terça-feira, 12 de março de 2013

“Jornal Nacional”: Telejornal pisa na bola ao privilegiar apresentadora, desrespeitando mais de uma década de dedicação de repórter correspondente do Vaticano


Ilze Scamparini não é tratada como celebridade como acontece com Glória Maria, ambas da Rede Globo. São duas repórteres de primeiro escalão do jornalismo da emissora que construíram suas carreiras principalmente pela garra e competência. Mas Ilze poderia ter sido tratada com um mínimo de gratidão pelos seus quase 15 anos de dedicação como correspondente no Vaticano. De origem italiana, e mesmo que não fosse, a repórter manifesta paixão e entrega no que faz. Causou estranheza e até antipatia o “Jornal Nacional” ter enviado Patrícia Poeta para o Vaticano para fazer o anúncio do novo Papa.

É no mínimo uma falta de consideração com a jornalista que dedicou mais de uma década de sua vida a cultivar fontes, estudar e conhecer os preâmbulos do Vaticano, de repente ser relegada a segundo plano para deixar brilhar uma apresentadora caída de paraquedas. No "Jornal Nacional" dessa terça-feira (12), foi visível a diferença de comportamento e o desconforto entre as duas quando apareceram juntas no vídeo. Patrícia Poeta, toda trabalhada no figurino de inverno, usava até luvas de couro, diante de uma Ilze sem exageros de proteção, perfeitamente adaptada ao clima local.

Ilze deu suas informações, sempre completas, sempre bem apuradas, sem voltar os olhos para uma Patrícia sem graça e visivelmente incomodada de não estar sendo bajulada por uma repórter. Repórter essa atuando em seu próprio território. Confiante, consciente, segura de sua competência. Coisa que faltou à apresentadora, preocupada apenas em estar bonitinha e na moda.

“Mulheres Ricas”: Segunda temporada, com elenco fraco, chega ao fim com Valdirene Marchiori escancarando que no fundo ela queria mesmo ser Narcisa Tamborindeguy

Narcisa Tamborindeguy, definitivamente, não pode faltar em nenhuma edição do “Mulheres Ricas”, caso a Band continue insistindo nesse formato que, apesar do nome, é de gosto extremamente duvidoso. A socialite carioca foi a única da primeira temporada que foi chamada para o elenco fixo da segunda, dessa vez ao lado das paulistas Andréa Nóbrega, Mariana Mesquita e Cozete Gomes e da capixaba Aeileen Kunkel. O último episódio, que foi ao ar nessa segunda-feira (11), fez uma espécie de entrevista coletiva das “ricas” para a imprensa e depois se encerrou com um show de Leonardo. As farpas rolaram soltas o tempo todo.

Narcisa, é claro, chegou à coletiva atrasada e roubando a cena ao presentar suas colegas com um livro, uma biografia do ator Reynaldo Gianecchini, escrito pelo namorado gela, Guilherme Fiúza. Val Marchiori, que acabou sendo chamada para uma participação especial, diante do pouco potencial das outras quatro estreantes, não foi presenteada.  “Eu nem sabia que a Val estaria aqui”, alfinetou Narcisa, numa indireta de que a outra não é do elenco, mas sim faz apenas uma participação.

Por morar em São Paulo, onde acontecem as gravações, até Val teve mais oportunidade de comparecer a todos os eventos, diferentemente de Narcisa. Mas seu jeito exageradamente esnobe e seus irritantes “Hello” soam falso e já causaram. Ela não passa de uma personagem dela mesma que não se recicla. Ao menos os “Ai, que loucura” da Narcisa sempre têm variações, como ela mostrou ontem mais uma vez ao se referir ao grupo gritando: “Ai, que falsidade” e “Ai que mulheres falsas”.

Val nem disfarçava que tentava pegar carona na fama da carioca, o tempo todo tentando ficar ao lado dela. E Narcisa fugia sempre, trocou até de lugar na plateia do show de Leonardo, para ficar longe da loura, que tinha tentado sentar a seu lado.

Das outras mulheres, Andréa até se esforçava para ter destaque, mas lhe falta classe. Aeileen estava mais preocupada em se lançar cantora, mesmo não tendo o principal atributo para tal: voz. Mariana não deu qualquer sinal de riqueza, querendo mais mostrar sua rotina familiar com o filho. E Cozete assumiu muito mais um papel de observadora das outras: “É visível como a presença da Narcisa incomoda a Val”, constatou a empresária. Andréa também deu pitaco sobre a batalha clara travada entre as duas: “A Narcisa é autêntica, não precisa (fingir), ela é necessária”, brincou a atriz. “É o Diabo e o Espírito Santo. E como o Espírito Santo sempre vence o diabo, então a Narcisa venceu”, complementou a ex-mulher de Carlos Alberto de Nóbrega. 

