sexta-feira, 23 de março de 2012

“Fina Estampa”: Um final que deixou sem resposta o principal mistério da questão: qual era o segredo da Teresa Crisrina?


Marcelo Serrado e Alexandre Nero, com as idiossincrasias de suas personagens, Crodoaldo Valério e Baltazar, respectivamente, com certeza salvaram “Fina Estampa” de um final nem tão fino assim. Desde quando a novela de Aguinaldo Silva estreou, dia 22 de agosto do ano passado, até o último capítulo exibido nessa sexta-feira (23), Crodoaldo Valério, ou simplesmente Crô, já disse a que veio. E, de carona, alavancou a presença do motorista Baltazar, ironicamente batizado de Zoiudo. Crô ainda serviu de escada para Marilda, a “anã de jardim” interpretada por Katia Moraes.

Mas a pergunta que não quer calar é: que raios de segredo a Tereza Cristina (Christiane Torloni) escondia que nunca foi revelado? Sim, porque ser filha bastarda do marido da Tia Íris (Eva Vilma) com a irmã da mesma não justificava o medo que ela tinha de ser desmascarada. Vale lembrar que no capítulo exibido no dia 24 de novembro, uma quinta-feira, Tia Íris contou a Alice (Thaís de Campos) que tinha uma poderosa "arma" para se proteger da sobrinha e que já tinha tomado providências. Antes de contar para Alice do que se tratava, um flash-back mostrou Tereza Cristina ameaçando a Tia Íris com uma faca dizendo que faria "picadinho" dela caso contasse seu segredo para alguém. Ora, se a Rainha do Nilo sabia qual era o segredo, qual foi a surpresa quando soube que era filha da empregada que morreu louca ou quando Álvaro (Wolf Maya) revelou ser seu irmão?

Pior, se o segredo era apenas ser filha do marido e da irmã da tia, por que Íris, naquele mesmo capítulo exibido há quatro meses, respondeu à sobrinha que se ela a matasse, além de ficar perdida e humilhada, também acabaria na cadeia? “Não subestime minha inteligência, titia. Ninguém iria desconfiar de nada. Eu sou perfeitamente capaz de sumir com o teu corpo”, respondeu Tereza Cristina. E Tia Íris imediatamente se defendeu dizendo que no momento em que fosse considerada morta, cinco cartas entregues a cinco advogados diferentes seriam abertas. “Acho que você é inteligente o suficiente para saber qual é o conteúdo delas, sem que eu precise dizer”, afirmou Tia Íris.

O que era para ser um segredo inicialmente compartilhado por Tia Íris e Tereza Cristina, de repente virou um segredo apenas da primeira. E se assim era, porque a sobrinha dava dinheiro para a tia ficar calada sobre algo que até ela desconhecia? Talvez só a Altiva de “A Indomada” descubra, já que Íris virou caminhoneira e foi com Alice para Tupiacanga, cidade fictícia de “A Indomada”, outra novela de Aguinaldo na qual Eva Wilma fazia mais uma vilã cômica.

O que sobrou para as outras tramas foram finais óbvios e amplamente divulgados há dias.

Chico Anysio: Humorista criador de mais de 200 personagens será sempre insubstituível


Chico Anysio não dá adeus apenas a uma legião de fãs e admiradores que o acompanharam ao longo de 60 anos de profissão, como também a uma legião de jovens que ainda nem tinham nascido quando a “Escolinha do Professor Raymundo” inaugurou suas primeiras aulas. Professor Raymundo foi o primeiro de mais de 200 personagens criados pelo humorista, ator, dublador, escritor, compositor e pintor, que nos deixou nessa sexta-feira (23), aos 80 anos, prestes a completar 81 em 12 de abril.

Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, ou apenas Chico Anysio, nascido em Maranguape, no Ceará, dirigiu e trabalhou ao lado de grandes nomes do humor no rádio e na televisão como Paulo Gracindo, Grande Otelo, Costinha, Walter D'Ávila, Jô Soares, Renato Corte Real, Agildo Ribeiro, Ivon Curi, José Vasconcellos e muitos outros. Tornou-se um dos mais famosos, criativos e respeitados humoristas da história do país.

