sexta-feira, 26 de agosto de 2016

“Adnight”: Marcelo Adnet erra na escolha do primeiro convidado e mostra despreparo para comandar um programa sozinho


Qualquer análise sobre a estreia de “Adnight”, programa comandado por Marcelo Adnet na Rede Globo, nessa quinta-feira (25), poderia começar com uma palavra: constrangedora. A apresentação especial feita pela emissora na semana passada já tinha dado sinais de que não havia motivo para se criar grande expectativa em relação à nova atração. Mas o público sempre alimenta a esperança de ser surpreendido. De preferência que seja uma surpresa positiva. Não foi o que aconteceu.

Esse estilo stand-up comedy almofadinha na TV já virou zona de conforto para comediante de palco que não sabe realmente se virar diante de uma câmera voltada diretamente para ele. No teatro é muito mais fácil distrair o espectador e até desviar a atenção dele para quem também está na plateia ou para qualquer outra coisa que não seja o próprio artista. Na televisão não dá. O telespectador está focado na imagem do monitor e precisa ser cativado para assim continuar. Adnet mostrou despreparo e insegurança para ser dono do seu programa.

Para começar, seu primeiro convidado é ninguém menos do que Galvão Bueno. E Adnet justifica dizendo que é para “matar a saudade” da Olimpíada. Como assim? Os jogos olímpicos acabaram há apenas quatro dias, será que alguém realmente está sentindo saudade do Galvão? Por favor, só gritando “Cala a boca, Adnet!”. Aí entra Daniela Mercury, Reginaldo Lemos e Arnaldo Cézar Coelho para participar de um quiz com perguntas bobas sobre o narrador-comentarista. Para quê?

Aí, alguém teve a ideia esdrúxula de colocar apresentador e entrevistado para pisar em uvas dentro de uma tina enquanto, entre uma pergunta e outra, Adnet quer saber com quantos anos Galvão perdeu a virgindade... Oi? Depois vem uma dança de tango fora de hora, só para a mulher do comentarista esportivo fazer uma aparição relâmpago. E em seguida, num mico completamente fora de contexto, Galvão, Adnet e Arnaldo Cézar Coelho se vestem de faraó para fazer uma selfie, fingindo que estão no Egito. O que tinha no vinho que eles beberam antes???

Não bastasse ser mais um programa com o formato batido de ter uma banda musical de prontidão no palco, as letras das músicas que pontuam os momentos da entrevista ganharam sempre uma versão que deveria ser cômica, só que nenhuma teve a menor graça. O apresentador, absurdamente perdido, parecia um bobo tentando agradar a corte. O auge do amadorismo e da falta de noção foi a disputa de corrida em bichos de pelúcia de brinquedo, desses que têm em shopping, pelos corredores dos estúdios da Globo, culminando com Adnet gritando: “O nosso amor pelo Galvão em nome de todo povo brasileiro”. Alguém aí deu procuração para o Adnet falar em nosso nome?

Independentemente do próximo convidado, ficou visível que Marcelo Adnet ainda precisa aprender muito para ser um apresentador e entender que ter um programa próprio exige responsabilidade muito maior do que ser apenas parte de um grupo de humoristas interpretando piadas em esquetes. Está faltando experiência na mesma proporção em que está sobrando deslumbramento com a nova função.



Mais Marcelo Adnet em:

http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2013/04/o-dentista-mascarado-pouco-confortavel.html


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

“MasterChef Brasil”: Band acerta ao assumir prova final gravada e anúncio ao vivo do vencedor agita torcidas nas redes sociais


A vitória de Leonardo, ou simplesmente Leo, no “MasterChef Brasil” que foi ao ar na terça-feira (23), na Band, já era esperada para a maior parte dos internautas que bombardearam as redes sociais com memes favoráveis ao empresário paulista desde que ele foi para a final ao lado de Bruna. Mas durante o programa o que surpreendeu mesmo foi a torcida de quase todos os outros participantes, que assistiam a tudo do mezanino, para a professora mineira. Até mesmo Raquel, terceira semifinalista eliminada que sempre disse ser a única parceira de Leo na disputa, dizia até que eles eram os dois lobos solitários na competição, resolveu se aliar aos outros ex-competidores e gritar junto com eles palavras de incentivo a Bruna. Fernando e Aluízio até se mostraram favoráveis ao paulista, mas foi apenas Thaiana quem realmente tentou ajudá-lo com dicas durante a última prova.

Agora, analisando o que foi ao ar, foi muito bom ver que dessa vez a Band aprendeu a lição e não tentou enganar o telespectador, como fez nas finais das duas primeiras temporadas, anunciando que o programa inteiro seria exibido ao vivo, quando na verdade a realização da última prova já tinha sido gravada e foi mostrada no estúdio em um telão. A diferença foi logo sentida quando Leo e Bruna chegaram ao local da transmissão em trajes de festa e não vestindo doma de chef, como os finalistas anteriores. Até a apresentadora Ana Paula Padrão deixou claro que a prova final já tinha sido gravada há algumas semanas. Apenas o anúncio do nome do vencedor, que estava sendo guardado em segredo pelos jurados Paola Carosella, Henrique Fogaça e Erick Jacquin, foi realmente feito ao vivo.

Mas o ponto alto do programa ficou mesmo por conta das sequências gravadas da prova em que Leo e Bruna executaram um menu autoral, com entrada, prato principal e sobremesa. Ele apoiado pela mãe e pela namorada e ela, pelo pai e o marido. Aliás, o pai de Bruna mostrou a quem ela no puxa-saquismo e, do alto do mezanino, ele fez um comentário sobre Paola: “Mas, gente, aquela chefe é gatona demais!”. Elogio impróprio e deselegante para o familiar da participante de uma final. Apesar de que Paola parece gostar de ser bajulada e, como fazia antes, voltou a não esconder sua preferência pela concorrente feminina. “Ela fala e faz maionese. As pessoas panicam com maionese. Você merece estar aqui”, diz a chefe, sorrindo ao exaltar o trabalho de Bruna na cozinha. Já Fogaça, ao lado dela, visivelmente sem graça com tal observação, tentou mudar de assunto. Assim como Jacquin, sempre coerente e criterioso, manteve sua postura habitual de quem não se deixa levar por elogios tendenciosos.

De qualquer forma, Bruna acabou perdendo justamente por ter inventado de fazer um doce de beterraba para a sobremesa. A ideia da professora, que era conhecida por seus conhecimentos em confeitaria, não agradou. E Leo acabou levando o prêmio de MasterChef Brasil. Agora é aguardar pelo “MasterChef Profissionais”, competição que reunirá cozinheiros experientes que começará a ser gravado em setembro. A estreia, inicialmente, está prevista para outubro.



Mais "MasterChef Brasil" em:
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