segunda-feira, 5 de outubro de 2015

“Dança dos Famosos”: Falha no sistema de computação de votos e mudança nas regras decidida por jurados tira credibilidade de resultado na repescagem da competição


Uma falha no sistema de votação do público via SMS e pelo site do “Domingão do Faustão” na internet tumultuou completamente o resultado da prova de repescagem da “Dança dos Famosos”, realizada nesse domingo (4), ao vivo, na Rede Globo, no qual o ritmo foi Valsa. Avisado do problema no ar, em cima da hora de começar a divulgar os votos, Fausto Silva ficou atônito, cobrando satisfação dos integrantes da equipe do programa. A todo momento recebendo informações desencontradas, ora não haveria a soma do voto dos telespectadores, ora teria, o apresentador, sem pensar, acabou acatando a sugestão dos jurados de que fossem escolhidas três e não duas duplas para continuarem na disputa, como sempre aconteceu nas edições anteriores da competição.

Independentemente de quais foram os famosos salvos, no caso as atrizes Agatha Moreira, Françoise Fourton e Mariana Santos, e quais ficaram no grupo dos eliminados, no caso o ator Érico Brás, o apresentador Fernando Rocha e o judoca Flávio Canto, a questão é: foi justo mudarem a regra do jogo dessa forma apenas para agradar uma vontade manifestada principalmente pelo júri artístico, formado pelas atrizes Carol Castro e Giovanna Ewbank e pelo jornalista Artur Xexéo. No júri técnico estavam os bailarinos profissionais Lurdes Braga e Ivaldo Bertazo.

No geral, os seis casais fizeram uma bela apresentação, emocionaram, receberam elogios dos jurados e empolgaram a plateia. Na ordem, Flávio Canto dançou “Valsa do Imperador”, Mariana Santos “A Bela Adormecida”, Fernando Rocha “Danúbio Azul”, Agatha Moreira “Fascinação” e tanto Érico Brás quanto Françoise Fourton “Valsa das Flores”. Ou seja, todos fizeram por merecer serem salvos.

Tudo bem mudar a regra da competição. Mas é certo essa decisão caber ao júri artístico que, como o nome já diz, tem amizade com os famosos que estão dançando e que entre alguns é notoriamente sabido que as relações, pessoais ou profissionais, são mais estreitas? Então, como fica a vontade dos internautas? E pegou muito mal, de repente, aos 45 minutos do segundo tempo, a produção dizer que tinham conseguido computar o resultado de ligações por SMS e, inacreditavelmente, repetiu a mesma decisão do jurado e da plateia. Sei não, mas esse circo ficou bem mal armado.


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sábado, 3 de outubro de 2015

“A Regra do Jogo”: Com virada inesperada de Zé Maria, Tony Ramos surge como esperança de virar o jogo da novela, cuja partida não está animando a audiência


Quando Tony Ramos foi escalado para “A Regra do Jogo”, novela das nove da Rede Globo, antes mesmo de se querer saber qual seria seu personagem, a primeira coisa que vinha à mente era fazer uma gracinha do tipo “Ele vai entrar em cena perguntando: ‘É Friboi’?”. A piada, claro, era uma referência à marca do frigorífico do qual o ator é protagonista há meses em uma campanha publicitária exaustivamente veiculada na mesma emissora.

E quando se falou que ele interpretaria um vilão na novela de João Emanuel Carneiro, logo se buscou a lembrança de “Torre de Babel”, novela de Silvio de Abreu, de 1998, na qual Tony era Clementino, um bandido que chocou os telespectadores ao matar a mulher e o amante com uma pá. O autor jamais admitiu que houvesse mudado o rumo da história em função de uma possível rejeição provocada no público ao ver, como diria Fausto Silva, um “monstro sagrado” da TV conhecido por sua fama de exemplo de correção e perfeição na frente e atrás das câmeras encarnar um criminoso. 

Mas, curiosamente, Zé Maria, o presidiário fugitivo vivido por Tony parece ter se tornado a possível salvação de “A Regra do Jogo”, que vem decepcionando em termos de audiência e deixando a desejar em muitos pontos pela falta de ingredientes que realmente atendam ao gosto dos noveleiros de plantão. Desde que apareceu em clima de suspense no final do capítulo de sexta-feira (2), com esclarecimentos que surpreenderam nas sequências iniciais no capítulo desse sábado (3), como um membro oculto da facção criminosa da história, Tony ganhou um status na trama e parece ter criado no público a expectativa que faltava sobre as “cenas do próximo capítulo”.

É bem verdade que não só de mocinhos foi feita a trajetória do ator, mas, talvez seja justamente pela imagem de bom moço que o próprio ator tenta mostrar na vida real que cause alguma estranheza vê-lo fazer tipos de personalidade duvidosa sem que esteja simultaneamente embutido neles algum toque de humor ou ironia. Embora, como João Emanuel insiste em deixar no ar desde a estreia que na novela, nem tudo que parecer ser realmente é: os mocinhos podem ser vilões, e vice-versa. Então, esta pode ser apenas mais uma cartada no jogo em que o verdadeiro Coringa ainda está guardado na manga do autor.

