sexta-feira, 24 de agosto de 2012

“Passaporte Hoje Em Dia”: O ator Cássio Reis se sai muito bem como repórter dando dicas de viagens enquanto se prepara para ser o “novo Rodrigo Faro” da Record



Cássio Reis vem carimbando sem grandes pretensões, mas com descontração, o seu “Passaporte Hoje Em Dia”, quadro do matinal da Record no qual o ator dá dicas de viagens visitando diversos países. Após já ter passado por Nova York e Miami, os lugares mais visitados por brasileiros nos Estados Unidos, ele fez um tour pela Europa, passeando por Paris, na França, e dando uma volta pela ilha da Sicília, na Itália. Mas sem dúvida seu atual roteiro pela Ásia está sendo um dos mais interessantes e o que mostra um Cássio bem mais empolgado.

Nos episódios mostrados entre terça (21) e quinta-feira (23), o que se viu foi uma forma simples e despretensiosa de mostrar a Turquia, país muçulmano chamado de euroasiático por ocupar parte de dois continentes. À vontade, e sem adotar aquele tom de historicamente místico que muitos incorporam ao mostrar esse tipo de lugar, ele tomou um banho turco, divertindo-se com a experiência e pagando em lira o equivalente a R$ 150.

Em Istambul, Cássio fez compras no Grand Bazar, maior mercado fechado do mundo. Experimentou pimentas fortíssimas. “Água, pelo amor de Deus”, pediu, após uma amostra numa das barracas de temperos. A facilidade de comunicação, já que a maioria lá fala todas as línguas, tornou a matéria ainda mais saborosa com vários turcos dando “Bom dia” e falando em português com o ator-repórter.

A semana se encerrou com um passeio de balão mostrando as belezas da Capadócia, e o próximo episódio, na sequência, começará com uma visita pela cidade de Kaymakly. O destino de cada nova viagem é escolhido pelos internautas, através de votação na página do programa na internet. Coincidentemente, essa escolha da Turquia fez o quadro se antecipar e mostrar um território que servirá de cenário para a próxima novela das nove da Rede Globo, de autoria de Glória Perez, “Salve Jorge”, que sucederá a “Avenida Brasil” e cujas gravações começaram em julho na Turquia e Capadócia.

Mas esse é apenas um detalhe. Lugares inusitados fazem parte do trabalho de Cássio desde 2009, quando começou a gravar o “TAM nas Nuvens”, programas veiculados apenas nas aeronaves nos voos da companhia aérea, e que já lhe proporcionaram passar por cerca de 30 países.  E ele nunca mostrou menor animação por ser um produto veiculado a um público restrito.

O ator, que começou se dedicando à carreira de modelo, parece ter feito do exercício de repórter um trampolim para sua próxima função: a de apresentador do “Ídolos Kids”, que estreia em setembro na Record. Cássio já admitiu querer ser “o novo Rodrigo Faro” da Record. Em externas, demonstrou afinidade com a função. Falta ver em estúdio. Afinal, ter desenvoltura em reportagens realizadas ao ar livre e apresentar matérias comodamente sentado por trás de uma bancada é uma coisa. Conduzir um programa estando aparentemente livre e solto, mas preso dentro de um estúdio, é outra história.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Como na literatura infantil, autores de novelas exploram todas as nuances do perfil que protagonistas órfãos de pai e mãe oferecem para enriquecer as tramas



Na literatura, principalmente infantil, a criação de personagens órfãos conduzindo a história é um recurso usado desde os tempos de Cinderela e Branca de Neve. Harry Potter é o exemplo clássico mais recente. Alguns autores apostam que a falta de um vínculo familiar abre um leque maior de oportunidades para se explorar vários aspectos psicológicos do personagem, além de deixa-lo mais livre para vivenciar experiências que talvez não pudessem ser bem desenvolvidas com a presença das figuras materna e paterna. Vendo por esse ângulo, entende-se que em “Avenida Brasil”, “Cheias de Charme” e “Amor Eterno Amor, respectivamente novelas das nove, das sete e das seis da Globo, haja protagonistas órfãos de pai e mãe.

Independentemente do mistério em torno do real caráter de Nina (Débora Falabella) em “Avenida Brasil”, nos primeiros capítulos da novela de João Emanuel Carneiro já se pode ver que a personagem, então chamada de Rita (Mel Maia), odiava a mulher que ocupou o lugar de sua verdadeira mãe. E, não bastando ter perdido o pai biológico na infância, quando jovem viu o adotivo morrer a seu lado. Pronto, abriu-se aí muitos atalhos para o autor enveredar pelos mais instigantes caminhos da mente dessa personagem que disfarça o tom de ironia ao chamar Lucinda (Vera Holtz) de “mãe”, e carrega no deboche ao tratar Nilo (José de Abreu) como “paizinho”. Se for feita uma comparação, Nina certamente não é nenhuma Branca de Neve que ficaria feliz apenas por ter encontrado seu príncipe, no caso Jorginho (Cauã Reymond). Ela quer mesmo é ver a madrasta má Carminha (Adriana Esteves) se empanturrar de muitas maçãs envenenadas.