Não bastasse a criatividade inesgotável em criar personagens inteligentes vivendo situações que sempre tinham a ver com o momento social e político do país, Chico ainda era um artista multimídia que surpreendia em qualquer área em que atuasse. E nem na vida pessoal tentava ser o que não era. Assumiu um casamento com Zélia Cardoso de Mello, que tinha feito parte do governo Collor de Mello, no qual ela não tinha sido uma ministra nada popular. Tecia críticas à Globo sem o menor receio, mesmo correndo o risco de ficar na “geladeira”, como aconteceu até o fim de sua carreira. Era uma pessoa de opinião e corajoso ao defender suas convicções.

Jamais vou esquecer de quando eu trabalhava em jornal e um artista na área do humor morria e tínhamos que fazer o obituário repercutindo com outros artistas, era sempre eu que repercutia com o Chico. E quando ele gostava do defunto, enchia de elogios. Mas quando não gostava era super sincero: "Só porque morreu vou elogiar? Eu não!", dizia ele, com sua sinceridade e autenticidade únicas. E na maioria das vezes ele estava certo. Com certeza a maioria só terá elogios ao mestre do humor que hoje nos deixou tão tristes. Mas não há quem nunca tenha superado momentos de tristeza dando boas risadas, muitas vezes até contidas, com personagens como:

Albarde, Alberto Roberto, Albino, Al Cafone, Alfacinha, Alfano, Azambuja, Badé Mangaio, Bandeira, Bexiga, Bicão, Bilac Biruta, Bilingui, Bim Bim, Biu, Bolada, Bonfá, Bonfim, Bóris, Bozó, Brazuca, Bronco Billy, Bruce Kane, Caetano Codô, Caio Malufus, Calheiros, Canarinho, Canavieira, Capitão Trovão, Caramuru, Castelinho, Celso Garcia, Charles Westminster, Chiquitim, Cisso Romão, Cleofas, Coalhada, Comandante Alencar, Coronel Bezerra, Coronel Candinho, Coronel Lidu, Coronel Limoeiro, Coronel Lindomar, Corrimão, Delegado Matoso, Divino, Dona Dedé, Dona Ilária, Doutor Excelência, Doutor Rosseti, Doutor Salgado, Ecolouco, Esquerdinha, Flávio Miralski, Flora Romão, Franciscano, Francisco Sufrágio, Frota, Fukida, Fumaça, Galileu, Gamação, Gastão, Genival, Gualicho, Haddock Lobo, Haroldo, Hilário, Honório Kauser, Jean Pierre, João Ninguém, Joca Ezequiel, José Maria, Jovem, Justo Veríssimo, Juventino Senta Aí, Karlos Kafunga, Lingote, Linguinha, Lobato, Lobo Filho, Lord Black, Maria Baiana Mariano, Marmo Carrara, Mauro Maurício, Meinha, Milton Gama, Neyde Taubaté, Nicanor, Albarde, Alberto Roberto, Albino, Al Cafone, Alfacinha, Alfano, Alfinete, Apolo, Azambuja, Badé Mangaio, Baiano, Bandeira, Bento Carneiro, Bexiga, Bicão, Bilac Biruta, Bilingui, Bim Bim, Biu, Bolada, Bonfá, Bonfim, Bóris, Bozó, Brazuca, Bronco Billy, Bruce Kane, Caetano Codô, Caio Malufus, Calheiros, Canarinho, Canavieira, Capitão Trovão, Caramuru, Cascata, Castelinho, Celso Garcia, Charles Westminster, Chiquitim, Cisso Romão, Cleofas, Coalhada, Comandante Alencar, Coronel Bezerra, Coronel Candinho, Coronel Lidu, Coronel Limoeiro, Coronel Lindomar, Corrimão, Delegado Matoso, Divino, Dona Dedé, Dona Ilária, Doutor Excelência, Doutor Rosseti, Doutor Salgado, Flávio Miralski, Flora Romão, Franciscano, Francisco Sufrágio, Frota, Fukida, Fumaça, Galileu, Gamação, Gastão, Genival, Gualicho, Haddock Lobo, Haroldo, Hilário, Honório Kauser, Jean Pierre, João Ninguém, Joca Ezequiel, José Maria, Jovem, Justo Veríssimo, Juventino Senta Aí, Karlos Kafunga, Kenny Rocha, Lingote, Linguinha, Lobato, Lobo Filho, Lord Black, Maria Baiana, Mariano, Marmo Carrara, Mauro Maurício, Meinha, Milton Gama, Mirandinha, Mister Happy, Nazareno, Neyde Taubaté, Nicanor, Nico Bondade, Nozinho, Olegário Rapp, Olindo, Osvaldão, Padre Miguel, Painho, Pantaleão, Paulo Brasilis, Paulo Jeton, Pedro Fortes, Popó, Primo Rico, Professor Beira Baixa, Professor Gavião, Professor Raimundo, Profeta, Prometeu, Quem-Quem, Quirino, Roberval Taylor, Roda-Presa, Romero Gordi, Roubonildo da Afanação Sacadura, Salomé, Savi Sevic, Setembrino Republicano, Seu Genaro, Seu Jayme, Severino Pandolé, Silva, Simplício, Sudênio, Tadinho, Tan-Tan, Tavares, Tetéu, Tim Tones, Tutóia, Urubulino, Valentino, Véio Zuza, Vieira Souto, Virgílio, Vovó Zefa, Washington, Zé Faxineiro, Zé da Silva, Zé Tamborim, Zelberto Zel.

