sábado, 25 de abril de 2015

Angélica e Luciano Huck pecam ao tentar parecer casual um link que une seus programas e no ar fica claro ser armado


Essa ideia de fazer um link direto do “Estrelas” com o “Caldeirão do Huck”, experimentado pela primeira vez nesse sábado (25), e que a intenção é que se repita a partir de agora toda semana na Rede Globo, pode ser um tiro pela culatra. Na estreia do projeto, Luciano Huck vestiu o avental do programa de sua mulher, Angélica, e foi fazer uma receita de macarrão. A surpresa (?), que a apresentadora fingiu não ter conhecimento, é que o prato seria servido para a plateia do programa dele, que entrou no ar imediatamente. A armação ficou clara quando o casal de apresentadores saiu de um programa e entrou no outro com os pratos nas mãos. Para que fingir que é “surpresa”? O público não é bobo e tem inteligência suficiente para perceber essas jogadas de gravações que se apresentam como sendo ao vivo. Fica feio.

Aí rolou uma votação dos 415 pratos servidos para a plateia, se foi aprovado ou não, através da maquininha distribuída aos presentes. Luciano não sabia da votação, quem chamou foi Angélica. Como assim? Não era ela que não sabia que a comida seria para a plateia? E sabia da votação? O prato foi aprovado por mais de 70% dos que comeram a cumbuquinha com o tal macarrão. Mas a expressão da maioria não mostrava ter apreciado tanto assim. Nas redes sociais, soube-se que estava frio e sem gosto. Sobre a temperatura, eles deveriam ter deixado o macarrão em panelões, no fogo baixo, e a plateia ter feito fila para ser servida lá fora. Essa coisa de servir dentro do estúdio, apenas para fazer o link de um programa para o outro, é claro que não daria certo. Ninguém merece comer macarrão frio. Muito menos estando em uma plateia com a missão de garantir a animação do programa.

No mais, Ana Maria Braga, com sua sinceridade e autenticidade, valorizou o “Estrelas” dessa edição. A apresentadora, Ana Maria, como sempre, coloca todos no bolso com suas décadas de estrada, experiência de vida, força e garra para vencer desafios e críticas contrárias. Mas o “Personal das Estrelas”, com celebridades como Viviane Araújo e Anitta dividindo a cena com personal anônimo, nada acrescentou de novo. É mais uma cópia adaptada do muito que tem sido feito em outros programas, inclusive no próprio “Caldeirão”. Já Huck não quis mexer no time que vem ganhando: continua investindo no sucesso do “Lata Velha”, no que faz muito bem, já que é um quadro que sabe emocionar com sua superdose de realidade. E, também com o “Saltimbum”, no qual busca aquele público sedento da presença de celebridades em cena para dar audiência.

Agora é esperar como Angélica e Huck, na próxima semana, vão resolver esse compromisso de apresentar essa simbiose entre “Estrelas” e “Caldeirão do Huck” sem que isso não acabe se transformando numa extensão da campanha publicitária da Perdigão que o casal protagoniza e leva o título de Família Huck.

Mais "Caldeirão do Huck" em:
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2013/03/caldeirao-do-huck-mae-sufoca-magoas-e.html


terça-feira, 14 de abril de 2015

“Os Experientes”: Interpretações de Beatriz Segall e João Cortês e direção ágil para roteiro sensível marcam estreia da série


“A velhice é como uma sombra que vai cobrindo a pessoa, devagarinho...”, diz uma narração cobrindo a abertura do episódio “O Assalto”, que marcou a estreia de “Os Experientes”, sexta-feira (10), na Rede Globo. E a grande estrela dessa primeira história de uma série de quatro ficou por conta de Beatriz Segall, numa interpretação magistralmente emocionante e contidamente dramática. A seu lado, João Cortês, até então conhecido por ser garoto-propaganda ruivo de uma operadora de telefonia, não se deixou intimidar e mostrou talento diante da grande atriz.

Na história, seus personagens, Yolanda e Kléber, veem seus destinos se cruzarem durante um assalto a um banco onde a idosa senhora está fazendo uma transação e o jovem, que faz parte da quadrilha, acaba sendo deixado para trás pelos outros dois comparsas. Em meio às negociações com a polícia, ela, como médica, acaba se envolvendo com a história do ingênuo aprendiz de assaltante baleado enquanto trata do seu ferimento. E revela seus próprios dramas do passado.

