de televisão


Luciana Gimenez insiste em dizer que o “Luciana By Night” é uma comédia. Mas, está difícil esboçar até um tímido sorriso no novo programa da mulher de um dos donos da Rede TV!. Ela parece se esforçar ao máximo, fazendo caras e bocas, mas se perde ao tentar ser uma espécie de Seinfeld de saias e rindo de tudo, até do que não tem graça. Depois da estreia insossa e sem assunto com Ana Hickmann há três semanas, a segunda edição só ganhou notoriedade por ter ido parar no “Top Five” do “CQC” da Band, segunda-feira (10). O convidado da noite era Raul Gil, que, após não conseguir se equilibrar na cadeira, foi se sentar sobre a mesa e destruiu o cenário com seu peso.

Já nessa terceira edição a convidada foi Val Macchiori.  Mais do mesmo. Ela falou de sua infância "pobrinha" no interior do Paraná, do trabalho como modelo e vendedora na infância e, rapidamente passou para a parte da boa vida como empresária em São Paulo. Estranho ser preservado como ela se tornou uma “mulher rica”.

Mas Val teve seu momento de lucidez, como quando revelou que não toma champanhe nem gasta um milhão todo dia. “O diretor disse: ‘dá uma exagerada’”, revelou ela ao falar sobre o reality show do qual participou na Band. Nem na hora das brincadeiras propostas Luciana conseguiu que o programa saísse da mesmice. No quadro “Volta Ao Mundo”, Val contou pela milésima vez que o “Hello” surgiu em Paris quando ela estava em uma loja tentando comprar uma bolsa e não conseguia ser atendida por ninguém. “Os franceses deve estar se revirando no túmulo. Lá é ‘Bonjour’ para tudo”, afirmou Luciana, tentando mostrar que também é "viajada". 

O programa conta ainda com a presença do humorista Diogo Portugal, que fica atrás de uma bancada sem uma função bem definida, a não ser o de também fazer graça. E também não atingindo esse objetivo. Enfim, Luciana poderia ficar só com o seu "Superpop" que já está de bom tamanho para ela. 


domingo, 9 de dezembro de 2012

“The Voice Brasil”: Na reta final, candidatas extrapolam nos gritos, técnicos extrapolam na empolgação, mas repertório nacional e bem escolhido salva a penúltima edição


Em sua penúltima edição, alguns participantes do “The Voice Brasil” parece estarem participando do “The Scream Brasil”. Como mostraram Thalita, Ludmillah e Ellen no programa desse domingo (9). As três, que se classificaram para a final, são donas de um vozeirão, mas parece estarem querendo ganhar a competição no grito. Ludmillah, além de se esgoelar, ainda tem uma postura agressiva, parece uma fera enjaulada querendo mais domar do que conquistar a plateia.

O desespero na reta final leva alguns concorrentes ao ridículo. Mira Callado, além de elevar excessivamente o tom em alguns trechos da música, exagerou ao se ajoelhar no palco e se benzer após cantar “Jesus Cristo”, de Roberto Carlos. Já Ludmilla, ao ser escolhida por Carlinhos Brown para continuar na disputa, vencendo Mira, foi totalmente infeliz ao gritar: “Dedico a minha mãe, a gente que é guerreira, mulher negra...”. Como assim? As mulheres brancas também não são guerreiras?

Desnecessário apelar para esse tipo de discurso numa competição musical em que o que vale é a voz e não a raça, credo, condição social ou sexual. Sem falar que ela sempre encerra suas apresentações com algum deboche, parecendo ser mais uma personagem cômica do que uma profissional da música participando de um programa sério e não de uma disputa de calouros.

O ponto positivo dessa penúltima audição foi o repertório, 100% nacional. Finalmente as músicas internacionais ficaram de fora. E as escolhas foram de qualidade, com canções que fizeram sucesso há décadas na interpretação de ídolos como Roberto Carlos, Elis Regina, Djavan, Gal Costa e Caetano Veloso, além de cantores mais atuais, como Ana Carolina, Maria Gadú e O Rappa.

Agora é aguardar a final no próximo domingo, quando sete mulheres disputarão o título com um único homem. E, a contar pela empolgação dos técnicos que, não sei se foi impressão minha mas nesse domingo pareciam estar doidões vários tons acima em relação às audições anteriores, o anúncio do vencedor deverá ser apoteótico.