É difícil superar uma perda. Imagina perder todas essas?

Mas há pessoas tão especiais no mundo que elas não nos deixam com a sensação de perdas, só nos deixam a sensação de ganhos. E Chico Anysio nos deixou a herança das mensagens, algumas vezes subliminares, deixadas através de cada um de seus personagens. Que cada um pegue a sua parte.


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“As Brasileiras”: O elenco exagerou no sotaque no episódio “A Fofoqueira de Porto Alegre” em que Xuxa é a protagonista


Xuxa fez questão de carregar no sotaque gaúcho em “A Fofoqueira de Porto Alegre”, episódio da série “As Brasileiras” que foi ao ar nessa quinta-feira (22), na Globo. Para quem não é do Sul, pode ter parecido exagerado, mas a intenção da apresentadora talvez tenha sido seguir a entonação dos moradores do interior do estado, já que ela não nasceu na capital e sim em Santa Rosa. Até porque, mesmo morando há tantos anos no Rio de Janeiro e falar com um chiado carioca exagerado, a loura de vez em quando não consegue disfarçar seu sotaque de origem.

No episódio, Xuxa interpretou Rita, uma socialite rica que adora fazer fofoca. Só que o feitiço vira contra a feiticeira e ela acaba ouvindo boatos de que está sendo traída pelo seu marido, Rodrigo, vivido por Rodrigo Lombardi. Rita decide então buscar a má língua que começou a espalhar a notícia de que ela poderia ser trocada por outra. Até descobrir que tudo começou com um mal entendido de uma empregada dela mesma, ouvindo uma fofoca da patroa.

Com a experiência dos filmes que já fez no cinema, Xuxa se saiu até melhor do que Ivete Sangalo. A crítica do episódio protagonizado pela baiana está aqui: “As Brasileiras”: Ivete Sangalo não fez feio, mas foi praticamente ela própria em “A Desastrada de Salvador”
Enquanto a cantora parecia ser ela mesma no episódio que protagonizou, a apresentadora encarnou direitinho uma personagem que não fosse ela mesma.

Já as outras atrizes do elenco, como Malu Valle e Priscila Marinho, exageraram tanto no sotaque que ele acabou roubando a atenção da história, principalmente Bianca Byington, que mais parecia estar querendo se sobressair à própria protagonista, ou estar fazendo um deboche. Diferentemente de Giulia Gam e Rodrigo Lombardi, que mantiveram a entonação no tom certo.