A linguagem cinematográfica tensa deixa clara a assinatura de Fernando Meirelles na direção geral, ao lado de Gisele Barroco e também do criador da série, Quico Meirelles. Assim como já se viu em outras produções no cinema, como no filme “Tropa de Elite 2”, o episódio de estreia teve seu momento de crítica ao fazer uma paródia de programas policiais sensacionalistas da televisão, como “Brasil Urgente”, da Band, e “Cidade Alerta”, da Record, mostrando a transmissão do assalto ao vivo, conduzida por um apresentador histriônico e uma repórter esbaforida e inconveniente na ânsia de entrevistar as vítimas e o assaltante.

Com roteiro de Antônio Prata e Marcio Alemão, o programa não poderia ter título mais adequado, já que a ideia é tratar de um tema delicado que é o envelhecer, não apelando apenas para o lado sombrio, mas sim dando luz à ideia de que é possível se descobrir ou se reinventar nessa fase da vida. “O Assalto” deu uma mostra clara de que não é apenas o público adulto que será tocado, como os mais jovens também terão motivo para repensar a forma como tratam os mais velhos. Como nas sequências em que o desesperado Kléber chama Yolanda de “véia” e repete várias vezes que ela “não sabe nada da vida”. Enquanto a emocionada senhora está ali, dando a ele uma verdadeira lição de vida.


Outra série da nova programa de 2015:
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2015/04/chapa-quente-ingrid-guimaraes-e-leandro.html 

domingo, 12 de abril de 2015

“Chapa Quente”: Ingrid Guimarães e Leandro Hassum acertam o tom na dobradinha em nova série da Globo


Estreia de quinta-feira (9) na Rede Globo, “Chapa Quente” teve a árdua missão de ocupar um espaço na grade da emissora que durante anos foi campeão de audiência com a excelente “A Grande Família”, o que pode ter frustrado muitos órfãos da turma encabeçada por Lineu (Marco Nanini) e Nenê (Marieta Severo). Mas, fugindo de qualquer tipo de comparação, a nova série que gira basicamente em torno das aventuras e desventuras da cabeleireira Marlene, interpretada por Ingrid Guimarães, não deixou a desejar, já que teve muitas situações que cumpriram o objetivo de qualquer comédia: fazer rir. Ou, ao menos, sorrir.

À frente do elenco também estão Leandro Hassum, no papel de Genésio, o marido folgado e desempregado de Marlene, e Tiago Abravanel vivendo Fran, o assistente do Salão Marlene’s. Hassum, mais magro, eliminou peso mas não perdeu o tempo da comédia. Claro que está mais contido nas caretas exageradas que fazia em “Os Caras de Pau”, até porque a proposta agora é outra. E Tiago, apesar dos personagens sérios que já fez em novelas e da personificação de Tim Maia nos palcos, sempre deixou no ar seu potencial para o humor. Já Ingrid é sempre Ingrid Guimarães. Mas ela pode, pois consegue imprimir sua marca de forma sempre divertida. E sua dobradinha com Hassum promete. Afinal, individualmente os dois são campeões de bilheteria nos cinemas.

Renata Gaspar teve seu momento de destaque como Josy, a manicure noiva de um traficante que tem um caso com um policial. Mas a cereja do bolo no primeiro episódio foi mesmo a participação especial de Tonico Pereira irretocável na pele de um fiscal da prefeitura que aparece para multar o salão de Marlene, numa discreta homenagem à “Grande Família”, na qual o ator interpretava o hilariante Mendonça.

Ambientada no em São Gonçalo, município na região metropolitana do Rio de Janeiro, “Chapa Quente” tem a direção afiada de José Alvarenga Jr., conhecido por já ter dirigido comédias de sucesso como “Sai de Baixo”, “Os Normais” e “A Diarista”, entre outras. E o texto do também craque no gênero Claudio Paiva é naturalmente coloquial e temperado com pitadas de piadas sobre a realidade atual do país, como quando ironiza serviços públicos e política. A sensação é de que estamos ouvindo nossas próprias falas em conversas com amigos, como no diálogo entre Marlene e Fran: “Você acha que está fácil arrumar emprego no Brasil?”, pergunta a dona do salão de beleza, referindo-se ao marido desocupado. “Ué, liga pra Dilma, você não votou nela? De repente ela encontra um emprego pra ele. Tá assim de Genésio em Brasília”, responde Fran. Também muito factual a cena em que o sargento Bigode (Lúcio Mauro Filho) e seu subordinado, Noronha (Eduardo Estrela), aparecem “filando” comida no bar da Creuza (Ana Baird). É o que mais se vê nas ruas de qualquer cidade, na hora do almoço, viaturas estacionadas próximas a esses estabelecimentos e policiais saindo deles com suas quentinhas “de graça”.