O que se espera mesmo é que Tony Ramos venha sacudir esse jogo, cuja partida não estava despertando qualquer tipo de animação na torcida. E, com isso, ajude também a recuperar o potencial de Romero, personagem arqui-inimigo de Zé Maria, interpretado por Alexandre Nero, que perdeu totalmente o carisma desde que se tornou um bobão em cenas igualmente debiloide ao lado da forçada e caricata Atena (Giovanna Antonelli).


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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

“The Voice Brasil”: Estreia traz candidatos sem atrativos, jurados exagerados na ânsia de brilhar e edição acomodada na zona de conforto de repetir o que já foi visto antes


Começou bem fora do tom e sem ritmo a quarta temporada do “The Voice Brasil” que estreou nessa quinta-feira (1), na Rede Globo. Fazendo um trocadilho também infame, parece música de uma nota só. Não trouxe nada de diferente das temporadas anteriores. A única novidade é a substituição do sertanejo Daniel por outro sertanejo, Michel Teló, no corpo de jurados, ao lado dos mesmos Lulu Santos, Carlinhos Brown e Claudia Leitte. A primeira das cinco edições da Audição Às Cegas trouxe candidatos que não chegam a ser totalmente fracos, mas também não apresentaram atrativos que valorizassem a estreia. Faltou a eles mais voz e mais carisma. A exceção ficou por conta de Rebeca e Lorena, coincidentemente ambas interpretando canções brasileiras “Não Leve a Mal” e “Deixa”, respectivamente, e ambas já no time de Lulu.

Se os sete primeiros programas estão gravados, conforme Lulu revelou essa semana quando esteve no “Vídeo Show”, poderiam ter feito uma edição mais caprichada para a estreia. Aquela tentativa de fazer suspense para a entrada dos jurados no palco fez lembrar o mesmo clima na chegada de Roberto Justus em sua estreia como apresentador de “A Fazenda 8”, reality rural da Record. No quesito Exagerados, Claudia Leitte liderou, como sempre completamente over na ânsia de se sobressair forçando a barra tentando encarnar a femme fatale e querendo roubar a cena não apenas dos outros jurados como também dos candidatos quando estão se apresentando, exagerando nas caras e bocas. Enquanto Lulu Santos e Carlinhos Brown não ficaram atrás, mal conseguindo se conter dentro deles próprios, numa excitação descontrolada que não os deixava ficar sentados nas cadeiras. E para que aquela interação pessoal o tempo todo deles dançando e ficando cara a cara com os candidatos?

E o estreante Michel Teló fez jus ao título de Novo Daniel, só que acompanhado de sua sanfona. Descaradamente, ele veio fazer companhia a Claudia na espera de que um dos outros dois jurados aperte a luz vermelha que faz a cadeira virar para também aprovarem o candidato da vez. Chegou ao cúmulo de, para aprovar um participante que estava cantando uma música dele precisou fazer uma combinação com os outros três jurados para todos virarem a cadeira juntos. Nem ouviram direito o coitado cantar, comentando entre eles que a música já tinha sido gravada pelo Teló. Constrangedor perceber que, até chegar no refrão, Lulu, Claudia e Carlinhos não reconheceram que se tratava de um “sucesso” do novo companheiro de cadeiras.

Já o papel de apresentador de Thiago Leiffer se resumiu basicamente a ficar na coxia com os familiares dos candidatos e chamar os intervalos. E que falta de criatividade também para inovar no encerramento: de novo o quarteto cantando algum sucesso de um deles, no caso “Tudo Azul”, do Lulu Santos. Definitivamente, uma competição musical cujo formato é considerado um dos mais famosos nas televisões de todo o mundo merecia ter um padrão de qualidade bem superior em sua versão brasileira.


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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

“Pé Na Cova”: Série volta com humor ácido de Miguel Falabella, mas precisa aparar arestas de personagens que não funcionam

Ao inaugurar sua quarta temporada, o episódio dessa terça-feira (29) de “Pé Na Cova” já mostrou que o forte da série continua sendo o humor ácido, porém inteligentemente acessível de Miguel Falabella que, além de atuar, é responsável não só pela criação como também pelo texto final. Como não sorrir, não só por estar achando graça, mas por concordar plenamente com certas verdades declaradas de forma nua e crua, como na cena em que o psiquiatra aloprado Dr. Zóltan, vivido por Diogo Vilela, explica o porquê da filha de um paciente não permitir que o corpo do pai seja descongelado até que descubram a cura para sua doença. Quando Ruço (Miguel Falabella) pergunta do que ele morreu, Zóltan responde friamente: “Velhice”.

Marília Pêra no papel da ex-eterna-mulher de Ruço, continua sendo o Pé-de-Coelho de Falabella no programa. Não há como imaginar outra atriz interpretando uma mulher que vive com um cigarro entre os dedos de uma mão e um copo de gim na outra sem provocar no público pensamentos condenatórios à personagem. O que seria de “Pé Na Cova” sem uma Darlene representada por Marília? Até o timbre de voz e a entonação tem tudo a ver com o “espírito” da série.