No mais, tratou-se de mais um besteirol no qual apareceu até o “casseta” Cláudio Manoel interpretando um verdureiro...
   

quinta-feira, 22 de março de 2012

“Touch”: Nova série com Kiefer Sutherland mostra pessoas e eventos ligados entre si, através da mente brilhante de um autista


Jack Bauer ficou para trás, depois de ter durante oito temporadas suas “24 Horas” de fama. Pelo menos na TV, já que existe uma possibilidade de a série virar filme no cinema. Mas, no momento, a missão de Kiefer Sutherland é repetir o sucesso anterior em “Touch”, grande aposta do canal FOX, que estreou no Brasil nessa semana, na segunda-feira (20), com apenas um dia de diferença em relação à exibição nos Estados Unidos.

A série conta a história de Martin Bohm (Kiefer), um ex-repórter que perdeu a mulher no 11 de Setembro e pai de um garoto autista de 11 anos. Coincidências à parte, o menino se chama Jake e é interpretado por David Mazouz, um ator-mirim que já surpreendeu no primeiro episódio, completamente mudo e intocável, mas dizendo tudo com seus gestos e olhares profundos. Inicialmente, Martin não consegue entender o comportamento do filho, até perceber que ele tem o dom de prever através de números coisas que ainda vão acontecer. O garoto é uma espécie de “mente brilhante”.

Criada por Tim Kring, o mesmo de "Heroes", a série mistura drama com apelo místico, como fica claro na narração nas primeiras cenas de um texto sobre o mito chinês do Fio Vermelho do Destino que diz: “Os deuses armazenam um fio vermelho no tornozelo de cada um e o amarram nas pessoas cujas vidas devemos tocar”. Para compensar o lado dos céticos, é citada também a famosa sequência Fibonacci, para lembrar que os números fazem parte de padrões matemáticos.

No decorrer da história fica claro que a missão de pai e filho é fazer a conexão entre pessoas. Tudo acontece através de celulares. Martin recolhe aparelhos na seção de achados e perdidos para dar a Jake, acreditando que o menino os usa apenas para brincar. Na verdade é através das ligações para esses aparelhos que acontece a ponte entre pessoas dos mais diversos países que, aparentemente, nada têm em comum.

A estreia também mostrou um fenômeno bem atual: uma irlandesa desconhecida grava num celular um vídeo num pub onde canta e um amigo se encarrega de jogar o aparelho numa bagagem qualquer no aeroporto. Assim, o vídeo vai parar no Japão, onde os jovens que o encontram adoram, acham que se trata de uma estrela famosa e criam até um fã clube para ela. É mais uma anônima transformada em viral. As cenas entrecortadas mostrando pessoas diferentes nos mais diversos pontos do mudo dão uma linguagem ágil à série.

Uma ligação de uma telefonista também ajuda a evitar que um garoto-bomba num país árabe acione o dispositivo ligado a um celular. O menino acabou se envolvendo com terroristas apenas porque sua família precisava de um forno para fazer pão e garantir o sustento da família.

Em outra situação, Martin resolve tentar decifrar o mistério dos números repetidos pelo filho e corre para uma estação de trem onde ataca um passageiro que estava no orelhão. O homem fica furioso por ter perdido o trem. E nada acontece. Até que, mais tarde, Martin vê na TV a notícia de um ônibus incendiado e o mesmo homem contando que ajudou a salvar crianças que estavam no veículo e seriam queimadas. “Isso só aconteceu porque perdi o trem”, diz o desconhecido na entrevista. É quando o ex-repórter percebe a ligação dos fatos e resolve decifrar os números pelos quais o seu filho está obcecado e descobrir o significado dos mesmos.