Se a audiência não chegou a atingir índices satisfatórios, com apenas 17 pontos de média, é preciso lembrar que a série pega o horário com um ibope também aquém do desejado de “Babilônia”, que nesse dia registrou média de 25 pontos, bem abaixo do esperado para uma novela do horário nobre. Resta esperar para ver se haverá uma reação e se a chapa vai esquentar mesmo no segundo episódio.


Para lembrar Análise de outras séries de humor da Rede Globo:
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2013/06/analise-das-series-de-humor-que.html

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sobre teledramaturgia: Não adianta querer fazer revolução ideológica e misturar conceitos que não são tratados com o devido respeito nem mesmo na vida real


Não sou cem por cento saudosista ou nostálgica, mas, de vez em quando bate, sim, uma saudade de um tempo em que assistir a novelas era uma espécie de “viagem” em que buscávamos ao menos na ficção um momento de sonhar com uma realidade que poderia não ser a ideal, mas minimamente mais compatível com aquilo que almejávamos atingir também fora do ar. O que me levou a escrever sobre esse tema é o que tenho visto no ar em “Babilônia”. Não é questão de censura. Que os novelistas continuem tendo liberdade para escrever o que e da forma que quiserem. Mas os índices de audiência apontam o tempo todo que já vivemos épocas de histórias melhores. E não adianta jogar a culpa pelo desempenho insatisfatório no ibope às novas tecnologias, dizer que hoje tem internet, TV por assinatura etc e tal. Por um tempo a internet pode ter roubado muita audiência da televisão. Mas, a partir das redes sociais isso também mudou. O que mais se vê hoje são comentários sobre os programas televisivos sendo feitos nas redes sociais simultaneamente enquanto eles estão sendo exibidos. Com direito a fotos feitas diretamente do vídeo. Assim como a TV por assinatura tem um nicho próprio que já não abastecia os canais abertos antes.

Não tem a ver com modernidade. Se assim fosse, os dramalhões mexicanos não seriam mais exibidos e reprisados à exaustão no SBT. Tem a ver com uma linha dramatúrgica coerente com o gênero folhetim, mantendo a qualidade e não desrespeitando totalmente o telespectador que, esse sim, é o verdadeiro termômetro de qualquer novela. Não adianta vir querer fazer revolução ideológica e misturar numa mesma trama uma parafernália de elementos e conceitos que ainda não encontraram o melhor caminho de serem tratados com o devido respeito nem na vida real, como acontece em “Babilônia”. Não acho que a ficção tenha que fechar os olhos à realidade. Em qualquer estudo mais aprofundado que se faça do gênero, lá no seu início fala-se e exalta-se a importância da função social que, espera-se, não lhe falte. Essa tal função social, no entanto, não deve ser confundida com uma parafernália de temas, como personagens que sofrem preconceitos, seja racial, social ou de condição sexual, misturados a tipos marginalizados, psicopatas e de caráter duvidoso.  Quando o enredo se restringe ou dá evidência demasiada a essas tramas vira um caldeirão em que fica difícil identificar a história central. Se é que ela existe.

O resultado dessa forma que se acha irreverente de querer “escrachar na cara da sociedade” ou de “escrachar na cara da família tradicional” através de uma novela pode ter como resposta do público um simples gesto: o de trocar de canal. É a liberdade de cada um agir e a liberdade do outro reagir. Que esses temas sejam tratados, sim, com liberdade, mas também com bom senso, e que não se tornem protagonistas de todo o enredo. Ou, acabarão sendo engolidos e regurgitados pelos noveleiros de plantão que realmente esperam assistir a uma história que retrate as suas realidades, mas traga inserida nela momentos lúdicos e de emoção, porque é para isso também que servem os folhetins. Ou não?