Carminha, por sua vez, é a madrasta má que não contém as lágrimas ao ouvir falar sobre sua mãe morta, como aconteceu durante uma das sessões de tortura psicológica que sofreu de Nina. Só que essa pequena demonstração de carência maternal se perde em meio a um conjunto de atitudes. Carminha não é maquiavélica apenas como madrasta, ela também é diabólica como mãe, humilhando e magoando constantemente a pequena Agatha (Ana Karolina). Imagino que personagem riquíssima de nuances psicológicas Agatha não se transformará quando ficar adulta e tiver consciência de tudo que se passou à sua volta vivendo na Mansão Tufão de loucos.
  
Em tom de comédia, mas nem por isso deixando o lado emocional também se manifestar, “Cheias de Charme” traz protagonistas órfãs com históricos de sobrevivência distintos. Cida (Isabelle Drummond) é a mais fiel versão moderna da Gata Borralheira. Foi criada pelos Sarmento como a empregada órfã dos antigos motorista e doméstica da casa. Humilhada por todos, por um acaso do destino torna-se cantora de sucesso. Só então seu verdadeiro pai biológico se revela, é o ex-patrão Ernani (Tato Gabus Mendes). Sem tempo para esperar sapatinho de cristal, Cida vira uma Cinderela às avessas. Ela não se preocupa em questionar o que seus verdadeiros pais passaram, parte logo para a vingança contra os Sarmentos pensando unicamente no que ela passou nas mãos deles.

Na mesma novela, escrita por Izabel de Oliveira e Filipe Miguez, as outras duas Empreguetes, Rosário (Leandra Leal) e Penha (Taís Araújo), têm uma realidade um pouco mais longe dos contos de fadas. Rosário foi retirada de um orfanato e adotada por Sidney (Daniel Dantas) quando tinha 10 anos. O sonho de ser uma cantora famosa foi alimentado pelo pai adotivo, um homossexual nostálgico que ouve discos vinil de Ângela Maria e outros artistas da época. Até o momento, não foi feita qualquer referência a seus pais biológicos. Nem ela parece preocupada com isso. Focada na realidade, seu estrelato no mundo das celebridades está em primeiro lugar, se sobrepondo até mesmo ao amor de Inácio (Ricardo Tozzi).

Já Penha pode ser considerada órfã de pais porque ninguém sabe se estão vivos. Ambos abandonaram a família muito cedo, nunca mais apareceram e ela se encarregou de criar e sustentar sozinha os dois irmãos mais novos, trabalhando como doméstica. Casou-se e separou-se de um malandro, Sandro (Marcos Palmeira), com quem tem um filho, Patrick (Nicolas Paixão). Percebe-se que por ter assumido o papel de pai e mãe dos irmãos, Penha sabe o valor que essas figuras representam e acaba relevando muitas falcatruas de Sandro para poupar o próprio filho que tanto se orgulha do pai. Está mais para a Dama e o Vagabundo.

O representante masculino entre protagonistas órfãos é Rodrigo (Gabriel Braga Nunes), de “Amor Eterno Amor”, de Elizabeth Jhin. Como o horário pede, a leveza e o tom lúdico dominam sua história. Rodrigo foi sequestrado quando criança de pais milionários no Rio de Janeiro e criado na pobreza por outros “pais” no interior de Minas Gerais. Localizado já adulto pela verdadeira mãe, Verbena (Ana Lucia Torres), que está à beira da morte, vai para o Rio de Janeiro, onde muda o rumo de sua história.

Sem ter conhecido o verdadeiro pai e tendo uma péssima recordação do padrasto carrasco, Rodrigo vive em função da imagem das duas mães: a que o criou, Angélica (Denise Weinberg), e a biológica, Verbena, que dedicou a vida a procurar pelo filho sequestrado. É em torno desse fio condutor que a novela, a duas semanas do seu fim, vem transcorrendo desde o início. Mesmo sem ter o objetivo de ser uma novela espírita, mas com enfoques que remetem a reencarnações e regressões a vidas passadas, e explorando tão bem cenários de séculos passados povoados de magia, pode-se dizer que Rodrigo é uma espécie de pretensa versão adulta de Harry Potter da vez nos folhetins.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

“Superpop”: Maurício Mattar anuncia fim de casamento com Keyre Costa ‘em primeira mão’ e alimenta a fome de ‘exclusividade’ que assola a mídia de celebridades



Maurício Mattar fez a festa de Luciana Gimenez no “Superpop” dessa segunda-feira (20), na Rede TV!, ao contar que está separado desde julho da bailarina Keyre Costa, com quem vivia junto há quatro anos, e acaba alimentando a fome por “exclusividade” que vem assolando a mídia de celebridades. A entrevista, que começou falando sobre a carreira profissional do convidado e nada trazia de novo, de repente trouxe outro ânimo à apresentadora. Seus olhos brilharam quando o ator contou que o casamento com Keyre que estava marcado para o dia 23 de outubro não mais aconteceria e que até agora nenhum dos dois havia contado sobre a separação.