Pai e filho contarão com a ajuda da assistente social Clea Hopkins (Gugu Mbatha-Raw) na tentativa de descobrir todas as mensagens de Jake. Com roteiro bem escrito e personagens interessantes, se mantiver o ritmo ágil e a dose de emoção da estreia, “Touch” tem tudo para criar uma conexão de sucesso com o público. Como diz outra mensagem citada no primeiro episódio: “O fio pode se esticar ou emaranhar, mas nunca se parte”.

terça-feira, 20 de março de 2012

“Fantástico”: Zeca Camargo grava com Renata Ceribelli, fingindo ser ao vivo, chamada de matéria que não entra no ar na hora e apresentador tem que correr para justificar sozinho a falha


Alguma coisa está fora da ordem. Fora da ordem mundial. Como diria uma música de Caetano Veloso. Tal como tem acontecido com o “Jornal Nacional”, que invariavelmente vem apresentando e corrigindo erros ao vivo, o mesmo vem ocorrendo no “Fantástico”. Dessa vez foi no domingo (18), quando Zeca Camargo e Renata Ceribelli chamaram uma matéria da Débora Colker, que deveria mostrar uma coreografia russa do século XIX. Apareceu um breu na tela. E, na volta, Zeca apareceu sozinho se desculpando pela falha técnica. 

Nem Débora Colker apareceu e nem Renata Ceribelli estava mais lá ao lado de Zeca. O jornalista, sem graça, se desculpou pela falha e continuou falando sozinho enquanto os créditos de encerramento subiam. Ficou feio. Se existe uma equipe para segurar a onda ao vivo, que fique ao vivo até o fim. E se é para ser ao vivo, que não disfarce com falsas gravações. Por que só o Zeca Camargo estava no programa até o final? Onde foi parar Renata?

Essa história de fazer "falso ao vivo", quando os caras ficam no estúdio, de prontidão, chamando matérias que já foram gravadas e com as “cabeças” já prontas, acabam resultando nisso quando o pessoal da direção e edição não está atenta. Pegou mal.

Ainda mais depois de fazer uma matéria de denúncia que está exaustivamente sendo repetida em todos os noticiários. Repitam os acertos. Mas também corrijam os erros.


segunda-feira, 19 de março de 2012

“De Frente Com Gabi”: Em uma entrevista comovente para Marília Gabriela, a doce Palmirinha dá um exemplo de superação

Palmirinha Onofre recebeu da vida os ingredientes mais amargos e conseguiu fazer deles uma receita de superação que serve de exemplo para qualquer um. Foi emocionante sua entrevista no “De Frente Com Gabi” desse domingo (18), no SBT, baseada na sua história sofrida recentemente contada em um livro, o “A receita da minha vida”. Aos 80 anos, Palmirinha está começando uma nova fase em sua carreira, vai ter um programa de culinária no canal Bem Simples, da Fox, nos mesmos moldes do que tinha na Gazeta, e se prepara para realizar o sonho de colocar em prática um projeto no qual ela quer viajar por todo o país ensinando as pessoas a comerem bem e a ganharem dinheiro cozinhando.

Mas a trajetória desta simpática senhorinha é de levar qualquer um às lágrimas. Filha de uma imigrante italiana com um baiano, ela foi maltratada pela mãe desde a infância, quando apanhava com vara de marmelo. “Quando tinha uns 16 anos minha mãe me vendeu por 5 mil réis para um fazendeiro”, contou ela a Marília Gabriela, dizendo que foi salva por uma tia que morava ao lado de sua casa.
Depois de padecer nas mãos da mãe, passou a apanhar também do marido, que bebia muito e tinha várias amantes. Quando a segunda das três filhas se casou, ela decidiu dar um basta às agressões. “Aí eu me separei, eu tinha 45 anos. Achava que se eu me separasse dele antes iria prejudicar o futuro das minhas filhas. Minha família dizia que mulher que se separava do marido não prestava”, tentou justificar ela.

Separada, passou por vários empregos e sofria com todas as dificuldades para criar as filhas. Um novo ânimo surgiu quando começou a vender doces e salgados. E foi quase por acaso que ela acabou indo parar na TV. Ao participar do “Programa Silvia Poppovic”, na Band, cujo tema era "Criei minhas filhas sozinha", sua presença logo chamou a atenção de Ana Maria Braga, na época ainda na Record, que a convidou para ser sua colaboradora no “Note e Anote”. “Eu não tinha salário, mas podia divulgar que dava aulas e preparava banquetes. Fazia meu merchan”, brincou ela. Em 1999, quando Ana Maria estreou na Globo, Palmirinha foi para a TV Gazeta, onde ficou até 2010.