Mais de "Babilônia" em: 
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2015/04/babilonia-capitulo-investe-em-sequencia.html 


quinta-feira, 2 de abril de 2015

“Babilônia”: Capítulo investe em sequência de situações envolvendo sexo e deixa no ar qual é o verdadeiro foco da história


Parece que “Babilônia”, novela das nove da Rede Globo, está investindo em uma espécie de festival de libido. Foi o que se viu no capítulo que foi ao ar nessa quarta-feira (1), em que o que predominou foi uma sequência de cenas de sexo, concretizado ou insinuado. Logo no primeiro bloco, na continuação do encerramento do capítulo anterior, viu-se Beatriz (Glória Pires) quase ser flagrada ao trair o marido, Evandro (Cássio Gabus Mendes), com Pedro (André Bankoff), no banheiro da casa do casal em Angra dos Reis, onde acontece uma festa. E nem por isso ela deixou de concretizar o ato com mais um de seus amantes.

No mesmo evento, o cafetão Murilo (Bruno Gagliasso), chega com duas de suas prostitutas, sendo que uma delas, Helô (Carla Salle), faz programa com pai e filho, Evandro e Guto (Bruno Gissoni), respectivamente, e Inês (Adriana Esteves) se insinua para Carlos Alberto (Marcos Pasquim), com a ajuda de Beatriz. Entre uma transa e outra, houve diálogos como o de Evandro dizendo para Pedro e Carlos Alberto que faz sexo todos os dias, mas quando era mais jovem fazia três vezes por dia. E, para encerrar, Beatriz, a compulsiva por sexo, assediou Diogo (Thiago Martins), sem nem imaginar que ele é filho do ex-amante que ela assassinou no capítulo de estreia.

Ah, no mesmo capítulo ainda teve Luís Fernando (Gabriel Braga Nunes), o marido infiel que pega todas, e Karen (Maria Clara Gueiros) se agarrando no meio da casa e dizendo que estavam indo para o “quinto tempo” na cama, além de Ivan (Marcelo Mello Jr.) dispensando o aluno Rafael (Chay Suede) na praia, para encontrar um paquera que passava por ali.

Ou seja, qual é o “gancho” para que algo de novo na história aconteça no capítulo dessa quinta-feira (2) que não seja apenas relacionado a quem vai transar com quem? Espero que os seguintes tragam expectativas mais consistentes, como aconteceu na semana de estreia. No fundo, esse capítulo investiu numa sequência de situações envolvendo relações de sexo e deixou a desejar sobre qual é o verdadeiro foco da história.





Mais "Babilônia" em:
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domingo, 29 de março de 2015

"Big Brother Brasil 15": Muitos não admitem que assistem, mas nas vezes que viu deve ter identificado atitudes e comportamentos de alguém que circula pelo prório universo


Ok, não vou repetir o óbvio nem requentar uma discussão que começou a se esboçar há 15 anos e de lá para cá não saiu do lugar comum. Estou falando sobre o "Big Brother Brasil". Com certeza eu também não vou falar nenhuma novidade. Quem tem tal pretensão está caindo no mesmo ledo engano que caem os prováveis possíveis candidatos que são escolhidos para tal jogo. Aqui, ali ou acolá ninguém tem razão, ninguém é dono da verdade, ninguém é original. Porque as pessoas se repetem, as histórias de cada um valem um filme, sim, mas isso não é privilégio de ninguém e não existem verdades absolutas. Cada um tem a sua verdade, a sua história, que conta ou oculta conforme a situação.

Mas, deu vontade de escrever sobre o que tenho visto. Nessa edição, sem dúvida, houve uma preocupação em se buscar perfis inusitados para serem misturados aos perfis corriqueiros. A maioria dos corriqueiros já saiu. Poucos inusitados ficaram. E aí, o público vai dar o prêmio ao melhor. Ou não... Confesso que esse papo de votos "auditados" por tal e qual empresa não me convencem.

Enfim, não vou repetir aquele papo de intelectualóides de plantão que na ânsia de falar sobre um reality show ficam discorrendo filosoficamente para não assumir que assistem ou já assistiram, sim, esse tipo de programa. E é nesse tipo de programa que identificamos qualidades e defeitos com os quais convivemos no nosso dia-a-dia. É a verdade e a mentira escancarada ou disfarçada sorrateiramente. É a pessoa que um dia diz uma coisa e no outro se esquiva dizendo que "não disse" ou "não lembra que disse". Pior ainda ainda é quando finge não lembrar de algo que fez.