A revelação foi feita após a exibição de um vídeo falando sobre os romances do ator com famosas, como Elba Ramalho, Deborah Secco e Paloma de Oliveira. Curiosamente, Angélica, com quem ele teve um conturbado namoro durante três anos, não foi citada. O vídeo terminava dizendo: “Maurício está casado há quatro anos com Keyre”. E como não era a primeira vez que ela era citada no programa, o ator resolveu esclarecer: “Nós não estamos mais juntos, porque acabamos de nos separar, e vimos que o nosso casamento passou a virar uma grande amizade, passou a ser mais do que uma relação de homem e mulher. Mas temos mutuamente uma relação de carinho e respeito. E ela está assistindo...”.
  
Luciana Gimenez, sem pestanejar, comemorou o anúncio da separação: “Que legal! É em primeira mão então!”, orgulhou-se ela, enquanto a plateia dava gritinhos e aplaudia a “grande notícia”. Imediatamente surgiu na parte inferior da tela a legenda: “Com exclusividade, Maurício Mattar anuncia final de casamento”. E uma tarja, escrita em caixa alta, foi estampada no alto do vídeo: EXCLUSIVO.

“Em primeira mão agora e é ao vivo”, repetia vibrando a apresentadora. Maurício Mattar se justificou dizendo que resolveu falar porque se a notícia saísse amanhã em outros lugares, o programa ficaria defasado ao ficar mostrando ele como sendo marido da bailarina: “Se colocarem mais podem editar agora ao vivo”. Luciana, que não entendeu que ele estava se referindo a outras imagens dele com a ex, pulou logo na cadeira: “Aqui ao vivo não tem jeito, falou besteira, como eu falo de vez em quando, não tem jeito”. É, deu para perceber...

Certamente a “revelação” feita por Maurício Mattar vai repercutir em sites, colunas, revistas e programa de fofocas. Agora é aguardar para contabilizar e ver se ele supera Zezé Di Camargo no número de entrevistas “EXCLUSIVAS” publicadas sobre o fim de seu casamento.



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

“Malhação”: Nova temporada explora bem o mundo virtual, traz temas atuais, como a miscigenação familiar, mas continua restrita ao universo de jovens da Zona Sul carioca


Foi bem sacada a ideia de trazer Mocotó de volta fazendo uma participação na nova “Malhação” que estreou na segunda-feira (13), na Globo. O personagem interpretado por André Marques nas primeiras temporadas da série teen, lançada em 1995, mostrou que continua sendo o mesmo atrapalhado e metido a sedutor de 17 anos atrás - apesar dos muitos quilos a mais - e agitou a primeira semana. A nova fase começou com um ritmo ágil, texto apurado e tocando em temas conectados à realidade da atual geração de jovens, com o mundo virtual da internet totalmente inserido no contexto.

Enquanto Mocotó faz uma participação inicialmente de duas semanas, Alice Wegmann, que interpretou Andréa na temporada de 2010 e no ano seguinte fez a Sofia da novela “A Vida da Gente”, está de volta com uma nova personagem, a rebelde Lia. E a atriz já deu sinais de que será um dos destaques do elenco atual. Ela tem conseguido mostrar em sua interpretação que Lia é uma jovem que desafia os padrões de moda e de comportamento para sufocar seus conflitos internos, causados pela ausência da mãe.

Alice forma com Agatha Moreira e Guilherme Prates, respectivamente intérpretes de Ju e Dinho, o principal triângulo da série. Ju é apaixonada por Dinho, que por sua vez já ficou com a melhor amiga dela, Lia. Eles são colegas do 2° ano do Colégio Quadrante, onde se passa grande parte da história. Enquanto Lia tem um estilo grung, Ju faz a linha meio patricinha básica. Ligada em moda, ela tem um blog de beleza no qual sempre dá dicas online de maquiagem e cuidados com a pele para as adolescentes de sua idade. Dinho, com seu jeito desligadão, não convence muito como o “pegador” da turma, a não ser pelo fato de não se ligar de verdade a nenhuma menina. Gosta mesmo é de planejar às escondidas sua sonhada viagem pelo mundo.  

Outro que ganhou destaque nos cinco primeiros capítulos foi Orelha, o típico Nerd, vivido por David Luca, que filma tudo que acontece na escola com seu celular e depois exibe as imagens na internet, na sua TV Orelha. O ator sem dúvida tem talento para o humor, como já havia revelado no seriado “Minha Nada Mole Vida”, de 2006, quando tinha apenas 10 anos de idade.  Já entre as muitas novatas, chamou a atenção Caca Ottoni, que parece bem sintonizada com sua Morgana, a menina que joga runas e vive a fantasia de ser a “elfa” Elanor. Independentemente das magias que envolvem a personagem, a atriz tem carisma e uma expressão forte no vídeo.

A boa audiência que o programa vem alcançando indica que as autoras Rosane Svartman e Glória Barreto estão acertando nos ingredientes usados para atrair o público. Em meio a situações que mesclam romance e humor, estão lá as inseguranças do primeiro amor, a troca de confidências entre amigos, o ciúmes da melhor amiga: “Juro que nossa amizade nunca vai acabar por causa de um garoto”, diz Lia propondo um pacto com Ju.