“Esquenta”: Programa apara arestas e mostra amadurecimento ao se preocupar um pouco mais com sua função social do que com o oba-oba do “churrasco da laje”


Regina Casé voltou totalmente reciclada na nova temporada do “Esquenta”, que estreou nesse domingo (9) na Rede Globo. Repaginado, o programa ganhou maior versatilidade, com espaço para temas sérios serem tratados de forma informal e sem exagero nos momentos mais divertidos. Como foi a forma natural e descontraída como foram mostrados os portadores de deficiência, atletas paraolímpicos e de integrantes do bloco Senta Que Eu Empurro que compareceram em massa na plateia. “O interessante é que descobrimos que a maioria deles vem aqui por vontade própria, porque se sentem, bem e isso é maravilhoso”, afirmou a apresentadora.

A estreia também contou com a presença luxuosa da presidenta da República Dilma Roussef em uma entrevista gravada em Brasília na unidade da rede de hospitais Sarah Kubitschek, centro de reabilitação. A conversa girou em torno de vários assuntos, mas principalmente focou na necessidade da inclusão social de portadores de deficiência. Funcionou bem a ideia de intercalar a entrevista costurando vários momentos de outras atrações, e não apresentá-la em um único bloco, pois não prejudicou a dinâmica do programa. E a informalidade de Dilma, no clima do “Esquenta”, contribuiu para o bom resultado. Ela soltou até um "ajunta", em homenagem aos seus conterrâneos mineiros.

Arlindo Cruz e Leandro Sapucahy, participantes fixos desde a primeira temporada, agora ganharam o reforço de Péricles, ex vocalista do Exaltasamba, e Xande de Pilares, vocalista do grupo Revelação. Também teve a presença de Herbert Vianna, cantando e contando um pouco de sua condição de cadeirante. Já a presença de estudantes de Medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que foram comemorar sua formatura no programa, ficou meio desnecessária, ou não funcionou como deveria.

Deu para perceber que várias arestas foram aparadas em relação às temporadas anteriores: a música “Esquenta (Tema de Regina)” já não é mais tocada à exaustão numa verdadeira lavagem cerebral de exaltação à apresentadora; Regina Casé, acredite, está menos deslumbrada, deixando que os outros também apareçam e se jogando menos diante das câmeras para dominar a cena, como fazia antes; e a edição pode melhorar, mas está bem mais cuidadosa, sem aqueles cortes abruptos que eram feitos. 

A declaração de amor de Estevão Ciavatta, um dos diretores do programa e marido de Regina, que ficou temporariamente tetraplégico após um acidente de cavalo em 2008, encerrou a estreia com chave de ouro. O mais marcante, porém, foi a mensagem deixada por um atleta paraolímpico: “Para quem é guerreiro, nada é impossível”.



“Encontrar Alguém”: Quadro do “Caldeirão do Huck” não é original, mas emociona ao ultrapassar fronteiras e promover o encontro de irmãos angolanos separados pela guerra


Luciano Huck abriu o “Caldeirão do Huck” desse sábado (8) avisando que aquele seria um programa especialmente emocionante. Realmente foi. E mais uma vez, como poucos fazem, ele não deixou de exaltar o trabalho caprichado de toda sua equipe na realização do “Encontrar Alguém”, que abriu o programa. O quadro promoveu a reaproximação inédita de dois irmãos angolanos, separados há 35 anos por causa da guerra civil que assolou seu país na África.

Sem dúvida a produção teve que suar a camisa para promover o encontro de Paula, auxiliar de enfermagem que mora em São Paulo, com seu irmão, o motorista Chico, contratado para prestar serviços à equipe do “Caldeirão” no show do “Dia da Amizade Angola-Brasil”. O evento, que acontece em Luanda há quatro anos para celebrar os laços entre os dois países, foi comandado por Luciano. Em determinado momento do show, Chico foi chamado ao palco e ali teve a surpresa de reencontrar Paula. Emocionados, os dois irmãos, separados durante a guerra civil de 1975, foram aplaudidos pela multidão de angolanos presentes na festa.
 