Muitas pessoas podem não acompanhar ou não admitir que acompanham ou já assistiram ao "Big Brother Brasil", mas com certeza, em alguma vez que assistiu, "por acaso",  deve ter identificado atitudes e comportamentos de alguém que circula pelo seu próprio universo, seja no meio familiar, seja no grupo de amigos, seja no ambiente de trabalho... Ou não???

Na boa, para se criticar alguma coisa, programa ou seja lá o que for, a pessoa tem que ter algum conhecimento sobre o mesmo. Então, esse papo de que nunca viu não cola. Se nunca viu, não tem embasamento para comentar! Se viu, assuma que viu! Isso dará maior credibilidade à opinião manifestada.

Essa décima quinta edição está trazendo um personagem ímpar: Adrilles! Uma pessoa que, literalmente, pira ao se ver confinado em meio a jogadores natos que já entraram com uma história pronta a ser contada. Por mais preparado que supostamente julgasse estar, Adrilles é o personagem mais perdido e autêntico em uma história onde o que vale é o merchan. Mas não confio que vá muito longe. Até porque, há 14 anos me decepciono com o resultado do "BBB".
Será que vai ser diferente dessa vez?


Mais "Big Brother Brasil" em:
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domingo, 22 de março de 2015

“Babilônia”: Com texto excepcional e temas atuais, primeira semana divide o público entre amor e ódio por relação homoafetiva entre mulheres na terceira idade


Em apenas uma semana no ar, “Babilônia”, nova novela das nove da Rede Globo, já conseguiu o que outras não conseguiram nem em meses: despertar sentimentos de amor e ódio no público, ambos com a mesma intensidade. De autoria de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, a história mescla cenas fortes, texto contundente e situações polêmicas. Logo na estreia, na segunda-feira (16), já se viu Beatriz, em mais uma interpretação magistral de Glória Pires, matando com um tiro a sangue frio o amante para escapar da chantagem feita por Inês, vivida por Adriana Esteves, que promete se superar depois da sua marcante Carminha de “Avenida Brasil”. Ponto para as duas atrizes que prometem viver um duelo de titãs, como ficou comprovado durante a semana, não apenas pelo talento de ambas, mas também pelo texto primoroso dos autores. Como não se deliciar quando Inês fala: “Você sabe o que é ser advogada num país sem Justiça?”. E, em outro momento, é a vez de Beatriz afirmar com ironia: “O bom advogado é o que conhece as leis. O excelente advogado é o que conhece os juízes!”. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Ainda no primeiro capítulo, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg protagonizaram um beijo na boca, já que suas personagens, Teresa e Estela, respectivamente, formam um casal da terceira idade assumidamente vivendo uma relação homoafetiva. O que mexeu com a ala mais conservadora ou menos preparada para ver na prática o que tem ouvido só na teoria ou ainda que não aceita que esse tipo de condição sexual não é uma invenção das novas gerações.

Fora essa polêmica (?), o que vale mesmo é que a novela no seu todo traz críticas sociais e políticas claramente expostas através da maioria de suas personagens. Não é nem preciso ir muito longe para se encontrar na vida real exemplos semelhantes a Aderbal Pimenta, o político corrupto vivido por Marcos Palmeira. Nem de cafetões disfarçados de príncipes que circulam pela capital carioca como é o caso de Murilo, personagem de Bruno Gagliasso, que, diga-se de passagem, ainda está muito preso ao seu perfil em “Dupla Identidade”. Camila Pitanga também poderia buscar um tom que não torne a sua Regina, que tem tudo para ser uma mulher forte diante do que já viveu e continua vivendo, em uma mocinha boba que aceita tudo com um sorriso congelado porque quer passar a imagem de que é muito legal morar na favela e ser mãe solteira da filha de um homem casado que a enganou. No caso, Luís Fernando, vivido por Gabriel Braga Nunes, que está se repetindo ao dar ao personagem nuances de Leo, trabalho que marcou sua volta à Globo em “Insensato Coração”. Já Sophie Charlotte deixou para trás a Duda do remake de “O Rebu” e voltou repaginada na pele da Alice Junqueira, filha de Inês que promete ainda causar muito. A atriz não deixou a dever em nada nos embates que teve até aqui com Adriana Esteves. A cena do aborto espontâneo da personagem foi realizada com a delicadeza indispensável ao momento.