Mas, não há como não perceber que o programa vem perdendo o timing das temporadas anteriores, quando as histórias eram focadas em situações que envolviam uma relação direta entre a funerária F.U.I. e o Irajá, bairro do subúrbio carioca onde é ambientada a série. A pretensão de se fazer algum tipo de crítica política através de Alessanderson (Daniel Torres) e do deputado Sebonetti (Marcelo Picchi) não está funcionando, tanto o texto quanto os personagens não convencem, e está diluindo a intenção central do episódio. A crítica acaba se voltando contra o próprio programa, já que algumas personagens flutuam em torno dos protagonistas de forma desnecessária, como acontece em muitas repartições públicas.

Talvez se as tramas dos episódios voltassem a se concentrar mais nos personagens principais, sem deixar de dar espaço para os tipos periféricos que realmente fazem a diferença no produto final, o clima continuasse “revigorado”, como nas primeiras temporadas. Afinal, entre vivos e mortos não há muito o que se mudar, ou estão vivos, ou estão mortos.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

“Verdades Secretas”: Quase duas décadas depois, o autor Walcyr Carrasco se utiliza mais uma vez do nome Angel, agora em uma personagem, em uma grande novela


Há tempos, quando terminava de assistir ao último capítulo de algumas novelas a primeira coisa que me vinha à mente era a frase de um diretor americano de cinema: “Não importa se a uma hora e meia inicial da história for ruim, se a meia hora restante for excelente vai ser considerado bom, ou até ótimo, porque será sobre as cenas finais que o público sairá do cinema comentando”. Em televisão essa teoria cairia por terra e a recíproca não seria verdadeira, nem mesmo tentando um “e vice-versa”, porque o telespectador não precisa trocar de sala se não for logo fisgado pela trama, basta mudar o canal e redirecionar sua audiência. Mas não foi essa frase que me veio à mente nessa sexta-feira (25), após assistir ao último capítulo de “Verdades Secretas”, novela das onze da Rede Globo. Porque, definitivamente, há tempos a telenovela, um dos principais, senão o principal produto da televisão brasileira, carece de histórias que realmente apresentem conteúdos que estejam à altura do grau de exigência do público. E aí não adianta vir com desculpa de horário ingrato, concorrência de TV por assinatura, internet e outras válvulas de escape. Quando o produto é bom, noveleiro compra e consome a qualquer hora, em qualquer lugar.

“Verdades Secretas” não foi um produto que se sobressaiu apenas por ser bom em tempos de carência de outros melhores na faixa nobre da emissora. Simplesmente se sobressaiu por, graças ao autor Walcyr Carrasco, a direção geral de Mauro Mendonça Filho, a um elenco que foi escolhido em algum momento em que o universo conspirou para que fosse o melhor, e à retaguarda de uma equipe que, na soma total, ofereceu aquilo que o público realmente quer ver: drama no limite suportável, sexo no limite aceitável, humor sarcasticamente inteligente, e uma ficção verdadeira, mas pontuada secretamente de uma realidade que mexeu com o imaginário.

Aliada à criação do autor está a direção primorosa de Mauro Mendonça Filho, além do trabalho irrepreensível de figurino, cenografia, iluminação, figurino, maquiagem e caracterização. É inegável a superação de Grazi Massafera que, após algumas tentativas infrutíferas de emplacar como atriz, conseguiu dar a volta por cima e vencer o desafio de interpretar Larissa, uma modelo que faz um voo sem escala da prostituição glamourosa ao mundo decadente das drogas. Mas deve-se destacar também o trabalho impecável realizado pela equipe de caracterização que, com certeza, teve boa parcela de “participação” no sucesso da personagem. Assim como Rainer Cadete, que passou por uma verdadeira transformação após ter feito um médico sério na novela “Amor À Vida”, em 2013, reapareceu irreconhecível e, explorando um lado mais leve por aparentemente dar a ideia de ser mais divertido, teve seu momento único como a “libélula” Visky.

Ainda sobre superações, Camila Queiroz fez sua estreia de atriz já como protagonista, desfilando pelo vídeo com uma segurança como se tivesse tantos anos de televisão quanto tem de passarela. A jovem simplesmente conseguiu seguir à risca a expertise do autor e ludibriar não só os demais personagens da história como também o próprio público até os momentos finais do último capítulo. Foi seu olhar demoníaco, toda pura vestida de noiva, que revelou a “dupla identidade” da Arletinha-Angel, que sempre esteve mais para anjo mau.