A sua saída da Gazeta teve grande repercussão. Apesar de não ser uma emissora de abrangência nacional na TV aberta, Palmirinha virou cult ao se tornar presença constante no quadro “Top Five”, do “CQC”, na Band, junto do boneco Huguinho, que a salvava sempre que ela se esquecia do que estava falando. Mostrando-se muito mais corajosa do que muitos profissionais com bem menos idade, foi ela que não quis renovar seu contrato. “Estava muito cansada, porque era eu que fazia tudo no meu programa, não tinha produção.” Talvez por isso a represália no seu último programa: quando ela começou a se despedir, cortaram o áudio do microfone, o que a deixou magoada.

Após sair da Gazeta, outras emissoras a chamaram, mas não queriam contratar junto o boneco Huguinho. “Sem o meu boneco eu não vou. Ele faz parte da minha vida na TV. Está comigo há 11 anos”, respondia ela às propostas. Feliz por ter descoberto que é tão amada pelo público e ganhar mais um desafio ao lado de seu boneco, Palmirinha mostra que está pronta para dar mais uma volta por cima. “Eu me sinto jovem, por isso não envelheço”. Grande lição de vida dessa mulher que, não bastasse todas as intempéries, ainda enfrentou e se curou de um câncer há 20 anos e revela não guardar mágoas nem da mãe, nem do marido.

“Programa Silvio Santos”: O dono do baú volta de férias com os cabelos grisalhos, mas mantendo a irreverência de sempre



Silvio Santos fez jus a um clássico da propaganda brasileira dos anos 70, um comercial do shampoo Colorama no qual uma garota propaganda perguntava: "Ei, ei, você se lembra da minha voz? Continua a mesma. Mas os meus cabelos, quanta diferença...". No “Programa Silvio Santos” desse domingo (18), no SBT, o apresentador e dono da emissora não só estreou um cenário diferente como também um novo visual. Depois de 36 anos sendo atendido pelo cabeleireiro e amigo Jassa, o apresentador, de 81 anos de idade, resolveu assumir os cabelos brancos.

Vale lembrar que há quase três anos no mesmo “Programa Silvio Santos”, no quadro “Pergunte para Maísa”, a pequena apresentadora não se conteve e, na ânsia de descobrir se o cabelo do 'patrão' era ou não verdadeiro, deu um puxão nos fios e saiu gritando: “É peruca, é peruca”. A cena foi rapidamente cortada por Silvio, que chamou uma nova atração, só alimentando uma antiga polêmica se ele era ou não careca. Coisas do Dono do Baú que, em 2003, também promoveu uma polêmica dizendo que tinha uma doença grave e que iria morrer a qualquer momento.

Fato é que Silvio Santos continua firme, forte e causando, com peruca ou cabelos grisalhos. Em sua volta de umas férias de três meses ele reassumiu o comando de seu programa recebendo no quadro “Jogo das 3 Pistas” a socialite Val Marchiori e a piloto de caminhões Débora Rodrigues, ambas ex-participantes do programa “Mulheres Ricas”, da Band. Quando Val contou que tinha se separado do “marido”, Silvio largou uma das suas: “Separou? Tem um velhinho legal para você. Vamos juntar nossas fortunas, eu entro com a felicidade e você com o baú”. Em alguns momentos ele pesa a mão na malícia, como quando se referiu à ex-Sem Terra: “Aquela Débora não tinha terra, não tinha peito, não tinha barriga. Mas ‘piriquita’ tinha”, brincou ele, às gargalhadas.