Vale ressaltar a competência dos envolvidos, já que o “Dia da Amizade” aconteceu no dia 4 de outubro e bem antes todos tiveram que correr para localizar Chico em Angola e simultaneamente planejar a ida de Paula a seu país de origem. E ainda fazer o registro do encontro de ambos durante o evento. O cuidado da edição valorizou o quadro ao inserir imagens de arquivo em preto e branco da guerra civil na qual os dois estavam entre as milhares de vítimas, ao som de “Brothers In Arms”, de Dire Straits. Igualmente comovente foi o encerramento, com um clipe mostrando imagens de Chico e Paula festejando o encontro com seus familiares, irmãos, sobrinhos, cunhada, em uma praia, próximos a carcaças de navios destruídos na guerra encalhados na areia.

A estreia do quadro aconteceu em maio, promovendo o encontro de duas irmãs que não se viam há 50 anos. Na segunda edição, em setembro, outra história: a do carioca de 17 anos, criado pelo padrasto, que realizou o sonho de conhecer seu pai biológico, que foi embora para os Estados Unidos quando o filho tinha apenas 1 ano e nunca mais o procurou. E essa terceira vem reforçar a expectativa de que “Encontrar Alguém” veio para disputar espaço com os já consagrados e também sempre emocionantes “Lar Doce Lar” e “Lata Velha”. A ideia pode não ser inédita, mas como o que mais se vê na TV são cópias de cópias, o que interessa mesmo é a qualidade mostrada em cada nova versão de um mesmo formato.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

“Como Peixe Fora D’Água”: Lutador tenta conquistar fama fazendo graça agredindo espécies marinhas em série que estreia no canal que se diz defensor do mundo animal




Fiquei chocada ao assistir ao programa “Como Peixe Fora D’Água”, que estreou segunda-feira (3) no Animal Planet, enaltecendo a ideia bizarra de um lutador canadense, Eric Young, de 32 anos, que resolve tirar férias dos ringues para, literalmente, invadir de forma agressiva o habitat de espécies marinhas. O canal que, como o nome diz, é voltado a séries e documentários que retratam a realidade do mundo animal, poderia privar seu público de um brutamonte que está “brincando” em façanhas que ele próprio reconhece serem tolas, mas que agridem animais aquáticos.

No primeiro episódio da série, Eric diz que vai até a Costa do Golfo da Flórida “em busca dos pescadores mais malucos da América”. Sua ideia é caçar tubarões, inicialmente na forma tradicional, até chegar à captura sobre uma prancha de stand up paddle. O formato do programa é aquele tradicional: o apresentador conversa com a câmera tentando ser simpático e fazendo gracinhas, como quando foi ao shopping comprar uma sacola cheia de meias-calças femininas. Elas seriam usadas para encher de iscas para atrair tubarões. “São as salsichas de peixe”, ironiza ele.

Logo nas duas primeiras pescas, dois tubarões menores são capturados. Os anzóis que prendem as iscas são cortados e os bichos, machucados pela linha, são soltos de volta ao mar. O lutador se orgulha, brinca de fazer carinho em suas presas, mas em nenhum momento explica que o nylon dos pedaços de meias-finas engolidos por elas será ou não prejudicial a seus organismos.

Nos blocos seguintes, Eric realiza seu intento de caçar tubarões maiores com paddleboard. Nas aulas com um instrutor apenas para dominar a prancha com remo, ele mais uma vez tenta fazer humor, aparecendo com uma sunga minúscula com a estampa da bandeira dos Estados Unidos. Mas qualquer tentativa de piada naufraga ao se constatar que ele está brincando com animais em extinção. Ao caçar um filhote de 60 cm, o lutador diz estar fazendo carinho na barriga da caça, mas percebe-se que o animal está estressado, contorcendo-se desesperado para não morrer fora d’água.

O ponto alto é quando Eric finalmente consegue capturar um Tubarão Limão de quase 2 metros.  “Eles são conhecidos por atacar humanos”, destaca o lutador. Mas e ele estava fazendo o que ali? Em busca de fama, estava atacando tubarões no habitat natural deles. Ele é o invasor e agressor. “Eu me sinto um homem de verdade. Eu mereço essa barba”, diz o barbudo. Talvez se tivesse barbatanas Eric não se sentisse tão “homem”, mas fosse um pouco mais humano.