Em termos de direção geral e de arte, iluminação, figurino e cenografia, a novela ainda não trouxe nenhuma grande inovação, mas tem sabido aproveitar muito bem todas as locações, tanto nas imagens iniciais feitas em Paris, na França, e em Dubai, nos Emirados Árabes, quanto nas sequências cotidianas em bairros e praias do Rio de Janeiro e, especificamente, na favela Babilônia, localizada no bairro do Leme, Zona Sul carioca. Felizmente não optaram pelo óbvio de colocar como tema da abertura a música “Rio Babilônia”, de Jorge Bem Jor, nem “Babilônia Rock”, de Fernanda Abreu, ou “Jardins da Babilônia”, de Rita Lee. O samba “Pra Que Chorar”, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, cantado por Mart’nália, encaixou perfeitamente. Mais um dos muitos pontos a favor. Aguardando os próximos capítulos que, esperamos, ainda venham nos surpreender, assim como continuamos pedindo que esse (novo?) Brasil mostre sua cara.





domingo, 15 de março de 2015

“Império”: Cenas de ação e emoção e com interpretações magistrais coroaram o último capítulo da novela de Aguinaldo Silva


O último capítulo de “Império”, novela das nove da Rede Globo, exibido na sexta-feira (13) e reprisado no sábado, deixou no ar a sensação de se estar assistindo à estreia de uma história terminando, mas que foi concluída como se estivesse começando. O recurso utilizado pelo autor Aguinaldo Silva de encerrar com uma aparição no melhor estilo ghost na cena final pode até ter virado motivo de meme na internet, mas não foi uma inovação. O mesmo já foi muito utilizado no cinema para o público ficar em dúvida sobre o verdadeiro final do filme. Assim como matar o protagonista maior, Zé Alfredo, numa interpretação irretocável e excelente de Alexandre Nero, também não foi um marco. Afinal, Aguinaldo foi mais um a repetir o gesto ousado e inédito de Janete Clair, há exatamente 40 anos, quando matou Carlão, personagem de Francisco Cuoco, na versão original de “Pecado Capital” (1975).

Muito mais do que mostrar desfechos de tramas paralelas, evidenciou características humanamente compreensíveis de cada personagem, inerente de serem qualidades ou defeitos. O autor soube fazer isso de uma forma sutil, mas através de atitudes e reações viscerais. E valeu mesmo o turbilhão de ações que pontuaram o capítulo final, dando o devido destaque aos personagens principais e a oportunidade de seus intérpretes darem um verdadeiro show em cena, como foi o caso de Othon Bastos, Caio Blat, Leandra Leal, Carmo Dalla Vechia, Tato Gabus e Zezé Polessa. Sem falar na oportunidade dada às atrizes Dani Barros, a Lorraine, e Viviane Araújo, a Naná, de mostrarem que souberam agarrar com garra a oportunidade que lhes foi dada. Já falar de Lilia Cabral seria chover no molhado. A atriz já tem garantida sua posição na galeria de grandes damas de novelas.
No mais, discorrer sobre os 203 capítulos seria tão cansativo como são aqueles períodos de “barriga” das novelas. Rei morto, rei posto, vamos agora rumo à “Babilônia”.


Mais "Império" em:
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sexta-feira, 13 de março de 2015

“Sete Vidas”: Com texto e direção refinados, além de elenco afinado, novela das seis traz amadurecimento digno de horário nobre


Depois de um passeio pelos anos 70, embalado pelo som e visual da época mostrada em “Boogie Oogie”, “Sete Vidas”, que estreou na segunda-feira (9), já mostrou em sua primeira semana que os tempos são outros e que chegou a vez de o horário das seis ganhar uma história com jeito de gente grande na Rede Globo. De autoria de Lícia Manzo e Daniel Adjafre, a novela vem mostrando a cada capítulo um texto maduro, diálogos bem elaborados sem cair no trivial das conhecidas frases de efeito e tramas bem costuradas, encerrando cada bloco de forma inteligente, deixando o famoso “gancho”, que deixa no telespectador o desejo de saber o que virá depois. O toque retrô ficou apenas nos detalhes das imagens do clipe de abertura ao som de “What A Wonderful World”, de Louis Armstrong, cantada por Tiago Iorc.