Algumas cenas mostraram comportamentos nada exemplares, a começar pela forma grosseira como o diretor Matias (Blota Filho) age com todos no colégio. “Morreu alguém, diretor?”, pergunta um aluno. “O seu futuro, imbecil!”, responde o “mestre”. Fora de aula também acontecem, como quando Dinho sobe no telhado de sua casa e se deita com fones para ouvir música olhando as estrelas. Seus pais veem e acham até graça da inconsequência do filho, sem alertá-lo do perigo de uma queda. Também foi exagerada a ousadia de Fatinha (Juliana Paiva) ao puxar Dinho para um beijo na boca no meio da festa de Ju, sabendo que ele é a grande paixão da colega. “Não existe mais essa de ficar esperando para ver se o cara tá a fim. Ataca!”, tinha aconselhado ela antes. A personagem é apelidada de Facinha pelos garotos por causa de seus figurinos exageradamente provocantes e da forma como se joga para cima deles. Alimentar essa onda de periguetes é estimular uma liberalidade vulgar entre as jovens, e em horário bastante inadequado.

A miscigenação familiar e as conquências que a separação de pais provocam nos filhos é recorrente em vários núcleos. Lia vive com o pai, a irmã caçula e a avó, porque sua mãe deixou a família e se lançou no mundo quando ela tinha 9 anos. Ela sofre às escondidas pela ausência materna. Dinho mora com a mãe, Alice (Carla Marins), que é separada se seu pai, Mário (Eduardo Galvão), que por sua vez tem outro filho, Tico (Xande Valois), com a segunda mulher, Bárbara (Maria Paula), de quem também já se separou. Dinho até leva na boa essa mistura e tem muito carinho pelo meio-irmão. Mas será que não há nesse Colégio nenhum aluno que tenha uma família nos moldes tradicionais, com os pais ainda formando um casal e morando todos juntos?

Apesar da importância em se tratar de tantas questões que mexem com o emocional dos adolescentes, é preciso levar em conta que o universo de “Malhação” sempre privilegiou e continua privilegiando muito mais os jovens da classe média. O Colégio Quadrante é uma escola pública, mas com dependências que mais lembram a West Beverly High School de “Barrados no Baile”, série americana exibida nos anos 90. A justificativa de ser pública para mostrar “diferentes realidades” ainda não se confirmou, pois até agora todos parecem muito bem-nascidos, desfilando figurinos de grife, usando equipamentos eletrônicos de alta tecnologia. O menos favorecido, e nem por isso menos engajado na turma, é Pilha (Peter Brandão), que vive com sua madrinha, a diarista Rosa (Tânia Toko). Mas, por enquanto, ele só aparece na hora de alegrar a galera improvisando letras de funk, já que seu sonho é se tornar um MC.

Para perder de vez o estigma de ser chamada de “novelinha”, “Malhação” ainda precisa expandir mais seus horizontes e mostrar a realidade de jovens de outras camadas sociais em outros núcleos. Mas, vamos aguardar os próximos capítulos, já que ainda há muitos outros personagens a entrarem nas próximas tramas.


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sábado, 18 de agosto de 2012

“Avenida Brasil”: Em meio a tantos astros, João Fernandes, um ator-mirim, destaca-se com sua interpretação e mostra uma força emotiva e superior à de muitos veteranos



Mel Maia e Bernardo Simões tiveram sua vez de emocionar o público nos primeiros capítulos de “Avenida Brasil” interpretando, respectivamente, Rita e Batata na infância, ou Nina (Débora Falabella) e Jorginho (Cauã Reymond) na fase adulta. Além do talento precoce, tiveram a vantagem de estarem na posição de protagonistas. Mas para quem achava que o núcleo de crianças do lixão ficaria por aí, veio João Fernandes, um ator de 12 anos de idade, comendo pelas beiradas e conquistando seu espaço como Picolé, garoto esperto e que se torna uma das peças-chave para Jorginho descobrir sua origem.

João Fernandes já tinha surpreendido interpretando o moleque Nildinho na novela “Cordel Encantado”, em que era sobrinho do Padre Joaquim (Genésio de Barros). Como na atual trama das nove, lá ele também tinha dividido o elenco com Cauã Reymond e Natália Dill. Mas não são as companhias que favorecem João Fernandes. Desde que apareceu na novela de João Emanuel Carneiro como um dos filhos de Mãe Lucinda (Vera Holtz), o ator-mirim tem revelado não só talento como também uma seriedade que falta a muitos adultos na interpretação.

João Fernandes tem uma intimidade com a câmera só demonstrada por quem sabe lidar com ela, agindo como se a maquininha não estivesse ali. Mas, o mais importante, ele se derrama numa emoção contida diante dela, como quem sabe que há por trás alguém querendo ser tocado. Do garoto que teve sua primeira participação em novela das nove em “Caminho das Índias”, hoje o que se vê é ainda um menino, mas com uma força revigorada no olhar e nos gestos que muitos atores adultos não desenvolvem ao longo de vários trabalhos consecutivos.