Mas, mesmo a novela tendo fechado com chave-de-ouro, ainda acho que o penúltimo capítulo que realmente foi de tirar o fôlego da primeira à última cena. Foi quando os anos de estrada, a experiência e o talento falaram mais alto. Como não se comover ao ver Eva Wilma no papel da alcoólatra dona Fábia agarrada a uma garrafa de whisky na janela de seu quarto numa clínica para idosos, tentando ainda se conformar com o fato de estar viva porque agora tinha a presença de seu “namorado escocês”? E Drica Moraes, no auge do ponto nevrálgico em torno do qual girou toda a história, com sua Carolina, que parece ter sido batizada com esse nome por causa da letra da música de Chico Buarque: “Carolina, nos seus olhos fundos, guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo...”? A atriz deu todas as diretrizes da trama no primeiro capítulo interpretando a mulher que acabava de descobrir a traição de seu primeiro marido, e brilhou no último ao, após descobrir que estava sendo traída novamente, agora pelo novo marido, e, o mais cruel, com a própria filha, assinou o veredicto cometendo o suicídio e desmascarou de vez todos que estavam à sua volta.

Indubitavelmente foi a mente criadora de Walcyr Carrasco que deu o pontapé inicial para que essa fosse uma grande produção. Ele é craque nisso! Ele é o verdadeiro Angel. Não por acaso Walcyr entrou para o universo dos grandes novelistas de forma incógnita, pelas mãos do mestre Walter Avancini, usando o pseudônimo de Adamo Angel para assinar “Xica da Silva”, novela de grande sucesso da extinta Rede Manchete exibida entre 1996 e 1997. Na época, ele não podia usar seu nome verdadeiro porque ainda era contratado do SBT. Ninguém sabia quem era aquele Adamo Angel que tanto estava incomodando a Rede Globo. E agora, quase duas décadas depois, ele se utiliza mais uma vez do nome Angel, para mostrar como se faz novela. Agora na Rede Globo.



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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

“A Fazenda 8”: Nova temporada é mais do mesmo das anteriores, a exceção de Roberto Justus imprimindo seu estilo próprio como novo apresentador do reality rural


A principal novidade na oitava edição de “A Fazenda”, reality rural da Rede Record que estreou nessa quarta-feira (23), foi mesmo a mudança de apresentador: sai Britto Jr., entra Roberto Justus. E o empresário já quis exibir o diferencial no seu estilo em relação ao do jornalista em um vídeo gravado exibido na abertura do programa ao vivo. Em uma versão tupiniquim dos filmes do agente 007, o mesmo mostrou o ex-apresentador de “O Aprendiz” no hangar de um aeroclube da capital paulista, usando terno e gravata e carregando uma pasta preta e embarcando em um helicóptero que o levaria até Itu, interior de São Paulo onde está localizada a sede da Fazenda. Ao desembarcar no meio do campo foi recebido por Clébis, o caseiro da propriedade que chega para buscá-lo dirigindo um trator e logo pergunta se ele vai vestido daquele jeito. Imediatamente, Justus troca de figurino e, de calça jeans, jaqueta e botas de couro, transforma-se em um apresentador do campo. Apesar de parecer ainda se adaptando ao teleprompter, pode-se dizer que está se saindo bem e mostrando que tem mais jogo de cintura para comandar disputas entre equipes. Pelo menos não tem a irritante mania de forçar um suspense desnecessário a todo o momento como fazia seu antecessor na função.

De resto, foi tudo mais do mesmo, começando pela chegada dos participantes chegando um por um na fazenda, tentando criar um clima de surpresa. Bobagem, a maioria dos nomes das subcelebridades já tinha vasado na mídia. O melhor foi a forma como cada um tentou parecer muito merecedor de estar ali. Trazido direto do túnel do tempo, o cantor Ovelha chegou dando uma risada forçada no melhor estilo Atena, personagem de Giovanna Antonelli na novela da Rede Globo “A Regra do Jogo”. Será que foi nele que a atriz realmente se inspirou? Sei não. A cantora e atriz Li Martins foi logo afirmando: “Eu quero mostrar pras pessoas que a gente é de carne e osso!”. Bom, primeiro “as pessoas” vão ter que descobrir primeiro quem é realmente essa “gente”. Ex-Panicat, Ana Paula tentou comover ao dizer, chorando, “ tentando realizar meus sonhos”. Não convenceu. E logo depois dela veio o modelo Marcelo Bimbi afirmando: “Eu sou homem e gosto de mulher!”. Então tá!

Teve outros que Justus fez questão de acrescentar algumas peculiaridades nos créditos das identificações de cada um. Como o caso do ator e cantor Douglas Sampaio, que o apresentador tentou refrescar a memória do público dizendo que ele era um ex-“Malhação”, referindo-se à novela da concorrente, e da ex-miss e modelo Rayanne Moraes, que ganhou do apresentador um reforço no título: “ex-mulher do Latino”. Resta saber se ajudou ou atrapalhou a vida dela. Na lista de “famosos” estão ainda a dançarina Carla Prata; o ex-jogador de futebol Amaral; a cantora Quelynah; a modelo Veridiana Freitas; a ex-nadadora Rebeca Gusmão; o modelo e apresentador João Paulo Mantovani; o músico gaúcho Edu K., que chegou se apresentando para os demais peões, com medo de não ser conhecido de ninguém ali.