Conta a favor o elenco enxuto e muito bem escalado, com Débora Bloch e Domingos Montagner numa sintonia que fez o público ficar torcendo pelo casal Lígia e Miguel logo nas primeiras cenas. Espera-se, no entanto, que com o afastamento dos dois, devido a uma falsa morte do biólogo, eles não acabem caindo naquela batida mesmice de amores mal resolvidos que se arrastam até o último capítulo.

Destaque também para Malu Galli interpretando Irene, uma mulher forte, segura e preocupada com a irmã, Lígia, e para Cláudia Mello, que, no papel da sofrida Guida, já deixou no ar a deixa de que conhece o grande segredo de Marta (Gisele Fróes). Certamente tem a ver com a real paternidade de Júlia (Isabelle Drummond) que em algum momento será revelado para permitir que a jovem possa viver um romance com Pedro (Jayme Matarazzo), de quem ela pensa ser meia irmã.

Sem grandes malabarismos dramatúrgicos, os principais ingredientes para um bom folhetim estão lá. E a receita ainda tem a mão de Jayme Monjardim na direção geral. As imagens captadas na Patagônia Argentina não só mostraram com riqueza o ambiente formado por geleiras, icebergs e animais marinhos, como traduziram bem a emoção da viagem feita pela equipe para registrar as cenas. As sequências do acidente com o barco de Miguel sob uma tempestade em alto mar, que foram ao ar nos capítulos de quarta e quinta-feira, apesar de serem de ação, tiveram o tempo, o som, as cores e a suavidade característicos da assinatura de Monjardim. Agora é torcer para que os próximos mantenham a qualidade e o ritmo vistos nesses primeiros capítulos.




domingo, 8 de março de 2015

“Boogie Oogie”: De volta aos anos 70, novela conclui viagem com competência evidenciada em texto, atuação do elenco e cuidado da direção em todas as áreas


O autor Rui Vilhena carimbou com visto de ouro a viagem feita aos anos 70 em “Boogie Oogie”, novela das seis da Rede Globo que chegou ao fim nessa sexta-feira (6). A história trouxe ingredientes já vistos em folhetins tradicionais, como troca de bebês, homens infiéis, mulheres traídas sedentas de vingança, entre outros, mas realizada de uma forma eficaz, dando ao corriqueiro um toque clássico. A ideia de fazer um desfecho que remeteu a situações semelhantes às do capítulo de estreia foi bem elaborada, sem cair na mesmice e encerrando cada bloco com ganchos, como aconteceu nos finais dos capítulos ao longo da novela.

O lance do mistério envolvendo o grande segredo de Carlota, brilhantemente interpretada por Giulia Gam, também é um trunfo ao qual a maioria dos autores se apega em suas novelas, mas nem todos conseguem manter o fôlego de não deixá-lo cair no lugar comum, como fez Rui Vilhena, com as investigações flutuando ora com um personagem, ora com outro.

Destaque para a excelente caracterização, que engloba figurinos, acessórios, cabelos e maquiagens, e também para a direção de arte e cenografia, minuciosa nos detalhes de época. Assim como para a trilha sonora escolhida a dedo e que embalou tanto os saudosistas daquela época quanto a nova geração que só agora tomou contato com sons como o tema de Sandra (Ísis Valverde) e Rafael (Marco Pigossi), “Your Song”, música composta por Elton John no final dos anos 60 e lançada em 1970.

A sintonia existente entre todos no elenco com certeza foi sentida na entrega de cada um a seu personagem. Bianca Bin, que já tinha se saído bem como vilã no remake de “Guerra dos Sexos”, em 2012, dessa vez se superou como Vitória, uma menina mimada má, mas também com demonstrações de humanidade que tiveram seu ponto alto no final, ao ser a heroína salvando Sandra, sua maior rival na disputa pelo amor de Rafael. Assim como foi o caso de Alessandra Negrini, que fez de sua Suzana uma mulher muito mais irresponsável e destrambelhada do que mesmo maquiavélica, quase incorporando sua marcante Engraçadinha.

Delícia também foi ver o reencontro de Betty Faria e Francisco Cuoco em cena. Não teve como não recordar do par romântico que fizeram na primeira versão de “Pecado Capital”, em 1975, como Lucinha e Carlão, respectivamente. E, para concluir a viagem em grande estilo, foi divertida e tudo a ver com toda a novela a ideia de reunir o elenco se esbaldando na pista de dança da Boogie Oogie. Isso após Carlota ter recuperado as jóias escondidas no túmulo do falecido marido bandido e partido sozinha para a Europa deixando uma carta que encerrava com a emblemática frase que justificou toda sua trajetória: “Dane-se o amor!”.