João Fernandes é uma daquelas pedras preciosas que já nascem quase prontas. Precisa ser lapidada um pouco mais, sim. Mas com o lustre que já traz na origem, será apenas um lustre. Sua história pessoal ele contou em seu blog e acho que vale conhecer um pouco mais desse garoto, num depoimento feito por ele próprio antes de "Avenida Brasil":


"Meu nome é João Fernandes dos Santos Nunes, nasci na cidade do Rio de Janeiro, tenho 12 anos e sou apaixonado por teatro e televisão. Recentemente
fiz o personagem “Nidinho” na novela Cordel Encantado, das autoras Duca Rachid e Thelma Guedes. Aprendi muito com essa oportunidade, pois pude contracenar com atores bastante experientes. Foi um personagem muito gostoso e divertido de fazer. Eu sempre quis ser ator, desde pequenininho, mas minha mãe não concordava, até que com 9 anos resolvi me inscrever sozinho em uma agência de modelos que foi até o meu colégio. A partir daí, tudo começou. Pedi de aniversário o curso de teatro e interpretação para televisão. Depois de 3 meses na agência, fui chamado para o teste da novela Caminho das Índias, que foi o meu primeiro trabalho na TV e um dos momentos mais emocionantes da minha vida.
Ser diabético nunca me impediu de correr atrás dos meus sonhos. Descobri ainda pequeno, quando tinha apenas 4 anos de idade. Na escola, as pessoas perguntavam por que eu estava triste e quieto, mas ninguém conseguia responder. Em casa, eu que era uma criança super ativa, passei a dormir o dia inteiro e a beber muita água. Até que um dia, minha mãe sentiu que eu exalava um cheiro doce e resolveu realizar um pequeno teste. Ela pediu para eu fazer xixi antes de dormir e não dar descarga.
No dia seguinte, o vaso amanheceu cheio de formigas. Naquele mesmo dia fui ao médico e fiz alguns exames, logo ele concluiu que eu estava diabético. Hoje, eu já não lembro mais como é viver sem o diabetes, para mim é algo completamente normal. Algumas pessoas podem pensar que a doença atrapalha meu dia a dia na escola ou no trabalho, mas isso não é verdade. Eu
costumo ser discreto, na verdade, muita gente nem sabe que eu sou diabético. Eu tomo insulina fixa no almoço e no jantar, e de ação lenta pela manhã e pela noite. Durante as gravações não muda nada, sigo a mesma rotina, não me esquecendo de monitorar as taxas e corrigi-las com doses extras de insulina, caso necessário. Nunca aconteceu de precisar parar uma cena para medir ou comer alguma coisa, mas se precisasse seria tranquilo, as produções são maravilhosas e respeitam muito os atores, principalmente as crianças. 
Minha rotina é como a de qualquer garoto. Antes de ir para o colégio, eu tomo café e verifico a minha glicemia. Assisto às aulas sem problema nenhum. No meio da manhã, às vezes paro para comer uma fruta. Sei o quanto é importante me cuidar, por isso, pratico vôlei e jogo futebol frequentemente. Para não ter crises de hipoglicemia, procuro fazer a medição e me alimentar antes de qualquer atividade física. Também me preocupo em não me machucar muito. Até agora, eu só passei por 2 situações em que meu nível de açúcar ficou abaixo do recomendado, uma com 7 anos e outra recentemente, mas aparentemente foi sem motivo algum.
Nada pode nos impedir de correr atrás do que queremos, nem mesmo o diabetes. Eu nunca vou deixar de ser ator, pois isso é a minha vida. Estou ensaiando uma peça de teatro que tem estreia prevista para o ano que vem e irei participar da próxima novela global das 21hrs, do autor João Emannuel
 Carneiro. Continuo fazendo cursos de aperfeiçoamento, e em janeiro, começarei meu curso de canto. Mesmo sendo jovem, tenho a certeza que é possível conviver normalmente com o diabetes, mas você tem que saber controlá-lo e não pode deixar de fazer as medições regularmente. Eu sempre procuro manter a disciplina com relação aos meus horários. E também presto muita atenção aos sintomas, se me sinto cansado, corro para verificar a glicemia. O diabetes é uma doença complicada, mas não deve interferir na sua vida. Procure fazer esportes e tente levar uma vida disciplinada. Se você tem um sonho, faça como eu, siga atrás dele com muito empenho, dedicação e trabalho. Só assim seremos capazes de alcançar tudo o que almejamos."

   

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

“Amor Eterno Amor”: Novela perdeu a agilidade mostrada na estreia e há menos de um mês do fim as tramas continuam se arrastando sem causar impacto no público