E a contar pela escassez de candidatas realmente ricas dispostas a esse tipo de exposição, já dá para imaginar quem virá na terceira temporada, caso ela seja feita.



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segunda-feira, 11 de março de 2013

“Fantástico”: Programa se aproxima dos 40 anos mostrando desgaste e sem vigor, competência e seriedade que justificavam ele ser chamado de “show da vida”



Prestes a completar 40 anos no ar, no dia 5 de agosto, o “Fantástico” está cada vez mais desgastado e dando mostras de ter perdido não só o vigor como também a preocupação em ser realmente um “show da vida”. O programa dominical da Rede Globo criado por uma equipe capitaneada por Boni, que tinha nomes como Manoel Carlos, Armando Nogueira, Augusto Cesar Vanucci, Borjalo e Ronaldo Boscoli, cabeças “pensantes” nos anos 70, não é mais o mesmo de quatro décadas atrás. E o que se viu na edição desse domingo (10) comprova que a mudança não foi para melhor.

Na semana em que a morte de Alexandre Abrão, o Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., mereceu homenagens na maioria dos programas da emissora, a direção do “Fantástico” parece ter se dedicado a fazer uma espécie de reverência a Sônia Abrão, apresentadora da Rede TV!, prima do músico, que recentemente foi alvo de galhofa até de Fausto Silva. “Vai trabalhar com a Sonia Abrão”, afirmou o apresentador do “Domingão do Faustão”, após um erro de sua equipe. Se Sônia é considerada sensacionalista, não menos foi o “Fantástico” ao exaltar apenas uma entrevista “reveladora” com a ex-mulher do cantor, contando o que quase todos já sabiam, ao falar sobre a morte do cantor.

Não bastasse esse descaso com a notícia que mereceu destaque em toda programação durante a semana, o “show da vida” se encerrou com uma reportagem exaltando a volta de Alexandre Pires como vocalista do Só Pra Contrariar para uma turnê do grupo. A matéria mereceu até um clipe relembrando o “sucesso” “A Barata”, responsável pela popularidade do músico. De fantástico o programa não tem mais nada.


domingo, 10 de março de 2013

“Altas Horas”: Divertido e sem apelar apenas para a emoção, programa faz uma das melhores homenagens a Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr.



Serginho Groisman conseguiu um plus na homenagem que o “Altas Horas” fez na madrugada desse domingo (10), na Globo, a Chorão, o vocalista da banda Charlie Brown Jr., encontrado morto na madrugada da sexta-feira (8). O programa fez um mix de reverência emotiva e, ao mesmo tempo, divertida, ao reunir no palco do programa, entre outros, parte da família Suplicy, formada pelos músicos Supla, João e o patriarca, o senador Eduardo, sem falar nos Reis, que reuniram os cantores e compositores Nando e seus filhos, que trilham a mesma trajetória do pai, mas com visuais bem mais certinhos, Tico Santa Cruz e Raimundos. Foi bem bacana também o clipe em que se pode rever vários momentos de Charlie Browm Jr. no palco do "Altas Horas".

O programa ainda teve uma participação-relâmpago de Miguel Falabella, que estava lá mais para divulgar sua peça atualmente em cartaz do que qualquer outra coisa. Chorão diria “Deixe viver, deixe ficar, deixe estar como está”. E ignoraria tal presença. Assim como teve um padre, Juarez, totalmente deslocado do contexto, que não fez a menor diferença. Ambos devem ter ficado meio injuriados de terem feito apenas figuração, quando estão acostumados a, literalmente, “rezar a missa” e "conduzir o rebanho".

Para mim, Falabella e o tal padre não fizeram falta. O senador Eduardo Suplicy, como sempre, mostrou que seu jeito de ser é aquele mesmo até diante dos filhos. "É o ritmo dele, a gente tenta acompanhar", brincou João. E Nando Reis, com sua banda, foi pego de surpresa quando seus filhos, Theodoro e Sebastião, chegaram para cantar com ele "Luz dos Olhos". Pego de surpresa, Nando se emocionou e mostrou seu lado paizão, orgulhoso de seus meninos estarem ensaiando os primeiros passos como cantores. "Estava desconfiado, mas não esperava isso", disse o cantor. No geral, foi uma das homenagens mais divertidas, sem apelar apenas e unicamente para a emoção, feitas até agora. 