Para piorar, nos próximos episódios a briga será contra jacarés, bagres e ouriços, utilizando instrumentos igualmente agressivos. Uma pena o Animal Planet se prestar a esse tipo de programa que transforma a pesca em um tipo de esporte radical que coloca em risco a integridade de tantos seres vivos que estão precisando de quem os defenda, e não de quem os agrida apenas por 30 minutos de fama.
 



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

“Malhação”: Depois da masculinizada Alice de “Fina Estampa”, Thaís de Campos mostra sua versatilidade ao se transformar na doce e maternal Vilminha da novelinha global voltada para o público adolescente


Thaís de Campos faz parte daquele time de atores que, quando fora do ar, passam seus ensinamentos na arte de representar abrindo cursos de interpretação, mas que, quando chamados de volta à cena, provam que além da teoria não perdem a prática. É o que ela está mostrando em “Malhação”, ao entrar fazendo uma participação como Vilminha, a mãe de Fatinha (Juliana Paiva), a garota considerada a mais “fácil” entre os alunos da escola Quadrante na novela da Rede Globo voltada para o público adolescente.

A atriz passou por uma transformação camaleônica depois de ter feito a robusta Alice, uma mulher com trejeitos masculinizados que vivia um relacionamento dúbio com Tia Íris, personagem vivida por Eva Wilma em “Fina Estampa”, novela das nove de Aguinaldo Silva exibida ano passado. No novo trabalho, não foram só os cabelos e o figurino que mudaram. A atriz encarnou de tal forma a mãe dedicada e conselheira na história teen, com gestuais e olhares maternais, que não há como se fazer qualquer tipo de comparação entre sua personagem anterior e a atual. Precisa ter competência para se criar um novo tipo sem herdar qualquer "cacoete" dos anteriores.

Com 30 anos de carreira, Thaís já teve momentos de destaque, mas sempre de uma forma discreta, como quando fez a bondosa Arlete no remake de “Mulheres de Areia” (1993) e a engraçada Amparo Muñoz de “Salsa & Merengue” (1996). Desde 2000, quando se mudou para Portugal, onde dirige um Curso de Interpretação Para TV e Cinema e produz espetáculos teatrais, ela vinha fazendo apenas participações em novelas e minisséries no Brasil, como aconteceu em “Cinquentinha” (2009) e “Lara Com Z” (2011). Com papel inteiro ou apenas como convidada, Thaís tem feito a diferença em suas aparições. E sem alarde. Diferentemente de outros artistas que estão sempre no ar fazendo muito barulho por nada.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

“Domingão do Faustão”: Com elegância, Nelson Freitas chama a atenção de Fausto Silva quando apresentador esquece convidados, para bajular suas bailarinas






Nelson Freitas é um artista que há mais de duas décadas circula pela dramaturgia de várias emissoras sempre com a mesma competência de quem domina a difícil arte de fazer humor. Ele é aquele tipo que escracha no popularesco e esnoba no politicamente correto e metido. Sua participação no “Domingão do Faustão” desse domingo (2) foi mais uma prova de que um artista por ser comediante não está num patamar inferior. Se tiver talento, pode e deve se impor.

Foi o que o ator fez no quadro "Divã do Faustão" no momento em que Fausto Silva deixou os convidados de lado e foi, literalmente, “babar ovo” das suas bailarinas, como se elas fossem mais importantes do que aqueles que estavam ali a convite da produção do programa. Nelson não se segurou e chamou para si a atenção quando o apresentador exagerava nas gracinhas, deixando de lado quem realmente merecia estar em foco.

Nelson é tão profissional que não se cala quando lhe convidam para um programa e o deixam num canto. Ele sabe do seu valor para estar ali. E defende seu espaço como poucos o fazem, com uma educação recheada de simplicidade e coberta de um humor inconfundível. 


 

domingo, 2 de dezembro de 2012

“Clara”: Convidados contam de forma coloquial e atraente a trajetória de Clara Nunes, mas série estreia carente de imagens da cantora para atrair o público




Clara Nunes saiu de cena muito cedo, no começo dos anos 80. Mas o público mais jovem que não teve a oportunidade de testemunhar seu talento como cantora de todos os ritmos tem a chance agora de conhecer um pouco mais na série “Clara”, que estreou nesse sábado (1), no Canal Brasil, e retratará a trajetória profissional daquela que foi uma das maiores intérpretes da música brasileira.  O primeiro dos cinco episódios, “Quando Vim de Minas”, mostrou material de arquivo e depoimentos de amigos e familiares da cantora, que morreu aos 39 anos, em 1983, após fazer uma cirurgia de varizes nas pernas. O começo da vida pessoal, também recheada de dramas, não foi mostrado. A série foca exclusivamente o aspecto profissional.