Infelizmente, a autora Elizabeth Jhin parece ter perdido o fôlego mostrado nos primeiros capítulos de “Amor Eterno Amor”, novela das seis da Rede Globo que estreou no dia 5 de março. A história que começou com vários fatos se desenrolando de forma ágil e eficiente, aos poucos foi perdendo o ritmo. A partir da morte de Verbena (Ana Lúcia Torres), no capítulo que foi ao ar no dia 29 de março, quando ela pediu a Miriam (Letícia Pérsiles) e Clara (Karla Castanho) que ajudassem Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) a encontrar sua Elisa, a história estacionou. Praticamente todas as tramas continuam se arrastando sem causar impacto nem criar expectativa no público.
Faltando menos de um mês para o fim da novela, dia 7 de setembro, o romance contido de Rodrigo e Miriam até agora não atou nem desatou. A previsão é que ele finalmente resolva ficar com a jornalista no capítulo que vai ao ar no próximo dia 23. E assim mesmo continuarão escondidos, tentando desmascarar a falsa Elisa, que na verdade se chama Amparo (Mayana Neiva). Aliás, a farsante Elisa está há dois meses na história enganando todo mundo de uma forma bizarra. O sensitivo Rodrigo já domou leões e búfalos e não percebe que está cercado de cobras. Parece que não é só Tufão (Murilo Benício) de “Avenida Brasil” o sonso da vez.
E o que dizer de Melissa (Cássia Kiss Magro)? A vilã está desde o primeiro capítulo cometendo crimes, começando pelo sequestro de Rodrigo menino, e o único a conseguir assustar a vilã uma ou duas vezes foi nada mais nada menos do que um espírito, o de Zenóbio (Lucci Ferreira), o jovem assassinado por ela. Faltaram  e continuam faltando reviravoltas. Como em “Cheias de Charme”, em que até mesmo Chayenne (Cláudia Abreu) volta e meia se dá mal com suas divertidas e atrapalhadas maldades. E, de novo citando a novela das nove, como acontece com Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella), que tornam a trama agitada com seu revezamento na disputa de quem é a maior vilã da história.

Em “Amor Eterno Amor” há demora até na solução das tramas paralelas mais simples que nem interferem no vértice central da novela. É bem verdade que dizem que o tempo no universo, ou plano astral, não passa na  velocidade do que o daqui da Terra, mas não é porque o espiritismo é o forte do folhetim que tudo tenha que acontecer de forma tão arrastada. Pelo andar da carruagem, parece que vai ser mais um daqueles casos em que ficará tudo para ser resolvido apenas no último capítulo. O que geralmente acaba ficando tudo muito mal resolvido. Uma pena, pois a estética da novela é linda, com belas imagens, excelentes interpretações do elenco e as competentes direção-geral de Pedro Vasconcelos e fotografia de Sérgio Tortori.



terça-feira, 14 de agosto de 2012

“Chiquinha Gonzaga”: Susana Vieira faz a parte irreverente com depoimentos divertidos no “Reviva” que destaca a minissérie que está sendo reprisada no Viva

Susana Vieira, como geralmente acontece em qualquer programa de que participe, se encarregou de fazer a parte mais animada no “Reviva” dessa segunda-feira (13), no Viva, que teve como tema “Chiquinha Gonzaga”. Para falar sobre a minissérie que mostra a vida e obra dessa grande maestrina e está sendo reprisada mais uma vez pelo canal (a primeira foi em 2010), além de Susana, gravaram depoimentos Regina Duarte, Gabriela Duarte e o diretor Jayme Monjardim.

Gabriela interpretou a fase jovem de Chiquinha, e Regina a sucedeu na fase adulta e na velhice. Mãe e filha sempre se emocionam ao falar deste que é considerado por ambas como um dos mais importantes trabalho de suas carreiras. Acredito que uma vantagem do “Reviva” seja o fato de, por tratar de produções tão antigas, os artistas hoje ficarem mais à vontade para falarem sobre fatos e sensações que vivenciaram durante as gravações e que na época não revelavam.

No programa, Regina diz que se inspirou na própria filha quando chegou sua vez de incorporar Chiquinha adulta. “Eu assistia o trabalho dela na primeira fase, fiquei muito impressionada e procurei manter uma série de coisas que ela adotou na sua interpretação. Fiz meu trabalho em cima do trabalho que ela tinha criado. Ajudou muito eu recebê-la praticamente pronta das mãos da Gabriela”, confessou. A Chiquinha jovem, por sua vez, percebeu a cumplicidade na composição. “Eu assistia muito ela (Regina), por já ter acabado a minha parte. Fico orgulhosa de ter sido o fio condutor dela”, afirmou Gabriela.

Intercalados aos depoimentos, são mostrados trechos da minissérie e contadas curiosidades de sua produção. Como o toque charmoso de cada capítulo se encerrar com um cantor da MPB interpretando um sucesso de Chiquinha Gonzaga, mas com uma nova releitura. Participaram nomes de várias gerações, como Cauby Peixoto, Ângela Maria, Adriana Calcanhoto, Zé Ramalho. Destaque ainda para as 40 fotos do Rio de Janeiro do século XIX, registradas naquele período pelo fotógrafo Marc Ferrez. “Foi feito um trabalho de computação inédito na época, que era dar vida às fotos e imagens do Rio de Janeiro em movimento”, destacou Jayme Monjardim.

Já o segundo bloco foi praticamente dominado por Susana, que interpretou Suzette Fontain, dona do Alcazar, maior cabaré da corte, vivida por Danielle Winits na primeira fase da minissérie. A atriz lembrou que a Suzette jovem tinha uma pinta embaixo da boca, mas ela dispensou o tal sinal quando chegou sua vez de assumir a cortesã. “Ou seja, ela foi no Pitanguy e tirou a pinta em 1802”, divertiu-se Susana, citando o cirurgião plástico Ivo Pitanguy.