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

“Felizes Para Sempre?”: Autor mexe com o imaginário do público ao expor questões tabus, mas que fazem parte da realidade


Sexo, drogas, traições, traumas, segredos, maracutaias... Com esses ingredientes, a primeira semana de “Felizes Para Sempre?”, minissérie da Rede Globo que estreou na segunda-feira passada, 26 de janeiro, obteve uma audiência tão satisfatória que a emissora promoveu até uma maratona no fim de semana, exibindo os cinco episódios na íntegra através de seu site oficial. A história, de autoria de Euclydes Marinhos, é uma releitura de “Quem Ama Não Mata”, outra série escrita pelo mesmo autor e exibida em 1982 em 20 capítulos. Mas, se na anterior os conflitos atingiam cinco casais distintos, agora eles são quatro e fazem parte de uma mesma família. Alguns temas são recorrentes, como esterilidade, falta de diálogo, mentiras, violência... A forma de retratá-los é que mudou, seguindo os novos tempos e a maneira como cada um lida com suas questões íntimas. E o autor está mexendo com o imaginário do público ao expor questões que poderiam ser consideradas tabus, se não fizessem elas parte da realidade moderna.

Prevista inicialmente para ser ambientada em Niterói (RJ), o autor acertou ao levá-la para Brasília (DF), cenários pouco explorados e que só corroboram para as tramas em que prevalece a sede de poder em todas as esferas. Enrique Diaz, no papel de Cláudio, o rico empresário envolvido em negociatas políticas, vive um momento singular em sua trajetória na televisão, marcada até então por personagens na maioria das vezes apenas sérios ou mal encarados e que não lhe permitiam discorrer pelo universo da sedução. O ator está provando que merecia essa chance há tempos.

Sensação dos primeiros episódios, Paolla Oliveira reforça sua vocação para protagonista interpretando várias mulheres em uma só, como a garota de programa de luxo Danny Bond, ou apenas Denise. A atriz está esbanjando sensualidade em cenas extremamente eróticas. Mas é preciso ressaltar também que o apelo do público também foi muito resultado da bissexualidade da personagem, que tem uma namorada, mas também transa com homens e suas mulheres. E acaba se apaixonando por Marília, mulher de Cláudio, que vive um casamento decadente, sem diálogo, sem sexo, e está sendo brilhantemente interpretada por Maria Fernanda Cândido. É preciso todo um trabalho interior de composição para encarnar uma restauradora de arte, recatada pela educação em colégio de freiras, passou pelo trauma de perder um filho de 5 anos afogado na piscina de casa e, a partir daí, viu seu relacionamento com o marido literalmente naufragar. Justiça seja feita, Maria Fernanda merece destaque por mostrar com serenidade a batalha que sua personagem trava consigo mesma na tentativa de desabrochar para uma nova realidade.

Da mesma forma vale destacar a interpretação de Selma Egrei, defendendo com elegância os desejos da professora Norma, uma mulher na terceira idade casada com um ex-delegado, Dionísio (Perfeito Fortuna), e cortejada por um rapaz bem mais jovem do que ela. Assim como o trabalho de João Miguel como Hugo, um engenheiro viciado em sexo que não concorda com as falcatruas de seu cunhado Cláudio, busca refúgio para suas frustrações na bebida e ainda descobre que é estéril e, portanto, não é o pai biológico do filho que tem com sua mulher, Norma, a cirurgiã plástica que faz de tudo para ascender profissionalmente, vivida por Adriana Esteves. O ator, que recentemente protagonizou a série “A Teia” como o delegado Jorge Macedo, também vem mergulhando fundo e com talento no drama pessoal desse novo trabalho.

O roteiro de Euclydes Marinho, escrito em parceria com Denise Bandeira, Ângela Carneiro e Márcia Prates, é impecável. Em muitas cenas, as personagens não precisam nem de texto: elas falam através apenas do gestual. Feito conseguido também graças ao trabalho de direção, dividida por episódios entre Fernando Meirelles, Paulo Morelli, Luciano Moura e Rodrigo Meirelles. E o resultado final conta ainda com o excelente trabalho de direção de arte, fotografia e iluminação.

Agora é aguardar os próximos capítulos dessa última semana...