A escolha de “Tristeza Pé No Chão”, sucesso de 1973 composto por Clara e que ficou marcado pelo choro do cavaco e da cuíca, foi perfeita como tema de abertura. Assim como foi a ideia de abrir o programa com a voz inconfundível de Vinícius de Moraes exaltando a homenageada: “Uma das maiores cantoras brasileiras do momento e das que tem mais possibilidade de fazer uma grande carreira, um grande caminho na canção popular do Brasil”, afirmava o poeta, em uma mensagem gravada por ele no show “Poeta, Moça e Violão”, também de 1973.

Os depoimentos de amigos como Wagner Tiso, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e Eduardo Araújo, entre outros, foram feitos de uma forma espontânea, num tom coloquial que desperta no telespectador a sensação de se estar participando de uma roda de bate-papo na qual são lembradas situações curiosas que marcaram a trajetória da artista. Alcione, por exemplo, exaltou o fato de Clara, uma das maiores vendedoras de discos, ter ajudado a abrir o mercado fonográfico para cantoras. Já Eduardo Araújo destacou que a amiga passeava com desenvoltura não apenas no samba, como no bolero, no jazz, na bossa nova. 
Dirigida por Darcy Burger, a série foi idealizada e roteirizada pelo jornalista Vagner Fernandes, inspirada na biografia ‘Clara Nunes, Guerreira da Utopia’, de sua autoria. Foram quatro anos de pesquisas para a construção de um acervo que reúne entrevistas em rádio, apresentações em TV, músicas e fotografias, além de 48 depoimentos inéditos de pessoas que reconstituem a breve trajetória da cantora mineira. A ideia é levar o documentário para o cinema em 2013.
Essa primeira etapa da história musical de Clara mostrada no episódio de estreia, por ter acontecido em um período em que o rádio era o veículo mais presente, há poucas imagens dela em cena. Contou com apenas um vídeo da cantora interpretando “Serenata do Adeus”, de Vinícius de Moraes, poucas e rápidas sequências de filmes antigos e, no fim, um clipe dela cantando “Você Passa e Eu Acho Graça”, da década de 60. Uma pena, pois em uma estreia o público quer ver mais a personagem central da história do que pessoas do seu entorno. De qualquer forma, é de se esperar que nos próximos episódios, com um material mais rico nos arquivos da televisão, a série ganhe mais a presença visual da Guerreira.

“Salve Jorge”: Em discretas aparições, Jandira Martini faz de Farid, que sofre do Mal de Alzheimer, a personagem mais inteligente e verdadeira da novela das nove


Jandira Martini pode ficar dias sem aparecer em “Salve Jorge” que quando sua personagem, vó Farid, entra em cena, por mais breve que ela seja, faz toda a diferença na novela das nove da Rede Globo. Suas tiradas são curtas, enigmáticas e certeiras ao analisar o comportamento de cada um a seu redor. Não foi diferente no capítulo dessa sexta-feira (30), quando a turca fez um alerta a seu filho Zyah (Domingos Monganer), quando o assunto era o casamento dele com Ayla (Tânia Kalil): “Cuidado! Quando o Sultão se casa, a Roksalana sempre vem destruir tudo”, afirmou, fazendo comparações com histórias de personagens do império otomano.

Apesar das fugas da realidade que a acomete, suas observações acabam tendo sempre um fundo de verdade com o que acontece à volta de todos e parece que só ela intui. “Tome cuidado com Roksalana, proteja sua esposa, proteja sua família. Ela está vindo. Ela sempre vem”, reforçou Farid ao filho. Mal sabia Zyah que exatamente naquele momento Bianca (Cleo Pires) estava desembarcando na Capadócia para ficar com ele, colocando em risco a união do guia turístico com Ayla.