Teve também um “De Quem é Essa Voz”, com ex-participantes do antigo “Qual É A Música?”. “O que é isso, abriram as portas do cemitério?", perguntou Silvio ao ver no palco o antigo dublê de voz Pablo, os atuais dubladores Nahin e Felipeh, além de Gretchen, Valeska Popozuda, Viviane Araújo. “Como você está bonita. Nossa Senhora da Plástica fazendo milagres”, disse ele a Gretchen, que garantiu não ter feito nenhum procedimento cirúrgico. E ainda provocou quando Silvio disse que o bumbum da Popopzuda está melhor do que a dela. "Mas o meu é verdadeiro", rebateu a morena. Silvio nem ligou, continuou rindo e brincando com todos.

Foram mais de quatro horas de programa, com vários tipos de jogos, parada de sucesso, pegadinhas. Mas o ponto alto continua sendo dar dinheiro aos participantes, e dá-lhe “aviãozinho” para a plateia. Afinal, quem não quer dinheiro?


sexta-feira, 16 de março de 2012

“Pan Am”: Série do Sony traz o glamour da aviação nos anos 60, belas aeromoças, pilotos elegantes e clima de espionagem

Seria lugar comum colocar como destaque o fato de “Pan Am”, série que estreou nessa quinta-feira (15), no canal Sony, ter como uma de suas principais características o perfil retrô. Afinal, é algo totalmente normal em um programa ambientado nos anos 60 e que mostra a história de aeromoças e pilotos durante o início da trajetória da mais famosa companhia aérea americana na época da Guerra Fria. Mas não há como negar que é uma delícia ver o charme daquelas aeromoças, que hoje só admitem serem chamadas de comissárias de bordo, desfilando com figurinos, cabelos e maquiagens impecáveis. E um serviço de bordo que deixa qualquer um nostálgico e com saudades dos tempos em que voar não era apenas preciso, era prazeroso. Mas a série vai bem além disso.

Um rosto conhecido que chama a atenção é o da atriz Christina Ricci, a menina precoce do filme "A família Addams" e protagonista em “Gasparzinho, o Fantasminha Camarada” que agora vive a chefe de cabine Maggie. No time das aeromoças também estão Margot Robbie (Laura), Karine Vanasse (Colette) e Kelli Garner (Kate). São mulheres ousadas para sua época, que fugiram do tradicional papel de esposa dona de casa tão marcante naquela época e optaram por levar uma vida de viagens, romances e aventuras.

O charme fica por conta do uniforme das aeromoças: corsets, saias justíssimas, camisas, jaquetas, chapéus e luvas, além dos saltos altíssimos. Mas, além do glamour há o aspecto político e de suspense da história. E a principal peça é Kate Cameron, uma trilíngue e experiente aeromoça que atua como uma agente secreta contratada pela CIA. É ela também que se irrita com sua irmã mais nova, Laura, uma aeromoça novata que aparece na capa da revista “Lifeno” usando seu uniforme da Pan Am. Kate, que precisa manter discrição por sua função paralela, não gosta de ver a caçula se transformar numa celebridade.

O embate entre o tradicional e o revolucionário é mostrado de forma contida, bem próprio daquela época. Como na cena em que um menino dá um desenho a uma aeromoça, que agradece. E a mãe do garoto diz a ela de forma altiva: “Coloque na sua geladeira para lembrar-se de não dormir com o marido de outra mulher”, mostrando saber que a aeromoça tinha um caso com o marido dela.

Merece destaque ainda uma recriação em tamanho real de um jato 707 da Pan Am feito especialmente para a série. A mistura de alta tecnologia com nostalgia é perfeita. Outra curiosidade é o fato de uma das produtoras executivas, escritoras e desenvolvedoras da série ser uma ex-aeromoça da Pan Am, Nancy Hult Ganis, que fez parte da empresa de 1968 a 1976.

Pan Am é uma sigla que traduz Pan American World Airways, uma companhia americana que operou de 1921 até 1991, quando declarou falência. O idealizador da série foi o escritor Jack Orman, para uma temporada de 14 episódios nos Estados Unidos. A estreia foi no ABC em 25 de setembro do ano passado e a final da primeira temporada foi ao ar em 19 de fevereiro deste ano. O segundo ano da atração ainda não está definido. Felizmente, o canal Sony desistiu da ideia de exibir a série dublada e optou pelas legendas.