A atriz, de 69 anos, que namora o mágico Sandro Pedroso, de 28, também não deixou de citar o amor de Chiquinha e João Batista Lage (Caio Blat), que se conheceram quando a musicista tinha 52 anos e o garoto seu aluno, 16 anos. “Ela se apaixonou por um jovem muito mais moço, que ficou com ela até sua morte, com mais de 80 anos. Ou seja, existe amor entre diferentes idades, ela foi uma das precursoras e foi quando me inspirei para namorar uma pessoa com 25 anos, que hoje é meu amor. Você vê, a cabeça, a alma e o corpo têm que estar conservado. Por isso malho até hoje”, afirmou, rindo.

Na história, Suzette também era a maior rival de Chiquinha, pois ambas eram amantes de João, personagem de Carlos Alberto Ricielli. E Susana, que disse estar acompanhando a reprise no Viva, deixou no ar uma curiosa comparação entre suas experiências em tempos atrás e atuais. “Estou louca para rever as cenas que o Ricielli a despreza, porque são dramáticas, eu me arrastando pelo chão, nunca tinha feito aquilo na minha vida. Eu nem sabia como era se arrastar aos pés de um homem. Mas, se tiver que fazer isso hoje em dia, eu já sei como é”, concluiu, às gargalhadas. E, como trata-se de um depoimento e não de uma entrevista, a interpretação para tal afirmação fica por conta de cada telespectador.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

“Top Chef Celebridades”: Famosos entram em clima de reality show no desafio culinário do “Mais Você” e alguns mostram estratégia de jogo como se estivessem num "BBB"


Enquanto a Globo não se arrisca a fazer um “Big Brother Brasil” com o casting da emissora, Ana Maria Braga faz o seu “Top Chef Celebridades” no “Mais Você”, que, não por acaso, pertence ao núcleo de direção de Boninho. O quadro estreou nessa segunda-feira (6), mostrando clima de animação, mas também de competição entre os participantes. Estão na disputa pelo prêmio de R$ 50 mil e um carro zero quilômetro as atrizes Adriana Birolli, Milena Toscano e Dig Dutra, os atores Max Fercondini, Luís Salém e Sérgio Loroza, e o cantor brega Falcão. Como nas edições anteriores do “Super Chef”, feitos com anônimos, todos passarão por desafios culinários, serão submetidos a um júri e os dois que tiverem a menor pontuação a cada prova vão para a “panela de pressão”. E através de votação pela internet o público decide qual será eliminado.

Na estreia, a apresentação dos participantes foi feita com imagens de cada um na cozinha - que deveria ser a de sua casa, mas alguns usaram uma cozinha cenográfica – preparando um prato. Deu para perceber que Adriana, Milena e Max são os que têm mais intimidade com o fogão. E os que mais estão tentando se sobressair na disputa mostrando seus “conhecimentos culinários”. Loroza e Falcão são encarregados de manter o humor em fogo alto. Salém faz graça, mas percebe-se que ele está preocupado em também fazer bonito com as facas. E Dig é aquela participante que vai devagarinho, com simplicidade, mas entende de panela.

O melhor do quadro nessa terça-feira (7) foi quando eles estavam aguardando a hora de entrarem ao vivo no estúdio em uma sala com câmeras, mas sem saber que estavam sendo gravados o tempo todo, e começaram a agir como se estivessem num reality show. “Eu voto na Dig porque ela é uma pessoa maneira. Amo ela de paixão, mas infelizmente tem que votar”, falou Loroza, imitando as votações no confessionário do “Big Brother”. “Voto no Sergião por uma questão de afinidade. Ele não afinou ainda”, soltou Falcão, fazendo todos gargalharem. “O Brasil ‘tá’ vendo”, lembrou Salém, como fazem todos os participantes de realities.

As provas acontecem em um dia e são mostradas, juntamente com o resultado, na manhã seguinte. No primeiro desafio eles tiveram que provar, com os olhos vendados, diferentes alimentos e temperos e identificar cada um. O resultado foi mostrado no programa de hoje. Salém se divertiu ao ver que tinha chamado salsinha de chicória. Milena reclamou ao perceber que chamou lagosta de caranguejo: “Camarão e lagosta junto é sacanagem”, disse ela. “Mas têm texturas diferentes”, ensinou Fercondini, em tom professoral. Falcão, com seu inseparável girassol colado no jaleco de chef, levou na esportiva: “Eu conheço queijo, mas não sei os nomes”, explicou, por não ter especificado o parmesão da mesa. E Loroza, que julgava ser o menos conhecedor do grupo, acertou a maioria, ganhou a prova e imunidade na próxima. “Queria agradecer a minha mãe, meu pai e todo o povo”, disse ele, fazendo cara de choro, parodiando a “emoção” dos big-brothers.