sábado, 9 de março de 2013

“Lado a Lado”: Novela chega ao fim correspondendo à expectativa criada desde a estreia de mostrar texto, iluminação, direção, interpretação, figurino, cenário e demais áreas irretocáveis no todo da obra

“Então me diga, mãe, quem perdeu?”. A frase dita por Laura (Marjorie Estiano) diante de Constância (Patrícia Pillar), valeu mais do que qualquer sequência feita no tribunal de um júri condenando a baronesa por todos os seus crimes no último capítulo de “Lado a Lado”, novela das seis da Globo que chegou ao fim nessa sexta-feira (8). A história ambientada em 1910, misturando ficção com fatos históricos, tocando em temas como escravatura, racismo, as falcatruas tanto da monarquia quanto da república, a discriminação da mulher, encerrou-se resumindo tudo em poucas palavras ditas em frases como essa. “Não se dê tanta importância”, foi outro golpe dado por Bonifácio (Cássio Gabus Mendes) à mesma Constância.

Sem dúvida, a altivez de Constância, que terminou “cheirando a saco de batatas”, não foi perdida nem quando foi humilhada por todos. “Eu vou ser sempre uma baronesa”, sentenciou ela, sacramentando que sem dúvida caberá a Patrícia Pillar os próximos prêmios de melhor intérprete de vilã da televisão. Após ser desmascarada por Assunção (Werner Schünemann), como a moralista que na verdade era uma mulher ardilosa, falsa, maquiavélica e adúltera, perdeu as vestes finas e foi obrigada a usar o uniforme de empregada para por o jantar para o marido, esperava-se até ouvir o senador decretar: “Me serve sua vadia!”, no melhor estilo Rita (Débora Falabella) para Carminha (Adriana Esteves) em “Avenida Brasil”.

Talvez seja repetitivo, mas é sempre necessário exaltar o texto irretocável dos autores João Ximenes Braga e Claudia Lages, o trabalho da equipe de direção capitaneada por Dennis Carvalho, a iluminação irretocável da equipe do diretor de fotografia Walter Carvalho, o cuidado dos figurinos, das maquiagens e caracterizações, a trilha sonora corajosa em incluir músicas modernas e de diversos ritmos em uma trama de época, e a interpretação apaixonante, ousada e ao mesmo tempo sutil de todo o elenco, sem exceções.

Particularmente, achei os penúltimos capítulos mais emocionantes e impactantes. As cenas de Albertinho (Rafael Cardoso), primeiro diante do filho bastardo Elias (Cauê Campos), depois diante da mãe flagrada por ele com seu melhor amigo, foram tocantes. As imagens de Laura jogada na solitária de um sanatório foram de uma qualidade e dramaticidade dignas de cinema. E Berenice (Sheron Menezes) ser escorraçada duas vezes: pelo marido pobre e pelo amante rico, acabar morrendo ao cair num buraco no morro dizendo que estava indo “voar alto para Paris”, foi impagável.

No último capítulo deixou um pouco a desejar o discurso feito por Edgar (Thiago Fragoso), ao entregar o prêmio de melhor jornalista do ano a Paulo Lima, ou seja, a Laura. Foi curto e raso. Poderia ter sido mais impactante. Mas valeu a brincadeira de Laura ter dito: “E o prêmio de melhor marido vai para... Edgar”, numa referência à frase clichê dita até hoje na entrega do Oscar, prêmio criado 17 anos depois, em 1927.

Foi bem pensado encerrar com a tela dividida pela imagem da favela de época da ficção e outra do Rio de Janeiro dos tempos atuais. Assim como foi nostálgico fazer uma homenagem a histórias de outras épocas que também se utilizavam do recurso de exibir no fim um clipe com os principais personagens da trama, em situações aleatórias, sob o tema musical da abertura. Essa “volta ao tempo” ganhou até um toque de originalidade, já que ultimamente virou lugar comum encerrar as novelas com o show de algum cantor ou grupo musical cantando algum tema da trilha sonora, para todos os envolvidos na produção diante das câmeras “confraternizarem” com aqueles que trabalham fora do ar, numa alegria que podeser fictícia ou real...