Tem ainda a cantora e apresentadora Mara Maravilha, que veio com a clara intenção de causar e já começou a implicar abertamente com Thiago Servo, o cantor sertanejo que chegou na fazenda com olhos sonolentos garantindo que já ficou até três noites sem dormir, mas não sai da cama, o que irrita a baiana. E, por fim, o último a entrar, já com o programa em andamento, o ator Luka Ribeiro, que estava em stand-by para substituir algum convidado que não pudesse entrar. No caso, o impedido foi o ex-Polegar Rafael Ilha, que está respondendo a processo e não foi liberado pela Justiça.

Em relação a mudanças na casa, percebe-se que a decoração está menos rústica, embora a disposição dos ambientes continue sendo a mesma. E, pelo que se viu no segundo programa, nessa quinta-feira (24), quando aconteceu a primeira Prova da Chave, deu para prever que os desafios continuam criativos. Assim como os castigos, que continuam sendo verdadeiros testes de sobrevivência, como foi o caso de colocar três peões dormindo a semana inteira em uma baia ao lado dos cavalos. Mas é a partir de agora, que já acabou o clima de festa inaugural e todos começam a pegar no pesado, cuidando dos animais, da horta e dos afazeres domésticos que dará para se ter uma noção mais clara se a seleção dos candidatos ao prêmio de R$ 2 milhões foi acertada, ou não.


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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

“Mister Brau”: Nova série mostra falta de traquejo ao tentar se equilibrar na linha tênue entre um humor ironicamente simples e um escracho pedantemente forçado


Precedida de uma ampla campanha de marketing que contou com depoimentos de artistas do cenário musical, como Lulu Santos, Ivete Sangalo e Nelson Motta, “Mister Brau”, série da Rede Globo que veio ocupar o espaço deixado por “Tapas & Beijos” não fez jus a tanto estardalhaço feito antes de sua estreia na terça-feira (22). Talvez tenham errado a mão e exagerado a dose na divulgação prévia, com direito a Lázaro Ramos e Thaís Araújo baterem ponto em programas da emissora, como “Domingão do Faustão” e “Fantástico”, caracterizados e encarnando seus personagens, os famosos cantor Brau e sua mulher, empresária e bailarina Michele. E o que se viu no primeiro episódio foi o mesmo: uma falta de traquejo geral ao tentar se equilibrar na linha tênue entre um humor ironicamente simples e um escracho pedantemente forçado.

O resumo da história é simples: um casal de novos ricos deslumbrados com o dinheiro que estão ganhando com seus shows musicais e guiados pela pretensão de se julgarem celebridades, usa e abusa de tudo e de todos sem medir consequências. O primeiro episódio foi marcado pela chegada dos dois à mansão adquirida em um bairro de luxo, com direito a pagode na piscina reunindo os amigos, tão sem noção e fora da casinha quanto os anfitriões. E a dor de cabeça que isso causou no casal vizinho, o advogado Henrique, interpretado por George Sauma, que ultimamente vinha fazendo vários personagens no “Zorra”, e Andréia, entregue à atriz Fernanda de Freitas, que mal saiu de “Tapas & Beijos” e já está repetindo o mesmo papel da mulherzinha pegajosa, interesseira e chorosa, tal como Flavinha era com Djalma (Otávio Muller).

Lázaros Ramos e Thaís Araújo com certeza estão fazendo o que seus personagens pedem no texto de Jorge Furtado e seguindo as coordenadas da direção de Maurício Farias. E quem cuida da parte de se preocupar com o telespectador? Com todo respeito aos excelentes roteiros já escritos por Jorge Furtado, mas o desta estreia realmente patinou e não saiu do lugar. Tendo como pano de fundo o mundo das celebridades instantâneas do universo musical nacional e internacional, foram criadas situações querendo fazer alguma alusão de crítica a diferenças sociais e raciais, mas que não trouxeram nada de original e não conseguiram nem fazer rir, muito menos fazer pensar. A cena em que Mister Brau faz piadas que até seu advogado fica com cara de bobão sem achar graça é quase um espelho de todo o episódio. Quando terminou, ficou no ar a pergunta: “Era para rir?”.


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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

“Tapas & Beijos”: Série se despede com final feliz para Fátima e Sueli, enquanto Tavares rouba a cena em situações inspiradas no Show de Truman


Após cinco anos no ar, a série “Tapas & Beijos” encerrou a sua derradeira temporada no ar nessa terça-feira (15), na Rede Globo, com o mesmo astral e deixando o gostinho de quero mais que marcaram o episódio final das anteriores. Só que dessa vez parece ter sido definitivo. Não há qualquer previsão de Fátima e Sueli, a dupla de protagonistas brilhantemente defendidas por Fernanda Torres e Andrea Beltrão, respectivamente, voltarem a viverem novas aventuras num futuro próximo. Infelizmente, pois a série criada por Cláudio Paiva e com direção geral de Maurício Farias estava entre um dos raros programas de humor de qualidade na emissora.