É claro que, num primeiro momento, não teve como fugir da comparação da turca Farid de “Salve Jorge” com a marroquina Zoraide de “O Clone”, ou com a politizada indiana Puja, de “Caminho das Índias”, que Jandira interpretou nas outras novelas também escritas por Glória Perez. O biótipo da atriz se ajusta perfeitamente a essas culturas. Mas sua versatilidade se revela quando, sem pressa, ela mostra peculiaridades da nova personagem. Por mais que a autora escreva tipos semelhantes de mulheres, Jandira se encarrega de dar novos significados a cada uma que lhe é entregue.

No perfil de Farid na trama, ela é descrita como uma mulher que com o avançar da idade tem aumentado seus devaneios nos quais os familiares viram personagens do Império Otomano e as confusões da aldeia, disputas palacianas. Só que, nesse mesmo capítulo, Esma (Elisângela) citou a doença de sua sogra. “Ela está tão pior hoje. O Alzheimer está levando a cabeça de vó Farid para cada vez mais longe”, explicou a nora. Sem dúvida é de grande utilidade que a autora aborde esse tipo de patologia que afeta a terceira idade. Mas, para isso, Farid terá que ganhar mais espaço em cena. E Jandira Martini, sem dúvida, merece uma participação maior e mais frequente na história. Sem perder, é claro, o tom leve de humor que ameniza o drama da personagem.




sábado, 1 de dezembro de 2012

“Lado a Lado”: Alessandra Negrini pegou o bonde da novela das seis andando e não só conseguiu um lugar na janela como ameaça roubar o posto do condutor da história com sua vilã sensual, dissimulada e ambiciosa


Alessandra Negrini não está economizando em “Lado a Lado” no seu talento para interpretar mulheres ardilosas e sensuais como é o caso de Catarina Ribeiro, a cantora lírica à qual ela dá vida na novela das seis da Rede Globo. A personagem chegou comendo pelas beiradas, como se tivesse aparecido apenas para provocar a separação de Edgar (Thiago Fragoso) e Laura (Marjorie Estiano) por ter uma filha com o advogado, fruto de um romance dos dois no passado. Mas, aos poucos, ela vem se tornando uma das figuras centrais da história escrita por João Ximenes Braga e Cláudia Lage.

Catarina já conseguiu tumultuar a vida de toda a companhia do Teatro Alheira, seduziu o irmão de Edgar, Fernando (Caio Blat), e desafiou até a cobra mor Constância (Patrícia Pillar). No capítulo desse sábado (1), ela perdeu seu primeiro round na briga com a baronesa, que armou para a ambiciosa e egocêntrica cantora ser vaiada e alvo de ovos em sua primeira apresentação em público. Mas ela não se deixou abater: “Eu não estou triste. Eu estou fervendo a minha raiva no caldeirão do inferno”, disse Catarina, logo percebendo que tinha sido vítima de uma conspiração de Constância. “Eu vou me lambuzar de vingança”, decretou a artista, tendo como alvo a filha da baronesa.

E nos próximos capítulos já se sabe que ela conseguirá arruinar mais uma vez a vida de Laura. Com a ajuda de Fernando, conseguirá que seja publicada no jornal a notícia de que Laura é divorciada, o que fará a professora perder o emprego e ficar desmoralizada perante a sociedade machista da época.

Alessandra Negrini sabe dosar muito bem a malícia no olhar e a sedução no gestual com certo ar blasé para esconder as reais intenções de suas vilãs. A atriz poderia ter ficado marcada como a eterna Engraçadinha por se destacar fazendo a fase jovem da personagem título da minissérie “Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados”, baseada na obra de Nelson Rodrigues, mas isso não aconteceu. A cada novo trabalho que se seguiu ela soube elaborar uma nova faceta.

Mesmo colecionando vilãs, como a Paula do remake de “Anjo Mau”, a Selma de “Desejos de Mulher” e a Taís, a gêmea da boazinha Paula de “Paraíso Tropical”, novela na qual se dividiu fazendo as duas protagonistas da história, a atriz conseguiu sempre dar um toque pessoal a cada uma delas. Como acontece agora com Catarina que, se não roubar a cena das mocinhas, certamente está sabendo aproveitar a chance de ameaçar a soberania de Constância no papel da vilã da história. E olha que a briga é com ninguém menos do que aquela que viveu a dissimuladíssima Flora de "A Favorita".