Em menos de sete meses, “Totalmente Demais”,
novela das sete da Rede Globo, chegou a seu final nessa segunda-feira (30)
conseguindo o que poucas produções do gênero têm logrado: cumprir exatamente o
que havia proposto em sua sinopse. Foi um último capítulo no qual nenhum núcleo
foi esquecido ou situação ficou pendente, como aconteceu ao longo da história, na qual todos os personagens, independentemente de estarem na linha
de frente ou serem considerados coadjuvantes, tiveram seus “cinco minutos” de
protagonista. Um carinho que poucos autores têm com seu elenco.
Assim como poucos conseguem segurar até o final uma
torcida dividida entre com quem a mocinha, no caso Eliza (Marina Ruy Barbosa),
deveria ficar: Jonatas (Felipe Simas) ou Artur (Fábio Assunção). No caso,
venceu o Sapo, mostrando que os tempos não estão mais para os Príncipes de
última hora. Foi um desfecho leve, com finais felizes, famílias reunidas, e
algumas liberdades poéticas, como a viagem repentina de Jonatas para a França,
logo após ter alta do hospital onde foi submetido a um transplante de fígado, e
o encontro casual dele e Eliza em um parque de Paris com Gabrielle Aplin, a
inglesa intérprete de “Home”, a música tema do casal. Fizeram até uma selfie
com a cantora.
Mas um dos grandes feitos da novela, escrita por
Rosane Svartman e Paulo Halm, foi não trazer apenas os tradicionais
ingredientes dos folhetins do horário, como ainda tocar em uma gama de temas muitas
vezes só explorados na faixa nobre da emissora, e com um cuidado e uma sutileza
poucas vezes visto. A começar por Dino (Paulo Rocha), que representou o
padrasto que assediava sexualmente a enteada, Eliza, e explorava a mulher,
Gilda (Leona Cavalli). O crápula ainda conseguia se safar da cadeia graças a um
amigo, outro bandido, que corrompia policiais corruptos com propina. Mas, no
final, Dino foi preso e teve a punição merecida.
A questão de alguns tipos de
preconceito, como a homofobia e o racismo, foi bem
representada através de Max (Pablo Sanábio), que além de temer a rejeição dos
pais por ser gay ainda sofreu a violência física nas ruas por sua condição
sexual, e Adele (Jéssica Ellen), negra e homossexual, mas muito bem resolvida
consigo mesma. Emocionou também o delicado caso da dificuldade de se encontrar pais adotivos
para crianças negras órfãs ou abandonadas em orfanatos, como Gabriel (Ícaro
Zulu), que ainda tinha o agravante de ser soropositivo. A adoção do menino por
Carolina (Juliana Paes), a vilã que se tornou um exemplo de que as pessoas
podem mudar para melhorar e acabou como heroína, serviu para esclarecer várias
dúvidas que afligem possíveis pais adotivos nesses casos.
E não há como não destacar o caso de superação de Wesley (Juan
Paiva), o jovem morador da comunidade que quase teve o sonho de ser um atleta
atropelado por um acidente que o deixou paraplégico, mas, com o apoio e
incentivo da família, amigos e namorada, tornou-se um cadeirante campeão em
corridas. Já comendo pelas beiradas teve a forma como transtornos de
personalidade antissocial podem muitas vezes passar despercebidos dentro de uma
família, como foi mostrado através de Sofia (Priscila Steinman), a vilã
psicopata filha de Lili (Vivianne Pasmanter) e Germano (Humberto Martins).
Mais "Totalmente Demais" em:
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2015/11/totalmente-demais-temas-como-assedio-e.html
e
http://tvindependentebyelenacorrea.blogspot.com.br/2016/05/opiniao-desnecessario-link-de-haja.html