O último episódio teve um pouco mais do vai-e-vem entre Fátima e Armani (Vladimir Brichta) e Sueli (Fábio Assunção) que sempre pontuaram a história do quarteto, mas também sempre com situações surreais que garantiam a originalidade de cada noite no ar. Dessa vez, as duas começaram o capítulo vestidas de noivas, prontas para casar com outros noivos, e com esse mesmo figurino foram até o fim, quando selaram a volta tão esperada para seus verdadeiros amores. “Sempre haverá Copacabana”, declarou Sueli, referindo-se ao bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde foi ambientada toda a série e que, com certeza, foi quase um personagem à parte. Para quem conhece as ruas principais que serviram de base para as gravações, como Rua República do Peru, Avenida Nossa Senhora de Copacabana e arredores da pracinha do Inhangá, era quase como um Jogo da Velha identificar qual esquina estava deslocada para que outra parte do mesmo quarteirão.

Essa quinta temporada também veio reafirmar a sintonia dos coadjuvantes, como Otávio Muller e Fernanda Freitas formando o improvável casal Djalma e Flavinha, o divertidamente mão-de-vaca Seu Chalita encarnado com perfeição por Flávio Migliaccio, e os amigos-quase-coloridos, ou não, PC, o dentista machão não muito convicto defendido por Daniel Boaventura, e o advogado chato e pegajoso Tavares, personagem de Kiko Mascarenhas que ganhou destaque na final ao assumir papel semelhante ao de Jim Carrey no filme “O Show de Truman”. Em uma cena externa, lá estava ele entregando as pessoas que faziam figuração como pedestre ou até dirigindo algum carro: “Nunca teve um dia normal nessa rua. Isso é coisa de televisão. O mundo aqui é manipulado”, alertava Tavares. A paródia com o cinema ficou mais clara quando Tavares, depois que PC vai embora com a dançarina de boate Lucilene (Natália Lage) e o deixa sozinho na rua, fica apavorado ao sentir que está sendo observado e filmado por uma câmera e sai correndo, como se estive fugindo dos olhares dos telespectadores. A sequência funcionaria perfeitamente para o desfecho de qualquer programa. Mas valeu também optar pela presença de Sidney Magal cantando o tema de abertura da série, dividindo o palco com todo o elenco em uma apresentação festiva. Embora não tenha sido uma saída muito original...


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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

“MasterChef Brasil”: Band peca ao tentar apresentar como sendo ao vivo prova final de reality culinário gravada previamente


A Band errou a mão no seu próprio cardápio ao dar a entender que ofereceria ao público uma final do “MasterChef Brasil” totalmente ao vivo nessa terça-feira (15) e na hora H servir um programa mezzo gravado mezzo direto dos estúdios da emissora. A estranheza começou a partir do momento em que Ana Paula Padrão apareceu para apresentar a final com exatamente o mesmo vestido e acessórios usados no programa da semana passada. Em seguida, os três jurados, Paola Carossella, Henrique Fogaça e Erick Jacquin, também surgiram com o mesmo figurino de quando aconteceu a prova que definiu o publicitário Raul e a produtora de eventos Izabel como finalistas. E a partir daí o pseudo-ao-vivo ficou comprovado: do estúdio da cozinha do programa com plateia, de repente, sem qualquer explicação, Raul e Izabel - que também tiveram o cuidado de repetir o visual, ela com a mesma bandana na cabeça - apareceram no mesmo espaço, só que sem plateia e com os familiares ocupando o mezanino. A explicação: após a semifinal os dois se enfrentaram na gravação da prova que decidiria o campeão. A pergunta: por que mentir dizendo que a prova seria feita com transmissão simultânea se na verdade apenas o anúncio do vencedor seria feito realmente ao vivo? E para que insistir numa farsa mal feita até o fim do programa, quando Izabel foi declarada a vencedora?

O despreparo para organizar um evento como esse foi percebido meia hora antes de o programa começar, quando naquele espaço antes ocupado para a “Prévia” com os melhores momentos da edição anterior, resolveu montar um palco para Preta Gil comandar um grupo de tuiteiros formado por figuras da emissora, como Milton Neves, e algumas subcelebridades das redes sociais. Vem cá, qual o sentido de levarem tuiteiros para comentarem sobre um programa gravado? Eles poderiam ter feito o mesmo, ou até melhor, de suas próprias casas. Aliás, o que foi Ana Paula Padrão, totalmente fora da casinha, dizer que só quem estava em casa saberia em primeira mão o nome do campeão pelo Twitter?

Em casa também poderiam ter ficado as pessoas que foram para a frente da Band participar das torcidas de Raul e Izabel. O desânimo da maioria era visível e constrangedor. E a decepção não foi menor para quem conseguiu entrar na emissora para ver da plateia tudo in loco e constatou que estava ali apenas para assistir a um telão. Não foi à toa que muitas se levantaram e foram embora antes de saber quem era o novo MasterChef. Aliás, onde estavam Preta Gil e seus companheiros tuiteiros após Izabel ser aclamada campeã?

