quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

“Escolinha do Professor Raimundo”: Alguns personagens voltam fiéis ao original, enquanto outros estão perdidos no remake do humorístico que fez sucesso por décadas


O remake da “Escolinha do Professor Raimundo”, exibido em primeira mão no canal Viva e agora no ar nas tardes de domingo na Rede Globo, vem apenas reafirmar a genialidade de Chico Anysio, que, ao lado de Haroldo Barbosa, foi responsável pela criação na televisão do humorístico que teve seu embrião no rádio. Os sete episódios produzidos estão prestando uma justa homenagem à atração que ficou no ar por mais de 38 anos, inicialmente como quadro de outros programas, e fazendo uma comemoração aos 25 anos como humorístico independente. Claro que por mais que alguns atores estejam se sobressaindo ao voltarem a dar vida a tipos marcantes, enquanto outros estão apenas se esforçando, a alma dos verdadeiros intérpretes, donos absolutos dos personagens, continua presente na memória afetiva de cada telespectador. Embora muitos já tenham nos deixado.

De qualquer forma, vale ressaltar o trabalho impecável de alguns artistas escalados para essa “nova geração”. Estão tirando de letra os atores, Mateus Solano, que faz uma leitura fiel do Zé Bonitinho de Jorge Loredo; Marcos Caruso, irretocável como o Seu Perú de Orlando Drummond; Dani Calabresa, que parece ser a própria reencarnação da Dona Catifunda de Zilda Cardoso; Marcius Melhem, que faz uma réplica toda própria do Seu Boneco de Lug de Paula, e Marcelo Adnet, numa interpretação que soa até como quase afetiva do Seu Ptolomeu de Rogério Cardoso.

O mesmo não é possível dizer de outros atores, que estão fazendo uma interpretação tão forçada que aniquila qualquer possibilidade de graça. É o caso de Fernanda Souza (Tati/Heloísa Périssé), Marco Ricca (Pedro Pedreira/Francisco Milani), Ellen Roche (Capitu/Cláudia Mauro), Fernanda de Freitas (Marina da Glória/Tássia Camargo) e Otávio Müller (Baltazar da Rocha/Walter D’Ávila). A sensação é de que não estão homenageando, mas sim tentando superar os intérpretes originais. O estão ali forçados, cumprindo de mal gosto o “dever de casa”.

Claro que a dupla Bruno Mazzeo e Lúcio Mauro Filho representam um caso à parte, já que estão claramente reverenciando seus pais nos papeis de Professor Raimundo Nonato Aldemar Vigário, respectivamente Chico Anysio e Lúcio Mauro. E a réplica é verdadeira. Como diz o próprio Bruno, eles não estão fazendo um programa de humor, mas sim de amor.

Vale ressaltar ainda Betty Goffman que, embora não consiga ficar tão vesga quanto Zezé Macedo, está dando a Dona Bela a mesma essência que ela tinha na interpretação original da saudosa atriz, Enquanto Otaviano Costa como Seu Ptolomeu, personagem que era de Nizo Neto, está muito Otaviano Costa. A sensação de que ele acha que está fazendo graça na bancada do “Vídeo Show”.

Cogita-se a possibilidade de o programa ganhar nova temporada, com texto mais picante, adequado para o horário noturno. Só que haveria substituições no elenco, já que alguns atores que fizeram parte dessa homenagem têm outros compromissos. Ou seja, pretendem descaracterizar totalmente um programa que já tem sua assinatura lacrada na história da televisão. Será que o verdadeiro Professor Raimundo aprovaria essa “reforma no ensino”? Afinal, Bruno Mazzeo pode estar a cara do próprio pai, mas a “Escolinha” será sempre do mestre Chico Anysio.



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