Na prova seguinte, que será mostrada nessa quarta-feira (8), eles trabalharam em duplas, formadas no programa de hoje. Curiosamente, na hora da formação, Milena, que tinha à direita Salém e à esquerda Adriana, imediatamente pegou no braço do ator. Adriana, que era a última da fila, ficou sozinha. Falcão também sobrou no começo da fila, já que Dig, que estava a seu lado, elegeu correndo Fercondini, pegando até o ator de surpresa. A saída foi Falcão correr para o fim da fila e formar dupla com Adriana. Enquanto Loroza, que por estar imune não participa dessa prova, ficou só olhando.

Agora que os famosos realmente começaram a botar a mão na massa nos desafios culinários, será possível ver se eles estão “jogando” ou estão sendo “eles mesmos”. 
Uma coisa é possível constatar: se com uma simples competição como essa, na qual mesmo sem estarem confinados, mas se sentindo num reality show, alguns famosos já mostram suas estratégias e “afinidades”, imagino o que não fariam num “Big Brother”. Intimidade com Boninho já estão tendo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Vídeo Show": Novela estrelada por Susana Viera nos anos 80, “A Sucessora” é uma excelente escolha, se não for uma das melhores, a ser contada resumidamente no quadro “Novelão da Semana” do programa



Susana Vieira coleciona diversas personagens inesquecíveis ao longo de mais de 50 anos de carreira, mas, sem dúvida, Marina, de “A Sucessora”, exibida em 1978, tem um significado especial para ela. Não só por ter sido sua primeira protagonista, mas também por considerar “a novela mais linda da sua vida”. E para as novas gerações que não tiveram a oportunidade de assistir à trama de autoria de Manoel Carlos, ela estreou nessa segunda-feira (6) no “Novelão da Semana”, quadro do “Vídeo Show”. Através de um clipe de cenas, sob a narração de Ricardo Gonçalves intercalada com alguns diálogos dos personagens, em cinco dias é feito um resumão de toda a história.

No primeiro “capítulo” do resumão já se teve ideia do enredo: na década de 20, um viúvo milionário do Rio de Janeiro, Roberto Steen (Rubens de Falco) vai a uma fazenda comprar terras e, ao conhecer Marina (Susana), filha da proprietária, ambos se apaixonam à primeira vista. E despertam os ciúmes de Miguel (Paulo Figueiredo), que ama a moça, mesmo sem ser correspondido. Marina e Roberto se casam e vão morar na mansão dele no Rio, a então capital federal. Ao chegar, a nova senhora Steen se depara não apenas com um imenso quadro com a imagem da falecida mulher, Alice Steen, como também com Juliana (Nathalia Timberg), a misteriosa e malévola governanta.

O que na época precisou de vários capítulos para ser contado, com muito suspense, foi perfeitamente entendido em apenas cinco minutos. Fica até uma curiosidade quando, no fim do quadro, mostram a vinheta de "A seguir, cenas dos próximos capítulos". Além da comparação de como uma novela de época era feita há 34 anos atrás, é curioso perceber como, mesmo sem dispor de recursos tecnológicos mais avançados, a abertura de “A Sucessora” supera em elegância a muitas feitas atualmente, mostrando uma sequência de cartões-postais que remetiam ao romantismo dos anos 20. E a música “Odeon”, de Vinicius de Moraes e Ernesto Nazareth, encaixa-se perfeitamente na voz de Nara Leão.  

Em uma das entrevistas que fiz com Susana Vieira recordando alguns dos momentos mais significativos de sua trajetória, ela afirmou ter sido esse o seu melhor trabalho em novelas. “Fiz uma menina de 16 anos, eu já tinha 35 e convenci. Foi a primeira e única novela em que me entreguei tanto à personagem que confundia ficção com realidade. Eu tinha medo da Nathalia Timberg – que era a má da história – até no camarim. E me apaixonei pelo Rubens de Falco de verdade, a gente até namorou depois. Se daqui a 30 anos eu tiver que sentar para assistir a uma novela e ficar feliz vai ser ‘A Sucessora’”, afirmou Susana.

Diferentemente do “Vale a Pena Ver de Novo”, que reapresenta novelas através de um compacto dos capítulos, o “Novelão” não é uma reprise, mas sim uma forma de se usar uma narrativa ilustrada por imagens de arquivo para contar em uma semana a história de um folhetim, usando apenas suas partes principais, começando na segunda e terminando na sexta-feira.  A vantagem é que, por não exibir capítulos inteiros, novelas mais antigas estão podendo ser resgatadas.

Desde 28 de maio, quando o quadro estreou, já foram contadas resumidamente as novelas: “Tieta” (1989), “Brega & Chique” (1987), “A Gata Comeu” (1985), “Renascer” (1993), “A Viagem” (1985), “História de Amor” (1995), “Celebridade” (2003), “Cobras & Lagartos” (2006), “Estrela Guia” (2001) e “Pedra Sobre Pedra” (1992).

É torcer para que nas próximas semanas mais novelas dos anos 70, assim como está acontecendo com “A Sucessora”, ganhem a sua vez no “Novelão”, como “O Casarão”, de 1976, “Locomotivas”, de 1977, “Dancin’ Days”, de 1978, e tantas outras inesquecíveis, mas que dificilmente voltarão no “Vale a Pena Ver de Novo”.