É lastimável que tenha sido tão indigesta a produção para o gran finale da versão brasileira de um dos realities de culinária mais reconhecido no mundo. Afinal, sua realização como um todo teve muito mais acertos do que erros. A começar pela excelente seleção de candidatos que mostraram uma evolução não apenas como cozinheiros, mas também como pessoas ao longo da competição. E também pelo trio afinado de chefs jurados, que soube dosar muito bem a fama de mau, ingrediente essencial na receita original do formato, com peculiaridades que fazem parte de suas próprias marcas registradas. Como a sensibilidade do paulista Fogaça, que parece acarinhar os candidatos até mesmo quando grita. Não à toa foi ele que, na primeira seleção, foi quem chamou Izabel de volta por ter sentido que ela tinha algo a dizer e lhe deu o avental, passaporte para entrar no programa. Extremamente exigente, mas com seu jeito bonachão, o francês naturalizado brasileiro Jacquin rendeu momentos engraçados quando chamava a atenção da chinesinha Jiang. E a argentina Paola, com seu caminhar tramando as longas pernas à la Gisele Bündchen, também fez a diferença com suas expressões faciais que são um prato cheio a qualquer caricaturista, apesar de tecer opiniões que pareciam estar sempre em banho-maria, aguardando o veredicto do paladar de seus companheiros de bancada. Tanto que sua torcida evidente para Raul não pesou na balança para o resultado final. Felizmente para Izabel, que, na final do MasterChef Brasil, preparou um menu com inspiração bem brasileira.


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terça-feira, 15 de setembro de 2015

“Cúmplices de Um Resgate”: Novo folhetim infanto-juvenil conquista boa audiência com linguagem moderna, atuações competentes e estética alegre e contemporânea


Com a improvável missão de concorrer com o “Jornal Nacional”, da Rede Globo, e “Os Dez Mandamentos”, da Rede Record, “Cúmplices de Um Resgate”, versão brasileira de um folhetim mexicano exibido no SBT, não tem feito feio na audiência para os padrões da emissora desde que estreou, há um mês. Em sua estreia, em 3 de agosto, conseguiu até mesmo dividir a vice-liderança com a trama bíblica. Dirigida por Reynaldo Boury, a adaptação de “Cómplices al Rescate” está sendo escrita por Íris Abravanel, mulher de Silvio Santos que também assinou a autoria dos remakes de “Carrossel” e “Chiquititas”, e conta a história de Isabela e Manuela, irmãs gêmeas que foram separadas ao nascer. Uma ficou com a mãe biológica, pobre, e a outra foi criada por outra mãe, rica. Apesar de crescerem desconhecendo uma a existência da outra, ambas sonham se tornar uma cantora famosa e, por uma coincidência, acabam se conhecendo. Diante da semelhança gritante, decidem, em segredo, trocar de família. E aí vão se desenrolando as tramas paralelas da história.

Como já acontece em outras novelas infanto-juvenis do SBT, “Cúmplices de Um Resgate” explora o universo musical, mas mostra um aperfeiçoamento na estética visual mais contemporânea, com elementos ligados à era digital e computadorizada e temas que vão desde questões sociais até religiosas, estão lá o padre católico e o pastor evangélico ganhando mesmo espaço, o que tem contribuído para que a novela atinja um público de uma faixa etária mais abrangente, de crianças a adultos. O cuidado com cenografia, iluminação e sonoplastia também corresponde à escola que a emissora vem fazendo no gênero. Até mesmo figurino e maquiagem, que poderiam parecer exagerados apenas pela origem mexicana da história, justificam-se perfeitamente pelo lúdico de uma novela na qual animais “falam” entre eles e interagem com o elenco através de legendas em balões, como em histórias em quadrinho. E os clipes musicais, reunindo os personagens e pontuado por desenhos computadorizados reforçam o espírito lúdico da trama.

Em relação ao elenco, vemos atores bem dirigidos e cumprindo seus papéis corretamente. Destaque para Mira Haar, no papel de Dona Nina, avó das gêmeas, que vive situações de picuinhas engraçadas na feira com Fiorina, a italiana enfezada interpretada por Bárbara Bruno. E também para Tânia Bondezan, que está perfeita como a babá Marina. Juliana Baroni, que não deixa de ser a mocinha da história, tem se saído bem no esforço para convencer como Rebeca, a mãe da jovem protagonista. Já Duda Nagle ainda está deixando a desejar como Otávio, o mocinho da história. O ator parecia mais à vontade fazendo o arrogante bad boy de “Caminho das Índias”, atualmente sendo reprisada na Globo.