Mais "Lado a Lado" em:

http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2012/09/lado-lado-novela-de-epoca-surpreende-em.html 

http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2013/02/lado-lado-fotomontagem-de-cena-parece.html

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“Caldeirão do Huck”: Mãe sufoca mágoas e tristezas e sem fazer teatro emotivo diante das câmeras dá exemplo de equilíbrio e firmeza para tentar salvar filho das drogas

Voltar a repetir que Luciano Huck se superou em mais um quadro comovente no “Caldeirão do Huck”, como aconteceu nesse sábado (9), é repetitivo e poderia ser até desnecessário. Mas a reportagem que o apresentador fez na Rodoviária Tietê, em São Paulo, teve uma personagem que chamou muito mais a atenção: a mãe de um dependente químico que Huck conheceu no meio de uma multidão no terminal, durante a gravação. O jovem tentou enganar a todos contando mentiras sobre sua história de vida. A produção do programa correu atrás e após encontrar a mãe e a irmã dele, descobriu a verdade: aos 18 anos, ele já se drogava desde os 13, vivia nas ruas e não procurava a família, que mora no interior, como havia dito.

No encontro promovido por Luciano Huck entre a mãe, a irmã e o jovem, o que se viu foi uma mulher sofrida, que estampava no semblante sinais de já ter passado situações impossíveis de se imaginar. Ela já tinha tentado recuperar o filho, internou-o numa clínica, onde ele continuava se drogando. Diante das câmeras no encontro-surpresa, o jovem, com olhar perdido, fala arrastada e comportamento confuso, admitiu que roubava a própria mãe para comprar drogas. Sabe-se lá a que ponto de agressão a ela não deve ter chegado na obsessão e desespero nos momentos de abstinência.

A postura da mãe, que foi implacável com o filho e o colocou contra a parede para assumir a responsabilidade de decidir se aceitaria ou não a ajuda do programa para se internar e tentar mudar seu destino, merece elogio. “Se você quiser se curar eu estou do seu lado, mas nesse caminho das drogas eu não te acompanho”, afirmou ela. Alguns podem ter considerado essa atitude fria. Eu considerei lúcida, equilibrada e nitidamente difícil para ela de assumir. É claro que cada caso é um caso, mas só ela sabe o que já passou e soube dar um tapa nas costas do filho para ele ir para frente e não ficou apenas passando a mão na cabeça, ajudando-o a se afundar cada vez mais. 

Sem falar que em nenhum momento ela demonstrou pensar nos cinco minutos de fama que poderia ter ali, não se debulhou em lágrimas nem posou de vítima diante das câmeras.  Pelo contrário, até disse que se Luciano Huck tivesse levado o jovem para tentar ganhar R$ 30 mil no palco, como era a proposta inicial, o destino do dinheiro seriam as drogas. Um exemplo de desapego ao dinheiro e de sacrifício dos próprios sentimentos e das próprias emoções em nome da recuperação do filho. A oportunidade dada ao jovem valeu muito mais pela mãe do que por ele próprio. E o apresentador teve sensibilidade para perceber isso. 




Mais "Caldeirão do Huck" em:


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“Salve Jorge”: Núcleo policial e judiciário estão deixando muito a desejar com falhas triviais nos comportamentos da delegada e do principal advogado da novela das nove



Alexandre Nero não deve ter tido muita dificuldade de passar do truculento motorista Baltazar de “Fina Estampa” para o inescrupuloso advogado Stênio de “Salve Jorge”. Enquanto o personagem da novela de Aguinaldo Silva, exibida em 2011, um homem humilde, usava sua falta de educação e de refino para justificar suas reações de violência física, apesar do tom de comédia que acontecia paralelamente, o segundo tipo vivido pelo ator na televisão, criado por Glória Perez na atual novela das nove da Rede Globo, um letrado, tenta disfarçar sua falta de ética e de moral por trás da imagem do intelectual vaidoso e forçosamente engraçado. O que é pior? Difícil colocar na balança. Muito menos nesses pesos e medidas usados pela Justiça, inclusive da vida real.

Como escrevi em minha página no Facebook, após assistir às cenas que foram ao ar nessa sexta-feira (8), envolvendo Stênio, Théo (Rodrigo Lombardi) e Lívia (Claudia Raia), um advogado sério, de renome e comprometido com a verdade, como deve ser um profissional dessa alçada, não se submeteria a um jogo sujo sugerido por sua cliente... A não ser que ele assuma no final da novela não passar de um rábula.

Enfim, o núcleo policial e judiciário da novela está deixando muito a desejar. Muitas falhas, muitos furos, muitos erros no todo. Sobra um tom acima, com interpretações exageradas, olhares provocantes quando deveriam ser desafiadores. Olhares carinhosos quando deveriam ser inquisidores. Movimentos bruscos quando deveriam ser cautelosos. Movimentos tímidos quando deveriam ser intimidadores...

Vai saber o que rola por trás até da ficção...