Mas, sem dúvida, a escalação acertada de Larissa Manoela para interpretar as gêmeas está contribuindo muito para valorizar a novela. A atriz-mirim “conversa” com as câmeras com desenvoltura e revela talento ao se dividir em duas personagens distintas como a mimada e rebelde Isabela e a doce e compreensível Manuela. Mais jogo de cintura ainda tem a menina ao ter que inverter os próprios papéis, ora fingindo ser uma e ora tentando enganar a todos sendo outra. Situação já vista em muitos folhetins, mas cuja tarefa geralmente é dada para gente grande. Apesar de ter apenas 14 anos de idade, já se apresenta como modelo, cantora, dubladora e atriz. A estreia na televisão foi aos 6 anos fazendo ela mesma na série “Mothern”, do GNT, meses após ter participado no teatro do espetáculo musical “A Noviça Rebelde”. Entre outros trabalhos estão interpretar Dalva de Oliveira adolescente na minissérie “Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor”, em 2010, na Rede Globo, e um ano depois estava no cinema vivendo a Guilhermina do filme “O Palhaço”, dirigido e protagonizado por Selton Mello. Também dublou a voz de Narizinho na série de desenho animado “O Sítio do Picapau Amarelo”, produzida pela Mixer e pela Globo. Há três anos no SBT, a atriz-mirim já se destacou integrando o elenco das novelas “Corações Feridos” e “Carrossel” e da série “Patrulha Salvadora”. Agora se apresenta como uma aposta promissora da teledramaturgia da emissora. E ajuda a fazer de “Cúmplices de Um Resgate” uma séria concorrente de “Chiquititas” ao título de melhor folhetim infanto-juvenil do SBT.


Mais sobre novelas mexicanas no SBT em:
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2013/05/analise-sucesso-de-tres-novelas.html


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

“I Love Paraisópolis”: Há quatro meses no ar e depois de superar audiência de “Babilônia”, novela das sete mantém médias mais altas do que “A Regra do Jogo”


Assim como incomodou o autor Gilberto Braga quando superava a audiência de “Babilônia”, agora “I Love Paraisópolis”, novela das sete da Rede Globo, repete o feito superando por várias vezes consecutivas o ibope de “A Regra do Jogo”, a nova trama do horário nobre da emissora, de João Emanuel Carneiro, em sua segunda semana no ar. Então, é bobagem usar como justificativa para a queda de audiência de qualquer novela o crescimento da internet, a TV por assinatura e outras tantas desculpas que também já estão para lá de ultrapassadas. Ou será que apenas a trama das sete está imune a essas tantas outras formas de concorrência?

Essa “imunidade” talvez se explique pelo fato de “I Love Paraisópolis”, escrita por Alcides Nogueira e Mário Teixeira, ter praticamente os mesmos elementos explorados nas tramas do horário nobre, porém tratados de uma forma mais leve, mais acessível e, por que não dizer, mais digerível. Estão lá a favela, os bandidos, as traições, as falcatruas, assim como também estão os dramas - alguns sérios, como é o caso do Alzheimer da personagem de Nicette Bruno - os romances, as relações familiares e de amizades, que variam de brigas a afagos que só valorizam cenas típicas do cotidiano, traduzidas também através de diálogos inteligentes e perspicazes, simples e nem por isso rasos.

Até mesmo o “tom acima” que Letícia Spiller dá a sua Soraia, que se justifica pelo perfil melodramático e vulnerável ao extremo da personagem, não chega a ser algo que incomode muito, pelo fato de não ter gestuais ou tiques desnecessariamente repetitivos. Até mesmo Tatá Werneck soube “baixar a bola” ao perceber que sua Pandora não era o umbigo da história e logo aprendeu a coloca-la na sua devida casinha e a respeitar o quadrado dos demais personagens. Contribui ainda para o bom resultado as direções geral e de arte e a iluminação corretas e autores que escrevem para todos terem seu momento de destaque em algum momento da trama, não privilegiando determinados atores, mesmo contando com a participação especialíssima de Lima Duarte no elenco.

No mais, as tramas continuam se desenrolando, apresentando situações sempre novas nas quais problemas vão surgindo e sendo solucionados de forma rápida, sem se perder nas famosas e tediosas “barrigas”. Nem mesmo o improvável quadrilátero amoroso formado por Grego (Caio Castro), Marizete (Bruna Marquezine), Margot (Maria Casedavall) e Benjamin (Maurício Destri) caiu na mesmice e vem tendo situações inusitadas para mostrar as idas e vindas necessárias entre os casais para tentar criar suspense sobre quem fica com quem. Tem até Margot grávida de Ben, que está noivo de Marizete, sendo paparicada por Greco... 

Fato é que “I Love Paraisópolis” completou nessa sexta-feira (11) quatro meses no ar, ultrapassou seu capítulo de número 100, ou seja, já se aproxima da previsão inicial de se encerrar no 154, sem causar estardalhaço nem “bombar” nas redes sociais, mas está cumprindo a missão fundamental de uma novela: conquistar o grande público. E conquistar o grande público, nesse caso, significa ter audiência. Qualquer outro produto que seja considerado mais refinado e que pode se dar ao luxo de ser exibido em qualquer horário até mesmo ingrato pode se vangloriar de não atingir o grande público, mas ser considerado de qualidade. Esse tipo de orgulho pode até parecer plausível diante de minisséries, seriados, casos especiais, não é tolerável, no entanto, quando se trata do gênero telenovela.


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